Parto em casa, eutanásia e criônica – os limites da vida

Nos últimos meses, três notícias incitaram um debate sobre o limite entre direito individual e valores morais da sociedade. Na Inglaterra, a Suprema Corte julgou o direito de um homem de 57 anos que sofre de paralisia de poder morrer. No Brasil, três irmãs brigam sobre o congelamento do corpo do pai, que morreu em fevereiro. Ainda por aqui, um grupo de mães organizou marchas pelo direito de realizar o parto em casa.

Os três casos têm em comum as questões relacionadas à vida.No primeiro caso, discute-se a vida presente e a quem cabe o direito de encerrá-la. No segundo, a questão é a responsabilidade após o fim da vida. Na terceira, debate-se a segurança de uma vida que ainda vai começar.

Por uma ótica pró liberdades individuais, o cidadão, por ser dono da próprio vida, deveria poder optar quando acabar com ela. Seguindo a mesma premissa, se um indivíduo decidiu em vida que queria ser congelado quando morrer e encontrou alguém disposto, por livre e espontânea vontade, a conduzir essa empreitada, então nem a sociedade, nem o governo têm o direito de impedir tal decisão. Por fim, se a mãe assume todos os riscos e responsabilidades de realizar o parto em casa, ninguém pode obrigá-la a procurar um hospital.

Contudo, o cenário não é tão simples assim. No caso da eutanásia (prática pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista), há quem acredite que pessoas acometidas por graves doenças, em situação de desespero, teriam a sanidade mental prejudicada. Assim, qualquer decisão nessas circunstâncias deveria ser relativizada. Além disso, alega-se que a ciência já descobriu a cura de muitas doenças graves, dessa forma, não haveria uma configuração definitiva sobre o conceito de “doença incurável”.

No caso da criônica ( processo de preservação em baixas temperaturas de humanos e outros animais que não podem mais ser mantidos vivos pela medicina contemporânea), há um questionamento de preceitos jurídicos da determinação do conceito de morte. Essa definição influencia outros direitos como pensão, herança entre outros. Além disso, existe a questão do prazo e do financiamento do congelamento. Se os parentes que custeiam o processo falecerem e os herdeiros não quiserem seguir com o procedimento, o que deverá ser feito?

Por fim, no tocante ao parto em casa, há o questionamento dos limites do direito da mãe sobre a segurança da feto. Em caso de complicação no parto, em que não haja um hospital próximo à casa da parturiente, a vida do bebê pode ser comprometida.

Não desejo aqui dar opiniões definitivas sobre nenhum dos casos, apenas desejo alimentar o debate. Eu mesmo não tenho uma visão terminante sobre esses assuntos. Atualmente, acredito na soberania da vontade individual, que está resumida no terceiro parágrafo deste post. E você o que acha?

Leia mais sobre os casos mencionados nesse post:

Filha quer congelar corpo do pai para poder ressuscitá-lo;

– Justiça britânica analisa caso de homem com paralisia que quer morrer;

– Grupo faz ‘Marcha do Parto em Casa’ na orla de Salvador.

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18 pensamentos sobre “Parto em casa, eutanásia e criônica – os limites da vida

  1. Também dou mais crédito à liberdade individual. Cada um deve ter liberdade para assumir os riscos que bem desejar. E isso inclui o aborto, que você não citou em seu texto.

    Mesmo assim, é sempre necessário apresentar ao indivíduo todas as suas possibilidades.
    Alguém que decide tirar sua própria vida, deve antes ouvir os argumentos contrários e conhecer experiências de pessoas que, com problemas iguais ou piores, optaram pela vida. Stephen Hawking que o diga!

    O mesmo vale para uma mulher que quer abortar. Se é realmente isso o que ela quer, que deixem-na ir adiante. Mas não deixem de tentar fazer a cabeça dela, se é isso que acham melhor.

    E parto em casa? O que impede que seja um parto assistido por um especialista? A partir de quando decidiram que o ser humano não é capaz de parir sozinho, sem a ajuda de aparelhos e tudo o mais? Minha gatinha nunca precisou de veterinário para ter seus filhotes. E, se contei certo, ela teve mais 100 e viveu quase 19 anos.

    Já a criônica… bom… nunca parei para pensar. Realmente, num primeiro momento, nada impede que alguém congele uma pessoa que assim queria ser tratada após a morte. Mas e todos os trâmites legais que se seguem, como os aqui citados? Complicado.
    Suicídio, aborto, parto em casa… isso tudo é coisa antiga, não é discussão recente e as leis precisam apenas ser adaptadas (ou não) neste casos. Já a criônica é algo totalmente novo! Não é apenas uma questão de adaptação, mas de estudo, especulações futuras, criação de cenários futuros que envolveriam herdeiros e, talvez, os futuros ressuscitados. Futuro ressuscitados?? o.O

    • Snaga, eu concordo com você que deve haver um processo de sensibilização, que apare as decisões de cada um. Contudo, eu sou um pouco mais radical. Na minha opinião, se a pessoa não quiser ouvir ninguém, ela pode tomar as decisões por conta própria, desde que os efeitos fiquem restritos a ela.

      Realmente, a criônica é um caso bem peculiar, pois envolve redefinição de conceitos com relação ao fim da vida.

      Muito obrigado pela visita e pelos comentários sempre instigantes.

      Volte sempre!

    • pois é… na hora de fazer filho, todo mundo faz…. mas na hora de cuidar, ninguém quer.
      aborto nao tem desculpa (nem pra estupro). tem pilula do dia seguinte, tem camisinha de homem e de mulher, tem pilula anticoncepcional, tem injeção, adesivo, tem até o famigerado coito interrompido, tem tabelinha, tem método billings, tem camisinha spray…

      cara, nao tem desculpa!!! faz filho quem quer! quem nao quer, é só escolher uma das diversas opções listadas acima.

      • Falo mesmo,

        Concordo com você quanto a necessidade de usar os métodos anticonceptivos. Não tenho uma opinião formada sobre a questão do aborto, mas tendo a defender que até os três meses de gestação, a mulher tenha o direito de seguir ou não com a gravidez.

        Obrigado pela visita! Volte sempre!

  2. com relação ao aborto já não é uma decisão sobre sua própria vida, se a pessoa não está pronto para ter um filho melhor usar vários métodos para não correr esse risco, dependendo da idade até esperar um pouco para ter relação. com relação a estrupo é uma situação não provocada pela pessoa, e deve ser no mínimo muito perturbador criar o filho de um individuo que te agride, por isso a sociedade permite aborto nesses casos. Sobre congelar o indivíduo, é aquilo, se a pessoa pediu e você pode fazer ótimo, contanto que não afete terceiros, e caso a pessoa não consiga manter a outra congelada que isso não caia nos ombros de pessoas que não tomaram essa decisão. Sobre o parto é exatamente isso mesmo, o que impede de haver um especialista? parto na água é o mais comum caseiramente falando, e é o mais natural para o bebê. Agora, sobre suicídio depende da situação, se a vida da pessoa for para ser vegetativo a morte é um alívio.

    • Glaucia,

      Com relação ao aborto é o que eu disse antes. Ainda não tenho um visão definitiva. Porém, acho interessante e ponderada a ideia de a mulher poder interromper a gravidez até o terceiro mês.

      Com relação ao suicídio, sou bem radical. Acho que a vida é sua e você pode acabar com ela se achar que é necessário.

      No tocante as outras questões, concordo plenamente com você!

      Obrigado pela visita! Volte sempre! Você é muito bem-vinda!

      • Jack,

        Como disse antes, se tiver alguma irresponsabilidade, a pessoa tem de assumir a responsabilidade pela escolha que fez. O que não pode é o Estado querer tutelar as pessoas.

        Volte sempre!

  3. Parto em casa??? a maior babaquice dos últimos tempos. Minha mãe teve uma gravidez maravilhosa, e no dia que eu nasci, ele teve uma complicação tão séria, que ficou 7 dias sem enxergar, e se não estivesse em um hospital, certamente teria morrido ela e eu…

    • Jack, respeito sua opinião, contudo discordo de você.

      Parto em casa não é sinônimo de parto fora do hospital a qualquer custo. A mulher é acompanhada por especialista e, em caso de complicação, é encaminhada para um hospital.

      Ninguém tem direito de obrigar a mulher a ter seu filho em um local que ela não queira.

      Obrigado pela visita! Volte sempre!

  4. E digo mais, no início do ano, morreu uma moça que optou por essa babaquice, e o parto teve complicações. Um filho é uma benção muito grande para correr o risco de perdê-lo só para provar ao mundo que EU tenho direito de fazer o que quero com a minha vida.

    • Jack,

      Bebês também morrem em hospitais. Eu não estou aqui defendendo nem um tipo de parto. Estou defendendo o direito da pessoa escolher o melhor e ser responsabilizada pleos seus atos.

      Obrigado pela visita.

    • O ser humano parece que classificou a gravidez como uma doença, sendo que, na verdade, é tão natural quanto o sexo ou a morte!

      E se uma mulher é obrigada a parir em um hospital, pois então que tenham hospitais para todas. Porque, até onde eu sei, uma das profissões mais antigas e que ainda é forte em todo o país, é a profissão de parteira!

      • Exatamente, Snaga. Na verdade, qualquer coisa que se torna obrigatória por conta de determinação estatal é um caminho perigoso, por fazer concessões ao autoritarismo.

        Se eu não posso obrigar você a fazer alguma coisa, por que o governo pode? Afinal, o governo nada mais é do que um grupo de pessoas como você e eu, sem nenhum poder maior.

        Abraço e volte sempre!

  5. em relação a aborto;sou contra para os seguites casos: abortar pq a familia não vai aceitar ou vai interromper os estudos por causa de uma gravidéz acho isso uma desculpa pra quem não tem caratér, exatamente pelo fato de existirem varios tipos de métodos de evitar uma gravidéz indesejada pois se não quer ter filho e so não procurar por onde ou melhor se previnir.

    • Layara, primeiramente, obrigado pela visita.

      Eu concordo com você. Na minha opinião, há duas ideias principais sobre aborto. A primeira (da qual não gosto) é considerar que a liberdade individual engloba o direito de interromper a gravidez. A segunda é a de que o direito a própria vida é o mais soberano. Logo, interromper uma vida que não te pertence é um ato que atenta contra a liberdade individual da criança. Logo, deve ser evitado.

      Volte sempre. Você é muito bem-vinda!

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