86% dos jogadores de futebol ganham de 1 a 3 salários mínimos

A informação que está no título foi divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e demonstra como é mais difícil do que parece fazer fortuna jogando o esporte bretão. Para quem quer entender melhor os percalços dessa carreira, o livro do zagueiro do Corinthians, Paulo André, é leitura indispensável.

O fato do atleta ter escrito um livro, com estilo muito agradável, evidenciando sua intimidade com o mundo literário, para mim é o ponto alto. Em um mundo marcado por jogadores-celebridades, ler as palavras de alguém que exalta a dedicação à profissão e aos estudos é uma esperança.

Na obra, Paulo André conta as experiências de sua jornada desde os tempos de amador até a conquista do título brasileiro no ano passado. Ele explica como um jogador em iniciante pode cair nas mãos de um empresário mal intencionado e, de uma hora para outra, se ver forçado a se transferir para um clube para qual não deseja, por conta de uma maracutaia.

O zagueiro corintiano narra como foi enganado por um desses charlatães e se viu quase obrigado a ir jogar em um clube sob a pena de ter de pagar um multa milionária, com qual não poderia arcar de forma alguma.

O livro mostra ainda a diferença de tratamento dos atletas na Europa e no Brasil. Enquanto aqui, mesmo em clubes médios, os atletas são paparicados, com direito a chuteira sempre limpa, roupeiro à disposição, estrutura para se condicionar fisicamente entre outras mordomias, no velho continente a história é outra. Exige-se do atleta profissionalismo e seriedade, tendo ele mesmo que cuidar de seu material de treinamento, do seu preparo físico e da sua alimentação.

Outro ponto de destaque, esse a favor do futebol brasileiro, é a diferença das técnicas de preparação física, fisioterapia e medicina esportiva. Nesses quesitos, o país é uma referência. Paulo André conta que, quando foi jogar na França, ele e mais dois atletas contrataram um fisioterapeuta brasileiro e montaram uma academia na garagem da casa de um deles. Em pouco tempo, vários jogadores estavam viajando quilômetros para poder se tratar no centro “clandestino”.

Por fim, na última parte, o autor faz uma série de reflexões críticas sobre o meio futebolístico, principalmente no tocante à preparação dos jovens das categorias de base. Na visão de Paulo André, com a qual concordo plenamente, atletas mais novos deveriam receber uma capacitação mais ampla, que permita àqueles que não vingarem nos gramados seguirem outras carreiras que possibilitem bons salários.

O zagueiro relata a história de vários ex-companheiros de categorias de base que foram dispensados e acabaram sendo obrigados a seguir profissões que não possibilitam boa remuneração ou mesmo atletas que não conseguiram encontrar outro rumo e hoje vivem na miséria.

É inadmissível que um jovem seja obrigado a deixar sua casa aos 14 anos com a pressão de conseguir êxito para tirar a família da miséria. Esses meninos não tem preparo psicológico para tal. Muitos deles largam os estudos para se dedicarem totalmente ao futebol. O problema é que a maioria não alcança o estrelato e acaba chegando aos 19, 20 anos sem ter cursado nem o ensino fundamental. Uma tragédia que se esconde atrás do glamour dos grandes craques. Leitura mais do que indicada!

PS.: Paulo André tem também um blog, que merece muito ser visitado.

Abaixo um trecho da entrevista que Paulo André concedeu a Juca Kfouri 

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