Cultura FaceWorld

Foto Pablo Martinez Monsivais/AP

O título deste post é uma alusão ao ensaio do pesquisador Benjamin Barber “Cultura McWorld”. O estudioso afirma que a verdadeira globalização vem sendo feita não pelos países, mas pelas grandes multinacionais, que são capazes de atravessar as fronteiras e integrar-se às mais diversas culturas.

Barber afirma que “a nova cultura globalizante expulsa do jogo não apenas aqueles que a criticam de um ponto de vista reacionário, mas igualmente os seus concorrentes democráticos, que sonham com uma sociedade civil internacional constituída de cidadãos livres oriundos das mais variadas culturas”.

No texto, o pesquisador utiliza o McDonalds como exemplo de grande corporação que se infiltrou em várias culturas, inclusive aquelas que se destacam pela culinária local como França e Itália.

Destaco esse ensaio para abordar o evento da última quarta-feira, quando o presidente dos Estados Unidos Barack Obama realizou uma palestra pelo Facebook, divulgada mundialmente. A rede de Mark Zuckerberg já possui mais de 600 milhões de usuários e é umas das empresas mais populares do planeta.

Segundo Barber, “McWorld é uma América que se projeta em um futuro moldado por forças econômicas, tecnológicas e ecológicas que exigem integração e uniformização”. Nessa visão, podemos analisar o evento como um esforço de Obama de tentar aliar a imagem do Governo dos Estados Unidos a do Facebook. Dessa forma, ele procura atrair a simpatia das pessoas que são usuárias da rede e admiram o perfil inovador e empreendedor de Zuckerberg.

Em um momento em que o país está com a imagem um pouco arranhada pelo uso da hard power na intervenção da Líbia, Obama utiliza o Facebook para expandir a influência americana por meio do soft power. Como afirma Barber, “as relações de força tornam-se forças de sedução: a ideologia transforma-se em uma espécie de ‘videologia’ às base de sons expressos em bits e de videoclipes”.

É importante ressaltar que esse post não tem o objetivo de criticar a ação, que se configura em uma ótima sacada, mas sim de tentar explicitar os motivos mais institucionais que a motivaram. Além disso, o evento também mostra a importância dos empreendedores para a imagem de cada país. Não sei se Zuckerberg teve algum auxílio do Governo para montar sua empresa, porém, quando Obma faz uma palestra para uma platéia mundial por meio do Facebook, não dá para não enxergar os Estados Unidos como um país empreendedor. É a cultura FaceWorld!

Abaixo uma parte da palestra de Obama:

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5 pensamentos sobre “Cultura FaceWorld

  1. Completamente de acordo! Benjamin Barber é um excelente professor e sempre tira conclusões interesantes. Vale a pena ler o artigo publicado em 2006 no qual ele questiona se as novas tecnologias de telecomunicação são democráticas.
    Parabéns pelo texto.
    Sds,

  2. Pingback: A expansão da cultura FaceWorld « Pedrovaladares's Blog

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