Crédito sem poupança é caminho para crise

A crise americana de 2008, que hoje faz o país patinar economicamente com uma taxa de desemprego próxima aos 10%, não foi uma surpresa. Tudo estava totalmente claro. O leitor pode me dizer: “agora é fácil falar, difícil era prever a crise na época em que tudo estava dando certo”. Pois bem, muita gente previu e o fez com uma precisão absurda.

Um dos que anteviram o colapso foi Peter Schiff. Na época da bonança, todos estavam comprando casas com crédito facilitado, liberado por bancos com incetivos governamentais (qualquer semelhança com o atual cenário no Brasil não é mera coincidência). As pessoas davam como garantia do empréstimo o próprio imóvel, que ainda iriam comprar.

Abaixo a incrível profecia de Peter Schiff:

Como os preços das casas estavam super valorizados, a garantia do empréstimo (o imóvel) não era suficiente para cobrir um possível calote. Todo esse esquema era falsamente sustentado por uma estratégia que envolvia seguradoras, agências de classificação de risco e até membros das faculdades de economia, que davam sustentação teórica a essa operação insustentável.Essa dinâmica foi descrita no documentário “Inside Job” (Trabalho Interno).

Todos nós já sabemos o que aconteceu. Esse não é o ponto deste texto. A questão aqui é mostrar que muitos analistas sérios alertaram para os riscos desse processo e foram ridicularizados por conta do bom momento econômico que o país vivia.

Atualmente, temos no Brasil a questão do crédito para compra de automóveis. Muitas pessoas dão o próprio veículo como garantia. Contudo, o carro vai se desvalorizando com o tempo e no fim o consumidor que não consegue manter os pagamentos em dia acaba sem o carro e com uma dívida adicional.

Claro que a situação aqui não é tão grave como foi a americana. No entanto, percebe-se que o governo brasileiro parece entender que o crescimento advém simplesmente do consumo. Assim, basta baratear o crédito e aumentar a oferta de dinheiro para acelerar a economia.

O consumo deve prioritariamente partir da poupança, ou seja, você junta um montante e depois compra o que deseja. Só devemos recorrer ao crédito em casos pontuais. Crédito não é renda, é dívida! Não adianta dizer que agora todos podem ter carro, se daqui há um ano a pessoa perderá o veículo e ainda estará endividada!

Os americanos sabem que essa estratégia gera no máximo um curto período de euforia, que será seguido de um longo processo de depressão e desemprego. Ser inteligente é aprender com o erro dos outros, não com os nossos!

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