Os silenciosos são a maioria!

O silêncio dos bons é a ditadura dos maus

O novo slogan da Coca Cola diz que “os bons são a maioria”. Acredito que a afirmação seja correta. Porém, é necessário ponderar que o fato da maioria ser bem intencionada, não torna o mundo melhor, pois, como diria o ditado (para não dizer clichê), os justos quase sempre pagam pelos pecadores.

Se observarmos as regras da sociedade, perceberemos que quase todas existem para evitar a ação dos maus. Vejamos, por exemplo, o meio empresarial. Já é extremamente viável flexibilizar os horários de trabalho, possibilitando que a pessoa passe mais tempo em casa e integre melhor trabalho e vida social.

Porém, como existe uma minoria que se aproveitaria da flexibilização para não produzir, todos são penalizados. Outro exemplo é a Lei Seca. É evidente que taxas moderadas de alcool não impedem as pessoas de dirigir. No entanto, alguns indivíduos se aproveitavam da permissão de ingestão de pequenas quantidades de bebidas, para sair por aí dirigindo embriagado e colocando a vida de todos em risco. A solução seria punir esses que excedem, mas, por via das dúvidas, o legislador preferiu aplicar a punição a todos.

A verdade é que maioria desunida vale menos que minoria organizada. Então, de nada adianta os bons serem a maioria, mas deixar que os responsáveis pela fiscalização, para facilitar seu trabalho, partam do pressuposto de que todos são culpados até que provem o contrário.

Essa situação reflete a dificuldade em se lidar com a liberdade. Assim, alguns preferem ser excessivamente regrados a lidar com a responsabilidade de seus erros e acertos, pois dessa maneira se eximem de arcar com as consequências sozinhos.

Como é lógico de se pensar, a maioria das pessoas são responsáveis e cumprem seus deveres, caso contrário nada sairia do lugar. Então, porque deixamos que os maus exemplos sejam o subsídio das regras, em vez de premiar aqueles que agem de forma correta? Parece que, na verdade, os silenciosos são a maioria…

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5 pensamentos sobre “Os silenciosos são a maioria!

  1. Eita, polêmica boa! Isso sem falar do bom mocismo mercadológico da Coca-Cola…a verdade é que dificilmente uma sociedade está pronta pra liberdade, pros direitos E deveres.

    Parafraseando o que disse um filósofo daqueles existencialistas, a liberdade é um precipício: pulo? não pulo? que diferença faz ou fará? – isso falando da angústia do indivíduo…vixe! e os outros?

    Exagero?

    • Com certeza não é um exagero, mestre Fábio. É a agonia da responsabilidade de ter de se responsabilizar pelos próprios atos. Vivemos em um mundo que infantiliza as pessoas e não as deixa tomar suas próprias decisões. E pior é que muitos se sente melhor quando outro decide por ele. É um grande dilema.

      Obrigado pela visita! É sempre um prazer tê-lo por aqui!

  2. A exemplo de ‘mamilos’, é um assunto polêmico! rs.

    Concordo quando você diz que os bons devem mesmo ser maioria. Acho isso cada vez mais visível (e na falta de um dado estatístico é o melhor que eu tenho a oferecer para o momento heheh).

    Não vejo, porém, as regras ou a falta delas como um “impeditivo” ou “liberador” assim tão estático e radical. Da mesma forma que exemplos como os que você deu fazem sentido há outros que sugerem realidades diferentes. As bibliotecas ‘T-bônicas’ das paradas de ônibus, por exemplo: não há um bibliotecário, um bedéu, um vigia ou coisa que o valha para fazer com que as pessoas que levaram os livros os devolvam… e no entanto a grande maioria dos livros volta em perfeito estado. Se há alguma

    A gravidade da situação realmente varia de acordo com o assunto (a devolução de livros não são é complexa quanto a Lei Seca, por exemplo), mas ainda acho que merecemos algum crédito.

    Passa mesmo por uma melhor articulação dos ‘bons’, maior ‘lobby’ para que o bom se torne o padrão e os desvios, só por serem desvios, causem vergonha. Da mesma forma que acredito que somos cada vez mais boas pessoas no mundo, também acho que estamos cada vez mais preparados para liberdades e responsabilidades do bem.

    É uma questão de evolução, né?

    Aquele abraço, Pedrão.

    • Grande xará! Concordo plenamente com você. É exatamente por existirem casos como o T-Bone que eu fico mais intrigado com regras que são feitas com base em maus exemplos. E o pior é que muitas vezes são regras que invadem o campo da individualidade de cada um, tentando legislar sobre a vida privada, mas isso é assunto para um próximo post.

      Valeu pelo comentário. Você sempre ajuda a aprofundar as discussões. Volte sempre. Você é extremamente bem vindo!

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