Analisando Olavo de Carvalho sem preconceitos

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Comecei a me interessar pelo liberalismo em 2011. Na época, a linha que mais me atraía era a do libertarianismo. Nos grupos que seguem essa linha, Olavo de Carvalho não era dos autores mais bem quistos. Nesse sentido, acabei aderindo a esse preconceito de forma meio automática, sem analisar profundamente sua produção.

O tempo passou, amadureci, mudei algumas visões. Uma tendência que temos quando nos interessamos por determinada escola ideológica é o de querer reduzir tudo a uma disputa entre certos e errados. Com o tempo (pelo menos, para as pessoas sensatas), a gente desradicaliza e passa a avaliar o mérito das coisas mais caso a caso e não balizado por um enquadramento moral geral.

Nesse contexto, dois fatos me fizeram olhar novamente a obra de Olavo de Carvalho. Diria que foi um processo divido em dois momentos. Em 2014, li duas obras dele e gostei bastante do nível de erudição e de sofisticação narrativa, além da profundidade do conhecimento. Nesse ponto, passei a entender melhor que o Olavo das redes socais é mais uma personagem que ele criou para atrair mais pessoas.

O outro passo aconteceu neste ano. Dois caras, cujas ideias eu respeito bastante, são alunos do Olavo. Esse foi um fator fundamental para eu buscar mais obras do autor e, até, ficar tentado a me matricular em seu curso de filosofia online.

No pouco que li nessa retomada, dois argumentos dele me chamaram bastante atenção. Em um dos artigos do livro O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, ele explica que devemos estudar não para querer controlar o mundo, mas sim para entendê-lo. Ele também explica que devemos buscar o conhecimento para resolver uma questão concreta em nossas vidas, e não apenas por diletantismo.

A conclusão que tiro é que não devemos fazer julgamentos peremptórios sobre ninguém, principalmente quando não nos aprofundamos na obra da pessoa. Olavo pode ter algumas opiniões bem equivocadas, mas a maior parte de sua produção me pareceu bastante séria e acurada academicamente. Quem sabe não retorno aqui mais para frente para dar mais impressões. Veremos!

 

 

Sobre o definhamento da programação infantil na TV

desempregadosHoje é dia das crianças, mas na TV haverá pouca ou nenhuma programação voltada para esse público. Nada de desenhos. Essa situação é um efeito direto da Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos . Esse documento “dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente”. Em outras palavras, restringe a propaganda de produtos e serviços para crianças na televisão.

Tomemos como exemplo a programação da maior emissora do país, a Rede Globo. Quem não se lembra da maratona de desenhos animados nas manhãs? Da TV Colosso, do programa da Xuxa, da TV Globinho, entre tantos outros. Agora, a criança que ligar a TV pela manhã vai dar de cara com Fátima Bernardes e companhia. O máximo de diversão que ela encontrará será o Louro José fazendo piadas, enquanto Ana Maria Braga cozinha.

Ao tentar controlar os estímulos consumistas gerados pelas propagandas, o estado invade a esfera da família, que é a verdadeira responsável pela educação das crianças. Ou seja, o governo considera que burocratas da Secretaria de Direitos Humanos são mais capacitados para decidir o que é melhor para as crianças do que seus próprios pais.

Outro efeito nefasto é o estreitamento do mercado para as pessoas que trabalhavam em programas infantis. Produtores, apresentadores, roteiristas, criadores de desenhos animados entre outros têm agora menos espaço para mostrar seu trabalho, já que os canais pagos têm grande parte de sua programação produzida no exterior.

O pior de tudo é que o consumismo infantil seguirá firme e forte, como bem destaca Joel Pinheiro da Fonseca:

Com ou sem propaganda, o consumismo infantil permanecerá.  A criança tem pouco controle sobre seus desejos.  Por isso gasta-se tanto com publicidade para elas.  Comidas gordurosas e com muito sal ou muito açúcar atraem muito mais do que legumes.  Caubóis e super-heróis atraem mais do que ambientalistas e filósofos.  Brinquedos novos, modernos e cheios de apetrechos — e jogos eletrônicos — atraem mais do que os artefatos nostálgicos de gerações passadas.

(…)

As crianças aprendem a lidar com a publicidade. Não dá para abolir tendências biológicas e culturais fortes com uma canetada. O que dá para fazer é ver que tipos de educação e formação ajudam a lidar com os muitos apelos e tentações do mundo — e que também têm seu lado bom: para muitos, algumas doses de prazer mais do que compensam decisões sub-ótimas do ponto de vista da saúde.

Em resumo, para conter os impulsos consumistas das crianças, o caminho não é banir publicidade, mas educar as crianças a controlarem seus desejos e entenderem que não podem ter tudo que querem.

Cinco propostas liberais para a eleição de 2014

expressaoEste ano teremos eleições federais e estaduais no Brasil. Dessa forma, já me adianto e deixo aqui cinco propostas, que considero factíveis de serem pelo menos debatidas por algum candidato. Como não sou ingênuo, não vou levantar grandes bandeiras, mas sim mudanças pontuais que se encaixam na realidade gradualista da democracia nacional. Vamos às proposta:

1) Fim do alistamento militar obrigatório;

2) Fim do voto obrigatório;

3)  Fim da obrigatoriedade de retransmissão da “Voz da Brasil” nas rádios;

4) Descriminalização da comercialização da maconha (o ideal seria descriminalização geral e irrestrita, mas a cannabis pode ser um primeiro passo);

5)  Liberação de circulação e transação de moedas no país.

Reforço que existem mudanças muito mais profundas e que contribuiriam muito para as liberdades civis, para geração de riqueza e para a elevação do padrão de vida dos brasileiros, principalmente os mais pobres. Contudo, acho que essas acima são as mais simples e também mais “palatáveis” para o eleitorado brasileiro. E você? Quais são suas propostas para ampliar a liberdade na próxima eleição?

Para uma discussão mais aprofundada sobre propostas liberais para o país, clique AQUI

Sobre drogas e aborto – um argumento pela liberdade

aborto 1Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar claro que sou totalmente contra o uso abusivo de drogas e também contra o aborto (exceto em circunstâncias extremas, como estupro e perigo para a vida da mãe). O uso de entorpecentes, principalmente os não recreativos, como o maldito crack, destroem famílias e criam graves problemas sociais. O aborto é uma questão controversa, mas, pessoalmente, eu acredito que a vida começa na concepção, então, quando tratamos desse tema, devemos considerar que há duas vidas em jogo – a da mãe e a da criança.

Dito isso, eu defendo tanto a descriminalização e a livre comercialização das drogas, quanto a descriminalização do aborto. Minha defesa tem uma razão simples: a atual proibição não impede nem que drogas sejam vendidas, nem que abortos sejam feitos. O único efeito que a atual legislação tem é de enriquecer criminosos e clínicas precarizadas, prejudicando principalmente os mais pobres. Aqueles que têm uma condição financeira melhor não precisam morar em zonas dominadas por traficantes e nem precisam recorrer a clínicas de segunda mão.

A solução para esses dois problemas está não no campo criminal, mas no campo cultural. Somente com a conscientização, o reforço da vida comunitária e uma educação de qualidade é que podemos fazer com que mais gente escolha os melhores caminhos. Um casal adolescente bem orientado fará uso de contraceptivos e não precisará recorrer a um aborto para impedir um filho não desejado. Assim como, jovens bem informados sobre os males das drogas não farão uso abusivo desse tipo de substância.

drogasDiferentemente de outros crimes, como assassinato e roubo, aborto e uso de drogas dizem respeito principalmente ao âmbito pessoal, sendo os efeitos na sociedade somente secundários. Sejamos francos, a maioria da população não tem interesse em se drogar. Da mesma forma, ninguém em sã consciência enxerga o aborto como o melhor método contraceptivo. Em outras palavras, a descriminalização desses dois itens não colocará em risco o tecido social, mais do que já acontece.

Por fim, é importante ressaltar que a repressão a essas duas atividades desperdiça, desnecessariamente, milhões e milhões todos os anos e os resultados não dão orgulho a ninguém. Muito pelo contrário, essas práticas só aumentam com o passar do tempo. Todo esse recurso poderia estar sendo revertido para ações no campo da educação e da saúde, com resultados mais humanitários e eficientes.

Liberalismo feminino – 10 mulheres pela liberdade

No campo do liberalismo, há muito homens de destaque, como Mises, Hayek, Friedman, Rothbard, Bastiat entre outros. Contudo, muitas vezes se esquece da imensa contribuição que grandes mulheres deram e ainda dão ao movimento liberal. Por isso, com ajuda de alguns colegas de Facebook, realizei um levantamento de algumas importantes autoras liberais e elaborei uma pequena biografia de cada uma, destacando  seus principais trabalhos. Espero, dessa maneira, combater uma certa falácia dos opositores da liberdade, que associam o liberalismo ao machismo.

RandAyn Rand

A mais famosa autora liberal, Ayn Rand nasceu em São Petesburgo na Rússia, mas desenvolveu toda sua carreira nos Estados Unidos, para onde imigrou em 1926, quando tinha 21 anos. Seu primeiro best seller foi “A Nascente”, mas seu maior sucesso foi a triologia “A Revolta de Atlas”, que já vendeu mais de 20 milhões de cópias pelo mundo. No livro, Ayn Rand narra a batalha dos empresários contra o intervenção do governo. Rand é a criadora do sistema filosófico conhecido como Objetivismo.

Rose Wilder Lane

Rose Wilder Lane foi uma escritora americana, que, ainda nos anos 40, quando muitos admiravam as teorias coletivistas e poucas mulheres tinham direito de trabalhar, defendeu o individualismo, baseada nos direitos naturais. Seu livro Discovery of Freedom, escrito em 1943, inspirou o moderno movimento libertário.

Isabel_PatersonIsabel Paterson

Isabel Paterson foi uma escritora canadense que, junto com Ayn Rand e Rose Lane, formou o trio das mães fundadoras do libertarianismo americano. Só isso já bastaria para saudarmos sua contribuição para a causa liberal. Ela é autora do livro “O Deus da máquina”, que, segundo Ayn Rand, significou para o movimento libertário o mesmo que “O Capital” de Karl Marx significa para os esquerdistas.

Wendy McElroy

Wendy McElroy é uma autora também canadense, que provou que é possível defender o feminismo, sem utilizar o governo para impor seus valores sobre a sociedade. Ela se declara feminista individualista. Segundo McElroy, muitas organizações feministas trabalham para expandir a abrangência do estado e criar privilégios legais para uma parcela de mulheres. Ela se opõe frontalmente à concessão de status de vítima baseada em características externas e classes.

Carmen Reinhart

Carmen Reinhart é uma economista liberal americana de origem cubana. Junto com o economista Kenneth Rogoff, ela elaborou um estudo de muita repercução em defesa da austeridade. Eles defenderam que, a medida que o endividamento público aumenta a um certo nível, o crescimento começa a decair. Em 2013, o estudo foi contestado. Contudo, Reinhart e Rogoff afirmaram que os erros apontados não alteram a validade das conclusões.

maryfaceMary Wollstonecraft

Mary Wollstonecraft foi uma escritora britânica, nascida em Londres, em abril de 1759. Em uma época em que mulheres eram vistas como seres de segunda categoria, ela defendeu a ideia da autonomia individual. Em 1786, ela escreveu o livro “Reflexões sobre a educação de filhas”, no qual criticou o modelo educacional que pregava a obediência e a dependência por parte das mulheres. Ela também escreveu textos contra o tráfico de escravos, baseando-se na defesa da liberdade individual. Seus texto chamaram atenção de autores conceituados como Edmund Burke, Tom Paine e Voltaire.

Jessica M Flanigan

Jessica Flanigan é professora da Universidade de Richmond nos Estados Unidos. Ela desenvolve todo seu trabalho acadêmico baseada nos princípios do liberalismo. Um de seus mais famosos trabalhos é o livro Lberal Medicine, no qual ela se opõe ao sistema estatal de controle de remédios (uma espécie de Anvisa). Ela defende o fim do “paternalismo da saúde pública”, que atenta contra as liberdades civis e o direito de escolha e de autopropriedade.

Bettina Bien Greaves

Bettina Greaves é uma pesquisadora sêniro do Instituto Ludwig Von Mises do Estados Unidos. Ela é autora do livro Free Market Economics, obra que visava auxiliar professores do ensino médio a ensinar os princípios do livre mercado nas escolas. Bettina também foi responsável por diversas traduções de trabalhos de Mises par ao inglês, o que ajudou a disseminar o conhecimento sobre a Escola Austríaca pelo mundo.

diana thomas headshotDiana Thomas

Nascida na Alemanha, a doutora Diana Thomas é professor assistente de Economia na Escola M. Jon Huntsman of Business da Universidade Estadual de Utah. Seus estudos estão focados principalmente na teoria da escolha pública e na economia austríaca. Ela faz parte da equipe da instituição Learn Liberty, que tem como objetivo popularizar o conhecimento sobre o liberalismo. Professora Thomas contribui com vídeos sobre escolha pública e também ministrando cursos sobre School Choice e teoria da Escolha Pública.

Sarah Skwire

Sarah Skwire é uma escritora e pesquisadora norte americana que estuda a relação entre literatura e liberdade. Atualmente, é articulista em veículos liberais como Bleeding Heart Libertarians.

Maria Montessori – uma educadora libertária

mariamontessoriEscolas deveriam ser centros de produção e compartilhamento de conhecimento, tendo como objetivo contribuir para que os estudantes pudessem adquirir novas habilidades e desenvolver seu senso crítico e sua autonomia. Contudo, a medida que os governantes percebem que pessoas mais educadas se tornavam menos conformistas e mais questionadoras, eles desvirtuaram o objetivo inicial das escolas e as transformaram quase em centros de doutrinamento.

Em algumas épocas e locais esse processo foi mais ou menos intenso. Por exemplo, Hitler soube utilizar muito bem o sistema de ensino para difundir sua doutrina antissemita e estatista. O mesmo ocorreu na Rússia de Lenin e Stálin, na Itália de Mussolini e em Cuba, dos irmãos Castro.

Para potencializar a difusão de sua ideologia, os governantes burocratizaram as escolas, dividindo turmas por faixa etária, compartimentalizando o ensino em matérias  (matemática, filosofia, história etc) e criando estruturas físicas pré concebidas, que colocam o professor como uma autoridade monopolizadora do saber. Dessa forma, fica mais fácil de controlar os estudantes e estabelecer o ritmo e conteúdo a ser ensinado, contribuindo para o processo de massificação e esmagamento das individualidades. Essa estratégia se assemelha mais ao condicionamento do que à construção da autonomia do indivíduo, como você pode ver no vídeo abaixo:

Educação libertária para indivíduos autônomos

Nesse contexto, é que se insere a educadora italiana Maria Montessori. Ela criou um método de aprendizagem que era focado na experiência prática do estudante e que estimulava a criatividade, a responsabilidade, a interação social entre diferentes faixa etárias, o conhecimento descentralizado, o direito de escolha e o respeito à individualidade.

O método Montessori é baseado no livre engajamento. Ele utiliza espaços neutros, o que possibilita que o estudante se aproprie do ambiente da sala de aula. Além disso, não estabelece uma grade de conteúdos. A ideia é que cada um aprenda de acordo com seu ritmo e com seu interesse. Logo, isso fortalece no estudante seu poder de escolha e sua autonomia. Além disso, ele desenvolve mais responsabilidade sobre seu processo de aprendizagem.

Os professores ainda estão presentes e tem um papel fundamental de compartilhar seu conhecimento, orientar e explicar as regras, mas nunca de maneira impositiva. Em consequência, o estudante aprende desde cedo a lidar com sua liberdade e se torna mais confiante para correr riscos calculados.

Como resultado, esse estudante está mais preparado para a vida como ela é, ou seja, para lidar com circunstâncias desconhecidas. No modelo burocrático, disseminado pelo estado, o estudante é confinado a um ambiente totalmente controlado, o que enfraquece sua autoconfiança e inibe a tomada de atitude autônomas.

Nesse cenário, não é surpresa alguma que Maria Montessori tenha sido perseguida pelo regime de Mussolini. Afinal, seu método libertário de educação era totalmente contrário aos objetivos de doutrinação, ideologização e massificação do conhecimento pretendido pelo regime fascista.

Também não é de se admirar que o método Montessori tenha se disseminado com sucesso no setor privado de educação e tenha enfrentado resistências no ensino público. Nenhum governo se sente confortável em abrir mão sobre o controle do conhecimento nas escolas e fomentar a autonomia e o poder empreendedor dos indivíduos. Um dado interessante é que o único sistema público de ensino no qual o método Montessori teve relativo sucesso foi o da Holanda. Coincidência ou não, um dos países onde mais se respeita as liberdades individuais.

Conclusão

Apesar de haver alguns políticos realmente com boas intenções e preocupados com o desenvolvimento autônomo de nossos estudantes, é preciso ter clareza de que o governo não entrou no ramo da educação com esse pensamento. O atual modelo burocrático e doutrinário que temos tem um objetivo evidente, que controlar o fluxo do conhecimento nas escolas, uniformizar o ensino e disseminar ideologias do grupo político no poder, seja ele de que viés for.

Por isso, é preciso cada vez mais disseminar modelos alternativos e libertários como o de Maria Montessori e ajudar a informar a sociedade de que educação não é o que é oferecido hoje. É um caminho longo e árduo, mas o resultado final será uma sociedade mais livre, plural e empreendedora!

Conheça melhor a história e o método de Maria Montessori:

Sistema de vouchers pode colocar estudantes do Brasil entre os melhores do mundo

O gráfico abaixo compara os resultados do Brasil no Programa para Avaliação Internacional de Estudantes (PISA, sigla em inglês), uma prova que mede o nível de leitura, matemática e ciência de alunos de 15 anos de idade em 65 países.

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Segundo o Ranking do Pisa 2009, O Brasil ocupa a 53ª posição em leitura, a 57ª em matemática e a 53ª em ciênica. Se o país fosse representado somente pelas escolas públicas, o Brasil estaria em 58º em leitura, 59º em matemática e 58º em ciência.

Já se o Brasil fosse representado somente pelas escolas privadas, estaria na 9ª posição em leitura, na 34ª em matemática e na 22ª posição em ciência.

Conclusão, os estudantes de famílias mais pobres, que são obrigados a frequentar as escolas públicas, têm acesso a um ensino dos piores sistemas educacionais do mundo, segundo o ranking do Pisa. Já os estudantes de família que podem pagar escolas privadas frequentam escolas de nível mundial. Em um sistema que estimule a competição entre as escolas e a produtividade dos professores, a tendência é termos cada vez melhores alunos.

Se um sistema de vouchers, como sugerido por Milton Friedman, fosse adotado, mais estudantes poderiam acessar as melhores escolas, haveria menos impostos e um capital humano mais qualificado, o que incentiva a inovação e ajuda a elevar o nível de vida de toda a população.

Você paga a escola, mas quem decide a educação do seu filho é o governo!

charge_escola_publicaMuita gente defende o acesso irrestrito à educação. Porém, pouquíssima gente defende o direito das famílias de escolher que tipo de educação querem para seus filhos. Ou seja, todos são obrigados a custear a educação pública, mas somente os burocratas do governo podem decidir qual metodologia de ensino será utilizada e quais conteúdos serão ministrados.

Nos Estados Unidos, vêm ganhando força um movimento chamado “School Choice”. Ele defendem modelos alternativos de financiamento da educação, como os vouchers, propostos pelo economista Milton Friedman. Essa estratégia consiste em dar uma espécie de cheque para a família poder matricular seu filho na escola que melhor atender suas necessidades culturais, educacionais e sociais.

Dessa forma, cria-se um ambiente competitivo, que estimula as escolas a oferecerem cada vez melhores serviços para atraírem mais alunos. Na cidade de Milwaukee, 90% dos estudantes que participam do programa de vouchers vão para a universidade.

No modelo adotado no Brasil, somente as pessoas que abrem mão das escolas públicas é que tem direito de optar por outros modelos de educação. O governo age de forma autoritária, além de impor suas vontades na escola pública, quer também mandar no setor privado e até tomar a guarda dos filhos de quem resiste a suas ordens. Foi o caso de Cleber Nunes. Em 2008, o Ministério Público abriu um processo contra ele, simplesmente porque ele queria educar seus filhos em casa. Por pouco, ele não perdeu a guarda dos filhos.

Outro problema é que governantes estão mais preocupados em impor suas ideologias do que em realmente proporcionar educação de qualidade. É o que mostra o diretor da escola pública de São Paulo mais bem avaliada no Enem de 2009, Camilo da Silva Oliveira. ” A esquerda até hoje acha que a democracia é o principal debate para a escola. Você pega o PT, eles estão discutindo eleição para diretor de escola. Uma bobagem. Deveria pegar os melhores quadros para dirigir a escola. Isso aqui não é sindicato. Estou me aposentando e não vejo caminho. A escola pública vai continuar dependendo de talentos isolados. O Estado só atrapalha. Aquelas que seguiram a linha, se esfacelaram”.

Ou seja, a escola tornou-se um centro político, quando deveria ser um centro educacional. Com isso, o poder de influência passou a ser mais valorizado que o mérito. Os diretores são os melhores políticos, não os melhores gestores. O atual modelo tira o foco dos dirigentes escolares, como explica Camilo. “Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor”.

Resumo da obra, grande parte das escolas públicas está na mão de pessoas que buscam visibilidade política e que representam interesses corporativistas. E o pior de tudo é que os mais pobres não têm escolha. São obrigados a se submeter aos modismos da vez. Enquanto isso não mudar, continuaremos na rabeira dos testes internacionais.

Universidades no Brasil: educação ou doutrinamento?

marioneteO Brasil passou por dois períodos ditatoriais, o primeiro no chamado Estado Novo de Getúlio Vargas, de 1937 a 1945, o segundo foi o regime militar, que começou em 1964 e durou até 1985. Uma característica comum dos dois foi a forte repressão aos grupos socialistas e comunistas, muitos desses, diga-se, também objetivavam implantar regimes ditatoriais no Brasil caso tomassem o poder.

Nesses dois períodos, os grupos esquerdistas botaram em prática uma estratégica baseada nas teorias do filósofo e cientista político italiano, Antônio Gramsci, que pregava que grupos comunistas buscassem a hegemonia cultural, por meio do domínio das esferas de produção de informação e conhecimento, como os meios de comunicação e, principalmente, as universidades e escolas.

Dessa forma,muitos militantes de esquerda começaram a ministrar aulas nas universidades, transformando essas instituições em armas político-ideológicas. Diante de um cenário de conflito e de forte perseguição, até fazia sentido esse tipo de estratégia. Contudo, o efeito colateral foi devastador para o intuito verdadeiro da instituições universitárias, que é promover o confronto de ideias de diferentes correntes ideológicas, visando promover o conhecimento e o ensino.

Como os grupos de esquerda conquistaram a hegemonia cultural nas universidades, especialmente nas públicas, o que se tem visto é a uniformização do pensamento e da produção acadêmica e o sufocamento de teorias fora do espectro socialista/comunista. Hoje o que existe na academia, como bem alerta o analista político Bruno Garschagen, do Instituto Mises Brasil, são falsos debates, pois as teorias supostamente discordantes tem origem na mesma fonte ideológica.

Para piorar, os grupos que hoje dominam o discurso na academia trabalham para bloquear a entrada de pessoas que não coadunam com essa visão. Dessa forma, a universidade ilude o aluno, ao não apresentar outras visões de mundo e esconder o contraditório. Isso faz com que a ideologia se sobreponha ao pensamento crítico e ao conhecimento genuíno. Como explica Foucault (1998, p. 66), “a formação regular do discurso pode integrar, sob certas condições e até certo ponto, os procedimentos do controle; e, inversamente, as figuras do controle podem tomar corpo no inteiro de uma formação discursiva”.

Conclusão, esse projeto de poder que se instalou nas universidades é autoritário e atenta contra o aprimoramento da democracia, além de contribuir para a alienação dos estudantes, sobrepondo a política ao conhecimento e prejudicando a formação de capital humano com real capacidade de análise no país. Enquanto esse cenário perdurar, o Brasil continuará jogando no time das nações subdesenvolvidas e será levado cada vez menos a sério nas instâncias internacionais.

Novas arenas não podem transformar torcedores em espectadores de teatro

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No filme Cinema Paradiso, há uma cena em que dezenas de pessoas, de diferentes classes sociais, assistem a um filme. Vários estão de pé, outros tantos conversam e vibravam a cada cena mais exitante da película. Com o tempo, as salas que abrigam a sétima arte foram ficando mais confortáveis, o preço dos ingressos foi subindo e o acesso a esse tipo de lazer foi sendo elitizado.

Hoje, durante a transmissão de Bayern de Munique X Barcelona pela semifinal da Liga dos Campeões da UEFA, o comentarista Mauro Cézar Pereira exaltava o comportamento dos torcedores alemães, que cantavam hinos de apoio ao clube, enquanto os espanhóis se comportavam como se estivessem em um teatro.

O que acontece com a torcida espanhola é o mesmo que ocorreu em outros países europeus como a Inglaterra e também nos Estados Unidos. Os estádios se transformaram em centros de entretenimento e passaram a ser administrados como shoppings e não como arenas esportivas. Esse tipo de administração atrai um outro segmento de consumidor, diferente daquele que enche estádios e canta para empurrar seu time.

Com a inauguração dos novos estádios construídos para Copa do mundo e o desespero dos times para transformar suas arenas em uma fonte de renda, esse processo tende a se expandir por aqui. Um exemplo é o aumento nos preços dos ingressos. Um caso emblemático é o Corinthians, que elevou o preço da entrada para seus jogos, chegando a cobrar até R$400 em alguns jogos pela Libertadores da América.

No dia 27 de abril, foi realizado um evento teste do “novo” Maracanã. Na arquibancada, estavam os operários que trabalharam nas obras e suas famílias. Muito provavelmente, após a Copa, dificilmente esses trabalhadores poderão ir aos jogos com frequência.

Estive no Rio Grande do Norte e pude assistir a um jogo do ABC de Natal contra o Potiguar. Nas arquibancadas pude ver pessoas de terno e gravata. Ao retornar ao hotel, comentei o jogo com o garçom que também tinha ido ao estádio. Esse tipo de encontro de classes ficará cada vez mais raro, circunscrito a promoções esporádicas em momentos em que os times realmente precisarem do apoio legítimo do seus torcedores.

Para que esse modelo, que moderniza estádios mas exclui grande parcela dos torcedores, não se estabeleça por aqui, temos que fazer como Mauro Cézar e torcer para que o modelo alemão, que alia bom futebol em campo, estádios confortáveis e preços acessíveis, sai vencedor e garanta que o estádio de hoje não se transforme no cinema de amanhã.