O jornalismo brasileiro precisa de âncoras

Will McAvoy, âncora do “The Newsroom”

O seriado americano “The Newsroom” (criado pelo roteirista do filme “A Rede Social”, Aaron Sorkin) estreou no Brasil no último domingo na HBO (assista o trailler AQUI). Ele conta a história de uma equipe que tenta reformar um telejornal, baseado nas áreas de economia e política e nas opiniões do âncora Will McAvoy.

Em sua coluna na Folha de S.Paulo, Maurício Stycer analisou as experiências de âncoras no telejornalismo brasileiro. Segundo o articulista, as iniciativas não tiveram muito sucesso, apesar do pioneiro Boris Casoy ainda comentar as notícias no Jornal da Band.

Stycer, no entanto, esqueceu de um caso recente de âncora que vem se mostrando razoavelmente promissor na minha opinião. A jornalista Raquel Sherazade, que na época trabalhava no jornal paraibano Tambaú Notícias, ganhou notoriedade depois que um vídeo seu criticando a festa de Carnaval alcançou mais de dois milhões de acessos no Youtube (assista AQUI). A resposta dela à repercussão do primeiro vídeo também chegou perto da marca de um milhão de visualizações (veja AQUI).

Raquel Sherazade, âncora do jornal do SBT

O sucesso dos comentários foi tão grande que Silvio Santos a chamou para ancorar o Jornal do SBT. As opiniões de Sherazade continuaram a ganhar projeção na internet. Três vídeos já passaram das 500 mil exibições e outros tantos de 300 mil. Dessa forma, ela consegue superar possíveis barreiras de audiência da emissora e aumentar a amplitude do seu trabalho.

A popularidade de diversos blogs demonstra o interesse dos leitores não só pela notícia, mas pela análise e até pela tomada de partido do articulista. Independentemente de concordarmos ou não com os argumentos de um âncora, os pontos de vista nos ajudam a formar nossa opinião.

Outro ponto importante, a meu ver, é que quando o jornalismo assume uma posição clara, ele resolve o problema da imparcialidade. Muitos pesquisadores de mídia já demonstraram a impossibilidade de realizar um noticiário neutro, tendo em vista que todo ser humano é influenciado de alguma forma. Ao tornar visível o seu posicionamento, o âncora proporciona mais clareza ao telespectador.

A popularidade de Sherazade é um indicativo de que o público aprova esse formato. Contudo, o SBT, por não ser a principal emissora do país, tem liberdade para testar novos modelos e para permitir que a jornalista expresse seus pontos de vista de forma mais incisiva. Agora, é esperar para ver se o sucesso da âncora vai influenciar as duas principais emissoras do país.

Assista abaixo dois vídeos de Sherazade:

 

Texto publicado no “Observatório da imprensa”.

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29 pensamentos sobre “O jornalismo brasileiro precisa de âncoras

  1. Não gosto nem um pouco das opiniões dela. Primeiro porque discordo da maioria e segundo porque a impressão que passa é de “olhem para mim, vou falar algo bombástico para chamar atenção e ser polêmica”.

    Acho os comentários da Sherazade um modo discreto de sensacionalismo. Enquanto Datena faz sensacionalismo com imagens, Sherazade o faz com palavras. Fica parecendo mais culto, mas a essência é a mesma.

    • Snaga, obrigado pela visita!

      A questão não é nem gostar ou não das opiniões dela. Meu ponto é que esse tipo de ancoragem ajuda as pessoas a formarem as próprias opiniões, tanto pela concordância quanto pela rejeição dos argumentos.

      Acho que Sherazade tem mais embasamento e segue uma linha mais ou menos coerente em todos os comentários. Claro que tratar de temas polêmicos aumenta a projetação dos comentários.

      Abraço e volte sempre! Sua visita sempre ajuda a elevar o nível aqui do blog!

    • É muito Fácil, vim aqui é dizer bobagens, mas dúvido que você teria a capacidade de argumentar sobre diversos temas com algum propósito, chegar onde ela chegou até hoje caminhando com os próprios pés é muito dificil, e dando a cara a tapa a não falar o que estamos acostumados a ouvir nos teles jornais… se acostumar com o diferente é para poucos.

      • Não sei se tenho capacidade, Mayara. Não meço minhas próprias qualidades. Mas dou minha opinião também, basta entrar em meu blog e conhecer o que penso sobre vários assuntos, para bem e para mal. Não posso estar na TV (apesar de trabalhar em uma emissora), mas uso da internet para discutir diversos assuntos.
        E, diferente do que a Sherazade faz em seu jornal, em meu blog (bem como aqui no blog do Pedro e, de modo mais restrito no exemplo do Jornal da Cultura, que citei abaixo), disseminamos nossa opinião e ficamos em aberto para ouvir a opinião de outros e debater. Tanto é que, no decorrer de várias discussões em meu blog, já cheguei a mudar de opinião e concordar com aqueles que discordavam de mim.

  2. Tem uma pequena diferença entre o Will McAvoy. e a Rachel do sbt. A série newsroom está no oitavo episódio lá fora, e o que o will faz é criar um DEBATE e atacar quem está ERRADO, independentemente do partido (republicanos/democratas).
    A rachel apenas fala o que “todo mundo” já sabe.

    • Marcos, primeiramente, muito obrigado pela visita!

      Respeito sua opinião, mas acho que querendo ou não, a Sherazade gera sim um debate. É só você acompanhar no youtube os outros vídeos em resposta ao dela ou mesmo os comentários no próprio vídeo dela.

      Claro que ela não é uma super âncora ainda, mas é aquela história de que “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Em um telejornalismo que carece de opiniões, a voz dela acaba ganhando destaque.

      Minha esperança é que o estilo dela ajude a disseminar esse modelo e a trazer pessoas qualificadas para fazer ancoragem.

      Volte sempre! Você é muito bem vindo!

      • Acontece que os debates ocorrem no YouTube ou em outro meios “privados”, fechados. Mas para o restante da população, cujo hábito envolve apenas ouvir, sem questionar, Sherazade está apenas sendo parcial – ou seja, quebrando uma regra primordial do jornalismo.

        Levando em consideração o que o Marcos disse, temos o Jornal da Cultura, que sempre tem em sua bancada alguns especialistas convidados, com opiniões geralmente contrárias entre si e que debatem cada uma das notícias ali apresentadas. Gosto muito mais desse formato.

      • Snaga, como disse antes, discordo de você. Ela separa bem a opinião dela da notícia em si.

        Além disso, o jornalismo não é imparcial, porque o espaço disponível impede isso. Então, se é necessário faze ruma seleção de assuntos que vão entrar no jornal, já está sendo quebrada a imparcialidade, pois entrou em cena o ponto de vista do editor chefe.

        Além disso, toda vez que Sherazade opina, ainda aparece abaixo dela uma tarja escrito “opinião”, o que a meu ver é até exagerado, mas que para o ambiente jornalístico brasileiro é importante.

        Se o telespectador entender o papel do âncora, vai saber ver que não é preciso concordar com a opinião dele.

        Abraço e obrigado por trazer nuances novas à discussão!

      • Não quer ou não pode? Uma das leis que regem o jornalismo é a imparcialidade. Claro que ela não existe de todo, é impossível. Mas dar uma opinião descarada é a pior escolha, afinal é a opinião DELA, que pode divergir da opinião de muitos.

        Veja, eu tenho uma opinião contrária a dela em vários pontos. Mas sua opinião, que é apenas diferente da minha (não melhor e nem pior, mas diferente) passa a valer mais valor só porque ela está em rede nacional. Entendeu porque sou contrário a isso? Não ha debate, há imposição de um modo de pensar, sendo ele certo ou errado.

      • Snaga, respeito seu ponto de vista, mas discordo de você.

        O fato de ela opinar não exclui a parte informativa. Até porque ela divide bem. Ela comenta as notícias. O que tem que ser imparcial é a notícia, o comentário deve apontar uma linha de análise.

        Abraços!

      • Exatamente. Pior do que os ignorantes hoje em dia são os covardes que não tem coragem de assumir opinião contra o consenso emburrecedor.

      • Edu, a grande questão é que as opiniões da Sherazade por serem bem marcadas acabam gerando tanto reações a favor, quanto contrárias. Mas é importante ver que as duas são legítimas.

    • Neo, obrigado pela visita e pelo comentário.

      Também acho que ela não faz pra chamar atenção, porém ela acaba chamando por ser a única a fazer isso em nível nacional.

      Volte sempre! Você é muito bem-vindo!

    • César, você foi direto ao ponto! É exatamente isso. Podemos não concordar com os argumentos dela, mas a discordância também nos ajuda a construir nosso ponto de vista.

      Obrigado pela visita! Volte sempre!

  3. so sobre a xuxa que eu não gostei .depois de 37 anos ela vai falar é porque ela gossstttttouuuu muuuuuiiiiiiiiiiitooooooo de ser acariciada ganhar um dinheiro para comprar doce e outros .agora ela vem falar que foi violencia so porque ela ta meio esquecida na tv sei não para mim foi um golpe de marketing ..

    • Henri, respeito seu ponto de vista, mas discordo totalmente. Até porque acho impossível alguém que foi violentado gostar da situação.

      Contudo, independentemente da intenção da Xuxa, a declaração ajudou muitas outras vítimas a tomarem coragem para denunciar o abuso. Então, foi algo positivo.

      Obrigado pela visita. Volte sempre!

  4. O jornalismo de hoje em dia é muito imparcial, principalmente por causa de duas emissoras de M%R#@ que são a Globo e a Record. A Globo ataca os fãs de animes japoneses, os otakus, alegando que estes podem se tornar rebeldes e/ou agressivos ao assistir animes, o que não é nem um pouco verdade. Eu já assisti Hellsing, que é bem mais violento que DBZ ou Naruto e nem por isso fiquei violento. Já a record, por outro lado, ataca os gamers. O Domingo Espetacular publicou uma matéria tendenciosa alegando que videogames podem influenciar as pessoas a cometerem atos violentos. E o pior, associou os games violentos ao atentado de Realengo. Mentira, isso não é verdade, só as pessoas que já são conturbadas(seja no ambiente em que vivem ou de sua própria natureza) podem ser violentas jogando games violentos. A Globo e a Record não falam das novelas(que influenciam negativamente as pessoas), mas falar dos animes e games, essas duas emissoras de M%R#@ falam. Realmente a Globo e a Record são antros de Illuminatis satânicos que querem ditar nossas vidas.

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