Gilmar Mendes e Lula – uma denúncia e nenhuma prova

Atenção! Este texto não é uma defesa do PT, nem uma negação do mensalão. É apenas uma contextualização de  fatos somado a uma análise pessoal. Leia sem paixão ideológica.

O juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou que o ex-presidente Lula propôs a ele que o julgamento do mensalão fosse adiado em troca de uma blindagem na CPMI do Cachoeira. De acordo com o magistrado, o encontro aconteceu no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, no dia 26 de abril deste ano.

Sem entrar no mérito da veracidade da declaração, é preciso levar em conta alguns pontos.

1) Nelson Jobim, a única testemunha, desmentiu o fato;

2) Se a proposta de fato ocorreu, configurou-se um caso de chantagem, assim o procedimento mais correto seria um processo judicial. Contudo, Mendes preferiu se expressar por meio de entrevista à revista Veja;

3) O Partido dos Trabalhadores, com apoio de Lula, quer que jornalistas da Veja sejam convocados para a CPMI do Cachoeira, o que coloca a revista em posição questionável;

4) O juiz diz que a proposta foi feita há um mês. Contudo, ele só a trouxe à tona agora. É preciso, para uma análise mais clara dos fatos, lembrar que nos últimos dias várias reportagens apontaram relações próximas de Mendes e do senador Demóstenes Torres, um dos principais investigados da CPMI;

Conclusão, na minha opinião, o mensalão existiu e deve ser julgado o mais rápido possível. O ex-presidente tem feito declarações infelizes dizendo que o esquema foi uma teoria conspiratória armada pela imprensa junto com a oposição, o que tem acirrado as rivalidades.

A Veja tinha relações com Carlinhos Cachoeira, mas pelo menos até agora, nada que ultrapasse os limites da liberdade de imprensa e da relação jornalista/fonte. O jornalismo é feito de versões de fatos. Cada veículo pode seguir uma linha de análise dos fatos, a da Veja talvez possa não ser o mais apropriado, na minha visão.

Por fim, acho que Gilmar Mendes inventou a história. Penso isso não porque gosto ou não do ex-presidente Lula, mas porque a única testemunha presente desmentiu a versão e Mendes já fez acusações infundadas antes. Basta lembrar que ele disse que seu gabinete estava sendo grampeado, o que foi desmentido depois por investigações da Polícia Federal.

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