Futebol e política – entre Michel Teló e Sócrates

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Depois que Cristiano Ronaldo, um dos jogadores mais conhecidos do mundo, dançou o rit “Ai se eu te pego”, o cantor Michel Teló alcançou o topo da lista de mais tocadas na Espanha. O mesmo aconteceu depois na Itália depois que Robinho e Alexandre Pato comemoraram seus gols no Milan com a coreografia.

Esse fenômeno demonstra o poder que os atletas tem de divulgar ideias e culturas. Sócrates, na época da Democracia Corintiana, já tinha consciência dessa visibilidade. Em seu livro, ele afirma que “o jogador de futebol nada mais é do que um representante de seu povo (…). eu sempre vi o futebol como algo muito mais grandioso do que é divulgado pela imprensa esportiva”. Porém, ele lamentava já naquela época a falta de visão de muitos boleiros. “O jogador de futebol não tem consciência de seu poder”. Ele atribuía essa falha à precária formação escolar de grande parte dos atletas. “Se você não tem informação, você não sabe o que existe além de você”.

Ele alertava para a influência que um jogador poderia exercer. “O atleta de futebol dos dias atuais é alguém com poder econômico e político nas mãos que todo mundo sonha em ter. Mas ele não sabe usar, pois não tem informação”.  Para Sócrates, o futebol poderia servir como um sistema de mobilização da sociedade. “A gente pode transformar a sociedade por meio do futebol. É o único meio, penso, que pode acelerar o processo de transformação da nossa sociedade porque é nossa maior identidade cultural”.

Juntando as pontas, imagine se o Governo e as entidades da sociedade civil trabalhassem mais próximos aos jogadores, alimentando-os com informações e contribuindo para mobilizar a sociedade em prol das grandes causas de interesse público? Esse processo tem um precedente muito relevante. A participação de alguns jogadores corintianos nas manifestações do movimento das Diretas Já e nas greves dos sindicalistas do ABC paulista. Naquela época, movimentos sociais, percebendo o engajamento dos atletas, buscaram se aproximar deles para darem mais visibilidade para suas causas.

Meu ponto é que, caso as pessoas continuem ignorar o poder mobilizador do futebol, vendo-o apenas como ópio do povo, continuaremos vendo a propagação de outros “ai se te pego”, o que não é ruim (pelo menos para o Michel Teló), mas é um baita desperdício de potencial.

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