Prós e contras dos tabus

Policiais atiram em manifestantes durante a Marcha da Maconha em SP

Estou aqui hoje para falar de tabus. Não especificamente de algum tabu, mas do uso deste como estratégia retórica. Retomo aqui minha linha de pensamento da semana passada, quando tratei dos estereótipos.

O tabu acima de tudo é um artifício retórico violento, que visa impedir que certos pontos de vista venham à tona. O pesquisador francês Michel Foucault afirma que “é sempre na manutenção da censura que a escuta se exerce”, ou seja, quando se nota que, em uma discussão, uma parte se vê impedida de se posicionar, isso significa que ali está o ponto mais relevante a ser tratado.

Um exemplo foi a Marcha da Maconha em São Paulo, que foi proibida de ocorrer por determinação de um juiz com a alegação de que o evento seria uma apologia ao consumo da droga. Os manifestantes foram às ruas e acabaram sendo agredidos por policiais.

A questão aqui não é discutir se as drogas devem ou não ser descriminalizadas, mas sim o fato de que um lado está sendo impedido de se manifestar. Aí está um caso em que um grupo faz uso do tabu para calar os oponentes.

Outro exemplo importante é a discussão do projeto de lei 122/2006, que torna crime a prática da homofobia. Podemos abominar as posições do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), mas não se pode negar-lhe o direito de omitir sua opinião, dando a falsa ideia de que o PL122 é unanimidade na sociedade.

Na minha opinião, o uso do tabu tem duas faces. Quando decide-se fazer uso desse instrumento pode-se calar o discurso contrário, porém dá-se ao grupo silenciado a chance de se posicionar como vítima e ganhar uma legitimidade que não teria, caso a discussão fosse aberta. É o que está acontecendo com Bolsonaro. Como muitos estão tentando impedir seu direito de se manisfestar, ele está ganhando mais atenção do que deveria e com isso já se pode ver pessoas que antes estavam neutras penderem para o lado do deputado de extremista.

Em uma discussão moderada, argumentos retrógrados como os de Bolsonaro passariam despercebidos. Em um debate extremado, o cidadão se sente forçado a escolher apenas um lado, tornando-se também um extremista.

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2 pensamentos sobre “Prós e contras dos tabus

  1. Hey!
    Pedro, posicionar-se é preciso. Nem vejo tanto essa questão como tabu, mas preconceito mesmo.
    Por exemplo: no caso do emblemático e problematico deputado… ele é um caso a parte. Um maluco beleza total. SE pessoas com mais conteúdo e uma formação mais abalizada se manifestasse, não haveria tanta baboseira no discurso desse projeto de lei.
    O caso em questão é bem complicado, pq o congresso não esta dando oportunidade para a sociedade se posicionar. Acho inclusive que o termo homofobia é bem mal empregado… Eu por exemplo, não sou homofóbica. Não tenho fobia de homossexuais. Não tenho medo, nem aversão. Meu ponto de vista eh outro, mas ai ja seria outro comentário gigante… Prefiro o termo homodiafonia…
    bjus
    byyyye
    ;))

    • Olá, Angel. É sempre um prazer ler seus comentários. Sempre tornam a discussão mais ampla. Concordo com você. Acho que alguns congressista estão querendo criar um falso consenso, taxando todos que são contra a aprovação do projeto como homofóbiocos (ou homodiafônicos, como você sugere). Estão transformando o assunto em tabu e dando holofote a quem não merece.

      beijos e obrigado pela visita! Você é sempre muitíssima bem vinda!

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