Inflação à espreita

Em artigo publicado no Folha de S.Paulo, o doutor em economia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Adolfo Sachida, alertou para o perigo da volta da inflação no Brasil. O ponto principal apontado por ele é o aparente descaso do Ministério da Fazenda e do Banco Central com o cumprimento das metas de inflação.

Segundo Sachida, o governo tem se conformado com o fato da meta estar na margem de tolerância. Atualmente, a meta é 4,5%, mas existe um intervalo de dois pontos percentuais, que é tido como aceitável em anos em que ocorrem grandes choques econômicos. Em 2011, o índice fechou no teto da margem de tolerância (6,5%) e para este ano a previsão é que fique ainda acima dos 5%.

O perigo deste tipo de abordagem é que, ao não priorizar o atingimento da meta, o governo acaba “oficializando”  um novo patamar de inflação aceitável, dessa forma o país volta a ter que conviver com índices incômodos de aumento de preços.

Outro fator que causa preocupação, a meu ver, é o fato de o governo estar substituindo o regime de câmbio flutuante pelo de bandas cambiais. Ou seja, adota-se um intervalo de variação da moeda, considerado “benéfico” para as exportações brasileiras. Hoje, pode-se dizer que o Banco Central trabalha para manter a cotação Real/Dólar entre R$2 e R$2,10.

O problema é que os Estados Unidos, por estarem passando por uma crise, estão adotando uma medida para desvalorizar a própria moeda. O Brasil, ao fazer o mesmo, impede que os produtos importados sejam vendidos a preços mais baixos no país, o que é também um instrumento de controle da inflação.

Resumindo, o país passou por um período obscuro de sua história na época da hiperinflação. Por meio do plano real, do regime de metas de inflação e da instituição do câmbio flutuante, essa situação foi superada. Contudo, a atual política econômica vem flexibilizando esses pilares ao tolerar a inflação acima da meta e ao impedir que o Real se valorize, por meio da adoção de um regime de bandas cambiais. É ainda preocupante que a inflação esteja alta em um momento em o crescimento está em ritmo lento. A lógica indicaria o contrário.

Claro que estamos ainda distantes da alta de preços vista nos anos 80 e início dos 90, mas é necessário que o  governo não deixe que o poder de compra dos cidadãos se deteriore, caso contrário, corre-se o risco de perder muitas das conquistas obtidas nos últimos anos de bom crescimento.

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