Wikijornalismo – jornalismo de plataforma

Vivemos em um mundo cheio de informações. É produzido anualmente o mesmo tanto de conteúdos que a humanidade demorou 40 mil anos para acumular. Nesse cenário, é possível uma empresa de comunicação produzir um ótimo material apenas com conteúdos criados por terceiros.

É o que faz o Huffington Post. O periódico mescla ao noticiário análises escritas por blogueiros. Dessa forma, o foco do HuffPost passa a ser mais a organização da informação e o aprimoramento das estratégias de SEO (tratamento dos conteúdos para que sejam mais bem rankeados pelos mecanismos de busca – Goggle, Bing, Yahoo). O site americano se aproveita de várias tendências recentes trazidas pela web colaborativa, como o crowdsoursing, a curadoria de informações, o uso das redes sociais e o fortalecimento do conteúdo opinativo.

A fórmula adota pelo site é a mostra do novo perfil de comunicadores que a internet demanda. Os portais noticiosos terão que contar não só com uma gama de bons redatores, mas também com pessoas que saibam organizar a informação. Assim, essa forma inovadora de organizar a informação trará mais a tona o que o autor Charley Luz chama de Arquivologia 2.0.

O futuro dos portais noticiosos, na minha visão, reside em três grandes pilares: organização e classificação dos conteúdos existentes, curadoria da informação e aprimoramento das estratégias de otimização de buscas.

Esse novo tipo de jornalismo encontra campo fértil para se desenvolver cada vez mais no Brasil. Segundo pesquisa do Ibope realizada no fim do ano passado, 96% dos internautas brasileiros leem conteúdos em blogs, sendo que 83% compartilham notícias pelas redes sociais. Muitas empresas jornalísticas já perceberam o valor  do canal blog. Porém, partindo de uma visão tradicionalista, que enxerga a produção de conteúdo de maneira mais fechada, a maioria apenas criou blogs para seus repórteres e articulistas.

A abordagem mais pluralista (e também mais barata) seria fornecer a plataforma para hospedar blogs diversos, sem precisar criar um vínculo empregatício com o blogueiro. O caminho é estabelecer uma linha mestra e abrir espaço para os diversos conteudistas espalhados pela rede. Todos ganhariam, os portais, os blogueiros e, principal e fundamentalmente, o leitor!

Texto publicado no Observatório da Imprensa.

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Ecad chama má fé de erro operacional

Há algumas semanas atrás, o blog Caligraffiti, que não tem fins lucrativos, recebeu uma cobrança do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad)  por ter postado vídeos de música que estão disponíveis no Youtube e no Vimeo.

Com a revelação, vários internautas se mobilizaram, o que levou as gravadoras e o Google a se declararem contra a medida. Diante da repercussão, o Ecad suspendeu a taxação. Essa medida, no entanto, não significa que esse absurdo tenha sido revogado.

Muito pelo contrário! Em entrevista ao site do Globo, a superintendente executiva do escritório, Glória Braga, diz que a cobrança foi um erro operacional, mas que a instituição está estudando uma forma de cobrar direitos autorais de blogs e sites.

Antes de comentar esses acontecimentos, é bom clarificar o que significou a ação de cobrança de direitos autorais de pessoas físicas proprietárias de blogs sem fins comerciais. Taxar quem compartilha vídeos do Youtube ou do Vimeo é similar a cobrar direitos autorais de quem toca música em um aniversário ou em casa com um grupo de amigos. Ou seja, é um abuso total, em uma sanha arrecadatória que não se reflete em grandes repasses aos compositores.

Em suma, na minha opinião, não houve erro operacional algum. O que ocorreu foi o que no jornalismo é conhecido como “balão de ensaio”. Alguém testa uma medida para ver como a sociedade irá reagir a ela. Além  disso, houve também uma estratégia de má fé e de pouca transparência, que visava à implantação de um sistema de cobrança totalmente injusto e desproporcionado.

Algumas pessoas contemporizaram, alegando que a lei de direitos autorais deixa brechas que legitimam a ação do Ecad. Contudo, a doutrina do direito abarca na aplicação das leis o princípio da razoabilidade, ou seja, o velho e conhecido bom senso.

O que de fato importa em “A Privataria Tucana”

Nas últimas semanas, o livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr, dominou a pauta na internet. Entretanto, muitos “analistas” políticos aproveitaram o sucesso da publicação para transformá-la em uma arma partidária, o que, na minha opinião, prejudica a obra. O próprio autor diz que não lançou o livro no ano passado para não parecer uma estratégia eleitoreira.

Para mim, o livro traz mensagens muito mais abrangentes e que mereceriam discussões mais ponderadas. Dessa forma, tentarei elencar aqui alguns pontos que considero de fundamental importância sobre o livro-reportagem de Amaury Ribeiro.

Primeiro, a força dos blogs e das redes sociais na promoção de ideias e mobilização de pessoas. Para um livro que não teve investimentos expressivos em propaganda nos meios tradicionais, chegar ao topo da lista de mais vendidos é um feito. Outro ponto a destacar é o fato de a mobilização gerada pela obra ter chegado à pauta política do país, resultando em um pedido de CPI assinado por mais de 200 deputados.

Segundo, a forma didática como o jornalista explicou esquemas complexos de lavagem de dinheiro, abordando temas como paraísos fiscais, falhas na legislação brasileira, atuação de doleiros entre outros.Aqui vale mencionar uma proposta de Amaury, que merece ser estudada pelas autoridades brasileiras: “a proibição da entrada de offshores (empresas abertas em paraísos fiscais) em sociedades com firmas no Brasil”. Segundo o jornalista, “só deveria ser permitido o ingresso nas empresas nacionais de companhias estrangeiras que identificassem o nome de seus verdadeiros donos em seus balanços contábeis”.

Terceiro, e agora uma crítica, todo o esquema revelado no livro não demonstra, como afirma Amaury, que a privatização seja um modelo que não funciona. O problema não está na privatização em si, mas na falta de fiscalização sobre os processos de desestatização. Não se pode cair na fábula de que a iniciativa privada é sempre aproveitadora e o Governo é sempre justo. Nesse ponto, na minha percepção, está o grande ponto fraco do livro. Eu considero que o Estado deve regular, fiscalizar e fomentar, não deve ser agente de mercado, pois isso distorce o jogo totalmente.

Por fim, o livro traz uma série de denúncias contra vários personagens, que merecem, no mínimo, serem investigadas, se isso já não estiver acontecendo. Vale ressaltar que muitas das informações são tiradas exatamente de processos aos quais os denunciados respondem.

Abaixo matéria da Record News sobre o livro:

Momentos que marcam!

Faço uma pausa nas formas alternativas de postagem e retorno a velha e boa palavra escrita para falar sobre momentos que marcam nossa vida. Estamos nas últimas e derradeiras semanas do programa de trainee, o número de entrega sobe exponencialmente, assim como a expectativa da casa com relação a qualidade.

Por isso, a apresentação dos blogs, como bem relatou a amiga trainee Camila, foi gratificante pelo surpreendente impacto positivo causado aos presentes. Os elogios brotavam de forma inesperada, potencializada talvez pela humildade com que nos dedicamos à apresentação, buscando aprimorar os pontos falhos indicados pelo colega Paulo Volker.

Contudo, como diz o próprio Paulo, nossa trajetória deve equilibrar a vaidade despertada pelos elogios e a autocrítica necessária, para que sempre caminhemos no caminho da excelência. Devemos lembrar que quanto mais qualidade apresentarmos, maior será o padrão de exigência sobre o grupo.

Já mencionei aqui no blog antes que eu sinto que todo trainee representa o grupo. Então, a apresentação de segunda foi marcante para mim, pois o formato que adotamos exigia que ela fosse consumida como um inteiro, sem foco nas individualidades. Foi realmente um produto de trabalho colaborativo!

Para assistir à apresentação acesse o blog da Camila : http://sebraecamila2.wordpress.com/