Bebidas alcoólicas não são a causa da violência nos estádios

O veto à venda de bebidas alcoólicas nos estádios é uma cortina de fumaça. O poder público fez uso dessa medida como um paliativo ineficiente para a questão da segurança pública e da impunidade.

Enquanto os delinquentes que participam de brigas não forem exemplarmente punidos, nada mudará. O que se vê são governantes e clubes tomando medidas ilusórias, para fingir que estão fazendo algo. Primeiro veio a proibição da venda de bebidas alcoólicas, agora vem a história de banir as organizadas. Já tem quase uma década que a venda bebida foi proibida e a violência não diminuiu.

Além disso, a proibição é uma medida paternalista, que trata os torcedores como seres inconsequentes, que precisam ser tutelados para não cometerem erros. Assim, os justos pagam pelos pecadores e os bandidos continuam livres.

É inexplicável esse tipo de posicionamento. Já ficou claro que punições fortes, diminuem demais o número de infrações. Um exemplo é a perda de mando de campo e a proibição da presença de torcida nos jogos, quando torcedores jogarem objetos em campo.

Depois que essa medida, que atinge a parte mais sensível dos clubes (o bolso), foi adotada quase não vemos mais por aqui pessoas jogando coisas no gramado.

Nos Estados Unidos, em todas as modalidades, bebidas são vendidas nos estádios, nos campeonatos europeus de futebol, também. Então, por que aqui os torcedores devem ser tutelados no seu consumo? Por que torcedores que assistem aos jogos em bares podem beber e os que assistem nos estádios, não? Qual a explicação?

Está mais do que na hora de punirmos realmente os bandidos que participam de brigas e passar a tratar os torcedores como cliente. Em 2003, quando da aprovação do Estatuto do Torcedor, o ex-presidente Lula disse que nunca mais o torcedor seria tratado como gado no Brasil.

Ele também alertou que “no Brasil, tem lei que pega e lei que não pega. Para a nova lei pegar, é preciso que as pessoas responsáveis desse País comecem a falar dela, comecem a alertar, para que o povo [torcedor] seja respeitado na sua cidadania”. Então, esse post é minha contribuição para que depois de 9 anos o estatuto passe a ser realmente respeitado e cumprido. Chega de paliativos!

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3 pensamentos sobre “Bebidas alcoólicas não são a causa da violência nos estádios

  1. Se você quer dar sua opinião sobre o assunto, tudo bem. Mas não desinforme as pessoas.

    Primeiro: “Já tem quase uma década que a venda bebida foi proibida e a violência não diminuiu”. Ah é? Quem disse? Onde estão os dados?

    Segundo: “Já ficou claro que punições fortes, diminuem demais o número de infrações. Um exemplo é a perda de mando de campo e a proibição da presença de torcida nos jogos, quando torcedores jogarem objetos em campo.” Ah é? De novo, quem disse? Demonstre com fatos por favor.

    Terceiro: “Nos Estados Unidos, em todas as modalidades, bebidas são vendidas nos estádios, nos campeonatos europeus de futebol, também.” Sinto muito, em competições oficiais da UEFA a venda de álcool é proibida dentro dos estádios.

    Concordo com você que a principal forma de diminuir a violência nos estádios é agindo com severidade, punindo e proibindo torcedores violentos de retornarem aos jogos.

    Mas quem frequenta o futebol como eu, sabe muito bem que álcool e drogas são grandes potencializadores da violência. Cansei de ver brigas começarem entre pessoas bêbadas que não conseguiam se conter. E nesse caso, sinto muito, mas se é prá ajudar a evitar problemas, concordo com a proibição, já que – vamos combinar e deixar bem claro – ninguém pode séria e honestamente achar que é uma pobre vítima por ter que ficar 2h sem beber.

    • José, primeiramente obrigado pela visita.

      Respeito seu ponto de vista, mas discordo de você. A proibição de venda dentro do estádio não impede que torcedores entrem bêbados no estádio. Acho que a melhor solução seria impedir a venda fora das lanchonetes, que é o que é feito na Premier League e na NBA, por exemplo. A bebida é vendida dentro do estádio, mas o torcedor tem que sair do seu lugar, perder parte do jogo para ir comprar. Isso, na minha visão, evita os excessos.

      Quando mencionei campeonatos europeus, estava me referindo a cada país separadamente, não às competições da UEFA. Por exemplo, a bebida é liberada na Inglaterra, na Espanha e na Alemanha, cada um com um regulamento específico.

      Também não disse que o torcedor é vítima. Só acho que a proibição é um ato paternalista, que visa tirar a responsabilização de cada um por seus atos.

      Volte sempre!

  2. Em ginásio de esportes, em feiras agropecuárias, em shows em formula 1, em carnaval em bailes, pode, porque essa discriminação só nos estádios de futebol é proibido?

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