O que o barateamento artificial do crédito pode causar?

L20061012-PODER-DE-COMPRAO governo brasileiro tem tomado diversas medidas para baratear o crédito, como baixar a taxa de juros e cortar o rendimento da poupança. A ideia é ampliar o poder de compra do consumidor brasileiro e estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

A taxa de juros representa o “preço” do dinheiro. Dessa forma, quanto mais dinheiro houver (poupança), mais barato será um empréstimo (crédito). Contudo, ao controlar a taxa de juros, a equipe econômica distorce o funcionamento dessa operação.

Assim, os bancos passam a baratear suas linhas de financiamento não com base na poupança, mas no endividamento. O problema é que, para sustentar essa estratégia, o governo cobre a dívida dos entes bancários. Em setembro, a União injetou R$21 bilhões na Caixa e no Banco do Brasil. Esse montante é dinheiro público, ou seja, recurso adquirido por meio de tributação ou inflação.

Cria-se, então, uma falsa sensação de prosperidade. Barateia-se o crédito de forma artificial, financiando o endividamento dos bancos públicos por meio da tributação do cidadão ou por impressão de moeda, que gera inflação de preços. Ou seja, o que ocorre na verdade é uma limitação no poder de compra e não um aumento.

Pior: várias pessoas, iludidas pela propaganda governamental, pegam um empréstimo e acabam comprometendo sua renda por conta do endividamento. Trocando em miúdos, o governo, para captar recursos para poder capitalizar os bancos públicos, segue dois caminhos: aumento da tributação ou impressão de moeda, que gera inflação. Essas duas medidas diminuem a renda do consumidor, que, quando tiver que pagar o empréstimo terá menos poder de compra do que tinha antes de adquirir a dívida. Resultado: aumento da inadimplência.

Outro efeito colateral do barateamento artificial do crédito por meio dos bancos públicos é que as instituições financeiras privadas se veem obrigadas a também baixar suas taxas de juros para não perderem mercado. Porém, bancos privados não têm, pelo menos a princípio, o privilégio de ter suas dívidas arcadas pelo Estado. Assim, o que ocorre é a perda de capacidade de investimento dessas instituições, o que contribui para o aumento da concentração no mercado bancário.

Como mostra matéria do Portal Brasil, “os bancos privados nacionais detinham 47,9% das operações de crédito, em setembro de 2008, mas apesar de o volume de crédito bancário ter dobrado de lá para cá, a participação nos financiamentos e empréstimos caiu para 37,1%.Em contrapartida, os bancos públicos, que à época detinham 30,7% do estoque de créditos, são agora detentores de 46,2% dos R$ 2,237 trilhões emprestados a terceiros – pessoas físicas e jurídicas”.

Em suma, a estratégia do governo pode até gerar um crescimento a curto prazo, mas no longo prazo, a tendência é aumento da inflação, crescimento da inadimplência e expansão da concentração do mercado bancário. Esses fatores somados tendem a prejudicar o crescimento nos próximos anos.

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6 pensamentos sobre “O que o barateamento artificial do crédito pode causar?

  1. Como estamos vivendo em um pais comunista e estatizante,acredito que a real intenção do governo e a quebra e posterior estatização de todo o sistema bancário.
    Isso também vem sendo feito em outros setores,atravez dos fundos de pensão.

    • Ronaldo, antes fossem só os bancos privados que fossem perder dinheiro. Quando os efeitos da manipulação dos juros chegarem, estaremos de novo nos tempos da hiperinflação. Daí, você volte aqui para dizer como se estará se sentindo.

      • Célio, primeiramente, obrigado pela visita.

        Eu não acredito na quebradeira dos bancos, porque o governo vai usar o dinheiro do contribuinte para salvar os insolventes. Daí, o dólar vai perder seu valor cada vez mais e os EUA vão ter de passar por um período de hiperinflação, como passamos nas décadas de 80 e 90.

        Abraço e volte sempre! Você é muito bem vindo!

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