Educação orientada para mercado

A escola deve ter uma conexão mais forte com a vida real

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou o ranking do Índice de Desenvolvimento humano (IDH). O Brasil aparece em 73º lugar. O IDH é formado por três indicadores: educação (anos médios de estudos), longevidade (expectativa de vida da população) e Renda Nacional Bruta. Segundo a instituição, apesar de apresentar melhoras nos dois últimos itens, a educação no Brasil deixa a desejar.

Acredito que um dos entraves das escolas atualmente é a grade curricular. O aluno não consegue estabelecer uma conexão entre o que aprende na escola e a vida real. Essa desconexão pode gerar desinteresse e, consequentemente, aumentar a evasão escolar.

A Austrália, que ocupa o segundo lugar no ranking, assim como os Estados Unidos, quarto colocado, oferecem uma grade flexível, voltada para a área na qual o estudante pretende atuar. O aluno que pretende ser publicitário, por exemplo, pode então cursar matérias como noções de fotografia, marketing, audiovisual entre outras. Além disso, avalia-se o aluno por meio de produto final, não de uma prova.

Outro fator interessante a observar é que no país da Oceania os cursos técnicos são tão valorizados quanto os “teóricos”.  Então, venho aqui defender uma educação orientada ao mercado para o Brasil.

Sei que o mercado é uma entidade amoral e que não é a melhor fonte de princípios do mundo. Porém, não adianta fechar os olhos e viver uma ilusão. Vivemos em sistema capitalista, no qual tudo, de alguma forma, é voltado ao mercado.

Um bom exemplo do que entendo como educação orientada para mercado é o projeto do Sebrae-RN “Despertar – educação empreendedora”. O projeto, que já foi replicado em outros estados, é uma parceria entre o Sebrae e as escolas públicas e visa oferecer uma oficina extracurricular sobre empreendedorismo. Os alunos aprendem a fazer pesquisa de mercado e a analisar a viabilidade do negócio que pretendem abrir. No Rio Grande do Norte, vários alunos que participaram da oficina abriram o próprio negócio após concluir os estudos.

Imaginem se o empreendedorismo fosse uma das matérias ofertadas na grade curricular. Para que iniciativas bem sucedidas como o projeto Despertar possam ter mais espaço, defendo a educação orientada para o mercado e não a atual, que prega o generalismo, mas na verdade não prepara o aluno para o mercado e sim para uma prova: o vestibular.

Minha proposta é que o aluno tenha que cursar obrigatoriamente duas matérias básicas, português e matemática, e tenha uma grade flexível que ofereça uma gama de matérias mais diversificadas para que o aluno possa se desenvolver no que ele é melhor.

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4 pensamentos sobre “Educação orientada para mercado

  1. Olá Pedro, como vai?
    Em parte discordo da educação voltada para o mercado. Venho de uma instituição de ensino superior federal e la descobri por que meu ensino não foi voltado totalmente para o mercado.
    Acontece que quando o ensino foca em questões mercadológicas ele perde o grande objetivo da formação, que não é “aprender a fazer” e sim “aprender a aprender”. Em meu curso eu vi que não adiantava eu me formar em mercado, por que o mercado muda toda hora, eu tinha que me formar como um ser pensante, que embora estude exatas, saiba sobre sociologia, psicologia, direito, pedagogia…
    Outro grande problema do ensino orientado à uma área específica e a perda da capacidade do aluno de ser “INTERTEXTUAL”, ou seja, trabalhar com a aplicação de seus conhecimentos em qualquer área do conhecimento. Com essa abordagem a educação perde a TRANSVERSALIDADE, que a característica que o aluno adquire quando trabalhar com diversas ciências no mesmo contexto.
    Além disso há o “PENSAR GLOBALMENTE”, quando se foca em apenas uma ciência o olhar e o raciocínio fica viciado, gerando afirmativas do tipo “as desigualdades sociais não são culpa minha, eu não faço nada para agravar isso”, esses pensamentos são gerados por pessoas que aprendem biologia separada de história, separada de geografia, separada de português … Não entendem que, quando comem no MC donalds por que é gostoso por conta do resultado do prazer causado pelo consumo de alimentos calóricos, que é o MC Donalds é uma empresa americana resultado do neoliberalismo que assola o mundo, que os Estados Unidos é um país do norte do Ocidente e representa a supremacia da desigualdade social e econômica do Norte do globo em relação ao sul, e que MC Donalds significa “Filho do Donald”, feita para os filhos dos EUA e não para nosso país tropical.
    Todas essas informações juntas podem significar muito, mas separadas não significam nada.
    Só juntamos as informações quando temos um ensino primário e médio onde as diversas matérias são bem abordadas e ligadas umas às outras. E quando temos um ensino superior onde, embora foque em uma área de conhecimento, nos ensine a trabalhar com diversos outros assuntos.
    Agora, o ensino do empreendedorismo, esse sim tem de ser tratado em todas as fases do ensino, para mim “ensinar empreendedorismo” não é apenas “ensinar o mercado” é sim ensinar a se ter gosto por trabalhar no mercado, e isso sim, é muito valioso, gera pessoas corajosas e sagazes para inovar e desenvolver-se economicamente sem depender dos empresários burgueses nem das “vantagens” do serviço público depreciante.

    Beijos Pedrão!

    • Lo, muito obrigado pelo comentário! Você tem toda razão sobre a interdisciplinaridade. Porém, considero que a escola deveria seguir mais o modelo da universidade, que apesar de abordar matérias gerias, foca em matérias específicas. Quero exatamente que o aluno consiga fazer uma conexão entre o que estuda e o que vive. Acho que atualemente o ensino é muito desconectado da realidade.

      Seu ponto de vista está corretíssimo ao meu ver, mas não é discordante do meu. O que mais defendo é a flexibilização da grade curricular para que o aluno tenha uma formação cada vez mais ampla.

      Beijão procê!

  2. O ensino nas universidades federais não é voltado para o mercado simplesmente porque os docentes não tem idéia do que seja o mercado. No mais das vezes, são teoricos que só conhecem o tal mercado via literatura. De preferência estrangeira.
    Já os cursos de medicina e odontologia, por exemplo, são bem sintonizados com o mercado. Raros são os docentes desses cursos que tem a docência como atividade principal. A docência em IFES lhes serve apenas como garantia de aposentadoria menos indecente. Sua atividade principal são seus consultórios;
    E essa conversa de entender que o McDonalds é imperialista é uma conversa antiga, desvinculado do mercado. Até porque os capitais que possuem essas empresas são apátridas. Certamente muito brasileiro tem participação acionário no McDonalds.
    No Perú, Bolívia, Equador e outros tantos o Brasil é que o o imperialista. Voltamos a velha seleção natural: o mais forte controla o mais fraco.

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