Loteria é imposto voluntário

Aposte-Sabendo-o-que-você-está-FazendoA teoria da Escolha Pública ensina que o estado opera pela premissa de benefícios concentrados e custos dispersos. Isso significa que a maior parte dos impostos recolhido de toda a sociedade é direcionada a grupos específicos. Como o custo é dividido por muita gente, o valor acaba se mantendo em um patamar que, apesar de incomodar, não é suficiente para levar as pessoas às ruas para reclamar.

O problema é que em um regime democrático, quem mais leva dinheiro do estado são os grupos organizados, capitaneados por seus lobistas. Dessa forma, por exemplo, Eike Batista conseguiu diversos incentivos, as riquíssimas montadoras nacionais de automóveis também abocanharam um subsídio e as empreiteiras conseguiram linhas de crédito generosas para erguer estádios em locais sem nenhuma cultura futebolística.

Diante desse quadro, no qual impera uma alta carga tributária, que em sua maioria vai parar nos de políticos e magnatas amigos do estado, a maior parte da sociedade só paga impostos por ser obrigada a isso. Contudo, existe uma exceção, na qual pessoas pagam de forma voluntária um tributo. Esse fenômeno chama-se loteria.

Semanalmente, pessoas seduzidas pela chance de enriquecer sem fazer esforço depositam parte do seu salário na conta do governo. Como bem destaca o economista Gustavo Franco, “as probabilidades de se ganhar na loteria são astronomicamente diminutas diante do que se paga para jogar, fato que, de forma paradoxal, parece não incomodar o grande público. Com efeito, o “investimento” representado pelo jogo de loteria é dos piores que existem, e um bilhete deveria custar um terço do seu preço para que o jogo se tornasse justo, ou seja, para que retornasse, em média, aos jogadores, um valor condizente com suas chances de vencer”.

Alguns ingênuos de bom coração podem argumentar que o dinheiro arrecado é investimento em fundos de incentivo à leitura, a cultura e ao esporte paraolímpico. Contudo, essa boa ação não corresponde nem à metade do total arrecadado. A maioria vai para custeio da burocracia governamental. Vejamos a divisão da arrecadação, segundo a Caixa Econômica:

Loteria

O quadro acima traz informações muito elucidadoras. Primeiro, os gastos com as “boas causas” (esporte, cultura, segurança e educação) correspondem a apenas 15% do total. O prêmio que o ganhador leva responde por somente 32,2%. Mesmo dando-se uma colher de chá e retirando a parcela da seguridade social (que lembra muito um esquema de pirâmide), a maior parte do dinheiro (34%) vai parar na manutenção da máquina governamental.

Além disso, é preciso ressaltar que mesmo as causas mais “nobres” não necessariamente servem aos pagadores de impostos. Apenas para efeito de lembrança, podemos citar o caso de Edmar Cid Ferreira, dono do antigo Banco Santos, que desviou R$5,1 milhões do Fundo Nacional da Cultura. Outra nota interessante foi a informação trazida pelo jornalista José Cruz, de que o Comitê Olímpico Brasileiro, utiliza parte dos recursos repassados pela loteria para pagar generosos salários aos seus membros. Por fim, para não me alongar, queria lembrar-lhes das mais de 200 denúncias recebidas pela Defensoria Pública da União sobre irregularidades na concessão do Fies.

Conclusão, diante da possibilidade de tirar tanto dinheiro dos cidadãos de forma voluntária, não surpreende que o estado faça tanta questão de ter monopólio das loterias e feche o mercado para a concorrência.

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3 pensamentos sobre “Loteria é imposto voluntário

  1. Interessante a premissa, e concordo bem.
    Outra coisa interessante que temos esse ano é o LUCRO recorde do Banco do Brasil; sendo que mais de 50% é da União, assim, não sei se comemoro, ou me espanto, pois certeza que esse lucro não será do cidadão.
    Se puder me explicar melhor o “por que” o Brasil ter duas instituições bancárias “Federais”, para a simples movimentação do Governo, eu agradeceria.
    Parabéns pelo site.

    • Navi, primeiramente, obrigado pela visita.

      O Brasil possui dois bancos públicos, para o governo poder interferir no mercado bancário, principalmente, barateando o crédito de forma artificial, para criar uma falsa impressão de prosperidade na população e ter ganhos eleitorais.

      Além disso, os bancos públicos ajudam a financiar os gastos do governo, por meio da criação de dinheiro eletrônico sem lastro.

      Volte sempre! Você é sempre bem vindo!

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