Grandes fortunas não causam miséria

Vira e mexe o projeto de taxação das grandes fortunas ganha força no Congresso Nacional. Na minha opinião, a proposta é baseada em uma premissa falsa (ricos tomam dinheiro dos pobres) e na verdade combate um sintoma, sem combater a doença.

Ao meu ver, contrariamente ao que indica o senso comum, para uma nação tornar-se igualitária, não é necessário taxar os mais ricos. Uma solução melhor seria retirar as barreiras que impedem que outras pessoas ganhem mais dinheiro e ascendam de classe.

Os mais ricos não tomam dinheiro dos mais pobres, até porque não existe uma soma finita de dinheiro que é dividida entre as pessoas. Desigualdade de renda não é necessariamente ruim, desde que não esteja associada à pobreza. Por exemplo, um auxiliar administrativo ganha R$2800 e um banqueiro ganha R$2,8 milhões, é um cenário de desigualdade, mas, como não há alguém em situação de miséria, inicialmente não é um problema. É o tal país de classe média, como prega a presidente da república.

Então, na minha opinião, melhor do que propor taxação maior para as grandes fortunas, seria defender uma remuneração menor para os ganhos de capital, aliado a melhoria do sistema educacional e maior eficiência na prestação de serviços públicos. Dessa forma, cria-se um caminho mais meritocrático para ascensão econômica, valoriza-se a renda do trabalho e torna-se o investimento produtivo uma alternativa mais atrativa para os mais ricos. Assim, ataca-se a causa  geradora da concentração de renda e não sua consequência.

Confira aqui dois textos sobre a taxação de grandes fortunas. Um A FAVOR da medida e outra CONTRA.

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27 pensamentos sobre “Grandes fortunas não causam miséria

  1. Qualquer tipo de desigualdade seja financeira ou não pode causar déficit em uma das partes,
    isso vale para enconômia, física, filosofia ou qualquer área que fosse queira.
    “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” – Lavoisier.
    Em qualquer sistema, físico ou químico, nunca se cria nem se elimina matéria, apenas é possível transformá-la de uma forma em outra (Lei da conservação de massa), ou seja quando o dinheiro
    não está nas mão dos pobres ele só pode estar nas mão dos ricos, não existe um meio termo.

      • A resposta do marcos está certa. Os produtos e bens são limitados. Não há essa possibilidade de “aumentar” as riquezas, sem tirar ou utilizar de outro lugar. É uma lei universal. Toda energia “riqueza” humana é limitada (tanto pela natureza, quanto pelos fatores).

        Se existem grandes fortunas e acumulação, é que ela é baseada no esforço energético de alguem, de muitos ou da natureza. Isso são fatores limitantes. O produto interno bruto de um país cresce a um nível muito mais lento do que qualquer população. trazer energia a tona é um processo lento e demorado e se fosse bem distribuido, não haveria pobreza.

      • Guido, concordo com você. É preciso criar mecanismos mais inteligentes que levem os próprios donos de grandes fortunas a investir esse dinheiro em obras estruturantes. Uma ação certeira seria diminuir o rendimento do capital especulativo.

        Volte sempre!

    • Marco, não concordo com sua premissa (aliás, sua premissa é perfeitamente válida; apenas a aplicação é que não).
      Veja sua própria frase: “…nunca se cria nem se elimina matéria, apenas é possível transformá-la de uma forma em outra …”. Nessa transformação, agrega-se valor ao produto final. E, quando agrega-se valor a algo e isso é comercializado, gera-se riqueza.
      Com relação ao texto, concordo que o que deve ser feito é garantir o acesso à riqueza a todos (veja bem quando digo riqueza à todos, quero dizer meios de se conseguir manter uma vida digna e confortável, e não garantir que o planeta seja habitado por bilhões de Tios Patinhas) através da geração consciente de empregos e, principalmente, investindo na educação básica da população.

      • Carlos, concordo com tudo que você disse. O processo de geração de empregos e melhoria da educação pode muito bem ser feito por meio de investimento de quem possui grandes fortunas. Mas para isso é necessário restringir os ganhos de capital e tornar mais atraente o investimento produtivo.

        Obrigado pela visita. Volte sempre!

  2. Acho melhor você voltar as aulas elementares de economia (se por acaso já fez uma) Existe sim uma limitação de dinheiro no país. A quantidade de ´dinheiro´circulando, deve mantar uma proporção harmonica com a quantidade de bens, caso contrário haverá inflação e a moeda perde valor. Em termos simples, quanto mais dinheiro ´ moeda´há em circulação, mais desvalorização fica aquela moeda.
    Grandes fortunas são um cancer. Elas não produzem emprego, circulação nem geração de renda. Vivem dos próprios dividendos e em produtos altamente inflacionados por marcas. Pense na metáfora de canais de irrigação em uma plantação. Se a água ficar acumulada em algum lugar, não vai conseguir atingir outras partes da plantação, que ficarão secas. Se o sistema simplesmente mandar mais água, ela perderá seu valor. A distorção do capitalismo, é que quanto mais água na poça tiver, mais água o sistema vai jogar naquela poça, pois dinheiro acumulado tende a se multiplicar cada vez mais rápido.

    Todos devemos ter responsabilidade pelo que escrevemos. Por favor, antes de fazer uma afirmação tão danosa quanto essa e talvez, espalhar a mentira que fortunas fazem bem a economia, pesquise mais um pouco.

    • Guido, não disse que grandes fortunas fazem bem à economia. Eu falei exatamente que os ganhos de capital deveriam ser restringidos para aumentar a atratividade dos investimentos produtivos. Você também deveria ler sem viés ideológico o que está escrito.

      Concordo com você. Fortunas não se distribuem sozinhas, mas é enxugar gelo ações de tributação sobre grandes fortunas, pois o retorno é incerto, porque a burocracia estatal não tem agilidade para alocar os recursos.

      Obrigado pela visita e volte sempre!

  3. não há riqueza total no mundo real amigo. infelizmente o conforto de uma vida rica só é possível para uma pequena parcela da população mundial.

    • Youssef, você tem toda razão. Porém, uma vida de classe média é possível para muitos. Um passo seria criar mecanismo que induzam os portadores de grandes fortunas a alocar esse dinheiro em infraestrutura de serviços públicos.

      Obrigado pela visita. volte sempre!

  4. O valor do dinheiro não está em quanto se tem, mas em quanto o outro deixa de ter. Como a moeda atual é lastreada por ela mesma, ou seja, a quantidade de dinheiro em circulação é que define o valor do dinheiro, é importante para a sobrevivência do capitalismo que uma boa parte do mercado, inclui-se ai os consumidores, tenha pouco ou nenhum para que a parte abonada tenha importância. Daí vem a opressão, a coerção a trabalhos indesejados e etc. A miséria é necessária para mostrar ao cidadão o que acontecerá se ele não se subjugar. Na minha opinião não existe forma justa ou razoável de capitalismo, já que a sobrevivência não pode ser negada ao ser humano, negação que é um dos pilares do capitalismo.

    • Peu, obrigado pela contribuição, é sempre bom quando alguém discorda de você com argumentos.

      Eu respeito sua visão, mas discordo dela. Para mim o capitalismo pode sim produzir uma sociedade de classe média. Porém, na minha opinião, esse processo não se dará por meio da taxação imposta pelo governo. O estado tem pouca eficiência para alocar recursos. Muito se perde dentro da própria burocracia. Então, seria melhor criar mecanismos que incentivasse o próprio setor privado a investir diretamente. Por meio de concessões, por exemplo.

      Volte sempre. Você é muito bem vindo!

  5. Outro ponto sobre a desigualdade: Se todos os trabalhadores ganhassem bem, como dado no exemplo de 2800,00 e etc, o mercado evoluiria, desvalorizando a moeda, até esse valor for insignificante pro mercado. Um exemplo é o salário mínimo, que em 10 anos aumentou 400%, mas isso não significou uma melhora de 400% pro assalariado, os produtos foram ficando mais caros.

  6. De acordo com o seu ponto de vista, o caso então seria a criação de mais moeda? Isto é, se o dinheiro não precisa sair do rico para ir na mão do pobre(para o ultimo ter mais grana), então ele deve vir de outro lugar, logo, deve vir da criação.

    Se for realmente esse o seu raciocínio, então eu discordo. Porque a criação de mais moeda vai inflacionar a economia(muita moeda, produto de menos).

    Se não for esse o seu raciocínio, ele também estará incorreto. Porque qualquer coisa que não seja criação de moeda, é distribuição de renda.

    Aproveitando a via digo: O unico caminho para deixar uma sociedade igualitária é a educação. Um homem estudado é burro indomado!
    Isso se reflete nas estatísticas: pesquise os países com melhor índice social(IDH) e verá que nenhum deles fazem descaso da educação.

    ps1: o idh, apesar de não medir a desigualdade social, mede a qualidade de vida, que, no caso do seu texto, foi o tópico abordado.

    no mais é só isso tudo. Abraço!

    • Wiliam, não sou contra distribuição de renda. Sou contra uma intervenção estatal na forma de taxa sobre grandes fortunas. Ao meu ver, essa ação não seria efetiva, pois grande parte do dinheiro seria consumida dentro da própria burocracia estatal. Na minha opinião, é melhor criar mecanismos que induzam os próprios donos de grandes fortunas a investir em serviços públicos e assim redistribuir renda de forma a que todos ganhem.

      Obrigado pela visita. Volte sempre!

  7. Estudo economia na USP, e cara é meio foda, . O seu texto é bom, fala sobre algo muito pertinente e você tem o direito e dever de pensar sobre as coisas que não acha certo, porém, antes de se filosofar há a necessidade de estudar, existe uma enorme gama de estudos sobre o tema que você abordou e quase uma ciência, um bom texto deveria seria uma opinião/pensamento baseado nesses estudos.

    Produção de riqueza em uma ótica Macro, por si só já é algo completamente complexo, não é simples simplesmente falar em aumentar o bolo que todos os pedaços sairiam maiores.

    Sim existe a possibilidade de se extinguir a pobreza extrema, porém, os recursos são escassos, inclusive o dinheiro, e quando vc tem uma pessoa com muito de um recurso na outra ponta alguem tem que estar com bem menos do que ela, pois como eu disse, a riqueza(produção) é escassa(limitada), o cara que tem uma fortuna imensa consome o excedente produzido por inumeras pessoas.

    • Rafa, concordo com você. Contudo, como já disse aqui, mesmo nas sociedades mais igualitárias há pessoas que ganham mais e possuem fortunas. Isso não quer dizer que as outras sejam pobres.

      Só acho que o mecanismo de criação de novas taxas é ineficiente, quando o objetivo é distribuir renda. Muito do recurso obtido com taxas não é reinvestido nos serviços públicos, o que pune mais a parcela mais pobre.

      Obrigado pela visita e volte sempre!

  8. Outros países mais desenvolvidos aplicam taxações violentas em seus ricos em favor de uma sociedade mais saudável, como certos países europeus onde até mesmos os ricos se orgulham de colaborar com seus excedentes. Aqui não é bem assim… como dizia Cazuza, muitos sonham em abandonar esse país com seu dinheiro. Sabemos de empresários, artistas e políticos que sugam as riquezas daqui e moram em Miami, em Paris.

    • Mau, você tem razão. Contudo, antes de taxar as pessoas, é preciso mostrar que aquele dinheiro será realmente revertido em serviço público. Atualmente, a aplicação do dinheiro dos tributos é uma caixa-preta. Estamos condicionados a pensar que a única solução para redistribuição de renda é a taxação e não é. Esse é meu ponto no texto.

      Obrigado pela visita. Volte sempre!

  9. O problema não é o dinheiro, mas o consumismo. O ruim não é a riqueza, mas o acesso e uso dos recursos naturais.

    É sabido que se todos consumissem como nos Estados Unidos iríamos precisar de 3 planetas Terra!!! Ou seja, é preciso, sim, distribuir o que tem, pois só temos 1 planeta.

    Qualquer cidade quando aumenta o nível de renda, não aumenta na mesma proporção invstimento em educação, cultura. O que cresce na mesma escala é o consumo de bens e serviços, o planeta não aguenta 7 bilhões de pessoas consumindo desenfreadamente, trocando celulares a cada 6 meses, carros todos os anos, e roupas novas todos os meses.

    E para dar acesso a toda população aos recursos naturais, que são de todos, muitos não poderiam consumir tanto. Nem importanto se ele é rico ou classe média.

    • Thelma, primeiramente, obrigado pela visita. concordo com você. O consumismo acumulativo não é sustentável. Por isso, já surgem tendências de reaproveitamento de bens e troca de serviços e mercadorias, como o Consumo colaborativo.

      Volte sempre! Você é muito bem vinda!

  10. Pingback: O governo se endivida e os ricos levam a culpa « Pedrovaladares's Blog

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