Economia brasileira nos tempos do overnight

ministro-guido-mantega-20120522-03-size-598O governo brasileiro está numa sinuca de bico. Depois de fazer festa em cima da baixa de juros e prometer um crescimento exuberante, agora tem que encarar falta de investimento e inflação ascendente. Porém, nada disso seria surpresa se a equipe econômica conhecesse melhor a escola austríaca de economia.

Vamos por partes. Ninguém em sã consciência é contra juros baratos. A questão é a taxa de juros reflete a disponibilidade de poupança, ou seja, é uma espécie de preço do dinheiro. Como qualquer preço, ele deveria refletir a questão de oferta e demanda, mas isso não aconteceu porque o governo manipulou o índice, gerando informações erradas para os empreendedores.

Quando os juros são baixados de forma artificial, como fez o Comitê de Política Monetária (Copom), a oferta por crédito aumenta rapidamente, porém, como não há recursos suficientes, o Banco Central é obrigado a imprimir dinheiro para manter a oferta alta e a taxa de juro baixa.

No entanto, o aumento artificial do crédito gera uma elevação generalizada nos preços, ou seja, inflação. Todos aqueles que viveram nos anos 80 e início dos anos 90 sabem que inflação desestimula poupança e gera uma corrida para o curto prazo. Quem não se lembra do famigerado overnight?

Se todos estão pensando no curto prazo, o que acontece? Seca de investimentos! Os bons empreendedores entendem que não é possível crescer baseado somente em expansão de crédito e consumo. Dessa forma, os empresários adiam investimentos, temendo perderem dinheiro mais a frente.

Explicando melhor: 1) o governo baixa a taxa de juros de maneira artificial; 2) o aumento na demanda por crédito obriga o Banco Central a imprimir mais dinheiro para manter; 3) iludidos pelos juros baixos, várias pessoas embarcam em projetos insustentáveis; 4) o excesso de oferta de crédito pressiona os preços e gera inflação; 5) para conter a elevação de preços o governo tem que elevar juros novamente; 6) com  o encarecimento do crédito, há uma queda no consumo; 7) os projetos insustentáveis começam a quebrar; 8) os investidores ficam receosos e param de investir; e 9) a país entra em período recessivo ou de estagnação. É o que a teoria austríaca chama de teoria dos ciclos econômicos.

Nada do que eu disse é novidade, qualquer um com um pouco de apresso pela lógica entende que não é possível gastar antes de poupar e que não há crescimento sustentado por endividamento. Uma hora as contas tem de ser pagas. E a hora do Brasil chegou.

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Um pensamento sobre “Economia brasileira nos tempos do overnight

  1. “Quando os juros são baixados de forma artificial, como fez o Comitê de Política Monetária (Copom), a oferta por crédito aumenta rapidamente, porém, como não há recursos suficientes, o Banco Central é obrigado a imprimir dinheiro para manter a oferta alta e a taxa de juro baixa.”
    Não seria a demanda por crédito? A oferta de crédito é diretamente proporcional à taxa de juros, ou seja, quanto maior a taxa de juros mais incentivo o proprietário do capital financeiro terá para ofertá-lo.
    Assim, a trecho parece mais correto se dissesse: a demanda por crédito aumentaria rapidamente, mas a oferta retraída causaria um excesso de demanda por crédito que culminaria em pressões para elevação da taxa de juros, controladas artificialmente pelo Bacen.

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