A verdadeira esquerda não é contra o capitalismo

cumprimentoMuitos pensam que ser de esquerda é se opor ao capitalismo como forma de organização social. Contudo, a verdadeira esquerda, quando surgiu, visava exatamente preservar a autodeterminação dos povos contra poderes tirânicos, além de lutar pela liberdade individual e pelo direito de escolha. Premissas essas que são defendidas também pelos anarco capitalistas e pelos liberais, como lembra o psicanalista Contardo Calligaris, em coluna na Folha de S. Paulo.

Infelizmente, grupos de autocratas foram se apropriando do discurso das esquerdas e transformando-as em uma corrente que apoia o crescimento ininterrupto da influência do governo na vida dos cidadãos. Esse comportamento, que visa impor os valores de um grupo sobre toda sociedade aproxima-se do neoconservadorismo, que deseja irradiar valores morais por meio do aparato estatal.

Em outras palavras, os grupos que atualmente se denominam de esquerda agem da mesma forma dos grupos que eles dizem combater. A diferença é apenas nas demandas de cada grupo, mas o modus operandi é exatamente o mesmo. Tanto esquerdistas, como direitistas acreditam no planejamento central, na concentração da renda na burocracia estatal e na clarividência de um grupo político, que sabe quais valores os cidadãos devem adotar para serem felizes.

A velha e genuína esquerda jamais concordaria com o atual modelo de governo que retira milhões de reais da economia para devolver migalhas populistas aos mais pobres. Nenhum ente é mais concentrador de renda do que o governo, pois somente ele possui o monopólio do uso da força e o aplica para retirar dinheiro dos cidadãos e repassá-lo a políticos e burocratas.

Outra ilusão é acreditar que as esquerdas se oporiam ao capitalismo. Afinal, essa corrente política defende a cooperação, o direito de escolha e a soberania da vontade popular. Sob o capitalismo, os cidadãos é que decidem qual empresa deve ou não ter sucesso e não os governos, que escolhem empresas compadres para usufruir do dinheiro dos pagadores dos impostos. A soberania do consumidor é muito mais representativa da vontade popular, que um grupo de burocratas tentado promover engenharia social.

Além disso, o capitalismo incentiva a cooperação, como bem mostrou Adam Smith. Ele só se torna excludente quando há interferência do governo, criando normas que diminuem a concorrência e protegem empresas em detrimento do consumidor.

Em suma, anarco capitalistas e a velha esquerda tem muito mais em comum do que parece. Contudo, esses dois grupos, que deveriam ser aliados, tem perdido tempo com pendengas irrelevantes, abrindo espaço para os verdadeiros inimigos da liberdade, os estatistas de esquerda, de centro e de direita.

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5 pensamentos sobre “A verdadeira esquerda não é contra o capitalismo

  1. Muito bom o artigo! Ma me pergunto se existem pessoas hoje que se identificariam como parte da “velha esquerda”; estou com a impressão que não.

  2. foi de certa forma um alivio para uma estudante de serviço social ler este artigo, penso que há uma luz no fim do túnel, que ainda a humanidade pode sobrepor a esta tirania.

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