O poder da vizinhança – liberdade exige mão na massa

UniaoOs autores americanos Karl Hess e David Morris escreveram em 1976 um livro intitulado “O poder da vizinhança”, no qual eles demonstram a importância de fortalecer a relação entre vizinhos e trabalhar na escala local. Eles lembram que a democracia é o governo dos indivíduos e grupos organizados e ativos. Aqueles não se engajam e não se unem ficam sem voz.

Perceba que o livro foi escrito há quase 40 anos, mas a mensagem continua totalmente atual. Apesar disso, muita gente ainda acha que as soluções virão de ações individuais ou de instâncias nacionais. Território sem coesão social, sem interação entre os diferentes segmentos, é um território a reboque, pois nunca terá força para construir e defender uma proposta de desenvolvimento baseada na sua especificidade.

O maior desafio desse processo é dar o primeiro passo. Muitos não sabem por onde começar. Uma alternativa interessante é iniciar com uma pesquisa sobre o que existe no território. Assim, é possível traçar um caminho, reconhecer as lideranças, as potencialidades, as maiores dificuldades.

Um segundo passo é tentar reunir as pessoas para saber quais são os objetivos comuns e também identificar as competências já existentes no território. A etapa seguinte é ir atrás de parceiros que possam suprir o que falta na região. Por exemplo, identificou-se a necessidade de melhoria na gestão dos pequenos negócios da região, pode-se buscar instituições que trabalhem com esse ponto ou pode-se organizar um currículo baseado em material disponível online. Já se o problema for inovação, pode-se tentar parcerias com institutos e universidades. Se o problema for crédito, o caminho é conversar com bancos e cooperativas, criar fundos  e bancos comunitários, recorrer a moedas sociais e assim por diante.

Outro passo importante é criar um mecanismo de comunicação, que vai ajudar a disseminar as informações e a manter o engajamento das pessoas. Não é necessário algo sofisticado. Murais na prefeitura e nas igrejas, informando a data das licitações, cartazes nas escolas ensinando empreendedorismo, carros de som, informes na rádio local etc. Além disso, a internet abriu diversas possibilidades simples e gratuitas de canais de comunicação, como blogs e redes sociais, como Facebook, twitter e youtube, que permitem criar espaços de interação entre os atores da comunidade.

Aqueles que acreditam no desenvolvimento econômico local e na liberdade dos indivíduos devem trabalhar para resgatar o papel da vizinhança. Para criar um ambiente favorável para o desenvolvimento do nosso território, é necessário conhecer quem está ao nosso lado para que possamos identificar os pontos comuns e amplificar nossas vozes. Só assim será possível gerar uma mudança definitiva e sustentável.

Como bem destaca Karl Hess:

O Libertarianismo é um movimento popular e um movimento de libertação. Ele procura um tipo de sociedade livre, não coercitiva, na qual as pessoas, vivas, livres e distintas, possam se associar livremente, desassociar, e, como bem julgarem, participar nas decisões que afetam suas vidas. Isso significa um verdadeiro livre mercado em tudo desde idéias até idiossincrasias. Significa pessoas livres coletivamente para organizar os recursos de sua comunidade mais próxima ou organiza-los individualmente; significa a liberdade de ter um judiciário baseado e apoiado na comunidade aonde desejado, nenhum onde se preferir, ou serviços de arbitração privada aonde isto é visto como mais desejável. O mesmo com a polícia. O mesmo com escolas, hospitais, fábricas, fazendas, laboratórios, parques e pensões. A liberdade significa o direito de moldar suas próprias instituições. Ela se opõe ao direito dessas instituições te moldarem simplesmente graças a um poder acumulado ou status gerontológico.

Libertarianismo não é sinônimo de egoísmo. Existem diversas formas de promover o desenvolvimento do seu bairro, da sua cidade e do seu território sem precisar recorrer ao poder estatal. Para isso, é necessário colocar a mão na massa e conversar com seus vizinhos. Como bem destaca David Moris, “a teoria é atraente, embora provavelmente mais porque ela permite que a maioria das pessoas evitem fazer o trabalho duro em nível local, enquanto tentam refinar sua retórica e  suas ideias até alcançarem a posição final ‘correta'”.Muita gente acha que vai mudar mundo, antes de mudar a própria vizinhança. Isso acontece porque é muito mais confortável trabalhar no terreno das críticas do que no terreno da prática.

Anúncios

Rand Paul: Devemos desmilitarizar a polícia

Tradução Pedro Valadares

No último dia 9 de agosto, o jovem Michel Brown foi morto por um policial, por conta de um suposto furto em uma loja de conveniências. O fato acirrou os conflitos raciais, os habitantes locais afirmam que Brown foi morto por ser negro. Dessa forma, teve início uma série de manifestações, que resultaram também em saques e furtos. Durante a revolta, houve confronto com a polícia, que utilizou armamento militar contra os manifestantes. 

A situação chamou atenção da mídia nacional e internacional e levou o senador Rand Paul, filho do ícone libertário Ron Paul, a escrever um artigo na revista Times, que vem gerando grande repercussão. Leia abaixo o texto traduzido e veja como a situação apresenta várias semelhanças com a realidade brasileira, principalmente em relação à insensata guerra às drogas, que vitima todos os dias vários jovens na periferia, na maioria negros e pardos.

Polícia da cidade de Feguson nos Estados Unidos.

Polícia da cidade de Feguson nos Estados Unidos.

A morte do jovem de 18 anos de idade, Michael Brown, é uma tragédia terrível que continua a gerar revolta na comunidade de Ferguson, Missouri e em todo o país.

Se tivessem me dito para sair da rua, como um adolescente, haveria várias possibilidades do que eu poderia esperar que acontecesse comigo. Contudo, eu nunca esperaria levar um tiro.

A indignação de Ferguson é compreensível, embora deva nunca servir como desculpa para tumultos ou saques. A polícia tem um papel legítimo de manter a paz, mas deve haver uma diferença entre uma resposta policial e uma resposta militar.

As imagens e cenas que continuamos a ver em Ferguson se assemelham mais a uma guerra do que a uma ação policial tradicional.

Glenn Reynolds, no Popular Mechanics, reconheceu, há cinco anos, a crescente militarização da polícia. Em 2009, ele escreveu:

“Soldados e policiais devem ser diferentes. Polícia tem de olhar para dentro. Espera-se supostamente que eles protejam os seus concidadãos de criminosos e mantenham a ordem com um mínimo de força.

É a diferença entre Audie Murphy e Andy Griffith. Mas hoje em dia, policiais estão se vestindo, e agindo, mais como soldados do que como policiais, com consequências ruins. E quem sofre as consequências são geralmente civis inocentes”.

Walter Olson  do Cato Institute observou esta semana qual o papel que a militarização crescente da aplicação da lei está tendo atualmente em Ferguson:

Por que veículos blindados estão sendo usados em um subúrbio do interior do Midwest? Por que os policiais usam roupas camufladas em um local feito para lojas de conveniência e salões de beleza? Por que as autoridades de Ferguson, Missouri, lançam mão de métodos de controle de multidão quase marciais (como a proibição de andar na rua) e, conforme o relato de Riverfront Times, o uso gás lacrimogêneo contra as pessoas em seus quintais? (‘Esta minha propriedade!’, ele gritou, o que levou a polícia a disparar uma bomba de gás lacrimogêneo diretamente em seu rosto). Por que alguém que se identificou como um veterano da 82ª Divisão Aérea do Exército, observando a atuação da polícia de Ferguson, comenta que ‘nós pegamos mais leve do que isso em uma zona de guerra real’?

Olson acrescenta, “o aspecto que mais salta aos olhos na história, porém, é de forças policiais equipadas além da conta para confrontar manifestantes desarmados que são vistos levantando cartazes ou apenas as suas mãos”.

Como isso aconteceu?

A maioria da corporação é formada por bons policiais e pessoas boas. É, sem dúvida, um trabalho difícil, especialmente nas circunstâncias atuais.

Há um problema sistêmico com a aplicação da lei de hoje.

Não surpreendentemente, o governo inchado tem sido o cerne do problema. Washington tem incentivado a militarização das polícias locais, usando dinheiro federal para ajudar as prefeituras a construir o que são essencialmente pequenos exércitos – onde os departamentos de polícia competem para adquirir equipamentos militares que vão muito além do que a maioria dos americanos pensam ser necessário para garantir a aplicação da lei.

Isso geralmente é feito em nome da guerra às drogas ou ao terrorismo. Evan Bernick, da Heritage Foundation,  escreveu em 2013 que “o Departamento de Segurança Nacional distribuiu subsídios para ações de antiterrorismo para as cidades e vilas em todo o país, o que lhes permitiu comprar veículos blindados, armas, armaduras, aeronaves e outros equipamentos”.

Bernick continua, “as agências federais de todos os matizes, assim como os departamentos de polícia locais em cidades com população inferior a 14.000, vêm sendo equipados com equipes da SWAT e artilharia pesada.”

Bernick observou o desequilíbrio caricatural entre o equipamento alguns departamentos de polícia possuem e a população que servem, “hoje, Bossier Parish, Louisiana, tem armas arma calibre .50 acoplada em um veículo blindado. O Pentágono doa milhões de equipamentos militares para departamentos de polícia em todo o país- inclusive tanque”.

Quando você soma essa militarização da aplicação da lei à erosão das liberdades civis e do devido processo legal, que permite à polícia atuar como juiz – com uso de artifícios como correspondências da segurança nacional, revistas em residências sem aviso, mandados judiciais genéricos, confiscos sem condenação – começamos a ter uma problema muito sério em nossas mãos.

Tendo em conta esses desdobramentos, é quase impossível para muitos norte-americanos não sentirem que são alvos de seu governo. Dadas as disparidades raciais em nosso sistema de justiça criminal, é impossível, particularmente, para os afro-americanos não sentirem que são alvos de seu governo.

Isso faz parte da angústia que estamos vendo nos trágicos acontecimentos fora de St. Louis, Missouri. É o que os cidadãos de Ferguson sentem quando há um disparo infeliz e doloroso, como o incidente com Michael Brown.

Quem pensa, mesmo que inadvertidamente, que o fator racial não distorce a aplicação da justiça penal neste país não está prestando atenção suficiente. Nossas prisões estão cheias de homens e mulheres negros e pardos que estão cumprindo, inapropriadamente, penas longas e severas por erros não violentos que cometeram na juventude.

A militarização do nosso sistema de aplicação da lei se deve a uma expansão sem precedentes do poder do governo nesse domínio. Uma coisa é o fato de funcionários federais trabalharem em conjunto com as autoridades locais para reduzir ou resolver crimes. Outra é subsidiá-los.

Os americanos nunca devem sacrificar sua liberdade por uma ilusória e perigosa, ou falsa, sensação de segurança. Essa tem sido uma causa que tenho defendido há anos e que está em um ponto crítico em nosso país.

Vamos continuar a orar para a família de Michael Brown e para o povo de Ferguson, a polícia e os cidadãos igualmente.

Leia o texto original AQUI.

Romário – o ingrato

RomárioSe para se tornar um jogador profissional de futebol fosse necessário tirar um registro junto ao Ministério do Trabalho, Romário conseguiria ir tão longe quanto foi? Levando em conta o histórico das ações estatais, o baixinho, nascido na favela do Jacaré, teria tido muita dificuldade para passar pelos crivos da burocracia ministerial.

O que permitiu o sucesso do atacante foi exatamente o fato de o mercado do futebol ser relativamente desregulamentado e ter pouca ou nenhuma barreira de entrada. Dessa forma, qualquer garoto talentoso, independentemente da condição socioeconômica, pode conseguir uma oportunidade.

Apesar de ter sido beneficiado pela falta de regulamentação e de intervenção estatal no mercado, Romário parece não ser grato. O agora deputado federal criou um projeto de lei que visa regulamentar profissões que têm relação com o movimento Hip Hop, como as de DJ, MC (mestre de cerimônias), rapper, grafiteiro e de atividades ligada ao beat box e à dança de rua.

O projeto submete o exercício das profissões à realização de cursos técnicos de capacitação profissional, em instituições reconhecidas pelo governo, ou então à comprovação do exercício das atividades de forma interrupta no ano anterior à publicação da lei, caso seja aprovada. De acordo com o parlamentar, o objetivo do projeto é proteger e reconhecer “o valor dos nossos jovens que vivem e respiram o Hip Hop, em todas as suas formas de expressão e ações sociais”.

Contudo, o que Romário está fazendo é defender interesses corporativistas de pessoas que querem criar uma reserva de mercado. Como explica Ron Paul, “em um estado corporativista, os membros do governo frequentemente agem em conluio com suas empresas favoritas — aquelas que têm boas conexões com o poder —, de modo a criar políticas que deem a essas empresas uma posição monopolista — tudo em detrimento da concorrência e dos consumidores”.

O movimento Hip Hop, assim como o futebol, é um mercado que cresceu focado no talento e no esforço individual. Essa liberdade trouxe inventividade e inovação ao segmento, o que permitiu que ele se expandisse e gerasse oportunidade para um número cada vez maior de pessoas. O projeto do baixinho, ao contrário do que ele prega, não irá valorizar a cultura. O mais provável é que a destrua. Como explica Brandon Maxwell, “o hip hop não se tornou uma potência comercial e cultural da noite para o dia. O livre-mercado agiu como um catalisador. O processo de mercado – competição, refinamento e crescimento – moldou o gênero e a cultura ao longo do tempo. Ele complementou o processo de gravação, mixagem e remasterização e auxiliou o hip hop a descobrir novos ouvintes. E, como ocorre no mercado, ajudou novos ouvintes a descobrir o estilo”.

Entregar na mão do estado o direito de decidir quem está e quem não está apto a trabalhar no mercado do Hip Hop é ceifar exatamente o elemento que mais vez esse ramo prosperar: a liberdade. Imagine um jovem talentoso morador de uma comunidade pobre que não tem tempo nem dinheiro para fazer os cursos necessários ou para tirar a carteira no ministério do trabalho? Ele estaria impedido de exercer seu dom ou então teria que fazê-lo correndo o risco de ser autuado por um burocrata.

Além disso, os consumidores também serão prejudicados caso haja regulamentação. Primeiro, porque haverá menos competição e assim os preços irão subir. Segundo, a qualidade do serviço também será prejudicada. Ou seja, Romário marcou um tremendo gol contra.

Texto publicado no Portal Liberatarianismo

Loteria é imposto voluntário

Aposte-Sabendo-o-que-você-está-FazendoA teoria da Escolha Pública ensina que o estado opera pela premissa de benefícios concentrados e custos dispersos. Isso significa que a maior parte dos impostos recolhido de toda a sociedade é direcionada a grupos específicos. Como o custo é dividido por muita gente, o valor acaba se mantendo em um patamar que, apesar de incomodar, não é suficiente para levar as pessoas às ruas para reclamar.

O problema é que em um regime democrático, quem mais leva dinheiro do estado são os grupos organizados, capitaneados por seus lobistas. Dessa forma, por exemplo, Eike Batista conseguiu diversos incentivos, as riquíssimas montadoras nacionais de automóveis também abocanharam um subsídio e as empreiteiras conseguiram linhas de crédito generosas para erguer estádios em locais sem nenhuma cultura futebolística.

Diante desse quadro, no qual impera uma alta carga tributária, que em sua maioria vai parar nos de políticos e magnatas amigos do estado, a maior parte da sociedade só paga impostos por ser obrigada a isso. Contudo, existe uma exceção, na qual pessoas pagam de forma voluntária um tributo. Esse fenômeno chama-se loteria.

Semanalmente, pessoas seduzidas pela chance de enriquecer sem fazer esforço depositam parte do seu salário na conta do governo. Como bem destaca o economista Gustavo Franco, “as probabilidades de se ganhar na loteria são astronomicamente diminutas diante do que se paga para jogar, fato que, de forma paradoxal, parece não incomodar o grande público. Com efeito, o “investimento” representado pelo jogo de loteria é dos piores que existem, e um bilhete deveria custar um terço do seu preço para que o jogo se tornasse justo, ou seja, para que retornasse, em média, aos jogadores, um valor condizente com suas chances de vencer”.

Alguns ingênuos de bom coração podem argumentar que o dinheiro arrecado é investimento em fundos de incentivo à leitura, a cultura e ao esporte paraolímpico. Contudo, essa boa ação não corresponde nem à metade do total arrecadado. A maioria vai para custeio da burocracia governamental. Vejamos a divisão da arrecadação, segundo a Caixa Econômica:

Loteria

O quadro acima traz informações muito elucidadoras. Primeiro, os gastos com as “boas causas” (esporte, cultura, segurança e educação) correspondem a apenas 15% do total. O prêmio que o ganhador leva responde por somente 32,2%. Mesmo dando-se uma colher de chá e retirando a parcela da seguridade social (que lembra muito um esquema de pirâmide), a maior parte do dinheiro (34%) vai parar na manutenção da máquina governamental.

Além disso, é preciso ressaltar que mesmo as causas mais “nobres” não necessariamente servem aos pagadores de impostos. Apenas para efeito de lembrança, podemos citar o caso de Edmar Cid Ferreira, dono do antigo Banco Santos, que desviou R$5,1 milhões do Fundo Nacional da Cultura. Outra nota interessante foi a informação trazida pelo jornalista José Cruz, de que o Comitê Olímpico Brasileiro, utiliza parte dos recursos repassados pela loteria para pagar generosos salários aos seus membros. Por fim, para não me alongar, queria lembrar-lhes das mais de 200 denúncias recebidas pela Defensoria Pública da União sobre irregularidades na concessão do Fies.

Conclusão, diante da possibilidade de tirar tanto dinheiro dos cidadãos de forma voluntária, não surpreende que o estado faça tanta questão de ter monopólio das loterias e feche o mercado para a concorrência.

Sistema de vouchers pode colocar estudantes do Brasil entre os melhores do mundo

O gráfico abaixo compara os resultados do Brasil no Programa para Avaliação Internacional de Estudantes (PISA, sigla em inglês), uma prova que mede o nível de leitura, matemática e ciência de alunos de 15 anos de idade em 65 países.

Nova Imagem (1)

Segundo o Ranking do Pisa 2009, O Brasil ocupa a 53ª posição em leitura, a 57ª em matemática e a 53ª em ciênica. Se o país fosse representado somente pelas escolas públicas, o Brasil estaria em 58º em leitura, 59º em matemática e 58º em ciência.

Já se o Brasil fosse representado somente pelas escolas privadas, estaria na 9ª posição em leitura, na 34ª em matemática e na 22ª posição em ciência.

Conclusão, os estudantes de famílias mais pobres, que são obrigados a frequentar as escolas públicas, têm acesso a um ensino dos piores sistemas educacionais do mundo, segundo o ranking do Pisa. Já os estudantes de família que podem pagar escolas privadas frequentam escolas de nível mundial. Em um sistema que estimule a competição entre as escolas e a produtividade dos professores, a tendência é termos cada vez melhores alunos.

Se um sistema de vouchers, como sugerido por Milton Friedman, fosse adotado, mais estudantes poderiam acessar as melhores escolas, haveria menos impostos e um capital humano mais qualificado, o que incentiva a inovação e ajuda a elevar o nível de vida de toda a população.

Você paga a escola, mas quem decide a educação do seu filho é o governo!

charge_escola_publicaMuita gente defende o acesso irrestrito à educação. Porém, pouquíssima gente defende o direito das famílias de escolher que tipo de educação querem para seus filhos. Ou seja, todos são obrigados a custear a educação pública, mas somente os burocratas do governo podem decidir qual metodologia de ensino será utilizada e quais conteúdos serão ministrados.

Nos Estados Unidos, vêm ganhando força um movimento chamado “School Choice”. Ele defendem modelos alternativos de financiamento da educação, como os vouchers, propostos pelo economista Milton Friedman. Essa estratégia consiste em dar uma espécie de cheque para a família poder matricular seu filho na escola que melhor atender suas necessidades culturais, educacionais e sociais.

Dessa forma, cria-se um ambiente competitivo, que estimula as escolas a oferecerem cada vez melhores serviços para atraírem mais alunos. Na cidade de Milwaukee, 90% dos estudantes que participam do programa de vouchers vão para a universidade.

No modelo adotado no Brasil, somente as pessoas que abrem mão das escolas públicas é que tem direito de optar por outros modelos de educação. O governo age de forma autoritária, além de impor suas vontades na escola pública, quer também mandar no setor privado e até tomar a guarda dos filhos de quem resiste a suas ordens. Foi o caso de Cleber Nunes. Em 2008, o Ministério Público abriu um processo contra ele, simplesmente porque ele queria educar seus filhos em casa. Por pouco, ele não perdeu a guarda dos filhos.

Outro problema é que governantes estão mais preocupados em impor suas ideologias do que em realmente proporcionar educação de qualidade. É o que mostra o diretor da escola pública de São Paulo mais bem avaliada no Enem de 2009, Camilo da Silva Oliveira. ” A esquerda até hoje acha que a democracia é o principal debate para a escola. Você pega o PT, eles estão discutindo eleição para diretor de escola. Uma bobagem. Deveria pegar os melhores quadros para dirigir a escola. Isso aqui não é sindicato. Estou me aposentando e não vejo caminho. A escola pública vai continuar dependendo de talentos isolados. O Estado só atrapalha. Aquelas que seguiram a linha, se esfacelaram”.

Ou seja, a escola tornou-se um centro político, quando deveria ser um centro educacional. Com isso, o poder de influência passou a ser mais valorizado que o mérito. Os diretores são os melhores políticos, não os melhores gestores. O atual modelo tira o foco dos dirigentes escolares, como explica Camilo. “Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor”.

Resumo da obra, grande parte das escolas públicas está na mão de pessoas que buscam visibilidade política e que representam interesses corporativistas. E o pior de tudo é que os mais pobres não têm escolha. São obrigados a se submeter aos modismos da vez. Enquanto isso não mudar, continuaremos na rabeira dos testes internacionais.

Inflação transfere dinheiro dos pobres para o bolso do governo

dilma mantegaPor mais que o governo diga o contrário, a inflação no Brasil está em patamares deveras preocupantes. O índice oficial, medido pelo IPCA, está quase ultrapassando o limite de tolerância, que é de 6,5% ao ano. Contudo, esse índice vem sendo administrado por meio de desonerações seletivas do governo, não fosse isso, ele estaria pelo menos meio ponto percentual acima, perto dos 7%.

Contudo, o IPCA esconde a verdadeira inflação, pois não contabiliza a alta dos preços dos serviços, que já passou de 8% ao ano. Isso inclui mensalidades de escola, serviços médicos, transporte escolar, restaurantes entre outros.

A face mais maléfica, no entanto, está na inflação de alimentos que se aproxima dos 15% ao ano e atinge com mais força exatamente a parcela mais pobre da população. De acordo com o economista chefe do banco Credit Suisse, Nilson Texeira, os gastos com alimentos representam um terço do orçamento das famílias das classes mais pobres, enquanto que nas mais ricas despesas com comida representam 15% do orçamento mensal.

Esse crescimento da inflação é resultado direto das ações do governo Dilma, mais especificamente do ministro Guido Mantega e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. São eles os artífices desse confisco do poder de compra da parcela mais desfavorecida dos brasileiros.

A inflação nada mais é do que o resultado de um excesso de impressão de moeda. Para evitar elevar impostos para custear seus infindáveis gastos, o governo imprime moeda, via Banco Central. O dinheiro é uma mercadoria como todas as outras, se a oferta aumenta, o valor cai. Em outras palavras, o governo retira renda do trabalhador para custear despesas estatais.

Enquanto o poder de compra dos cidadãos desaparece, Dilma, Mantega e Tombini têm a seu dispor mecanismo para expandirem oferta monetária sem nenhum tipo de lastro. Ou seja, criar dinheiro do nada.

Por ter esse poder, é que o governo rechaça qualquer tipo de corte nas despesas, patrocina obras superfaturadas e irriga o bolso dos aliados. Tudo isso é feito à custa dos cidadãos, que veem seu dinheiro, ganho com o suor do trabalho, perder valor mês após mês, em decorrência da inflação criminosa impulsionada por supostos representantes do povo.

Diante desse quadro, as manifestações não podem se contentar com a revogação do ínfimo aumento no transporte público. A luta tem um alvo muito mais expressivo. Quem realmente se preocupa com o bem estar dos mais pobres não pode admitir um governo que usa inflação para patrocinar um esquema perdulário de gastos públicos!

Só o indivíduo existe concretamente

indÉ impossível promover o bem comum. Calma, irritado leitor. Não estou dizendo que não devamos buscar o melhor para todos. O que quero dizer é que ninguém possui informações suficientes para dizer que promove o bem comum. Muitos políticos hipócritas e populistas aproveitam o impacto emocional que a busca do bem comum tem para montar uma plataforma de poder.

A única entidade concreta que existe dentro de qualquer coletividade é o indivíduo. Ludwig von Mises já alertava que “a maneira de compreender conjuntos coletivos é através da análise das ações individuais”. Isso não quer dizer que coletividades ou grupos sociais não existem. O que isso mostra é que esse tipo de entidade coletiva não possui vontades únicas, nem direitos, nem necessidades comuns.

Como explica Mises, “é a nossa compreensão, um processo mental, e não os nossos sentidos, que nos permite perceber a existência de entidades sociais”. Ou seja, cada um atribui diferentes significados ao conjunto. Logo, não é seguro desenvolver políticas voltadas para defesas de coletivos, pois, é sempre importante lembrar, o indivíduo é a menor das minorias.

Essa forma de analisar a realidade é conhecida como individualismo metodológico. O que de maneira alguma pode ser confundido com egoísmo. Mises mostra que “o individualismo metodológico longe de contestar o significado desses conjuntos coletivos, considera como uma de suas principais tarefas descrever e analisar o seu surgimento e o seu desaparecimento, as mudanças em suas estruturas e em seu funcionamento. E escolhe o único método capaz de resolver este problema satisfatoriamente. Inicialmente, devemos dar-nos conta de que todas as ações são realizadas por indivíduos”.

Murray Rothbard vai no mesmo caminho de Mises e afirma que “apenas o indivíduo possui uma mente; apenas o indivíduo pode sentir, ver, realizar e entender; apenas o indivíduo pode adotar valores e fazer escolhas; apenas o indivíduo pode agir.  Este princípio primordial do individualismo metodológico”.

Em suma, somente o indivíduo existe concretamente. Os complexos sociais são fruto da imaginação e da compreensão de cada um. Dessa forma, é impossível elencar necessidades e direitos para coletividades. Como apontou Hayek, “o que conseguimos entender diretamente dos complexos sociais são apenas as partes, pois o todo nunca é percebido diretamente; ele sempre é reconstruído por meio de um esforço de nossa imaginação”.

Então, da próxima vez que você vir um político defendendo direitos de um grupo determinado em detrimento dos direitos individuais, saiba que você está diante de uma plataforma contrária à liberdade. Coletivismo não é o oposto de egoísmo, é, sim, sinônimo de autoritarismo.

Give the government the right to decide for you is a path of no return

1Many people support that the state should be free to regulate the market in order to supposedly defend citizens to themselves. For example, the mayor of New York city, Michael Bloomberg approved a regulation that prohibit marketers to sell family size soda. According to the mayor, this legislation was created to protect people to becaming obese and to prevent health problems.

However each person has the natural right to choose what and how much drink or food it wants to drink or eat, since arch with the consequences of the choice.  No bureaucrat can establish what is allowed or not to eat or drink. This is a personal issue and should stay at individual sphere.

Supporters of the state control would say that sometimes people do not have enough knowledge to defend themselves from the bad consequences of their choices.  Nevertheless, as drastic as it can sound, everybody have the right to take bad decisions. What people should be concerned of is that when you give the state the power to choose what is bad and what is good to you, you are giving up the right to guide your own life. It can be very dangerous because it is a no going back way.

To conclude, it is important to emphasize that the state was created to take care of society. This does not give the government the right to regulate the decisions of individuals that do not harm other citizens. This kind of issue should remain in the private and family sphere. We must always remember that the state works for the society, and not owns it.

This article was publicated on the site Liberty Report

A era da inveja

“Ao longo da história, existiram homens que tomaram passo para novas estradas, armados apenas com sua própria visão”, Ayn Rand

Foto - Sebastião Salgado

Foto – Sebastião Salgado

Nunca reclamei da vida. Há pessoas que vivem para lamentar e sentir pena de si mesmo. Eu não. Acredito que Deus dá o frio conforme o cobertor.

Batalhei muito para ter o que tenho, mas não me considero um iluminado. Não gosto de falsa modéstia. A pobreza não faz ninguém melhor ou pior. Tem muita gente que nasceu bem que chama todo ex-pobre de guerreiro. Como se passar pela miséria fosse uma qualidade de gente superior.

Fiz a minha vida. Passei algumas dificuldades, mas tive muita coisa boa também. Lá no sertão muita gente reclamava que tava esquecida, que ninguém olhava por elas.

Isso me perturbava. Essa história das pessoas acharem que o destino delas tá na mão de outro. De pensar que a única saída é vir um político e guiar pra uma vida melhor. Muito vizinho da época da pobreza dizia que eu falava daquele jeito porque tinha dado sorte de ser bom de trabalho e ter o dom da negociação. Eles diziam que  minhas terras eram melhores e por isso eu sempre tinha sobra pra poder vender na feira.

Porém, ninguém via quando eu saía cedo pra ir na cidade vizinha participar de curso técnico pra aprender a fazer a terra render. É aquela história, eles vêem as cachaças que eu bebo, mas não vêem os tombos que eu levo. Mas deixa pra lá. Não tô procurando reconhecimento, porque isso não muda a vida de ninguém. Muito pelo contrário, elogio demais envenena e cega. A desgraça da pessoa é ser vaidosa por demais.

Juntei meu dinheiro e fui pra cidade grande pros meus filhos poderem fazer faculdade. Acabamos ficando por lá. Mas sempre planejei voltar pro interior. Mas antes nunca tivesse voltado. Tem mais de mês que tô aqui mais minha mulher e os antigos amigos nem olham na nossa cara. Dizem que abandonamos o sertão e que ganhamos dinheiro e ficamos metido a besta. O Sebastião, que tinha comprado minha propriedade quando fui pra cidade grande, espalhou uma história de que eu tinha salgado a terra pra não nascer mais nada. Só porque ele não quis assumir pros outros que não tava conseguindo fazer a terra render como eu fazia.

A vida é injusta. É uma corrida onde não parte todo mundo do mesmo lugar. Mas pra isso só tem uma solução: correr atrás pra tirar a diferença e buscar uma condição melhor. Porém, muita gente se acomoda sentindo pena de si mesmo. Essa pena vai virando rancor com quem decide lutar. Quem busca coisa melhor e não fica lamentando, expõe a falta de vontade do outro. Essa é a maior miséria da vida, ser condenado pelo que você fez de certo e não pelo que você fez de ruim. Minha saudade virou desgosto.