Um PT, duas políticas econômicas

Muita gente costuma enxergar os mandatos do PT de maneira monolítica, como se todos tivessem seguido os mesmos mandamentos econômicos.  Contudo, há uma diferença sensível da política econômica do 1º mandato de Lula e a política econômica do 2º mandato de Lula e do mandato de Dilma. Para ser mais exato, há um contraste entre a gestão Palocci-Henrique Meirelles e Guido Mantega-Tombini.

A equipe econômica comandada por Palocci- Meireles optou por uma gestão focada em reformas microeconômicas de desoneração fiscal (Simples Nacional), superávit fiscal com controle da expansão de gastos, não intervenção na taxa de câmbio, foco na busca pelo centro da meta de inflação, Selic alta e independência do Banco Central em relação ao Planalto.

Já a equipe capitaneada por Guido Mantega buscou um viés mais desenvolvimentista, ampliando a intervenção do governo na economia e ressuscitando ideias do tempo do governo militar de Geisel e apostando no barateamento forçado do crédito por meio dos bancos públicos, financiamento a juros subsidiados a grandes grupos empresariais via BNDES, queda induzida da taxa Selic, manipulação dos preços dos produtos e serviços das empresas públicas visando o controle da inflação e interferência no câmbio com objetivo de beneficiar exportadores.

Os resultados das duas políticas podem ser vistos nos gráficos abaixo. Enquanto no período de 2003-2006 a inflação teve tendência de queda, com a chegada da equipe econômica desenvolvimentista, a tendência se inverteu.

brazil-inflation-cpi (1).png Palocci

brazil-inflation-cpi

Outra diferença pode ser notada no câmbio. Enquanto no 1º período o real se valorizou frente ao dólar, ampliando o poder de compra do cidadão brasileiro, no segundo a moeda nacional sofreu desvalorização contínua.

câmbio palocci

câmbio Dilma

O resultado disso foi uma expansão da dívida externa brasileira sob a égide da política expansionista da equipe de Mantega, revertendo a tendência de queda vista no período anterior, que ocasionou a  quitação da dívida junto ao FMI em 2005.

Dívida externa palocci

dívida externa Dilma

Não estou dizendo aqui que o Brasil dos tempos de Palocci fosse um país rico ou um paraíso na terra. O ponto é demonstrar como a política desenvolvimentista que sucedeu o primeiro mandato de Lula resultou em aumento de preço, perda de poder de compra da população, aumento da inflação e aumento do endividamento externo. Em outras palavras, houve um prejuízo na liberdade econômica da população.

Uma curiosidade é que Palocci é odiado por várias alas do PT, que o consideram um “neoliberal”. Na verdade, o programa petista sempre foi baseado em teses desenvolvimentistas. A abordagem mais ortodoxa do início da era petista foi fruto mais do contexto da época, quando o mercado reagiu com nervosismo exacerbado à chegada de Lula ao poder, temendo que ele desse calote nos credores externos. Esse stress do mercado levou Lula a escrever a carta aos brasileiros, na qual se comprometia a manter as diretrizes econômicas adotadas desde do advento do Plano Real. Ou seja, com os bons resultados econômicos e a grande popularidade de Lula, o PT teve cenário favorável para implantar  seu verdadeiro modelo econômico.

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