Talentoso displicente x Ordinário dedicado

“Eu não tenho ídolos, tenho admiração por trabalho, dedicação e competência”, Ayn Rand.

No seu livro “Transformando suor em ouro“, Bernado Rezende, o Bernardinho, afirma que uma pessoa consciente de sua limitação, dedicada e disciplinada pode alcançar postos melhores do que uma talentosa, mas displicente.

Bernadinho usa a própria trajetória como exemplo, ele também lembra o caso de Cafu, que foi reprovado em oito peneiras, mas persistiu e acabou campeão de duas Copas do Mundo, uma delas como capitão. Enquanto isso há pessoas extremamente talentosas que desperdiçam oportunidades por falta de comprometimento.

Para mim, o personagem que melhor exemplifica a importância do trabalho duro e da dedicação, e que é pouco lembrado, é o Belletti, lateral reserva de Cafu na Copa de 2002. Ele não é um cara talentoso, mas soube entender o contexto e aproveitar uma baita oportunidade.

Originalmente, Belletti jogava de meio campo, porém percebendo que a seleção tinha uma carência na lateral direita, ele decidiu mudar de posição. Isso, no entanto, não bastava. Ele precisava se superar. Foi o que fez. Supriu a falta de técnica com um excelente preparo físico e muito treino.

Logo começou a se destacar, conseguiu uma convocação e uma transferência para o futebol europeu pra jogar no Celta de Vigo. Belletti também foi beneficiado, porque suas primeiras convocações aconteceram em um momento delicado da seleção, quando muitos jogadores decidiram não mais servir o time nacional. O lateral entendeu que se aceitasse representar o seleção em uma situação desfavorável, abriria espaço para ser chamado mais a frente.

Dessa forma, Belletti acabou convocado para a Copa do Mundo de 2002, sagrando-se campeão. Sua história de sucesso, no entanto, não se encerrou ali. Algumas pessoas podem argumentar que o jogador participou de apenas poucos minutos durante apenas um jogo do campeonato mundial.

Essa argumentação perde a validade no dia 17 de maio de 2006 em Paris, na final do maior campeonato de clubes do planeta, a Liga dos Campeões da UEFA, quando Belletti marcou, aos 36 minutos do 2º tempo, o gol do título do Barcelona sobre Arsenal da Inglaterra. Aquele era momento de coroação de um jogador nada brilhante, mas muito aplicado e comprometido.

Conto a história da carreira de Belletti para mostrar que não é preciso ser um virtuose para alcançar sucesso na carreira. Se você acha que não tem dom algum, não desanime, com esforço, dedicação e consciência das próprias limitações, você pode, por meio de trabalho duro, ter um caminho de muitas realizações. Então, mãos a obra que as oportunidades estão logo ali e só aproveita quem está preparado!

Inspire-se:

Anúncios

O que o Barcelona pode ensinar ao mundo corporativo

Todos ficaram admirados com a exibição do Barcelona na final do Mundial de Clubes do último domingo, quando o time catalão goleou o Santos por 4X0. Entendo que as qualidades esportivas da equipe já foram bem destacadas por vários especialistas. Gostaria aqui de mostrar as lições que o Barça pode ensinar ao mundo corporativo.

1 – Estratégia bem definida

O Barcelona sabe exatamente o que fazer, qual o melhor caminho para colocar seu esquema de jogo em ação, qual a função de cada jogador e o que fazer em cada situação. No domingo, quando o Santos pressionou, o time não perdeu o controle, tocou a bola e esperou os espaços aparecerem.

2 – Formação de talentos

O Barcelona possui uma filosofia de jogo que valoriza  a posse de bola. Essa forma de jogar é ensinada desde as categorias de base e os jovens estão sempre em ação jogando pelo Barcelona B na 2ª divisão espanhola e, muitas vezes, tem chances de disputar partidas pelo time profissional. Por isso, que, em certo momento da decisão do Mundial, nove dos onze jogadores em campo eram formados no próprio clube. Essa clareza no estilo da equipe também facilita na hora de buscar reforços, pois o clube passa a conhecer melhor o perfil do atleta que ele deseja. 

3 – Retenção de talentos

Um grande desafio enfrentado por muitas empresas é a retenção de talentos. O Barcelona proporciona um ambiente tranquilo para que os jogadores possam ter mais qualidade de vida. Um exemplo, enquanto o time do Santos estava concentrado sem poder ver os familiares, os jogadores catalães puderam dormir com suas esposas e sair para passear na véspera do jogo. Alguém imagina que o Barça tenha que armar um esquema milionário para segurar Messi no time como o Santos fez para não perder Neymar?

4 – Paciência e clareza de objetivos

Esses dois aspectos devem sempre andar juntos. Se sua empresa tem uma meta clara e um planejamento sólido, vai conseguir superar momentos de dificuldade e retomar o caminho do sucesso. Em 2009, o Barcelona perdeu a semifinal da Liga dos Campeões para a Inter de Milão. Na época, todos diziam que José Mourinho, técnico do time italiano, tinha encontrado o antídoto para o jogo da equipe espanhola. Hoje, quem ainda sustenta essa tese? Muitos diziam que o time havia perdido por privilegiar o bom futebol e não ser competitivo e parte da imprensa pediu a saída do técnico Guardiola. Porém, a direotria acreditou no trabalho de longo prazo e agora colhe os resultados.

5 – Importância do treinamento contínuo

Antes da final contra o Santos, o técnico do Barcelona assistiu 20 horas de vídeos de jogos do time praiano. Dessa forma, ele pode conhecer muito bem seu concorrente, analisar seus pontos fortes e evitar que ele explorasse as fraquezas de seu time. Essa é, na minha opinião, a lição mais valiosa. Algumas vezes, como na semifinal entre Santos e o time japonês, o talento individual sozinho resolve. Porém, para apresentar aquele espetáculo de jogo coletivo, com troca de passes precisa e troca de posições constante, é preciso praticar muito.

Essa lição o Barça aprendeu na derrota contra a Inter. Em entrevista ao jornal El País, o meia Xavi disse que, na decisão contra o Internacional, faltou alguém que cobrasse mais empenho nos treinamentos e muitos jogadores acabaram ficando acomodados. Desde aquele jogo, o time passou a dar mais ênfase também à preparação física e à consistência tática, deixando o talento de Messi e companhia como cereja do bolo.

6 – Inovação

Por fim, destaco um último aspecto: a inovação. O Barcelona tem um jeito único de jogar, um esquema tático que anula o time adversário e garante excelentes resultados. O melhor é que esse estilo de jogo está em constante evolução. Basta comparar o Barcelona de Ronaldo Fenômeno, de Rivaldo, de Ronaldinho Gaúcho e de Messi. Você verá claramente que o time vai se aprimorando a cada ano e agregando mais uma forma nova de se armar. Na final contra o Santos, Guardiola montou o time sem nenhum centroavante, com vários jogadores de meio de campo cumprindo esse papel. Isso dificultou muito a marcação do time brasileiro que acabou perdido em campo. Quem inova estará sempre um passo a frente!

Modelagem mental aplicada ao futebol

Andrés Iniesta cria um novo modelo para pensar futebol

O pesquisador Johnson-Laird formulou a Teoria dos Modelos Mentais. Segundo Hampson e Morris, “um modelo mental é uma representação interna de informações que corresponde analogamente com aquilo que está sendo representado”, ou seja, é uma interpretação de alguma informação ou situação, baseada em significados e parâmetros pessoais.

Por exemplo, quando apresento um resultado quantitativo de uma pesquisa em forma de gráficos, eu estou criando um modelo mental para representar aqueles dados.

Lembrei dessa teoria ao ler hoje a declaração de Andrés Iniesta, do Barcelona, respondendo à pergunta se uma derrota para o Real Madrid no clássico de amanhã representaria um fracasso para o time catalão. Iniesta disse: “O livro das glórias e das decepções é muito fino. Cada um pode fazer dele a leitura que quiser”.

Ao elaborar essa belíssima metáfora, Iniesta criou um modelo mental que nos permite analisar o futebol sobre sua ótica. Por meio da analogia, Andrés passou toda a paixão que tem pelo jogo e seu modo de enxergar o esporte e a vida.

O modelo mental de Iniesta contribui para que os torcedores passem a ter uma visão mais ampla do espetáculo do futebol e para fugir das interpretações fatalistas a respeito das derrotas.

Abaixo um compacto com alguns belos lances de Iniesta:

Quanto vale uma história?

A pesquisadora Naomi Klein afirma que marca não é publicidade, marca é o fim da publicidade. Isso significa que a marca deve carregar uma história, uma causa. A marca por si só é apenas um sinal gráfico.

Quanto mais convincente e atrativa for a história que sua marca carrega, maior será o valor dela. Um bom exemplo é o clube de futebol espanhol Barcelona.

A agremiação fechou o maior patrocínio da história do futebol com a ONG Qatar Foundation. Para ter sua marca estampada na camisa do Barcelona, a entidade pagará 30 milhões de euros (R$75 milhões) por ano durante cinco temporadas.

Mas por que uma instituição pagaria tanto por um espaço numa camisa de um time de futebol? Para poder associar sua marca à história do clube.

O Barcelona é o time dos catalães, grupo que busca a independência da Espanha. Além disso, o clube estabeleceu um esquema tático que valoriza a posse de bola e a habilidade de seus jogadores e o ensina desde as categorias de base.

E tem mais: no início da temporada 2006/2007, o presidente do clube, Joan Laporta, assinou uma parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância – UNICEF. Desde então, o Barça  PAGA para ter o nome da UNICEF na camisa.

Camp Nou, palco do Barcelona

É por tudo isso que no escudo do time está escrita a frase “més que un club” (mais que um clube). E foi por essa história que a Qatar Foundation abriu seus cofres ao Barcelona.

Esse fato pode ser refletido para nós trainees, quanto vale nossa história? Temos realizações que nos valorizam?