Os partidos políticos vão desaparecer!

O aprofundamento da democracia vai acabar com os partidos

Os partidos políticos faliram em seu papel de agrupadores ideológicos. Não é mais possível ingressar em alguma agremiação por seus discursos. Em busca de relevância e ascensão, os partidos aceitam filiados tão antagônicos, que nenhuma doutrina se sustenta.

O sociólogo Roberto da Matta diz que a maior contribuição da chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder foi acabar com ilusões de salvacionismo e trazer a disputa política para o campo da prática, não apenas da retórica.

Parece-me que, depois dos dois grandes partidos pólos PT e PSDB terem governado o país, o papel dos partidos se tornou irrelevante na montagem dos projetos nacionais. A população passou a ver a política de forma mais realista e a acreditar mais em pessoas do que em partidos.

Olhando em perspectiva, soa bastante ingênuo ter-se acreditado que uma agremiação abrigaria somente pessoas capacitadas e éticas. Os partidos são recortes da sociedade e, dessa forma, carregam as mesmas características.

Alguns acontecimentos mostram a irrelevância dos partidos como representantes político-ideológicos da sociedade. Por exemplo, a lei da Ficha Limpa, que mais se aproximou do clamor popular, não foi produzida dentro dos partidos e sim em organizações da sociedade civil e do poder judiciário.

Como funcionará a democracia pós-partidos?

Outro ponto sintomático foi a discussão da descriminalização das drogas. Quando Fernando Henrique Cardoso trouxe o tema a debate, pareceu que o PSDB estava tomando posição clara sobre o tópico, porém, pouco depois das entrevistas do ex-presidente, houve um desespero em descolar a discussão do partido e debitá-la somente na conta de FHC.

Ou seja, um tema de interesse nacional trazido à tona não de maneira programática, mas sim como projeto pessoal de um agente político isolado.

A democracia prega o respeito à diversidade, logo agrupamentos que visem impor ideias próprias estarão indo de encontro com esse preceito democrático. Por isso, tenho a impressão de que quanto mais a democracia se aprofunda, mais diverso serão os partidos. Esse processo, na minha opinião tem dois resultados mais claros.

O primeiro caminho seria os partidos se tornarem cada vez menores para manter o alinhamento ideológico. Nesse caso, haverá uma imensa quantidade de agremiações, mas elas serão tão pouco representativas, que irão se tornando, aos poucos, irrelevantes.

O outro caminho é o que estamos vendo no Brasil atualmente. Os partidos, para serem representativos, aceitam a filiação de qualquer interessado, independentemente de ele ter ou não afinidade ideológica com o grupo. Assim, os partidos tornam-se cada vez mais semelhantes, tornando desnecessária sua existência para a organização política da sociedade.

Qualquer dos dois caminhos leva ao fim dos partidos. A pergunta não é mais se os partidos irão desaparecer, mas quando isso acorrerá.  A questão é qual será a nova forma de organização a ser adotada. Esperemos!

Anúncios

7 pensamentos sobre “Os partidos políticos vão desaparecer!

  1. Muito interessante a tese, Pedrão, principalmente quando você fala da “imensa quantidade de agremiações”, que é o que tem acontecido agora, mesmo (PSD e o possível partido novo de Marina Silva, por exemplo).

    Não sei bem, porém, se eu acredito no fim dos partidos. Ainda consigo enxergar, – apesar de, às vezes, não tão explícita nos programas de governo – alguma carga ideológica dentro dos partidos, principalmente em partidos com “causas” (ambientais, operárias, cristãs, PSol…). Também vejo ainda – como no seu exemplo do FHC e a maconha, (apesar de achar essa história mais oportunismo da parte dele do que qualquer coisa, mas enfim) – que, em certos temas, os partidos geralmente obedecem a alguns posicionamentos históricos que também dificultam essa ‘mobilidade ideológica’ que tem sido mais comum hoje.

    Não é tão comum, por exemplo, que um político saia do PT e filie-se ao PSDB, ou vice-versa (apesar de acontecer, vide Flávio Arns). Nesse caso, eu acho, a resistência é menos ideológica e mais de ‘rótulo recente’. Ainda existe certo constrangimento entre os políticos (exceto os do PMDB ehhehe) em passar de ‘governo’ para ‘oposição’ da noite para o dia, já que o foco das discussões no congresso e senado tem deixado de ser o real interesse do estado e da população. Como dizia o meu avô, virou Fla x Flu.

    Grande blogada! Abração.

  2. Fala, meu velho! Muito obrigado pelo comentário. Como sempre, engrandecendo a discussão. Concordo plenamente com você que ainda há vários partidos que mantém alguma carga ideológica. Porém, se notarmos, ela está cada vez mais desbotada. A questão da divisão que ainda existe é mais histórica que ideológica. É como você disse, virou Fla X Flu.

    Com relação ao FHC, também acho que é uma busca por um palanque. contudo, o tema é realmente importante e merce ser discutido. às vezes a história corre por linhas tortas.

    Abração e obrigado pela construtiva visita! Volte sempre, você é muito bem vindo!

  3. Fla x Flu??? Se for apenas levando em consideração o PT e o PSDB que estão encabeçando os ultimos mandatos, sob os auspícios do PMDB. Boa discussão, mas como o seu xará disse, tb não creio que haverá um FIM de partidos, mas talvez uma reorganização resultante do novo cenário.
    Acho que virou mesmo foi um gde campeonato, um verdadeiro Brasileirão, todo mundo querendo levar a taça de alguma forma…
    Por falar nisso, ontem ouvi uma legal:
    Fla – campeão do carioca de 2011
    Flu – campeão do carioca de 2010
    Vasco – campeão da copa do brasil de 2011
    e o Botafogo????
    ah… é um bairro bom pra morar!!!!

    bjus

    • Ei, Angel. Eu concordo que o fim dos partidos não é algo que vai acontecer em curto prazo. Meu ponto é que a lógica do próprio sistema democrático caminha para o sistema de representação direta. Vale lembrar que na sua concepção, na Grécia, a democracia não exigia a presença de partidos políticos. Também é importante ressaltar que, tirando a eleição de deputados, já votamos diretamente em pessoas e não em partidos. Logo, o caminho mais lógico parece mesmo ser, na minha opinião, a extinção da representação partidária.

  4. Pingback: O que será a pós-democracia? « Pedrovaladares's Blog

  5. Eu sou totalmente a favor a extinção dos partidos. Não precisamos deles.
    Vejo o que eles causam (como foi nos EUA). Só querem poder e dinheiro o que não é o que os cidadãos desejam.
    Nós precisamos de saúde, educação, segurança, etc. Os partidos não podem nos dar isso.
    E tem mais esse negócio é tão antigo que ja deu o que tinha que dar.
    Temos que pensar em algo moderno que podem tornar mais humana a relação entre poder e povo.

    • Isso mesmo, Leo. As pesquisas nos Estados Unidos mostravam que a maioria da população queria um acordo com corte de gastos, mas aumento de impostos. E os republicanos bateram o pé por algo que só eles desejavam. Ou seja, não representaram as ânsias da sociedade. Aqui no Brasil acontece o mesmo.

      Obrigado pela visita! Muito legal sua intervenção! Volte sempre!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s