Romário – o ingrato

RomárioSe para se tornar um jogador profissional de futebol fosse necessário tirar um registro junto ao Ministério do Trabalho, Romário conseguiria ir tão longe quanto foi? Levando em conta o histórico das ações estatais, o baixinho, nascido na favela do Jacaré, teria tido muita dificuldade para passar pelos crivos da burocracia ministerial.

O que permitiu o sucesso do atacante foi exatamente o fato de o mercado do futebol ser relativamente desregulamentado e ter pouca ou nenhuma barreira de entrada. Dessa forma, qualquer garoto talentoso, independentemente da condição socioeconômica, pode conseguir uma oportunidade.

Apesar de ter sido beneficiado pela falta de regulamentação e de intervenção estatal no mercado, Romário parece não ser grato. O agora deputado federal criou um projeto de lei que visa regulamentar profissões que têm relação com o movimento Hip Hop, como as de DJ, MC (mestre de cerimônias), rapper, grafiteiro e de atividades ligada ao beat box e à dança de rua.

O projeto submete o exercício das profissões à realização de cursos técnicos de capacitação profissional, em instituições reconhecidas pelo governo, ou então à comprovação do exercício das atividades de forma interrupta no ano anterior à publicação da lei, caso seja aprovada. De acordo com o parlamentar, o objetivo do projeto é proteger e reconhecer “o valor dos nossos jovens que vivem e respiram o Hip Hop, em todas as suas formas de expressão e ações sociais”.

Contudo, o que Romário está fazendo é defender interesses corporativistas de pessoas que querem criar uma reserva de mercado. Como explica Ron Paul, “em um estado corporativista, os membros do governo frequentemente agem em conluio com suas empresas favoritas — aquelas que têm boas conexões com o poder —, de modo a criar políticas que deem a essas empresas uma posição monopolista — tudo em detrimento da concorrência e dos consumidores”.

O movimento Hip Hop, assim como o futebol, é um mercado que cresceu focado no talento e no esforço individual. Essa liberdade trouxe inventividade e inovação ao segmento, o que permitiu que ele se expandisse e gerasse oportunidade para um número cada vez maior de pessoas. O projeto do baixinho, ao contrário do que ele prega, não irá valorizar a cultura. O mais provável é que a destrua. Como explica Brandon Maxwell, “o hip hop não se tornou uma potência comercial e cultural da noite para o dia. O livre-mercado agiu como um catalisador. O processo de mercado – competição, refinamento e crescimento – moldou o gênero e a cultura ao longo do tempo. Ele complementou o processo de gravação, mixagem e remasterização e auxiliou o hip hop a descobrir novos ouvintes. E, como ocorre no mercado, ajudou novos ouvintes a descobrir o estilo”.

Entregar na mão do estado o direito de decidir quem está e quem não está apto a trabalhar no mercado do Hip Hop é ceifar exatamente o elemento que mais vez esse ramo prosperar: a liberdade. Imagine um jovem talentoso morador de uma comunidade pobre que não tem tempo nem dinheiro para fazer os cursos necessários ou para tirar a carteira no ministério do trabalho? Ele estaria impedido de exercer seu dom ou então teria que fazê-lo correndo o risco de ser autuado por um burocrata.

Além disso, os consumidores também serão prejudicados caso haja regulamentação. Primeiro, porque haverá menos competição e assim os preços irão subir. Segundo, a qualidade do serviço também será prejudicada. Ou seja, Romário marcou um tremendo gol contra.

Texto publicado no Portal Liberatarianismo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s