Eleições americanas – cobertura jornalística ou torcida organizada?

Barack Obama é definitivamente um político carismático. Sua imagem não conquista somente americanos. Por exemplo, em uma pesquisa no Google pela expressão “Obama eleições 2012”, chega-se a mais de 5 milhões de resultados. Já a mesma consulta feita com o nome do adversário do presidente americano no pleito deste ano, Mitt Romney, apresenta pouco mais de um milhão de menções.

O fato de o carisma de Obama atrair internautas não é problema algum, só demonstra a popularidade e o trabalho da equipe de marketing e relações públicas do presidente. O trabalho do democrata na internet é inclusive referência para estrategistas eleitorais. Contudo, essa situação não deveria se repetir dentro de uma empresa jornalística,  que visa, teoricamente, a imparcialidade.

Uma pesquisa no site Folha.com no mês de agosto apresenta 280 resultados para Obama e 175 para Romney.  Ou seja, 37,5% a mais para o presidente norte americano. Alguns podem argumentar que, por conta do cargo, é natural aparecerem mais menções ao ocupante da Casa Branca, que não são necessariamente ligados à eleição.

Contudo, na semana de 25 a 31 de julho, quando ocorreu a convenção do partido republicano, que homologou a candidatura de Romney, Obama continuou sendo mais mencionado que seu opositor (99 x 85). Importante ressaltar dois pontos. Primeiro, a Folha tinha dois correspondentes cobrindo o evento republicano. Segundo, nesse período não houve nenhum acontecimento que envolvesse o posicionamento de Obama como presidente, logo, a lógica seria que houvesse mais citações do republicano.

Colunista em campanha

Alguém pode contestar, dizendo que a maioria das matérias que falam sobre Romney tratam também de Obama, pois ambos estão envolvidos na mesma disputa eleitoral. No entanto, não é somente no número de resultados de busca que a Folha tem demonstrado um viés pró Obama.

Por exemplo, o economista Paul Krugman, que é assumidamente democrata, tem uma coluna semanal no jornal e  não hesita em criticar o candidato republicano em todas as oportunidades. Para ser mais exato, nos últimos dez textos, nove criticavam o adversário de Obama.

Outro colunista do jornal, Clóvis Rossi, em agosto falou três vezes sobre a eleição americana. Em todas criticou Romney, inclusive com um texto com título pra lá de alarmista  (“Porque tenho medo de Romney”).

É importante deixar claro que não estou aqui defendendo nenhum candidato. Entendo que a última gestão republicana de George W. Bush cometeu equívocos absurdos e criou uma antipatia para o partido como um todo. Também admito, como disse no início deste texto, que Barack Obama é um político de muito carisma e que isso naturalmente atrai a simpatia das pessoas. Entretanto, em uma cobertura jornalística, deve-se buscar balancear os pontos de vista para evitar que afinidades ideológicas levem informações distorcidas aos leitores.

Texto publicado no Observatório da Imprensa

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