O Banco Central combate ou estimula a inflação?

Ao contrário do que diz o senso comum, a inflação não é um aumento de preços. A elevação dos valores é apenas uma consequência. A inflação é na verdade um aumento da base monetária sem lastro em riqueza. Ou seja, quando se expande o montante de dinheiro na economia, sem que isso tenha como base um aumento na produtividade.

Mas por que os preços sobem? Antes de tentar responder a essa pergunta, gostaria de deixar claro que não sou economista, sou um jornalista que se interessa pelo assunto. Voltando ao questionamento, os produtos ficam mais caros, porque o excesso de moeda corrói o poder de compra. É a lei da oferta e da procura. Se um bem passa a existir em abundância, o seu valor decai.

Logo, quanto mais moeda sem lastro em bens reais, menos poder de compra terá seu dinheiro. Dessa forma, como o dinheiro passa a valer menos, um comerciante precisará de mais capital para se sustentar, logo ele terá que aumentar os preços dos seus produtos. Perceba que a elevação não acontece do nada. Ela é desencadeada por um processo anterior, que é o aumento artificial da oferta monetária, também conhecido como inflação.

Mas quem aumenta a oferta de dinheiro? Na maioria dos países, inclusive no Brasil, o responsável pela impressão das notas é o Banco Central. Por isso, economistas da ala mais liberal afirmam que é o Estado que gera inflação, pois ele é o ente responsável pela oferta monetária. Logo, se há uma expansão que não está baseada na produtividade, a lógica aponta o BC como culpado.

Por que o Banco Central gera inflação? A mesma parcela de economistas liberais afirma que a inflação nada mais é do que uma forma de tributo. Ou seja, uma maneira do Estado financiar seus gastos. Aumentar impostos é uma medida antipopular, pois é muito evidente, não há como esconder.

Já a inflação possui efeito mais diluído e disfarçado. Dessa forma, o Banco Central imprime dinheiro para financiar o governo. O problema é que, a longo prazo, esse procedimento pode sair do controle e o paíspode cair em um período de hiperinflação, como aconteceu no Brasil nos anos 80 e 90.

Por conta da inflação, alguns políticos, como Ron Paul, defendem o fim dos Banco Centrais e do monopólio estatal sobre a impressão da moeda. O argumento é que se houver concorrência de moedas, os responsáveis pela impressão terão mais cuidado em não desvalorizar seu produto e vão evitar imprimir cédulas sem lastro.

Outra ala menos radical defende o retorno ao padrão-ouro, ou seja, o Banco Central só poderia imprimir dinheiro, se possuísse o mesmo montante em ouro lastreando a expansão.

Por fim, reforço que não sou um especialista, só acho essa visão bem lógica e quis compartilhar com os visitantes do blog. Se você discorda do exposto, vamos debater aqui na área de cometários.

Neste vídeo, Tio Patinhas explica como a expansão monetária sem base em riqueza real corrói o valor da moeda:

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8 pensamentos sobre “O Banco Central combate ou estimula a inflação?

  1. muito bom seu texto.
    Por isto que eu acho que deveriamos voltar para quem seria o responsavel pelo BC
    Pelo menos assim saberiamos o nome do canalha que nos rouba….rs, já ia esquecendo das propostas que talvez ele teria que apresentar para se eleger

    • Andrews, primeiramente, muito obrigado pela visita.

      A eleição do presidente do BC poderia ser uma solução, mas, na minha opinião, ele acabaria fazendo propostas populistas para garantir novas reeleições.

      Volte sempre. Você é muito bem vindo!

  2. Tem muitos erros conceituais em seu artigo. Prefiro não corrigí-los aqui, sendo economista formado e pós-graduado, pois foge do foco da discussão proposta. A inflação, pra começar, é a perda do poder de compra da moeda, em, função do aumento artificial da base monetária. O aumento aparente de preços é relativo e secundário, como bem pontuado pelo texto.

    Mas duas dicas eu te dou pra seu discurso não ficar muito fora da realidade.empírica: primeiro, o Brasil não passou por um período de HIPERINFLAÇÃO, e sim um período de inflação alta e persistente. Hiperinflação são casos mais extremos, pós-guerra, como a Alemanha no pós-guerra. Segundo, você está certo sobre a inflação servir como uma forma de tributação indireta do governo, mas vc não pode falar sobre governo e Banco Central sem abordar a questão da independência e credibilidade do Banco Central. Nao é como se qualquer governo tivesse margem de manobra pra influenciar as decisões de política monetária. O problema é a incongruência do ciclo político e do ciclo econômico.

    • Bruno, obrigado pela visita e pelas considerações.

      Pelo que entendi pelo seu comentário, não há “muitos” erros, você apontou dois. Porém, seus apontamentos podem ser discutidos. O Brasil chegou a ter inflação de mais de 2.000% ao ano. Se isso não for hiperinflação, eu não sei o que é. Pode ser que o conceito não seja bem esse, mas não consigo enxergar essa inflação como “alta” somente. Alta foi a do ano passado, essa para mim pareceu exorbitante.

      Já com relação a independência do BC, eu discordo veementemente de você. Nos governos FHC e Lula, havia sim independência, mas no atual não há. A presidente diz pra baixar os juros e o BC segue a diretriz. Pode fazê-lo baseado em estudos, mas que é por indicação da presidente é.

      Volte sempre! Você é muito bem vindo!

  3. Ola, gostaria de expor minha visão sobre o tema, nao sou economista, mas meu entendimento vem de um dos maiores especialistas em economia no mundo, Peter Joseph. Então, na verdade o banco central, não imprime dinheiro, porque gosta, ou por nada, na verdade oque acontece eh algo um tanto cíclico. Em nosso sistema socioeconomico, “ dinheiro eh divida e divida eh dinheiro “. A unica forma de se criar dinheiro, eh atravez de um empréstimo, todo empréstimo tem juros, logo, se somente o montante total eh criado, onde esta o dinheiro para pagar o juros ? Nao existe, a unica forma, para se pagar o juros, eh fazendo um novo emprestimo.. e assim por diante.. por isso que nunca ficamos livres das dividas e se em algum dia todas as pessoas pudessem, pagar todas as dividas, nao haveria mais 1 centavo em circulação… essa maquina, oculta para a sociedade, eh que nos deixa de joelhos, perante os bancos, e governos que o apoiam! Qualquer duvida, procure pelo documentario, Zeitgeist addedum, feito por peter.. você vai se impressionar!

    • Jonas, obrigado pela visita.

      O que você diz faz sentido quando nos referimos a dinheiro de papel. Contudo, a ferramenta dinheiro sempre existiu em diversas outras formas (ouro, sal, cobre etc).

      Realmente, para imprimir dinheiro de papel é necessário fazer um empréstimo, emitir títulos da dívida. Você tem razão quando diz que esse sistema nos deixa de joelho, pois os governantes da vez podem destruir o valor da moeda quando quiserem para financiar seus excessos. Porém, como apontei, há outras alternativas que podem tornar esse sistema livre e deixar o autoritarismo estatal de lado.

      Volte sempre! Você é muito bem vindo!

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