Quem causa o desemprego?

professor-pardal-420x313Federic Bastiat defendia que há sempre dois resultados para as intervenções governamentais, uma que se vê e outra que não se vê. O pensador francês afirmava que os gastos governamentais retirariam recursos do setor privado e destruiriam riquezas.

Os críticos de Bastiat alegavam que a sua teoria só era válida em um cenário de pleno emprego, que em situações de crise, nas quais houvesse recursos ociosos, o governo poderia agir para colocá-los em ação sem que isso retirasse recursos da iniciativa privada já que esses recursos não estariam sendo utilizados. Ou seja, não haveria competição entre o poder público e o mercado.

W.H. Hutts, no entanto, no seu livro “A Teoria dos Recursos Ociosos” mostra os recursos não estão sendo deixados ociosos em vão. A existência da ociosidade demonstra somente que esses recursos estão sendo poupados para consecução de outros fins.

Como explica Faustino Ballvé, a regra no mercado é a escassez e não a abundância. Partindo dessa premissa, podemos afirmar que se há recursos ociosos deve haver um fator externo ao mercado influenciando o processo de alocação de recursos. Assim, pode-se concluir que o maior causador da ociosidade é o governo, pois ele não opera na lógica de lucros e prejuízos, que impede empreendedores de desperdiçar recursos.

Recursos ociosos são resultados principalmente de erros empreendedoriais cometidos na fase de expansão econômica, estimulada pelo governo por meio da oferta de crédito artificalmente barata. Esse processo distorce a formação dos preços, que leva a uma sobrevalorização de setores que não seriam sustentáveis sem a interferência do governo.

Por exemplo, quando o governo direciona recursos para o setor de construção, facilitando o acesso ao crédito para compra de casas, ele fará com que a demanda por imóveis cresça. Isso vai levar a um aumento do preço desse bem, o que vai refletir em toda a cadeia de produção. Assim, um trabalhador que ganharia X em uma situação normal, passa a ganhar 3X por conta do aumento dos preços dos imóveis causado pelo estímulo do governo.

No entanto, essa situação não é sustentável. Quando o estímulo cessar, a demanda vai cair e as construtoras não serão mais capazes de pagar 3X ao trabalhador, que, se não aceitar baixar seu salário, perderá o emprego. O que o governo faz em um período de crise é retirar mais dinheiro de outros setores para evitar que investimentos insustentáveis sejam desfeitos. Assim, o governo, para impedir que a mão de obra fique ociosa, irá fazer mais investimentos, retirando dinheiro do setor privado. Isso vai atrasar a ação do mercado de trazer os salários a um patamar compatível com a demanda real dos consumidores, aumentando o período de crise.

O governo pode também, segundo os keynesianos, investir em obras públicas em períodos de crise para evitar desemprego. Porém, essa teoria não leva em conta que não se trata simplesmente de redirecionar mão de obra desempregada para determinados setores. Para realizar a obra, os trabalhadores precisarão de ferramentas e recursos complementares que estão sendo utilizados por outros empreendimentos no setor privado, o que prejudicará esses negócios e gerará desemprego em outros setores.

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2 pensamentos sobre “Quem causa o desemprego?

  1. Concordo com esta análise. Esperem a Copa do Mundo passar e todos veremos o desemprego astronômico que virá na construção civil e automobilística, causando uma reação em cadeia para outros setores!!!

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