Ron Paul virá ao Brasil – saiba quem é ele e porque isso é um fato histórico

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O ano de 2014 será especial. Não por causa da Copa do Mundo ou das eleições, mas porque, em setembro, Ron Paul virá ao Brasil a convite do Instituto Mises Brasil. Se você não o conhece ainda, precisa urgentemente buscar mais informações sobre ele.

Paul foi  candidato à presidência dos Estados Unidos em três ocasiões 1998, 2008 e 2012.  Ele foi eleito para mandatos no Congresso americano em três períodos diferentes: de 1976 a 1977, de 1979 a 1985 e de 1997 a 2013.

Nas duas últimas eleições presidenciais que disputou pelo partido republicano, ele casou frisson. A mídia brasileira, desacostumada às posições libertárias, deu pouca importância para ele, tratando-o como um radical alienado e dando ênfase a sua proposta de acabar com Federal Reserve, o Banco Central Americano (esse, aliás, é o tema de um dos livros de Paul traduzido para português, por Bruno Garschagen). A única e honrosa exceção foi o colunista Guga Chacra, que na época escreveu um post esclarecedor sobre essa grande figura política.

0816-ron-paul-iowa_full_380Infelizmente, outras excelentes e coerentes propostas dele foram ignoradas, como a retirada total das tropas americanas de todos os outros países e a legalização do comércio de entorpecentes, pondo fim à desastrosa guerra às drogas, que só elevou o consumo e ocasionou milhões de mortes, principalmente entre os moradores das zonas mais pobres.

O perfil passivista e anti-guerra não criou resistência a Ron Paul junto aos veteranos das forças armadas. Muito pelo contrário! Ele foi o candidato que mais recebeu doações desse segmento da população. Mais inclusive que Barack “Nobel Peace Price” Obama.

Entre as grandes realizações de Ron Paul, podemos destacar:

1) ele nunca votou a favor de um aumento de impostos;

2) ele nunca votou a favor de um orçamento público desbalanceado (com despesas maiores que as receitas);

3) ele nunca votou a favor de um aumento no salário dos parlamentares;

4)  ele nunca votou a favor de regulamentação para a internet;

5) ele votou contra a guerra do Iraque (mesmo contrariando o posicionamento do seu partido);

6) ele não participa do programa de pensão do congresso (não tem aposentadoria milionária paga com dinheiro público, como vossas excelências do Brasil);

7) ele devolve parte do orçamento do seu gabinete para o Tesouro americano.

Por fim, vale ressaltar que Ron Paul jamais abriu mão de seus princípios em troca de votos. Mesmo tendo uma base altamente fiel a ron paulele. No curto prazo, isso lhe custou a possibilidade de se tornar presidente dos Estados Unidos, mas no longo prazo pavimentou a estrada do respeito às liberdades civis e ajudou a educar uma larga parcela da população de seu país sobre a importância de buscar sempre defender o indivíduo contra a coerção estatal.

Paul também influenciou milhares de pessoas ao redor do mundo. Criando um movimento que cresce a cada dia e ajudando a disseminar as ideias libertárias em lugares que nunca haviam ouvido falar dessa linha de pensamento.

É por isso que sua vinda ao Brasil configura um evento histórico. Espero que, com ele de corpo presente em nosso país, a mídia dessa vez dê mais espaço para suas propostas. Vivemos um momento propício para ideias novas e a visita de Paul um mês antes das eleições pode ter um efeito sem precedentes e ajudar a abrir espaço para aqueles que realmente defendem a liberdade!

Quer saber mais sobre o admirável Ron Paul? Assista ao vídeo abaixo:

O outro livro de Paul já traduzido para o português é o “Definindo a Liberdade”.

Leia também – O que é um estadista?

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Somente a iniciativa privada pode universalizar o acesso à educação

educaçãoEntra ano, sai ano, e sempre nos deparamos com reportagens mostrando pais que dormem em filas para conseguir uma vaga para seus filhos nas escolas públicas. Em alguns casos, as pessoas têm que acampar em frente às escolas por até três dias, em condições precárias, como aconteceu no Mato Grosso no início deste ano. O jornal Diário de Cuiabá mostra o absurdo da situação: “As barracas de camping, cadeiras e colchões são colocados na calçada. Não há permissão para entrar na escola, nem para beber água. Para usar o banheiro, os pais precisam pagar R$ 1 numa lanchonete na rua ao lado”. Essa situação se repete em outras cidades, como Porto Alegre, Manaus, Uberlândia Maceió e tantas outras. Encontrar vagas é exceção, não regra.

Esse  tipo de problema ocorre porque o governo não possui eficiência, agilidade e gestão adequadas para suprir a demanda crescente por educação. Outro motivo é que os pais querem boas escolas para seus filhos, então se submetem a dormir em frente ao colégio para garantir uma boa educação para seus entes.

Uma solução para esse problema pode ser observado no Chile. Lá o governo, sob orientação do economista Milton Friedman, adotou desde 1981 o sistema de vouchers educacionais, o que permitiu que as famílias pudessem acessar a rede privada de ensino, aumentando o número de vagas disponíveis e de bons colégios. Além disso, o sistema promove a competição entre as escolas, o que contribui para a melhoria do ensino. Como resultado, o Chile tem hoje o melhor sistema de ensino do continente segundo aponta o ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).

Muitos críticos dizem que o sistema de vouchers não daria certo no Brasil, por conta de suas dimensões continentais. Contudo, pode-se dizer que o país já adota uma estratégia similar. Por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni), o estado concede bolsas de estudo integrais e parciais (50%) em instituições privadas de ensino superior. Dessa forma, o número de alunos matriculados no ensino superior aumentou 110% em 10 anos, segundo o Censo da Educação Superior. Além disso, um aluno matriculado na rede privada custa custa até seis vezes menos para os cofres públicos do um na rede pública. Ou seja, além de ser mais eficiente na criação de vagas, o sistema de vouchers é mais econômico.

Conclusão, o modelo de vouchers já apresenta resultados robustos no Chile em todos os níveis escolares. No Brasil, há o caso do Prouni, que ampliou dramaticamente o acesso ao ensino superior. Então, por que não ampliar o modelo também para o ensino fundamental e médio? E mais, por que não diminuir o número de escolas públicas, abrindo espaço para empreendedores na ramo da educação e valorizando a eficiência e a competição do setor privado? Ser o contra o sistema de vouchers é brigar com a realidade!

Brasil sem maquiagem

botox278velhanoespelhoO Brasil tem vivido um momento de otimismo elevado nos últimos anos. Um crescimento médio de 4,5% no período de 2003 a 2010 ajudou a criar uma sensação de que o país entrou d evez na era da bonança e que o crescimento seguria forte infinitamente. Contudo, os fatos começaram a desmentir as versões.

O Governo, no entanto, no afã de consevar a popularidade tem divulgados dados um tanto questionáveis. Um deles, como aponta o eocnomista Adolfo Sachsida do Ipea, é a inflação. De acordo com projeções do Banco Central, ela fechará 2012 em 5,45%, ou seja, um ponto percentual acima da meta, que é 4,5%.

Porém, esse número não reflete a realidade. Como mostrou Sachsida, a metodologia de cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza o índice de inflação, foi alterado em 2012. Na metodologia antiga, a alta de preços estaria 0,3% maior. Ou seja, 5,75%. Não para por aí! A equipe econômica, na tentativa de esconder a inflação, tem se utilizado de artifícios tributários, como desonerações seletivas para setores que pressionam o preços. De acordo com o pesquisador do Ipea, mostra que se as isenções não tivessem sido empregadas, a inflação estaria outros 0,3% maior. Em suma, a inflação real deste ano é 6%, não os 5,45% divulgados pelo Banco Central.

Pleno emprego?

O país cresceu pouco mais de 2,5% ano passado, neste ano corre o risco de crescer menos de 1%. No entanto, as estatísticas de desemprego continuam caindo e batendo recordes históricos de baixa. Como é possível? O Economista Leandro Roque analisou a metodologia do IBGE para tentar encontrar a resposta.

O primeiro questionamento a surgir foi: como pode o levantamento do IBGE apontar um desmeprego de 5,3% e o da DIEESE apontar 10,5%? O que afinal o primeiro entende como emprego?

“Desde que comecei a prestar mais atenção no assunto — e, principalmente, desde que me inteirei melhor da metodologia —, perdi completamente o interesse pelo indicador.  Ele não indica nada.  A metodologia do IBGE é totalmente ridícula.  Um malabarista de semáforo é considerado empregado.  Um sujeito que vende bala no semáforo também está empregadíssimo.  Um sujeito que lavou o carro do vizinho na semana passada em troca de um favor é considerado empregado (ele entra na rubrica de ‘trabalhador não remunerado’).  Se um sujeito estava procurando emprego há 6 meses, não encontrou nada e desistiu temporariamente da procura, ele não está empregado mas também não é considerado desempregado.  Ele é um “desalentado”.  Como não entra na conta dos desempregados, ele não eleva o índice de desemprego”, explica Roque.

O IBGE divide a população economicamente ativa nas seguinte scategorias: Pessoas Desalentadas, Pessoas desocupadas, Pessoas Subocupadas por Insuficiência de Horas Trabalhadas, Pessoas Ocupadas com Rendimento/Hora menor que o Salário Mínimo/Hora, Pessoas Marginalmente Ligadas à PEA (População Economicamente Ativa).

Dessas, somente a taxa de “pessoas desocupadas” é considerada como desempregada. As desalentadas não contam e as outras são consideras empregadas. Roque fez um novo reagrupamento dessas categorias, consoiderando desempregodos os grupos:

1) pessoas desocupadas;

2) trabalhadores não remunerados;

3) pessoas com rendimento/hora menor que o salário mínimo/hora (aquele sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo);

4) pessoas marginalmente ligadas à PEA (pessoas que não estavam trabalhando na semana da pesquisa mas que trabalharam em algum momento dos 358 dias anteriores à pesquisa e que estavam dispostas a trabalhar); e

5) pessoas desalentadas.

Resultado: taxa de desmeprego no mês de outubro foi de 21,4%. O que significa dizer que um em cada cinco brasileiros ou não tem emprego, ou tme uma ocupação precária que rende menos que um salário mínimo por mês.

Resumo da ópera: é inegável que o país está melhor do que a tempos atrás, até mesmo porque a demanda de gigantes como China e Índia por commodities ajuda a manter o Brasil no azul. Contudo, uma nação que convive com crescimento menor que 3%, inflação na casa de 6% e um quinto da força de trabalho desempregada ou em trabalho precário não pode sair pelo mundo querendo impor seu modelo econômico.

Mercado interno – utilize com moderação!

O Brasil vem sofrendo menos os impactos da crise econômica. Um dos principais motivos para isso é que a maioria das empresas nacionais tem como público consumidor o mercado interno. Porém, essa vantagem tem mostrado um lado obscuro. Quando falamos de produtos de alta intensidade tecnológica, que possuem maior valor agregado, vemos uma predominância de produtos importados.

Muitas vezes essa situação é explicada pela industrialização tardia do país em relação a nações do norte. Contudo, uma reportagem da Folha de S.Paulo de hoje, dia de 16 de outubro, mostra que o Brasil está importando softwares da Argentina, ou seja, um país com histórico semelhante ao brasileiro.

Aqui fica evidente um dos “males” de um mercado interno forte. De acordo com empresários argentinos, por não possuírem um mercado nacional tão amplo, as empresas portenhas de tecnologia já nascem voltadas para a importação e pautadas por padrões internacionais de qualidade. Dessa forma, elas são muito mais competitivas.

Além disso, para conseguir novos mercados em um segmento tão especializado como o de tecnologia, os hermanos precisam ser mais inovadores e empreendedores. Dessa forma, vê-se o surgimento de diversas pequenas empresas que geram produtos de alto valor agregado e contribuem mais significantemente por o PIB do país.

Enquanto isso, um estudo do Sebrae mostra que os produtos de baixa tecnologia representaram um terço das exportações das MPE (micro e pequenas empresas),  em 2009.  Além disso, o trabalho indica ainda que “houve queda de 3,8% no número de MPE exportadoras em comparação com o ano anterior, enquanto que o valor exportado caiu 16,3% e o valor médio por empresa teve queda de 13%”.

Tendo em vista que as micro e pequenas empresas representam mais de 98% das firmas existentes no país, esse cenário torna-se ainda mais preocupante. Apesar de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio  Exterior (MDIC) mostrarem um crescimento das exportações brasileiras, vê-se que essa alta está amparada nas grandes empresas e na exportação de bens primários.

Como as MPE são responsáveis por mais  da metade dos postos de trabalho formais no Brasil, o lucro advindo do crescimento das exportações não gera benefícios diretos para a maioria da população. Na minha opinião, o país só vai se tornar um player econômico realmente relevante quando solucionar essa questão.O mercado interno tem que ser uma opção e não A opção.

Sobre públicas e privadas

Perfis diferentes exigem formas distintas de seleção

O funcionalismo público brasileiro possui muitas limitações ainda. Ele é muito burocratizado e inibe as inovações. Essa introdução cheia de lugares comuns é para alertar sobre a necessidade de uma mudança de paradigma.

Atualmente, o poder público tem captado as melhores cabeças, porque paga bons salários a profissionais em início de carreira. Contudo, esse mesmo jovem que a princípio optou por um concurso público, no futuro, buscará novos desafios.

A (quase instantânea) estabilidade proporcionada por uma vaga na administração pública pode, a longo prazo, causar dois efeitos. O primeiro é que aquele excelente estudante vai perder o encanto com o serviço que realiza e vai optar por se tornar um empregado comum e desfrutar do bom salário nas horas de folga.

O segundo é o profissional, depois de adquirir experiência, deixar o serviço público para ganhar melhor na iniciativa privada. É certo que para um ingressante no mercado de trabalho o poder público paga os melhores salários. Porém, quando falamos de cargos mais altos, a iniciativa privada passa a competir e com mais vantagens a oferecer.

É claro que existem muitas pessoas que ingressam em carreiras públicas por vocação e que constroem carreiras bem sucedidas e produtivas, mas não se pode negar o imenso contingente de jovens atrás apenas de um primeiro emprego com salário decente.

Essa situação me leva a duas conclusões. O poder público deve se desburocratizar, procurar formas mais maleáveis de seleção e planos de carreira mais arrojados. Já a iniciativa privada deve começar a se preocupar em investir verdadeiramente em jovens talentos, pagando bons salários e tornando processos de ingresso nas empresas mais claros.

Uma nova grande crise financeira se aproxima e somente com uma iniciativa privada mais aberta ao risco e um funcionalismo público mais flexível é que será possível manter o Brasil um país competitivo.

Clientes brasileiros sofrem com atendimento meia boca

O Brasil passa por uma fase de crescimento, que está muito ancorada no consumo. Nos últimos ano, o mercado consumidor ampliou-se enormemente. Dessa forma, os prestadores de serviços passaram a ter uma clientela abundante.

Porém, o que tenho notado é que o aumento no número de clientes tem acarretado uma queda vertiginosa na qualidade dos serviços prestados. Se você, caro leitor, parar para pensar vai ver que recebeu um número assustador de atendimentos meia boca nos últimos tempos. Lembra aquele restaurante que você foi e a comida não era igual à do cardápio? E aquela vez que você comprou um pacote de dados que não funcionou? Ah, não se esqueça daquela loja onde você teve que esperar mais de meia hora para ser atendido…

Está se chegando a um ponto que, para ter serviços minimamente aceitáveis, é preciso se estressar e exigir que o estabelecimento te atenda da maneira como deveria. Quem fica calado recebe atendimento desleixado.

Fala-se muito que, com a expansão das redes sociais, os consumidores estão mais conscientes e exigindo mais seus direitos. No entanto, na minha opinião, o grande número de reclamações online também tem a ver com  o crescimento de casos de abuso e despreparo dos estabelecimentos, ou seja, mais gente reclama não somente porque agora tem mais meios para isso, mas porque passou a ter mais motivos para tal.

Contudo, uma nova crise financeira está por vir, a inflação anda um tanto claudicante e o mercado brasileiro está cada vez mais aberto. A fartura de consumidores tende a arrefecer. Será decepcionante ver empresas estrangeiras ganhando espaço por aqui por conta da falta de preparo e de visão de empresas brasileiras.

A hora de fidelizar clientes é no momento em que o mercado está aquecido. Muitos esquecem que, em momentos de dificuldade, irão necessitar do dinheiro daquele cliente que foi mal tratado…

Interagir é obrigação

Eu comentei semana passada sobre a importância de saber andar pelo mundo virtual. Tentei mostrar a utilidade da internet para o mundo político, com o caso da reestruturação da Constituição da Islândia, que está sendo feita com a participação dos cidadãos pelo Facebook e pelo Twitter.

Estar na web e interagir com as pessoas, na minha visão, não é uma opção dos entes públicos, mas sim uma obrigação. É preciso reconhecer a internet como um espaço para prestação de serviços e aprofundamento da transparência.

Deve-se fazer uso de todas as funcionalidades permitidas para promover interação. Porém, temos visto iniciativas contrárias a essa premissa. Por exemplo, no blog do Planalto, o visitante não pode comentar as notícias. Dessa forma, ele deixa de ser um espaço de reflexão para tornar-se apenas um Diário Oficial mais descolado.

Além disso, é preciso utilizar as ferramentas de modo contínuo. Muitos políticos em época de eleição criam contas nas redes sociais para panfletar online. Porém, quando o certame acaba, o perfil nunca mais é atualizado. Se o candidato está ocupado demais para prestar informações por esse canal, o mais elegante é fechá-lo. A presidente Dilma, por exemplo, postou pela última vez no twitter em dezembro do ano passado.

Em comparação com Obama, ela está sete meses defasada. O presidente dos Estados Unidos, que virou referência em comunicação na internet, postou pela última vez ontem. A presidente está menos ativa até que outros presidentes menos “tecnológicos” como o da Venezuela, Hugo Chavez, que tuitou no último dia 6 e o presidente da Rússia, Andrei Medvedev, que postou há poucas horas.

Talvez seja por esse uso meio equivocado das potencialidades da internet que o ex-presidente Fernando Henrique (a moda do momento) defendeu, em artigo para a revista Interesse Nacional, que a oposição preparasse uma estratégia de comunicação nesse espaço para ganhar novos eleitores. Infelizmente, a observação de FHC ficou ofuscada pelo pedido infeliz (e um tanto preconceituoso) para que o PSDB esquecesse o “povão”.

Para não dizer que não falei das flores

Para não cair em uma crítica pura e simples, é importante ressaltar que há políticos tentando utilizar as mídias sociais para se comunicar e prestar contas com seus eleitores. Ainda está longe de ser um caso de sucesso, mas é um bom indício. Alguns exemplos são Marina Silva, Manuela D`Ávila e Cristovam Buarque. Além de interagir na conta do Twitter, os três tem bons sites e blogs.

Como eu disse em artigo anterior, quem não busca aprimorar a navegação na internet vira alvo de piratas.

Desenvolvimento exige superação do “complexo de vira-latas”

“Por ‘complexo de vira-latas’ entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. (Nelson Rodrigues)

Não basta crescer, tem que acreditar

Muito se diz sobre a ascensão do Brasil e seu ganho de visibilidade mundial. Para se tornar um país desenvolvido e deixar de vez o grupo dos em desenvolvimentos, não basta erradicar a pobreza, melhorar a educação e a infraestrutura. Também é preciso que o brasileiro passe a se sentir um habitante de país desenvolvido.

Essa classificação tem um lado econômico, mas há um lado ideológico que a sustenta. Quantas vezes países do grupo dos desenvolvidos bloquearam o Brasil com a desculpa de que somos um país em desenvolvimento? Isso acontece pela força política de nações poderosas, mas também por uma espécie de “submissão” do Brasil.

Um exemplo prático dessa situação aconteceu nesta última semana. Na sexta-feira, os principais portais noticiosos do país deram destaque a uma declaração do diretor americano Wood Allen dizendo que entre seus autores favoritos estava Machado de Assis.

Será que se o cineasta americano tivesse dado a mesma declaração a respeito de Miguel de Cervantes, os jornais espanhóis dariam tanto destaque? Da maneira como o fato foi alardeado, ficou parecendo que Machado de Assis só passou a ser um grande escritor após Allen chancelar tal posição.

A notícia se espalhou rapidamente pelas redes sociais em um misto de comemoração e de surpresa. É claro que Wood Allen é um grande intelectual, um profissional de primeira linha e é significativo que Machado de Assis faça parte de sua formação. Contudo, uma das características de países ditos desenvolvidos é autorreferenciação e a naturalidade com que consideram que sua cultura é de domínio global.

A sociedade brasileira vem ganhando muito em autoestima nos últimos anos, porém esse processo deve ser intensificado para que o crescimento do país tenha uma forte sustentação ideológica também. Ser desenvolvido passa por sentir-se desenvolvido também!

PS.: O termo “complexo de vira-latas” foi cunhado pelo cronista Nelson Rodrigues, em texto com o mesmo título.