Não mate o mensageiro

Uma Lei Antipirataria, que está para ser votada pelo congresso americano, prevê a punição das plataformas que veicularem produtos piratas. Intitulada Stop Online Piracy Act – SOPA – (“Pare Com A Pirataria Online”), a norma colocou em lados opostos grandes detentores de direitos autorais, como Warner, Paramount, Universal e Disney, e as companhias mais relevantes da web, como Google, Amazon, Facebook, Yahoo e Twitter.

Na minha visão, as empresas produtoras de conteúdo estão agindo de forma cínica e, escondendo-se por traz da bandeira dos direitos autorais, tentam impor barreiras aos produtores independentes de informação, que são os que mais se beneficiam com as plataformas de compartilhamento de conteúdo. Empresas maiores e com orçamentos mais vultuosos podem investir em propaganda paga, já blogueiros, como este que vos fala, não tem essa possibilidade.

Outro ponto a ser debatido é o modelo de comercialização de conteúdos. A internet permitiu que as pessoas consumam cultura de forma online e a preços muito mais acessíveis. O Netflix, por exemplo, criou um novo modelo online de aluguel de filmes. Grandes operadoras de TV a Cabo copiaram o modelo, o chamado on demand. Ou seja, novos modelos de comercializar estão surgindo das redes e estão tornando as plataformas sociais mais lucrativas e aposentando formas mais tradicionais de venda (a indústria fonográfica que o diga!).

Isso não é culpa da pirataria, é culpa da inovação. Como pregava o pesquisador canadense Marshall McLuhan, “as conseqüências sociais e pessoais de qualquer meio constituem o resultado do novo estalão introduzido em nossas vidas”. O estudioso explicou de uma forma visionária o que está acontecendo neste momento com a indústria de produção de conteúdo. “Os meios tecnológicos são recursos materiais ou matérias-primas, a mesmo título que o carvão, o algodão e o petróleo. Todos concordam em que uma sociedade cuja economia depende de um ou dois produtos básicos (…) apresentará como resultado determinados e evidentes padrões sociais de organização”. Ou seja, novas tecnologias implicam novas formas de encarar a sociedade e o mercado. Esse processo deve ser incentivado e não censurado por leis feitas para um mundo que já deixou de existir!

Para ler o SOPA na íntegra (em inglês), clique aqui.

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7 pensamentos sobre “Não mate o mensageiro

  1. Hey Pedro Vailadares…

    Essa polêmica vai continuar enqto mexer no bolso dos mega-hiper-fucker empresários.
    Cada um quer tirar a sua parte né não?
    Será que veremos explodir a Primeira Grande Guerra Mundial da Tecnologia? Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, depois do episódio em que o FBI fechou o Megaupload e em represália os “hackers” invadiram o site do FBI!
    Acho que o circo vai pegar fogo, meu caro Watson. Ou melhor, o caldo da SOPA vai entornar.

    Por falar nisso, vc já viu Sherlock??? mto massa. Procure, ops, compre o original, pq não pode mais baixar na internet, kkkk

    abçs off line, sem cópia pirata

  2. Essa nao será a Primeira Guerra Mundial Digital, será a segunda ou terceira, depende do ponto de vista.

    A Primeira foi a dot com bubble (bolha das .com), quando em meados dos anos 2000, empresas de todos os portes investiram agressivamente em T.I, gerando uma bolha sem ar. Ocasionada, porque a maioria desses investimentos foram feitos de forma descontrolada e com falta de planejamento. Fato que culminou em milhoes e milhoes de dólares perdidos em acoes da bolsa e a quebra de inúmeras organizacoes.

    A Segunda, na minha opiniao ocorre até hoje. Há um estudioso de sistemas que prega que tecnologia é commoditie, ou seja, um insumo que tem facilidade de ser armazenado e recriado. Baseando-se no fato de que todas as empresas tem a possibilidade de fazer uso da tecnologia, isso deixa de ser um fator que possa vir a gerar vantagem competitiva a longo prazo, por nao ser apropriavel. Sendo assim, fazer um grande investimento em T.I, nao é um bom negócio a longo prazo, porque alguem irá copiar.
    Eu concordo com ele em partes, a tecnologia da informacao pode gerar vantagem competitiva sim, mas a curto, médio prazo.
    (Esse cara tambem diz que logo logo a energia elétrica será de graça, mas isso é assunto para outro dia)

    A respeito do assunto em pauta (Terceira Guerra Mundial da Tecnologia), concordo com voce Pedro Valadares. E adiciono, tudo isso que esta acontecendo, faz parte do processo do fim da televisao. Aparelho que sera substituido completamente pelo computador, com programacoes feitas pelo consumidor com o sistema on demand. O que resta saber é como os grandes estudios vao lidar com isso, o correto era se aliar e aceitar a realidade, os tempos mudaram. Mas pelo jeito vao querer partir pra briga, o que nao sei, é se eles sabem que mudar nos hábitos e hobbys preferidos de milhoes e milhoes pode dar muito problema. Ou eles se reinventam ou se tornaram a próxima Kodac.

    Abracos

    • Jhon, primeiramente, obrigado pela visita. Na minha visão, os meios mais tradicionais vão acabar incorporando ou sendo incorporados pelos novos meios. Isso vai criar um novo status quo, até que uma tecnologia ainda mais inovadora venha modificá-lo. Estamos diante de um marco interessante da evolução do capitalismo. Claro que nesse meio tempo muitas empresas devem ficar pelo caminho.

      Abraço e volte sempre!

  3. porque as empresa de entretendimento, de uma forma radical retira todos os seus produtos da internet, falando de uma forma clara que ela nao quer ter prejuizo e que ninguem a prejudique

  4. Esses bando fizeram essa lei por próprio interesse só pra que ninguem ganhe por eles achando que é pirataria na minha opinião é uma forma de divulgar o produto em outros paises pra assim provomer filmes,séries,entreterimento e outras coisas Ou seja cultura.

    • Derick, primeiramente obrigado pela visita. Na minha opinião, as empresas produtoras de conteúdo tem que ter algum respaldo que proteja o conteúdo que elas produziram, pois elas empregam dinheiro nesse processo. Contudo, o que não pode acontecer é essas empresas utilizarem esse direito para tentar atacar as redes sociais e os blogs independentes.

      Abraço e volte sempre! Você é muito bem vindo!

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