Torcidas organizadas são bode expiatório da falta de segurança pública

Depois do trágico confronto entre torcedores do Corinthians e do Palmeiras, que resultou em duas mortes, uma grande parcela da sociedade e do poder público levantou a bandeira da proibição das torcidas organizadas. Porém, será que é essa mesmo a solução para o fim da violência nos estádios?

Bem, para começar, é preciso ressaltar que a violência que assola os estádios é a mesma que está espalhada em várias partes das cidades. Também é importante destacar que eventos com grande número de pessoas sempre são mais propícios a casos de confronto.

De acordo com o pesquisador Yves Michaud, “a maioria das sociedades comporta subgrupos cujo nível de violência é incompatível com o da sociedade global ou, de qualquer modo com avaliações em vigor na sociedade global”.  Ou seja, em algumas circunstâncias, certo tipo de violência é visto como menos grave do que em outros. É aqui que mora o grande erro.

Um assassinato em uma briga de torcidas não é menos grave do que um ocorrido durante um assalto a um banco, por exemplo. Contudo, percebe-se que os esforços não estão voltados para encontrar os culpados pelas mortes e prendê-los, julgando verdadeiramente. O foco é acabar com as torcidas organizadas.

Então, o que temos aqui é um atestado do poder público de que não é capaz de identificar os criminosos e prendê-los. Assim, ele resolve ir contra a Constituição, que estabelece que “ todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente“.

Colocar a culpa nas torcidas organizadas é uma medida demagógica que visa negar um problema mais amplo. É só uma forma de exteriorizar a violência, tratando-a como algo pontual, inexistente em outros setores da sociedade. É o que o historiador Peter Burke chama de “demônios folclóricos”.

Segundo Burke, por vezes, a falta de informações confiáveis sobre determinada situação faz com que “pessoas reajam de maneira excessiva a ela, ou reajam de maneira errada” o que resulta em pânico coletivo. Nesse estado, “é comum que surja uma busca por bodes expiatórios. Em outras palavras, grupos são culpados por situações que resultam, ao menos em parte, de debilidades do sistema econômico, social ou político”.

Em suma, violência nos estádios não é culpa das torcidas. O que alimenta os confrontos é a impunidade e as penas leves. É preciso que o poder público e a sociedade como um todo enxergue essas brigas como algo inaceitável, que não considere algo corriqueiro e digno de tratamento diferenciado.

As próprias organizadas devem contribuir com a polícia na identificação das pessoas que participam de confrontos. Só assim elas deixarão de ser bodes expiatórios e mostrarão a verdadeira origem do problema. Não interessa se houve ou não provocação de um dos lados, nenhum pretexto justifica a violência.

Quem briga são indivíduos e não a instituição. Então, a solução está em penalizar o criminoso, não o grupo.

Abaixo um vídeo sobre o verdadeiro papel das torcidas

Para mais informações sobre o conceito de “demônios folclóricos” clique AQUI

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7 pensamentos sobre “Torcidas organizadas são bode expiatório da falta de segurança pública

  1. Falta de segurança. não é??? Reúna um bando de malandros, desocupados e baderneiros (alguns vão dizer que tem gente “boa” no meio, mas; se você anda com gente ruim, vai ser difícil convencer que você não é!) num local fechado e o resultado vai ser um desastre! E não vai adiantar mostrar um buquê de flores….

    As quadrilhas organizadas, encobertas pelo manto de “torcidas” só tem um objetivo: causar problemas e depois posar de vítimas. Se não quer ser confundido com bandido, não se junte a eles!!!

    • Jhon, primeiramente, obrigado pela visita.

      Eu concordo com você. Qualquer bando de malandro, em qualquer lugar deve ser combatido e julgado pelos atos que cometerem. Agora, não adianta transformar um problema imenso e um grupo pontual.

      A culpa da violência não é a existência de torcidas. É a impunidade das pessoas que participam de atos de vandalismo.

      Abraço e volte sempre!

  2. Tem que descer o PAU mesmo. Quebrar todo esse bando de desocupados que vão ao estádio para prestigiar um bando de vagabundos que ficam chutando “coro de boi” e ganhando uma nota preta pelo número de circo apresentado.
    Vão trabalhar desocupados; fazer alguma coisa útil pelo seu próximo, pela Humanidade.
    Parem de ser idiotas e continuar a apreciar uma inutilidade dessas. Acordem.

    • Rodrigo, obrigado pela visita.

      Discordo de você. Futebol não é inutilidade, é entretenimento. Contudo, você tem razão, muita gente transforma o ato de torcer em profissão, o que é totalmente reprovável.

      Porém, volto a ressaltar, a culpa não é das torcidas, é da impunidade. Na Inglaterra, existem diversos grupos de hooligans, entretanto, não há brigas ao redor do estádio, pois eles sabem que serão presos e terão que cumprir pena na cadeia, sem a bondade de converter a pena em trabalhos comunitários.

      Abraço e volte sempre!

  3. Pingback: Bebidas alcoólicas não são a causa da violência nos estádios « Pedrovaladares's Blog

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