Novos ricos da China e o marfim de mamute da Sibéria

07-hunters-unload-tusks-in-siberia-670Quando um país com aproximadamente 2 bilhões de habitantes começa a enriquecer, esse processo gera um impacto no mundo todo. A China possui atualmente cerca de 400 mil milionários. Esses novos ricos querem consumir e querem produtos de alto padrão. Esse é com certeza um segmento que estimula muitos empreendedores por todo canto do planeta.

Um exemplo trazido pela revista National Geographic é o mercado de marfim de mamute da região da tundra siberiana na Rússia. Como muitos países envidaram duras medidas para restringir a venda de marfim de elefantes com objetivo de evitar a matança desses animais, as ossadas de mamutes enterradas no solo da tundra tornaram-se extremamente valiosas.

Mais de 90% do marfim retirado da Sibéria, aproximadamente 60 toneladas por ano, vai para o mercado chinês, onde novos ricos estimulam um crescente mercado de luxo. Visando tirar proveito desse imenso fluxo de recursos, habitantes nativos se arriscam em uma região na qual temperatura pode chegar a -50 graus Celsius para procurar ossadas de mamutes. Nessa difícil jornada, que pode durar até 5 meses, muitos perdem 10 ou mais quilos.

Cientistas já começam a se preocupar com essa caçada aos mamutes. Eles argumentam que esse movimento pode prejudicar futuras pesquisas e tornar mais difícil encontrar mais fósseis. Por outro lado, um time de cientistas russos e sul coreanos também estão explorando a área em busca de células que possam ser clonadas.

Essa fascinante história mostra como o processo de globalização conectou de vez o mundo. Além disso, esse caso mostra como uma leva de milionários chineses contribuiu para criar uma alternativa de renda para um povo que vivia isolado em região inóspita. Além disso, a busca pelas ossadas de mamute vem estimulando cientistas a avançarem em pesquisas que podem revolucionar a ciência. Para mim, porém, a principal lição é que esse movimento demonstra o quão prejudicial é erguer barreiras protecionistas, que impedem que a riqueza de alguns países irradie no mercado como um todo e ajude a elevar a qualidade de vida de muitas pessoas.

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Brasil sem maquiagem

botox278velhanoespelhoO Brasil tem vivido um momento de otimismo elevado nos últimos anos. Um crescimento médio de 4,5% no período de 2003 a 2010 ajudou a criar uma sensação de que o país entrou d evez na era da bonança e que o crescimento seguria forte infinitamente. Contudo, os fatos começaram a desmentir as versões.

O Governo, no entanto, no afã de consevar a popularidade tem divulgados dados um tanto questionáveis. Um deles, como aponta o eocnomista Adolfo Sachsida do Ipea, é a inflação. De acordo com projeções do Banco Central, ela fechará 2012 em 5,45%, ou seja, um ponto percentual acima da meta, que é 4,5%.

Porém, esse número não reflete a realidade. Como mostrou Sachsida, a metodologia de cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza o índice de inflação, foi alterado em 2012. Na metodologia antiga, a alta de preços estaria 0,3% maior. Ou seja, 5,75%. Não para por aí! A equipe econômica, na tentativa de esconder a inflação, tem se utilizado de artifícios tributários, como desonerações seletivas para setores que pressionam o preços. De acordo com o pesquisador do Ipea, mostra que se as isenções não tivessem sido empregadas, a inflação estaria outros 0,3% maior. Em suma, a inflação real deste ano é 6%, não os 5,45% divulgados pelo Banco Central.

Pleno emprego?

O país cresceu pouco mais de 2,5% ano passado, neste ano corre o risco de crescer menos de 1%. No entanto, as estatísticas de desemprego continuam caindo e batendo recordes históricos de baixa. Como é possível? O Economista Leandro Roque analisou a metodologia do IBGE para tentar encontrar a resposta.

O primeiro questionamento a surgir foi: como pode o levantamento do IBGE apontar um desmeprego de 5,3% e o da DIEESE apontar 10,5%? O que afinal o primeiro entende como emprego?

“Desde que comecei a prestar mais atenção no assunto — e, principalmente, desde que me inteirei melhor da metodologia —, perdi completamente o interesse pelo indicador.  Ele não indica nada.  A metodologia do IBGE é totalmente ridícula.  Um malabarista de semáforo é considerado empregado.  Um sujeito que vende bala no semáforo também está empregadíssimo.  Um sujeito que lavou o carro do vizinho na semana passada em troca de um favor é considerado empregado (ele entra na rubrica de ‘trabalhador não remunerado’).  Se um sujeito estava procurando emprego há 6 meses, não encontrou nada e desistiu temporariamente da procura, ele não está empregado mas também não é considerado desempregado.  Ele é um “desalentado”.  Como não entra na conta dos desempregados, ele não eleva o índice de desemprego”, explica Roque.

O IBGE divide a população economicamente ativa nas seguinte scategorias: Pessoas Desalentadas, Pessoas desocupadas, Pessoas Subocupadas por Insuficiência de Horas Trabalhadas, Pessoas Ocupadas com Rendimento/Hora menor que o Salário Mínimo/Hora, Pessoas Marginalmente Ligadas à PEA (População Economicamente Ativa).

Dessas, somente a taxa de “pessoas desocupadas” é considerada como desempregada. As desalentadas não contam e as outras são consideras empregadas. Roque fez um novo reagrupamento dessas categorias, consoiderando desempregodos os grupos:

1) pessoas desocupadas;

2) trabalhadores não remunerados;

3) pessoas com rendimento/hora menor que o salário mínimo/hora (aquele sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo);

4) pessoas marginalmente ligadas à PEA (pessoas que não estavam trabalhando na semana da pesquisa mas que trabalharam em algum momento dos 358 dias anteriores à pesquisa e que estavam dispostas a trabalhar); e

5) pessoas desalentadas.

Resultado: taxa de desmeprego no mês de outubro foi de 21,4%. O que significa dizer que um em cada cinco brasileiros ou não tem emprego, ou tme uma ocupação precária que rende menos que um salário mínimo por mês.

Resumo da ópera: é inegável que o país está melhor do que a tempos atrás, até mesmo porque a demanda de gigantes como China e Índia por commodities ajuda a manter o Brasil no azul. Contudo, uma nação que convive com crescimento menor que 3%, inflação na casa de 6% e um quinto da força de trabalho desempregada ou em trabalho precário não pode sair pelo mundo querendo impor seu modelo econômico.

Nunca deseje uma ditadura!

Ditadura é isso aí!

Em resposta ao meu último post, surgiram vários comentários de pessoas que desejam a volta de um governo militar. Confesso que me surpreendi com a quantidade de pessoas que consideram a ditadura uma forma de gorvenaça mais limpa e livre de corrupção.

Há grupos de judeus que sentem medo de que a geração que não viveu os horrores do holocausto não entenda a dimensão da tragédia que ocorreu nos campos de concentração. Ao ler alguns comentários aqui, também senti receio de que algumas pessoas não entendam bem o que ocorreu durante a ditadura militar.

Afortunadamente, não vivi aquela época. Porém, tenho a consciência de que nenhum governo que tenha feito uso de praticas como tortura, censura, toque de recolher entre outras, possa ser bom para qualquer sociedade.

Sempre pior do que se imagina!

Também é preciso esclarecer que ditaduras não acontecem somente sob governos militares. Cuba até hoje aprisiona pessoas contrárias ao regime e exige autorização para que seus habitante (ou prisioneiros?) possam sair da ilha. Ou seja, para visitar outro país, não basta a um cubano conseguir um visto da nação que pretende visitar, é necessário que o “governo” dê autorização, como se fosse dono da pessoa.

Para mim, parece incompreensível que muitas pessoas louvem o governo chinês por seus feitos, deixando de lado o fato de que os chineses, em sua imensa maioria, não tem seus direitos individauis respeitados. É realmente impressionante como as pessoas se iludem achando que a China é uma alternativa melhor à influência americana. Leia AQUI uma excelente análise sobre como será o mundo, se a China tornar-se a principal potência do planeta.

Muito pior que a pior democracia!

Por mais que algumas pessoas possam considerar os norte americanos “imperialistas”, é necessário pensar que pelo menos eles são um Estado de Direito, com imprensa livre, com liberdade de associação entre outros luxos democráticos que a China e outras ditaduras preferem evitar.

Ditaduras não são menos corruptas. Elas apenas são menos transparentes. Não é à toa que o primeiro ato de qualquer governo ditatorial é eliminar as vozes dissonantes. A pior democracia do mundo será sempre MUITO melhor que a melhor ditadura.

Então, gostaria de pedir a todos que não se deixem levar por uma idealização de ditadores incorruptíveis. As ditaduras são tudo de ruim que já escreveram e muito mais. Só conhecemos a ponta do iceberg, os porões continuam fechados.

Para sair da crise, é preciso ouvir os silenciados

Vivemos um momento de quebra de paradigmas. Os grandes centros estão em crise. O Japão, que já vivia uma retração, sofre com desastres naturais. A Europa vê o zona do Euro balançar com um meio calote da Grécia e gigantes, como Espanha e Itália, em situações delicadas. Os Estados Unidos patinam com uma crise parlamentar e um nível de desemprego que insiste em se manter nas alturas.

Enquanto isso, a América Latina, tão criticada em passado recente, taxada de zona instável, vive uma fase de crescimento, estabilidade e vagas de emprego sobrando.

Aqui surge a questão deste post: se os latino americanos sempre tiveram como modelo da prosperidade países que hoje estão debilitados, quem guiará um novo modelo mais sustentável de desenvolvimento? A globalização difundiu o “american way of life” (o modo de vida americano) e ofereceu como alternativa o modelo europeu de bem-estar social. Dessa forma, os países em desenvolvimento sempre se pautaram por esses dois pacotes ideológicos e agora terão que dar vida a uma terceira via.

Na minha opinião, por mais estranho que possa parecer, o subsídio para esse novo modelo está nas regiões mais excluídas. Os grandes conglomerados urbanos já interiorizaram muito os modelos europeus e americano. Já as regiões excluídas, por terem recebido menos impactos da globalização, apresentam maior potencial inexplorado.

Então, no caso brasileiro, o modelo pode estar sendo gestado, por exemplo, dentro das regiões Norte e Nordeste. Os modelos do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste parecem muito influenciados já pelo pensamento vigente, que vem se mostrando infrutífero.

Pode ser que as crises nos grandes centros sejam apenas passageiras e que os velhos paradigmas se renovem. Também não se pode desconsiderar que a China tem mostrado um novo modo de desenvolvimento, que, no entanto, parece não mostrar um potencial distributivo para toda a riqueza que vem gerando.

De todo modo, quando o centro parece perdido, é preciso ouvir a voz da periferia.