Semeador, ladrilhador e a onda brasileira

De acordo com o historiador Sérgio Buarque de Holanda, os portugueses, nossos colonizadores,  não valorizavam planejamento e trabalho rotineiro. Segundo o autor, “a ordem aceita não é a que compõem os homens com trabalho, mas a que fazem com desleixo e certa liberdade; a ordem do semeador, não a do ladrilhador”.

Para Holanda, os portugueses sempre valorizaram mais os grandes aventureiros que se lançavam ao mar sem planejamento e encontravam terras longínquas do que os trabalhadores que construiram a nação portuguesa.

O historiador acredita que essa filosofia foi base fundante da cultura brasileira. É possível concordar com o autor, por exemplo, quando se observa os empreendimentos no Brasil.

Muitos empreendedores se lançam em negócios sem planejamento prévio e acabam contribuindo para a alta mortalidade das MPE no Brasil. Tem-se uma imagem romântica do empreendedor que a partir de uma idéia genial foi ao mercado e conseguiu ganhos imediatos. Porém, esquece-se que esse tipo de empreendedor é minoria.

O mercado é cada vez mais competitivos e aventureiros tende a ter vida curta.

Vale ressaltar outro ponto do pensamento de Holanda: os portugueses sempre tiveram uma mentalidade mais individualista, do navegador que desbrava sozinho o mar desconhecido. Valorizavam mais o indivíduo do que o grupo.

Nesse ponto, pode-se fazer um paralelo com o baixo índice de associativismo entre as MPE. O empresário, muitas vezes, prefere fechar o empreendimento a dividir os lucros com outros do mesmo segmento.

O Sebrae tem o papel importante de combater esse traço cultural trazido pelos portugueses e fortalecer a idéia de planejamento, prospecção de mercados, capacitação e associativismo, para contribuir para a sustentabilidade e competitividade das MPE.

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4 pensamentos sobre “Semeador, ladrilhador e a onda brasileira

  1. olá Pedro. paz.

    Beleza de pensamentos em torno dos escritos de Holanda.

    Não leve a mal, é coisa de “professor”, rsrsrs, mas é segmento e não seguimento, ok?

    As vezes faço um comentário, em sala de aula, que nossa maneira de ser, vem desde 1808 quando aqui aportou a família real e sua corte.

    Não é por nada que o Rio de Janeiro ainda hoje tem tantas mazelas… Historicamente sempre foi uma cidade de mil perdições e esta cultura se perpetua ainda nos dias de hoje, com todas as variantes negativas conhecidas.

    O SEBRAE precisa ter através de suas cabeças pensantes um olhar diferente para cada cidade onde atua, participando ativamente de toda ação que possa modificar os quadros de miséria, de criminalidade, corrupção e deseducação.

    Se você tiver oportunidade, pesquise os Projetos e Programas que estão sendo desenvolvidos junto as comunidades de baixa renda em muitas cidades do Brasil.

    Bem legal suas considerações em relação ao associativismo, é por aí mesmo.

    big abraço. ivan lopes – blogueiro Trainees 2010

  2. Pingback: Nem todo cliente quer ser seu amigo « Pedrovaladares's Blog

  3. Bem, as causas estao identificadas e, de uma forma ou de outra, todos nos brasileiros sabemos que isso e verdade. A questao agora e: como mudar esse quadro? Como fazer o brasileiro pensar mais no bem-comum, que no proprio umbigo?

    Interessante e ver como os demais paises vem o brasileiro como um povo hospitaleiro, amistoso, etc. So que o que ninguem aqui fora sabe e que isso nao passa de interesse em se dar bem nas costas dos gringos, que baixam a guarda pros malandros, e ai vem o golpe…

    Este comentario nao vale somente para gringo nao: certa vez estive em Salvador, no Pelourinho, e uma baiana veio toda sorrisos nos abracar e tirar fotos (com nossa maquina, e claro…). Logo em seguida, veio a facada ( nao me lembro de quanto na epoca, mas era algo absurdo…e so pelo uso da imagem!!!). Nao concordei em pagar aquilo tudo, dei o que achei justo (ja a contra gosto), e fui embora. A miseravel veio nos seguindo, fazendo o maior escandalo atras de nos como se fosse uma maniaca!!!! Esta e a hospitalidade brasileira, verificada desde que se possa prover dinheiro facil…

    • Marcelo, primeiramente, obrigado pela visita. Acho que uma forma de mudar é nós mesmos não aceitarmos esse tipo de cordialidade fajuta, que só mascara um interesse escuso.

      Acho que as mudanças tem de ser no nosso cotidiano. Temos que ser firmes em nossas posturas pró-profissionalismo e sempre que nos sentirmos lesados devemos reclamar!

      Só externando nossa revolta é que isso tem chance de mudar. Não podemos aceitar. As coisas não são assim por vontade divina. Elas são uma conjunção de atitudes de várias pessoas. É necessário quebrar essa espiral do silêncio e mostrar que tem gente que não acha aceitável ser explorado e ainda ter de achar bom.

      Seu comentário já é um bom primeiro passo!

      Obrigado pela presença aqui! Volte mais vezes. Vocês será sempre bem vindo!

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