Interagir é obrigação

Eu comentei semana passada sobre a importância de saber andar pelo mundo virtual. Tentei mostrar a utilidade da internet para o mundo político, com o caso da reestruturação da Constituição da Islândia, que está sendo feita com a participação dos cidadãos pelo Facebook e pelo Twitter.

Estar na web e interagir com as pessoas, na minha visão, não é uma opção dos entes públicos, mas sim uma obrigação. É preciso reconhecer a internet como um espaço para prestação de serviços e aprofundamento da transparência.

Deve-se fazer uso de todas as funcionalidades permitidas para promover interação. Porém, temos visto iniciativas contrárias a essa premissa. Por exemplo, no blog do Planalto, o visitante não pode comentar as notícias. Dessa forma, ele deixa de ser um espaço de reflexão para tornar-se apenas um Diário Oficial mais descolado.

Além disso, é preciso utilizar as ferramentas de modo contínuo. Muitos políticos em época de eleição criam contas nas redes sociais para panfletar online. Porém, quando o certame acaba, o perfil nunca mais é atualizado. Se o candidato está ocupado demais para prestar informações por esse canal, o mais elegante é fechá-lo. A presidente Dilma, por exemplo, postou pela última vez no twitter em dezembro do ano passado.

Em comparação com Obama, ela está sete meses defasada. O presidente dos Estados Unidos, que virou referência em comunicação na internet, postou pela última vez ontem. A presidente está menos ativa até que outros presidentes menos “tecnológicos” como o da Venezuela, Hugo Chavez, que tuitou no último dia 6 e o presidente da Rússia, Andrei Medvedev, que postou há poucas horas.

Talvez seja por esse uso meio equivocado das potencialidades da internet que o ex-presidente Fernando Henrique (a moda do momento) defendeu, em artigo para a revista Interesse Nacional, que a oposição preparasse uma estratégia de comunicação nesse espaço para ganhar novos eleitores. Infelizmente, a observação de FHC ficou ofuscada pelo pedido infeliz (e um tanto preconceituoso) para que o PSDB esquecesse o “povão”.

Para não dizer que não falei das flores

Para não cair em uma crítica pura e simples, é importante ressaltar que há políticos tentando utilizar as mídias sociais para se comunicar e prestar contas com seus eleitores. Ainda está longe de ser um caso de sucesso, mas é um bom indício. Alguns exemplos são Marina Silva, Manuela D`Ávila e Cristovam Buarque. Além de interagir na conta do Twitter, os três tem bons sites e blogs.

Como eu disse em artigo anterior, quem não busca aprimorar a navegação na internet vira alvo de piratas.

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