O que de fato importa em “A Privataria Tucana”

Nas últimas semanas, o livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr, dominou a pauta na internet. Entretanto, muitos “analistas” políticos aproveitaram o sucesso da publicação para transformá-la em uma arma partidária, o que, na minha opinião, prejudica a obra. O próprio autor diz que não lançou o livro no ano passado para não parecer uma estratégia eleitoreira.

Para mim, o livro traz mensagens muito mais abrangentes e que mereceriam discussões mais ponderadas. Dessa forma, tentarei elencar aqui alguns pontos que considero de fundamental importância sobre o livro-reportagem de Amaury Ribeiro.

Primeiro, a força dos blogs e das redes sociais na promoção de ideias e mobilização de pessoas. Para um livro que não teve investimentos expressivos em propaganda nos meios tradicionais, chegar ao topo da lista de mais vendidos é um feito. Outro ponto a destacar é o fato de a mobilização gerada pela obra ter chegado à pauta política do país, resultando em um pedido de CPI assinado por mais de 200 deputados.

Segundo, a forma didática como o jornalista explicou esquemas complexos de lavagem de dinheiro, abordando temas como paraísos fiscais, falhas na legislação brasileira, atuação de doleiros entre outros.Aqui vale mencionar uma proposta de Amaury, que merece ser estudada pelas autoridades brasileiras: “a proibição da entrada de offshores (empresas abertas em paraísos fiscais) em sociedades com firmas no Brasil”. Segundo o jornalista, “só deveria ser permitido o ingresso nas empresas nacionais de companhias estrangeiras que identificassem o nome de seus verdadeiros donos em seus balanços contábeis”.

Terceiro, e agora uma crítica, todo o esquema revelado no livro não demonstra, como afirma Amaury, que a privatização seja um modelo que não funciona. O problema não está na privatização em si, mas na falta de fiscalização sobre os processos de desestatização. Não se pode cair na fábula de que a iniciativa privada é sempre aproveitadora e o Governo é sempre justo. Nesse ponto, na minha percepção, está o grande ponto fraco do livro. Eu considero que o Estado deve regular, fiscalizar e fomentar, não deve ser agente de mercado, pois isso distorce o jogo totalmente.

Por fim, o livro traz uma série de denúncias contra vários personagens, que merecem, no mínimo, serem investigadas, se isso já não estiver acontecendo. Vale ressaltar que muitas das informações são tiradas exatamente de processos aos quais os denunciados respondem.

Abaixo matéria da Record News sobre o livro:

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2 pensamentos sobre “O que de fato importa em “A Privataria Tucana”

  1. Cara seu blog é fantástico, a visão que você traz é sempre ótima.
    Agora sobre essa publicação do livro. Qual a sua visão, daqui em diante a partir dessa “popularização” que o livro está tendo? Você acha que tudo vai ser abafado pelos influentes da mídia e logo tudo isto será esquecido. Ou, a partir daí pode-se dizer que novos rumos a política nacional vai começar(ou continuar) a ter?
    E qual a posição da Tv Globo nessa história toda? Ela acaba sendo prejudicada ou beneficiada com tal “popularização” do livro?
    Obrigado.

    • Cauan, primeiramente, muito obrigado pelas palavras elogiosas. Olha, eu acredito que o livro levará o debate para outros patamares, porque, de certa forma, ele “anula” o episódio do mensalão e deixa o jogo eleitoral zerado.

      Porém, não creio em novos rumos. Acredito que alguns figurões, como José Serra, vão tomar novos rumos. Acredito que ele pode até deixar o PSDB para concorrer pelo PSD do Kassab. Vai haver um debate desvirtuado sobre os processos de privatização, tentando generalizar tudo e não achar os culpados pontuais e ninguém será responsabilizado.

      A Globo não sai, para mim, nem prejudicada, nem beneficiada. Acho que o único ponto que pode pesar contra ela é o fato de a Record ter assumido uma posição totalmente pró-governo. Então, por analogia, as pessoas tendem a ver a Globo como representante da oposição. Eu não acredito que o Globo tenha interesse em apoiar um grupo político específico. A emissora, como qualquer empresa privada, apoia quem defende os interesses comerciais dela.

      Espero ter conseguido responder, pelo menos parcialmente, as suas perguntas.

      Mais uma vez muito obrigado pela visita! Volte sempre! Você é sempre bem vindo!

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