Um ano blogando!

Hoje, dia 8 de julho de 2011, este blog comemora seu primeiro ano de vida! Foram 52 semanas com pelo menos um texto. Em algumas delas, houve posts todos os dias, em outras, um solitário relato evitou que a periodicidade passasse para quinzenal.

O blog começou como um espaço para relatar minhas experiências como trainee do Sebrae. Depois, passou a ter uma temática mais ampla abordando de João Gilberto a Bin Laden. As experiências viajaram do interior do Amapá à Islândia.

Espero que este seja o primeiro de muitos e espero que você, amigo leitor, continue a me concerder a honra de suas visitas.

Para comemorar, uma versão de Ed Motta do clássico “Parabéns para você”. Bom final de semana a todos!

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Empreendedorismo x Cultura

Outro dia estava lendo um artigo do filósofo Hélio Shwartsman, cujo título é “A democracia é para todos?”, no qual o articulista questionava se o sistema democrático seria compatível com todas as culturas.

Hoje, eu estava postando algumas fotos que fiz no terceiro rodízio que realizei no Sebrae/AP e lembrei que ao visitar uma comunidade nativa lá, eu fiquei com um questionamento similar: o empreendedorismo é para todos?

Em algumas culturas, não há uma mentalidade empresarial. Muitas comunidades indígenas são focadas na conservação da cultura e na repetição das tradições. Nesse contexto, projetos do Sebrae com esse público acabam não tendo seguimento. Se pensarmos que o empreendedorismo tem uma relação com uma atividade com foco no mercado, perceberemos que há um choque de culturas.

Não cheguei há uma resposta para o meu questionamento, mas acho que essa experiência ampliou minha visão sobre as dificuldades para atuação do Sebrae em áreas de grandes reservas indígenas. Eu passei a procurar mais subsídios para tentar pensar uma forma de atuação com esse público.

Responsabilidade dividida

Na última sexta-feira, enquanto muitos se preparavam para curtir o Carnaval, os trainees apresentavam no auditório as experiências que tiveram nos estados. Foi uma viagem por diferentes Brasis! Assim como existem vários Brasis, existem vários Sebraes. Uma colega disse que um desafio do Sebrae é transformar suas soluções em um Jornal Nacional, ou seja, tentar oferecer produtos semelhantes em todos os estados.

Para mim, ficou muito claro o papel do Sebrae Nacional dentro do sistema. Nós devemos funcionar como um fonecedor e também como indutor. Para isso, é preciso estar cada vez mais próximo das unidades estaduais, para desenvolver soluções que sejam ainda mais efetivas.

Na minha apresentação, por querer destacar alguns pontos críticos, acho que acabei sendo injusto com o Sebrae Nacional. Se há às vezes problemas de comunicação, não se pode debitar tudo na conta do Nacional. Algumas vezes, gestores da ponta reclamam de falta de atenção, mas não buscam o Nacional, esperam ser procurados.

Ouvir é se tornar co-responsável

O colega Paulo Volker, que foi incumbido de nos avaliar, disse uma frase muito certeira. A partir do momento em que tivemos contato com a realidade dos Sebrae/UF e ouvimos suas necessidades, nos tornamos responsáveis pelas soluções. Se a situação não mudar, significa que nossa visita não foi efetiva. Por isso, me sinto agora encarregado de ser o porta voz do Amapá no Sebrae Nacional e tentar lembrar a realidade do estado em cada projeto que eu participar.

Futuro promissor!

Durante as duas últimas semanas, eu acompanhei o gestor do projeto de desenvolvimento territorial de Pedra Branca e Serra do Navio, no estado do Amapá, Reginaldo Macedo. Pude participar de reuniões nas comunidades para definir o plano de ações para 2011.

O projeto tem origem em um convênio entre o Ministério Público do Amapá e o Sebrae. Pelo acordo, o Sebrae ficou responsável por administrar R$ 2 milhões, oriundos de um termo de ajustamento de conduta (TAC) aplicado à mineradora MMX, e assumido pela empresa Anglo Ferrouz que, posteriormente, incorporou o MMX de Pedra Branca.

Esse recurso deu origem a vários projetos, principalmente nas comunidades mais isoladas dos dois municípios atendidos. Diversos benefícios já foram conseguidos, como acesso a internet, capacitação profissional, construção de pequenas fábricas, entre outros.

O objetivo do processo de desenvolvimento territorial é criar ambiência para o desenvolvimento de micro e pequenas empresas. Muitas vezes as comunidades não possuem o mínimo de condição para poderem empreender e acabam perdendo oportunidades.

Nesse período, pude perceber a importância do trabalho do Sebrae na interiorização do desenvolvimento. Uma das reuniões mais marcantes para mim foi a da comunidade de Pedra Preta, no município de Serra do Navio. A localidade abriga uma das paisagens mais lindas que eu já vi. A associação de moradores é um exemplo do poder da organização social. Eles já conseguiram acessar vários programas federais, principalmente na área de cultura. Lá existe um cinema itinerante, uma pequena biblioteca e até um grupo de teatro.

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O próximo passo é desenvolver o turismo, aproveitando as potencialidades locais. Já está planejada a construção de um muro de arrimo e de dez chalés. A beleza do local é tanta que é difícil descrevê-la em palavras. Por isso, eu filmei e fotografei. Confiram! É maravilhoso!

Local da reunião do projeto de desenvolvimento territorial na comunidade de Pedra Preta

Paisagem em Pedra Preta

EI, formailize-se com responsabilidade!

Em 2010, os empreendedores individuais representaram 55% das novas empresas. Formalizar um negócio ficou muito fácil. é possível fazê-lo em cinco minutos por meio do Portal do Empreendedor. Um exemplo de desburocrtização.

Porém, a realidade conta uma história menos bonita. Há muita gente que não tem perfil para tocar um negócio e mesmo assim se formaliza. Há pessoas que nem tem ocupação ainda, apenas uma vontade, e mesmo assim abrem uma empresa, esquecendo-se que há obrigações a cumprir, como o pagamento de impostos.

Uma outra situação grave, que pude presenciar no muncípio de Pedra Branca do Amaparí-AP, é o uso do instituto do empreendedor individual (EI) como forma de precarização dos contratos trabalhistas. Um contador influente do muncípio está tentado convencer a prefeitura local a formalizar todos os empregados como EI, como forma de desonerar a folha de pagamentos.

Essa situação configura sublocação de mão de obra e está em desconformidade com a lei. O Sebrae-AP já está atento a essa movimentação e prepara uma série de reuniões para conscientização dos empregados da prefeitura de Pedra Branca.

Macapá é uma cidade para se conhecer a pé

Fortaleza de São José

Apesar do clima bastante impeditivo (35ºC + umidade acima dos 50%), não há como apreciar Macapá se não for caminhando. Pela belíssima orla, é possível admirar a grandeza do rio Amazonas e passar por monumentos históricos como a Fortaleza de São José, que demorou 18 anos para ser construída, e o famoso Marco Zero, que marca a linha imaginária que divide o mundo em dois hemisférios.

É andando a pé também que é possível ver as carências da cidade, como a falta de calçadas, o saneamento básico deficiente e o trânsito um tanto desordenado.

O Amapá é um estado com muitos recursos naturais e também um grande exportador de

Exportar recursos naturais pode ser uma doença para a economia local

recursos brutos. Esses dois fatores conjugados elevam o perigo do estado sofrer da chamada doença holandesa, quando o excesso de exportação de recursos naturais leva a desindustrialização do território.

É nesse sentido que eu considero que o Sebrae deve trabalhar o desenvolvimento territorial por aqui. É preciso fazer com que os recursos brutos sejam manufaturados dentro do estado, para que os produtos exportados possam ter mais valor agregado. Para que isso aconteça, é preciso renunciar ao trabalho aparentemente mais simples de extrativismo e  dos royalties das grandes empresas estrangeiras e incentivar o desenvolvimento da indústria local.

Interior me espera

Esta semana, visitarei os municípios de Pedra Branca do Amaparí e Serra do Navio. Estou ansioso para conhecer o trabalho desenvolvido pelo Sebrae-AP por lá, e ver como o Sebrae Nacional pode contribuir para a evolução do projeto!

Até a próxima, raro leitor!

O Amapá é logo ali!

Nesta segunda-feira, começa o  terceiro e último rodízio do programa de trainees. Essa etapa tem um diferencial: será realizada fora do Sebrae Nacional. Cada trainee viajará para um Sebrae/UF  para três semanas de trabalho na ponta.

Meu destino é o Amapá. Estou muito feliz de poder visitar o estado do meio do mundo! Como já disse meu amigo trainee Lucas Quintela, o Norte é a verdadeira região dos excluídos. Ao contrário do Nordeste, a região não conta com um fluxo de turismo interno tão forte.

O Norte é muito mais valorizado por estrangeiros que por brasileiros. Muitas soluções pensadas no Sebrae não se adaptam a realidade de lá. O Norte é uma região cheia de características próprias que pode gerar muita inovação para o país. Por lá, há cultura indígena, amazônica, uma imensa fronteira com diversos países.

O Amapá em especial é o estado brasileiro que tem contato mais direto com a Europa. Não somente por abrigar o ponto mais extremo do Brasil, o Oiapoque, mas por fazer fronteira com Guiana Francesa.

Espero aprender bastante com o pessoal do Sebrae Amapá e com as comunidades de Pedra Branca e Serra do Navio. Acredito que esse rodízio vai me dar uma noção da dimensão dos desafios do processo de desenvolvimento territorial.

O Sebrae Nacional está passando por reestruturação. É, portanto, um momento para novas formas de atuação florecerem. Eu pretendo aproveitar ao máximo!

Confira mais informações sobre o Amapá: