Como criar uma cidade empreendedora? 5 pontos-chaves para fomentar negócios inovadores

GIF CITYO empreendedorismo é um fator fundamental para o desenvolvimento de qualquer cidade, região ou país. Contudo, muitos gestores públicos se perguntam quais pontos devem ser trabalhados para criar um ecossistema que fomente o surgimento de empresas inovadoras e sustentáveis.  Há vários fatores que influenciam esse processo, um caminho, porém pode ser o apontado pela UP Global.

Uma pesquisa elaborada pela entidade indica cinco pontos que permitem o surgimento de um ambiente empreendedor e inovador: talento, densidade, cultura, capital e ambiente regulatório. Para entender melhor vamos analisar cada um separadamente.

Talento

Esse elemento é bem óbvio, né? Empresas inovadoras são fruto do trabalho de pessoas talentosas. Para ter mais gente com talento, os gestores públicos devem investir em capital humano. Isso é feito por meio da melhoria na qualidade da educação e também em colaboração com entidades de capacitação técnica, como as do Sistema S, a Endeavor, a Emater entre outras.

Além disso, o estudo destaca que além de formar empreendedores, o gestor deve incentivar relações trabalhistas mais flexíveis (principalmente para pequenos negócios), que também atraiam pessoas talentosas de outros lugares.

A pesquisa destaca ainda a importância de promover ambientes de trabalho diversos, com presença de pessoas com diferentes origens, com um bom balanço na proporção entre homens e mulheres e com a presença de pessoas de todas as cores. Essa interação multicultural contribui para gerar mais criatividade e modelos de negócios mais inovadores.

Densidade

Não basta ter gente talentosa. Para criar um ambiente de negócios saudável e inovador é necessário facilitar a interação, ampliando a densidade de talento. Para isso, os gestores públicos devem fomentar políticas que fortaleçam clusters e arranjos produtivos locais. Outra iniciativa útil é criar hubs de empreendedores, como fezpor exemplo a prefeitura de Florianópolis. Além disso, é fundamental ampliar a conexão entre as empresas e as universidades. A proximidade fortalece a interação face a face, que estimula a cooperação e a competição.

Cultura
GIF BOLHAA cultura é a mistura que vai dar sustentabilidade a um ecossistema empreendedor e inovador. Nesse sentido, é importante que gestores públicos incentivem o empreendedorismo, dando destaque a empresários de pequenos negócios que vem se destacando, como formar de criar referências para que deseja abrir sua própria empresa.

Além disso, é fundamental incluir o empreendedorismo na grade curricular (como fez a prefeitura de São José dos Campos). Assim, a jovem aprenderá que há outros caminhos profissionais, além de ser empregado de uma empresa.

Por fim, a pesquisa ressaltar a importância de criar um ambiente que não puna os empreendedores que decidiram correr riscos para alavancar seu negócio. A falha gera um importante aprendizado, que permitirá que o empreendedor crie negócios mais sustentáveis e robustos. Para isso, é necessário que os gestores públicos invistam em políticas que facilitem o fechamento ou a falência da empresa de forma rápida e sem custos exagerados.

Capital

Esse elemento também já é bem conhecido. Empresas necessitam de capital para crescer. Então, se o gestor quer negócios fortes em sua cidade, é preciso articular formas de proporcionar acesso simplificado a financiamento a taxas de juros que incentivem o investimento. Isso pode ser feito por meio de cooperativas de créditos, agências de desenvolvimento, sociedades garantidoras de crédito, economia solidária, investidores anjos, capital semente entre outros meios.

Ambiente regulatório

Smart cityPor fim, para que empresas nasçam e floresçam, é necessário que as regras do jogo sejam simples e claras. A insegurança jurídica e a burocracia são as maiores inimigas da inovação e do investimento. Um dos caminhos é a implementação da Redesimples, que busca simplificar os processos de abertura e licenciamento de empresas. Outro é efetivar o princípio do “pense no pequeno primeiro”, que diz que toda e qualquer legislação deve oferecer tratamento diferenciado para os pequenos negócios.

Texto originalmente publicado no Portal do Desenvolvimento

Pequeno negócio tem direito a desconto no valor da multa

dinheiro_1-300x200Hoje damos continuidade a nossa série sobre direitos que diversas instituições trazem para os pequenos negócios (para ler os textos anteriores, você pode clicar AQUI).  O assunto agora é multa. Apesar de esse parecer um tema negativo, este texto trará boas notícias.

O artigo 38B da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (LC123/2006) estabelece que os pequenos negócios têm desconto no valor das multas referentes a obrigações acessórias com órgãos e entidades públicos federais, estaduais e municipais.  O tamanho da redução depende do porte da empresa. No caso do Microempreendedor Individual (MEI), o abatimento chega a 90%!

Leia o texto completo AQUI

Lei Geral da Micro e Pequena Empresa não fere o princípio da igualdade

Algumas pessoas se opõem à Lei Geral da Micro e Pequena Empresa alegando que ela fere o
princípio da igualdade, que está no artigo 5º da Constituição Federal:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Nesse sentido, esse grupo defende que ao estabelecer um tratamento diferenciado para os pequenos negócios, a lei criaria uma desigualdade. Bem, este texto tem o objetivo de provar que esse argumento é falso. Vamos lá!

Leia o texto completo no Portal do Desenvolvimento.

Pequeno negócio não pode ser multado de primeira – conheça o princípio da dupla visita

A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (LC123/2006), no seu capítulo VII, concretizou o princípio da fiscalização orientadora e da dupla visita. O que são esses dois preceitos?

Fiscalização orientadora

 O princípio nao-me-digada fiscalização orientadora define que a atuação dos fiscais deve ser primeiramente a de educar e orientar o empreendedor sobre as inadequações em seu negócio. O fiscal, como portador de um conhecimento mais detalhado, deve atuar como parceiro, pressupondo boa fé por parte do empresário.

Veja o texto do artigo 55: “a fiscalização, no que se refere aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança e de uso e ocupação do solo das microempresas e empresas de pequeno porte deverá ter natureza prioritariamente orientadora, quando a atividade ou situação, por sua natureza, comportar grau de risco compatível com esse procedimento”.

Leia o texto completo AQUI.

11 benefícios que a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa traz para os produtores rurais

AgricultorAlgumas pessoas não sabem, mas a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (LC 123/2006) também traz benefícios para o produtor rural. E é muita coisa boa! O artigo 3º equipara o produtor rural pessoa física e ao agricultor família, que respeitem os limites de receita estabelecidos na Lei Geral, às micro e pequenas empresas.

Que limites são esses? A microempresa pode ter receita bruta de até R$ 360 mil/ano e a empresa de pequeno porte de até R$3,6 milhões/ano.

Leia o texto completo AQUI.

O poder da vizinhança – liberdade exige mão na massa

UniaoOs autores americanos Karl Hess e David Morris escreveram em 1976 um livro intitulado “O poder da vizinhança”, no qual eles demonstram a importância de fortalecer a relação entre vizinhos e trabalhar na escala local. Eles lembram que a democracia é o governo dos indivíduos e grupos organizados e ativos. Aqueles não se engajam e não se unem ficam sem voz.

Perceba que o livro foi escrito há quase 40 anos, mas a mensagem continua totalmente atual. Apesar disso, muita gente ainda acha que as soluções virão de ações individuais ou de instâncias nacionais. Território sem coesão social, sem interação entre os diferentes segmentos, é um território a reboque, pois nunca terá força para construir e defender uma proposta de desenvolvimento baseada na sua especificidade.

O maior desafio desse processo é dar o primeiro passo. Muitos não sabem por onde começar. Uma alternativa interessante é iniciar com uma pesquisa sobre o que existe no território. Assim, é possível traçar um caminho, reconhecer as lideranças, as potencialidades, as maiores dificuldades.

Um segundo passo é tentar reunir as pessoas para saber quais são os objetivos comuns e também identificar as competências já existentes no território. A etapa seguinte é ir atrás de parceiros que possam suprir o que falta na região. Por exemplo, identificou-se a necessidade de melhoria na gestão dos pequenos negócios da região, pode-se buscar instituições que trabalhem com esse ponto ou pode-se organizar um currículo baseado em material disponível online. Já se o problema for inovação, pode-se tentar parcerias com institutos e universidades. Se o problema for crédito, o caminho é conversar com bancos e cooperativas, criar fundos  e bancos comunitários, recorrer a moedas sociais e assim por diante.

Outro passo importante é criar um mecanismo de comunicação, que vai ajudar a disseminar as informações e a manter o engajamento das pessoas. Não é necessário algo sofisticado. Murais na prefeitura e nas igrejas, informando a data das licitações, cartazes nas escolas ensinando empreendedorismo, carros de som, informes na rádio local etc. Além disso, a internet abriu diversas possibilidades simples e gratuitas de canais de comunicação, como blogs e redes sociais, como Facebook, twitter e youtube, que permitem criar espaços de interação entre os atores da comunidade.

Aqueles que acreditam no desenvolvimento econômico local e na liberdade dos indivíduos devem trabalhar para resgatar o papel da vizinhança. Para criar um ambiente favorável para o desenvolvimento do nosso território, é necessário conhecer quem está ao nosso lado para que possamos identificar os pontos comuns e amplificar nossas vozes. Só assim será possível gerar uma mudança definitiva e sustentável.

Como bem destaca Karl Hess:

O Libertarianismo é um movimento popular e um movimento de libertação. Ele procura um tipo de sociedade livre, não coercitiva, na qual as pessoas, vivas, livres e distintas, possam se associar livremente, desassociar, e, como bem julgarem, participar nas decisões que afetam suas vidas. Isso significa um verdadeiro livre mercado em tudo desde idéias até idiossincrasias. Significa pessoas livres coletivamente para organizar os recursos de sua comunidade mais próxima ou organiza-los individualmente; significa a liberdade de ter um judiciário baseado e apoiado na comunidade aonde desejado, nenhum onde se preferir, ou serviços de arbitração privada aonde isto é visto como mais desejável. O mesmo com a polícia. O mesmo com escolas, hospitais, fábricas, fazendas, laboratórios, parques e pensões. A liberdade significa o direito de moldar suas próprias instituições. Ela se opõe ao direito dessas instituições te moldarem simplesmente graças a um poder acumulado ou status gerontológico.

Libertarianismo não é sinônimo de egoísmo. Existem diversas formas de promover o desenvolvimento do seu bairro, da sua cidade e do seu território sem precisar recorrer ao poder estatal. Para isso, é necessário colocar a mão na massa e conversar com seus vizinhos. Como bem destaca David Moris, “a teoria é atraente, embora provavelmente mais porque ela permite que a maioria das pessoas evitem fazer o trabalho duro em nível local, enquanto tentam refinar sua retórica e  suas ideias até alcançarem a posição final ‘correta'”.Muita gente acha que vai mudar mundo, antes de mudar a própria vizinhança. Isso acontece porque é muito mais confortável trabalhar no terreno das críticas do que no terreno da prática.

Como o mercado está evitando um colapso total na Coréia do Norte

Dando continuidade ao magnífico trabalho realizado por Rodrigo da Silva do site Liberzone sobre a Coréia do Norte, o país mais fechado do mundo (veja os textos AQUI, AQUI e AQUI), disponibilizo abaixo a tradução do artigo, publicado no New York Times, do ex-oficial do estado norte-coreano, Jang Jin-sung, que desertou de seu país e hoje trabalha como editor-chefe do New Focus International. Nesse texto esclarecedor, ele explica a atual conjuntura do regime do ditador Kim Jong-il e mostra em detalhes como um sistema capitalista operado no mercado negro tem ajudado a adiar o colapso total do país. Leitura obrigatória a todos que prezam pela liberdade.

O mercado consertará gratuitamente a Coréia do Norte

Por Jang Jin-sung

Eu desertei da Coréia do Norte em 2004. Decidi arriscar minha vida para deixar o meu país – onde eu trabalhava como oficial de guerra psicológica para o governo – quando percebi que existem duas Coréias do Norte: uma que é real e outra que é uma ficção criada pelo regime.

2Embora no meu trabalho  eu tivesse acesso a meios de comunicação estrangeiros, livros com passagens contendo críticas ao nosso querido líder Kim Jong-il ou ao seu pai reverenciado, Kim Il-sung, há grandes partes que ignorava. Um dia, por curiosidade profunda, eu inventei uma desculpa para ficar por conta de decifrar as palavras  de um livro de história.

Eu tranquei a porta do escritório e coloquei as páginas contra uma janela. A luz que vinha de fora fez as palavras sob a tinta parecerem perfeitamente claras. Eu lia vorazmente. Eu fiquei até tarde no trabalho, dia após dia, para aprender a história real do meu país – ou, pelo menos, uma outra visão do mesmo.

O mais chocante foi o que eu descobri sobre a Guerra das Coréias. Haviam nos ensinado, durante toda nossa vida,  que uma invasão feita pelo sul tinha provocado o conflito. No entanto, agora eu estava lendo que, não só a Coreia do Sul, mas o resto do mundo acreditava que o Norte tinha começado a guerra. Quem estava certo?

Foi depois de minha deserção angustiante – em que eu tive que subornar para conseguir seguir meu caminho para a fronteira e escapar através de um rio congelado para a China – que reconheci a existência de uma terceira Coreia do Norte: uma teórica. Esta é a Coréia do Norte construída pelo mundo exterior, uma análise fragmentada do regime e de sua propaganda, que deixa escapar as realidades políticas e econômicas do país.

Todos nós no Departamento Frente Unida – também conhecido como “a janela para dentro e para fora da Coréia do Norte” – sabemos de cor três princípios de diplomacia: 1. Não dê atenção à Coréia do Sul. 2. Explore as emoções do Japão. 3. Dobre os Estados Unidos com mentiras, mas certifique-se que são lógicas.

Kim Jong-il salientou a importância de usar esses três princípios como molde para 3implementar a sua visão das relações exteriores de Pyongyang. Relações da Coréia do Norte com a Coréia do Sul, Japão e Estados Unidos sempre seguiram de forma estrita esses princípios.

A missão do nosso departamento foi enganar o nosso povo e o mundo, fazendo o que era necessário para manter a nossa liderança no poder. Nós nos referimos abertamente a conversações com a Coréia do Sul como “agricultura de ajuda”, porque, enquanto Seul buscou o diálogo por meio de sua chamada Sunshine Policy, nós vimos isso não como uma abertura  para o progresso diplomático, mas como forma de extrair o máximo de ajuda possível. Nós também fomos bem sucedidos em ganhar tempo para o nosso programa nuclear através da maratona interminável de negociações envolvendo seis partes.

A despeito das enganações de Pyongyang, muitas pessoas no mundo exterior continuam a acreditar na Coréia do Norte teórica, na qual o diálogo com o regime é visto como o caminho para efetuar a mudança. Porém, eu sei, dos meus anos dentro do governo, que diálogo não fará com que Pyongyang mude os seus caminhos, nem convencerá o atual líder do Norte, Kim Jong-un.

Diálogo nunca vai convencer o regime a desistir de suas armas nucleares. O programa nuclear está intimamente ligado à sua sobrevivência. E as negociações não levarão à mudança no longo do tempo. O regime as vê apenas como uma ferramenta para conseguir ajuda. Diplomacia de alto nível não é uma boa estratégia para conseguir que o regime promova reformas econômicas. A chave para a mudança está fora da influência do regime – na economia subterrânea florescente.

Todos os norte coreanos dependiam de um sistema de racionamento do Estado para sua sobrevivência, até que ele entrou em colapso em meados dos anos 1990. Sua falência foi devido em parte ao investimento concentrado do regime em recursos para formar uma “economia de partido”, que manteve o culto dos Kims e esbanjou luxo junto com a elite, em vez de desenvolver uma economia normal, com base na produção interna e no comércio.

5Pessoas desesperadas começaram a trocar bens de consumo por arroz nas ruas – e a economia subterrânea nasceu. Com milhares de pessoas morrendo de fome, as autoridades não tinham opção a não ser fechar os olhos para todos os mercados ilegais que começaram a aparecer.

A esta altura, os negócios locais do país passaram a ser responsáveis ​​por alimentar seus empregados. A única maneira de fazer isso era através da criação de “empresas comerciais”, que vendiam matérias-primas para a China em troca de arroz. Essas empresas passaram a fazer parte da fundação da economia subterrânea, atuando como centros de importação e exportação que, com o tempo, começaram a importar bens de consumo da China, como geladeiras e rádios.

Da mesma forma, as autoridades do partido começaram a participar de disputas e embates, lucrando através de suborno e proibindo atividades de financiamento. Hoje em dia o partido é tão profundamente envolvido na economia de mercado que as “as empresas comercias” são formadas por filhos de funcionários do partido e abertamente operam em nome do partido e dos militares. Em suma, toda a Coreia do Norte passou a contar com uma economia de mercado, e não há lugar no país que esteja imune a ele.

O efeito social da ascensão do mercado tem sido extraordinário. O cordão umbilical entre o indivíduo e o Estado foi cortado. Aos olhos das pessoas, a lealdade ao Estado foi substituída pelo valor do dinheiro. E o dólar americano é a moeda de escolhida.

Hoje, quando os norte-coreanos são ordenados por seus empregadores estatais a participarem de atividades políticas, eles sabem que o tempo deles está sendo desperdiçado. Poucos norte-coreanos comparecem aos seus empregos públicos. Essa crescente independência econômica e psicológica entre as pessoas comuns está se tornando a maior pedra no sapato do regime.

Também é a chave para a mudança. Em vez de nos concentrarmos no regime e em seus agentes como possíveis instigadores de reforma, nós devemos reconhecer a força do mercado florescente para transformar de modo lento, mas definitivo, a Coreia do Norte de baixo para cima. Esse empoderamento do povo norte-coreano é crucial não apenas para uma transformação positiva da nação, mas também para assegurar uma transição estável para uma nova era após uma eventual queda do regime.

O crescente comércio com a China deixou a fronteira norte-coreana porosa de muitas formas, facilitando o fluxo de informação 3para dentro e para fora do país. Muitos norte-coreanos agora podem assistir programas de televisão sul-coreanos que são contrabandeados em DVDs ou pen drives.

Uma forma de acelerar a mudança seria manter as transmissões para o país, para que os norte-coreanos possam acessar a programação de rádio internacional mais facilmente em seus aparelhos ilegais. Outra é apoiar o trabalho dos exilados norte-coreanos, que são um canal de bens e ideias liberais pela fronteira.

As negociações com Pyongyang só podem oferecer soluções temporárias para crises fabricadas. E posso dizer com base na minha experiência de que elas encorajam apenas mais enganação por parte da Coreia do Norte. Olhar para a Coreia do Norte de baixo, explorando as realidades do mercado, é a única forma de promover a reforma do regime – ou sua queda.

Tradução: Pedro Valadares

A verdadeira face do empreendedorismo não se parece com o Vale do Silício

Por Vivian Giang*

Nos últimos anos, as histórias de empresários de tecnologia se tornando milionários parece indicar uma mudança completa de percepção da palavra “empreendedor” na América.

A definição de empreendedorismo hoje evoca imagens de nerds brilhantes que trabalham longe, nas suas startups, em um clima moderno e descolado até que um dia, eles são compraram incríveis $ 19 bilhões. Como não ter essa imagem quando todos nós lemos histórias de fundadores  de startups tecnológicas relativamente desconhecidos que, de repente, não precisam mais trabalhar para o resto de suas vidas?

Mas muito antes de Silicon Valley, Silicon Alley e Silicon Prairie, existia um grupo de pessoas que começou com apenas uma ideia, lutou incessantemente, levaram em frente uma inspirada transformação positiva e foram capazes de mudar o mundo de alguma maneira.

Empreendedores sempre foram absolutamente vital para a economia dos EUA e  seu trabalho e sucesso são essenciais para o sonho americano.

Atualmente, eles são em sua maioria homens brancos altamente educados, mas durante um tempo, a palavra empreendedorismo pertencia a imigrantes, mães solteiras e pais solteiros.

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“É muito fácil no mundo da tecnologia colocar um verniz de glamour sobre empreendedorismo e startups”, disse Cindy Gallop, fundador da IfWeRanTheWorld e MakeLoveNotPorn empresas. “Quando as pessoas dizem empreendedor e startup, eles pensam em Mark Zuckerberg e Facebook”.

“Há muitas pessoas neste país e ao redor do mundo que são empreendedores por necessidade”,  Gallop disse PolicyMic. “O que quero dizer com isto é, são pessoas que foram demitidas, que não conseguem encontrar um emprego, que não têm outra maneira de colocar comida na mesa,  cuidar de seus filhos, pagar o aluguel ou a hipoteca, a menos que eles trabalham por conta própria, porque ninguém vai contratá-los”.

Essas pessoas não são o Mark Zuckerberg 2.0. Eles são a mãe solteira que vende bolinhos de sua cozinha e, eventualmente, a padaria local ou pequeno mercado. Eles são o homem que está desempregado há tanto tempo, que já está agora no buraco negro do mercado de trabalho . Então ele faz trabalhos de marcenaria para fazer face às despesas. Ele eventualmente  transforma isso em um negócio em uma pequena marcenaria e, assim, consegue alimentar sua família.

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Estas pessoas trabalhadoras são exatamente os componentes da coluna vertebral com base na qual foi construído este país, mas o encantamento do Vale do Silício roubou completamente os  holofotes. Estudos mostram que empresas de imigrantes constituem uma enorme percentagem de pequenas empresas em todo o país. Na Califórnia, mais de 30% das pequenas empresas são de propriedade do imigrante e em Nova York, esse percentual é de cerca de um quarto.

Além disso, as pequenas empresas de propriedade de mulheres de minorias estão crescendo em um ritmo mais rápido do que qualquer outro grupo. Mas não estamos pensando sobre essas pessoas, quando pensamos sobre empreendedorismo. Nós temos fomos cegados pelas  luzes brilhantes do Vale do Silício e Silicon Alley, mas está na hora de colocamos o foco de volta nas pessoas que deram origem ao conceito  de empreendedorismo .

“Via de regra, você só deve começar um negócio se tiver paixão acima de tudo”, disse Gallop PolicyMic. “Há uma exceção a isso,  que é, se você é um empresário por necessidade, ou seja,  se você não tem outra escolha”.

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Para tentar mudar a atual definição de empreendedorismo, queremos contar as histórias dos rostos reais de empreendedores. Eles são essenciais para a nossa economia, porque eles são a força motriz por trás do crescente buraco fiscal da América.

Tradução: Pedro Valadares

* texto original disponível AQUI.

A encruzilhada econômica brasileira

O atual presidente do Instituto de Pesquisa Econômico Aplicada, Marcelo Neri, denominou o período de 2000 a 2010 de década inclusiva. Nesse espaço de tempo, verificamos o aumento real dos rendimentos do trabalhadores, o que resultou na ascensão da chamada nova classe média e na queda da desigualdade.

Tudo isso foi resultado das reformas realizadas entre 1994 e 2005, da forte alta das commodities e do crescimento no gasto social (aumento do salário mínimo, programas de transferência de renda, previdência, seguro desemprego entre outros). Contudo, com a interrupção das reformas que visam ampliar a produtividade e a queda nos preços das commodities, o país se encontra em uma encruzilha, caracterizada por três pontos principais.

1) Aumento da dívida fiscal líquida e dos juros e desvalorização do real

A dívida fiscal líquida (DFL) é o resultado direto da política fiscal. Ela representa a diferença entre as receitas tributárias e as despesas não financeiras em porcentagem do PIB. Ou seja, ela não contabiliza, em bom economês, “o efeito dos passivos contingentes já reconhecidos e contabilizados (chamados “esqueletos”), das receitas de privatização e de outros itens que impactam o estoque da dívida no período sob análise, mas não representam fluxo advindo de esforço fiscal”.

A DFL, segundo demonstra o economista Josué Pelligrini, vem crescendo continuamente desde abril de 2011. Como o PIB tem tido uma expansão cada vez menor e as despesas do governo estão crescendo mais rapidamente, a porcentagem representada pela DFL aumentou de 31,6% em 2011 para 33,4% em 2013. A DFL afeta a dívida líquida do setor público.

Outra variável que pressiona a dívida do setor público são os juros. A taxa Selic, que orienta os juros no Brasil e também a remuneração dos títulos da dívida do governo chegaram a seu menor valor em outro de 2012, quando atingiram 7,25%. Desde então, visando o controle da inflação e da saída de dólares do país, ela subiu continuamente até chegar ao atual patamar de 10,5%.

Dessa forma, há necessidade de direcionar mais recursos para pagamento de juros, o que resulta em aumento da dívida líquida do setor público. Para fazer frente a essa elevação, seria necessário ampliar o superávit primário. Contudo, o que aconteceu foi exatamente o contrário, o montante destinado ao pagamento de juros caiu.

Apesar da elevação da DFL e dos juros, a dívida líquida do setor público continuou caindo. A explicação para esse fenômeno vem da variação cambial. Com a desvalorização do real frente ao dólar, as imensas reservas brasileiras se valorizaram. Como as reservas são um ativo do governo brasileiro, elas ajudam a reduzir a dívida. O problema é que a variação cambial é a variável mais difícil e problemática de ser controlada.

Além disso, a desvalorização do real pressiona a inflação, o que leva o Banco Central a elevar juros e, consequentemente derrubar o crescimento do país.

2) Gastos sociais

Outro fator da encruzilhada brasileira são os gastos sociais. Ninguém, em sã consciência, poderia ser contra o aumento de uma rede pública de proteção social. O problema é como financiar essa expansão continuada das transferências de renda, que permitiram a já citada década da inclusão.

Como explica o economista Mansueto de Almeida, os gastos com transferência de renda (INSS, bolsa-família, seguro-desemprego, abono salarial e LOAS) representam 80% representam do crescimento despesas não financeiras do governo no período de 1999 a 2013 , sendo que os outros 20% refletem gastos com as demais despesas (pessoal, investimento, custeio de saúde e educação, etc.)

http://mansueto.wordpress.com/2014/02/08/crescimento-e-politica-social/

Crescimento da Despesa Não Financeira (Primária) do Governo Central de 1999 a 2013 – Programas de transferência de renda vs. outros

A questão é que para manter o ritmo de expansão dos gastos sociais há somente duas saídas: aumento da carga tributária e/ou aumento do crescimento do PIB. O problema é que para haver mais crescimento é necessário diminuir a carga tributária e/ou os juros.

Ambos os casos exigem uma diminuição dos gastos governamentais, o que significa que será necessário cortar gastos sociais, pelo menos por um período, para poder ampliar os investimentos, aumentar a produtividade e ampliar a oferta.

3) Eleições

Esse talvez seja o ponto mais sensível de todos. Como mostrado anteriormente, para poder elevar o montante de recurso para os investimentos em educação, saúde e infraestrutura, sem aumentar a carga de impostos e sem gerar inflação, é necessário cortar gastos sociais.

Entretanto, em um ano eleitoral, o comum é a ampliação dos gastos sociais e não a redução. Nesse período, governantes evitam meidadas impopulares e usam artifícios danosos para maquiar a situação econômica do país. É o que a teoria da escolha pública denomina de falhas de governo.

Outro ponto, como explica o economista Pedro Nery, é o chamado viés de resultado (outcome bias), que diz que os eleitores costumam julgar as políticas pelos resultados de curto prazo e não pela qualidade. Dessa forma, políticos buscam maquiar dados e criar uma situação artificial de bem estar para conseguir manter seu grupo no poder.

Assim, o mais provável é que as reformas necessárias aconteçam somente a partir de 2015. O ruim é que quanto maior for a demora para implementar as medidas, maior será o custo social. O resultado pode ser a perda de grande parte dos ganhos da década inclusiva.

O que é um estadista?

ron paulEm seu mais recente livro “Caráter e Liderança”, o cientista político e presidente do Centro de Liderança Pública, Luiz Felipe d`Ávila, destaca as características que deve possuir um estadista. Uma das principais é ter persistência e competência para educar a opinião pública acerca de ideias e princípios os quais valora. Outra importante qualidade é saber abrir mão dos ganhos presentes em prol de uma grande e benéfica mudança futura.

Para exemplificar, d`Ávila lembra de uma frase do ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean Claude Juncker, sobre a crise européia: “todos sabemos como superar a crise européia; apenas não sabemos como fazer isso e ganhar a próxima eleição”. Essa declaração ilustra um dos maiores problemas da política. A maioria dos que se envolvem no processo político-eleitoral tem como principal preocupação manter-se no poder e não promover grandes mudanças.

Nesse contexto, uma frase que me chama atenção é uma declaração de Marina Silva em entrevista para a Folha de S.Paulo na época das últimas eleições em 2010. A ex-ministra do Meio Ambiente defendia que “se ganhar, quero ganhar ganhando, e se perder, quero perder ganhando”. Questionada sobre o que significava “perder ganhando”, ela respondeu: “É quando você sai do processo maior do que você entrou. E nem precisa ser maior eleitoralmente, em quantidade de votos. Significa que você não vendeu seus princípios. Manteve uma atitude digna, justa, inclusive na relação com os concorrentes”. E completou: “a derrota ou a vitória se mede na História”.

Infelizmente,  Marina contradisse tudo o que defendeu em 2010 ao abrir mão de seus valores em troca de uma sigla para disputar a eleição de 2014. Porém, meu ponto aqui não é evidenciar os casos que deram errado. Quero aqui mostrar um caso prático de um estadista, que abriu mão de vitórias eleitorais para dar visibilidade às suas ideias e educar a opinião pública. Esse personagem é Ron Paul.

Ele concorreu à presidência dos Estados Unidos por três vezes. A primeira em 1988 pelo partido Libertário. Depois, visando dar mais visibilidade aos seus princípios, mudou-se para o partido Republicano e voltou a concorrer em 2008 e 2012 pelo cargo mais alto do poder excecutivo norte americano.

Enquanto todos os outros candidatos abriam mão de seus valores com o objetivo de conquistar votos, Paul se mantinha firme em suas ideias, sendo muitas vezes tratado como louco ou radical pela imprensa e pelo próprio partido. Além disso, mesmo derrotado nas primárias republicanas, Ron se negou a apoiar o candidato de seu partido, mantendo-se fiel ao que defendia.

Como resultado, Ron Paul conseguiu algo muito maior do que uma vitória eleitoral. Ele cativou uma imensa base de apoiadores, que tiveram os primeiros contatos com as teorias libertárias através dele. Além disso, ele conseguiu popularizar bandeiras que ele defendia, como a liberação do comércio de drogas e a batalha contra as intervenções militares dos EUA. Por fim, ele abriu mais espaço para a ala libertária dentro do partido Republicano, criando um esboço para uma novo via na política americana.  Como dizia o slogan de sua campanha, ele promoveu uma verdadeira revolução.

Por fim, a influência de Ron Paul extrapolou as fronteiras de seu país e ajudou a difundir as ideias da liberdade por vários outros países, inclusive o Brasil. Assim, ele conseguiu educar a opinião pública e abrir espaço na agenda política para as bandeiras da liberdade. Ou seja, ele , como defendia Marina Silva, “perdeu ganhando”. Ele poderia ter aberto mão de seus valores para conseguir vencer as primárias e ser o candidato republicano, mas ele preferiu ser coerente e conseguiu uma vitória muito maior e mais duradoura. Paul criou um movimento que permitirá que no futuro próximo candidatos que defendem a liberdade individual possam participar das eleições de forma competitiva, sem ter que renunciar seus princípios. Está aí um estadista de marca maior! Que suas sementes floresçam e seus exemplos ecoem cada vez mais!