A Redenção de Cachito Ramirez

Em 2011, o Corinthians foi eliminado na pré-Libertadores pelo pequeno Tolima do Colômbia. Um jogador ficou especialmente marcado, Luiz Ramirez. O peruano entrou no segundo tempo do jogo de volta e acabou expulso em um momento em que o time buscava uma reação.

A partir de então ele caiu em desgraça no Parque São Jorge e foi emprestado (e logo depois devolvido) para a Ponte Preta. Quando parecia que sua história estava fadada ao fracasso, Tite lhe deu uma oportunidade no fim de um jogo decisivo contra o Ceará e ele fez o gol da vitória, que manteve o Timão na liderança e permitiu um passo importante rumo ao título brasileiro.

Em 2011, o Corinthians foi eliminado na pré-Libertadores pelo pequeno Tolima do Colômbia. Um jogador ficou especialmente marcado, Luiz Ramirez. O peruano entrou no segundo tempo do jogo de volta e acabou expulso em um momento em que o time buscava uma reação. A partir de então ele caiu em desgraça no Parque São Jorge […]

via A Redenção de Cachito Ramirez — All Sports FC

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Novas arenas não podem transformar torcedores em espectadores de teatro

torcida

No filme Cinema Paradiso, há uma cena em que dezenas de pessoas, de diferentes classes sociais, assistem a um filme. Vários estão de pé, outros tantos conversam e vibravam a cada cena mais exitante da película. Com o tempo, as salas que abrigam a sétima arte foram ficando mais confortáveis, o preço dos ingressos foi subindo e o acesso a esse tipo de lazer foi sendo elitizado.

Hoje, durante a transmissão de Bayern de Munique X Barcelona pela semifinal da Liga dos Campeões da UEFA, o comentarista Mauro Cézar Pereira exaltava o comportamento dos torcedores alemães, que cantavam hinos de apoio ao clube, enquanto os espanhóis se comportavam como se estivessem em um teatro.

O que acontece com a torcida espanhola é o mesmo que ocorreu em outros países europeus como a Inglaterra e também nos Estados Unidos. Os estádios se transformaram em centros de entretenimento e passaram a ser administrados como shoppings e não como arenas esportivas. Esse tipo de administração atrai um outro segmento de consumidor, diferente daquele que enche estádios e canta para empurrar seu time.

Com a inauguração dos novos estádios construídos para Copa do mundo e o desespero dos times para transformar suas arenas em uma fonte de renda, esse processo tende a se expandir por aqui. Um exemplo é o aumento nos preços dos ingressos. Um caso emblemático é o Corinthians, que elevou o preço da entrada para seus jogos, chegando a cobrar até R$400 em alguns jogos pela Libertadores da América.

No dia 27 de abril, foi realizado um evento teste do “novo” Maracanã. Na arquibancada, estavam os operários que trabalharam nas obras e suas famílias. Muito provavelmente, após a Copa, dificilmente esses trabalhadores poderão ir aos jogos com frequência.

Estive no Rio Grande do Norte e pude assistir a um jogo do ABC de Natal contra o Potiguar. Nas arquibancadas pude ver pessoas de terno e gravata. Ao retornar ao hotel, comentei o jogo com o garçom que também tinha ido ao estádio. Esse tipo de encontro de classes ficará cada vez mais raro, circunscrito a promoções esporádicas em momentos em que os times realmente precisarem do apoio legítimo do seus torcedores.

Para que esse modelo, que moderniza estádios mas exclui grande parcela dos torcedores, não se estabeleça por aqui, temos que fazer como Mauro Cézar e torcer para que o modelo alemão, que alia bom futebol em campo, estádios confortáveis e preços acessíveis, sai vencedor e garanta que o estádio de hoje não se transforme no cinema de amanhã.

Torcidas organizadas são bode expiatório da falta de segurança pública

Depois do trágico confronto entre torcedores do Corinthians e do Palmeiras, que resultou em duas mortes, uma grande parcela da sociedade e do poder público levantou a bandeira da proibição das torcidas organizadas. Porém, será que é essa mesmo a solução para o fim da violência nos estádios?

Bem, para começar, é preciso ressaltar que a violência que assola os estádios é a mesma que está espalhada em várias partes das cidades. Também é importante destacar que eventos com grande número de pessoas sempre são mais propícios a casos de confronto.

De acordo com o pesquisador Yves Michaud, “a maioria das sociedades comporta subgrupos cujo nível de violência é incompatível com o da sociedade global ou, de qualquer modo com avaliações em vigor na sociedade global”.  Ou seja, em algumas circunstâncias, certo tipo de violência é visto como menos grave do que em outros. É aqui que mora o grande erro.

Um assassinato em uma briga de torcidas não é menos grave do que um ocorrido durante um assalto a um banco, por exemplo. Contudo, percebe-se que os esforços não estão voltados para encontrar os culpados pelas mortes e prendê-los, julgando verdadeiramente. O foco é acabar com as torcidas organizadas.

Então, o que temos aqui é um atestado do poder público de que não é capaz de identificar os criminosos e prendê-los. Assim, ele resolve ir contra a Constituição, que estabelece que “ todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente“.

Colocar a culpa nas torcidas organizadas é uma medida demagógica que visa negar um problema mais amplo. É só uma forma de exteriorizar a violência, tratando-a como algo pontual, inexistente em outros setores da sociedade. É o que o historiador Peter Burke chama de “demônios folclóricos”.

Segundo Burke, por vezes, a falta de informações confiáveis sobre determinada situação faz com que “pessoas reajam de maneira excessiva a ela, ou reajam de maneira errada” o que resulta em pânico coletivo. Nesse estado, “é comum que surja uma busca por bodes expiatórios. Em outras palavras, grupos são culpados por situações que resultam, ao menos em parte, de debilidades do sistema econômico, social ou político”.

Em suma, violência nos estádios não é culpa das torcidas. O que alimenta os confrontos é a impunidade e as penas leves. É preciso que o poder público e a sociedade como um todo enxergue essas brigas como algo inaceitável, que não considere algo corriqueiro e digno de tratamento diferenciado.

As próprias organizadas devem contribuir com a polícia na identificação das pessoas que participam de confrontos. Só assim elas deixarão de ser bodes expiatórios e mostrarão a verdadeira origem do problema. Não interessa se houve ou não provocação de um dos lados, nenhum pretexto justifica a violência.

Quem briga são indivíduos e não a instituição. Então, a solução está em penalizar o criminoso, não o grupo.

Abaixo um vídeo sobre o verdadeiro papel das torcidas

Para mais informações sobre o conceito de “demônios folclóricos” clique AQUI

Ronaldo e Palocci – a hora certa de parar

Este 7 de julho de 2011 será uma data lembrada por muito tempo. Não é sempre que no mesmo dia um ministro da Casa Civil pede demissão e o maior artilheiro da história das Copas do Mundo se despede da seleção.

Sem fazer juízos políticos, os dois personagens principais se assemelham por uma questão: parecem ter escolhido mal a hora de parar. No Brasil, atletas e políticos são figuras que atraem muita atenção. Quando estamos falando de um ex-ministro da fazenda e ex-ocupante da Casa Civil, essa exposição é ainda maior. Imagine então quando falamos de um jogador eleito três vezes o melhor do mundo no país do futebol?

Tanto Palocci como Ronaldo parecem ter passado do ponto certo de se aposentar. Ambos acabaram de certa forma prejudicando um pouco suas equipes. O Fenômeno contribuiu para a derrota corintiana na Libertadores e Palocci deu subsídios para que fisiologistas constrangessem o Governo.

Porém, é inegável que tanto o Corinthians, quanto o PT se beneficiaram da popularidade e do carisma dos dois recém aposentados. Outro ponto em comum e que, aparentemente, os dois se dedicarão a carreiras empresariais.

A comparação, no entanto, para por aqui. Pois, enquanto Ronaldo se despediu com festa no Pacaembu, Palocci saiu à francesa. Em um caso tivemos uma despedida, em outro um pedido de  demissão.No entanto, ambos já marcaram a história do país, cada a sua maneira.