Criação de dinheiro imaginário leva o Brasil para recessão

bombaO governo brasileiro vendeu seu futuro para ter alguns ganhos eleitorais no presente. O momento de acertar as contas está cada vez mais próximo. Para financiar seus crescentes gastos, o governo criou dinheiro via sistema bancário, chefiado pelo Banco Central (BC).

Dessa forma, o BC ligou sua impressora e inundou a economia de dinheiro (dinheiro eletrônico, diga-se). Esse recurso extra entrou no mercado, fomentou investimentos insustentáveis e fez a inflação aumentar. Com mais dinheiro em caixa, os bancos (os públicos principalemente) baratearam o crédito e estimularam o endividamento das famílias. Agora, no entanto, é hora de pagar a fatura. Dessa forma, o êxtase do final da primeira década dos anos 2000 vai pouco a pouco se transformando em um processo recessivo.

Nada nesse roteiro era imprevisível. A Escola Austríaca de Economia já explicou como essa combinação de governo perdulário, reservas fracionárias e injeção de dinheiro por parte do Banco Central leva a uma recessão. É a denominado Teoria dos Ciclos Econômicos.

Explicando melhor

Reservas fracionárias

Suponhamos que eu deposite R$2.000 em um banco. A instituição então decide guardar 20% (R$400) e emprestar o restante (R$1.600) para outro correntista. Eu continuo tendo R$2.000, mas não em dinheiro vivo e sim em dinheiro eletrônico. Com isso, o banco criou mais dinheiro do nada. Transformou R$2.000 em R$3.600.

Digamos que o outro correntista deposite os R$1.600 em outro banco, que faz o mesmo procedimento do primeiro: guarda 20% (R$320) e empresta a outra parte (R$1.280) para outro tomador de crédito. Resumo da ópera, os R$2.000 iniciais agora já  mais que dobraram (R$4.480), sendo que menos da metade dessa quantia é realmente lastreada em cédulas reais.

Esse mecanismo é chamado de reservas fracionárias. E é exatamente assim que opera nosso sistema bancário atualmente. Em um sistema normal, nenhum banqueiro se arriscaria a ficar criando dinheiro sem lastro, porque se os clientes resolvessem sacar o dinheiro ao mesmo tempo, o banco iria à falência.

Porém, na atual conjuntura, o Banco Central opera como financiador de última instância, garantindo a liquidez do sistema como um todo.

Taxa selic

Voltando ao exemplo anterior, vamos dizer que eu resolva sacar meus R$2.000 e meu banco tenha somente R$1.000 em caixa. Ele terá que pegar um empréstimo com outro banco a uma determinada taxa de juros. Essa taxa de juros interbancária no Brasil é a famosa Selic.

Quanto mais operações entre bancos houver, maior será a Selic. O Banco Central manipula essa taxa injetando ou não dinheiro na economia. Se ele quer baixar a Selic, ele injeta dinheiro nos bancos. Com isso ele diminui as operações no mercado interbancário e a taxa de juros cai. Já se o BC achar melhor a taxa subir, ele para de colocar dinheiro nos bancos ou aumenta o compulsório, que é o dinheiro que os bancos tem de manter em caixa. Com isso, as operações interbancárias aumentam e a taxa sobe.

De onde vem o dinheiro do Banco Central?

Você deve estar lendo esse texto e se perguntando de onde o Banco Central tira esse dinheiro todo?

O mecanismo funciona da seguinte maneira:

1) O governo não consegue se financiar somente com os impostos. Por isso, ele emite títulos da dívida pública e obriga o sistema bancário a criar dinheiro para comprá-los;

2) O Banco Central então quando quer injetar dinheiro no sistema bancário, para reduzir a Selic, imprime dinheiro para comprar os títulos da dívida em pose dos bancos.

Tsunami monetário

Todo esse dinheiro criado do nada entra na economia por meio de segmentos específicos. Por exemplo, no Brasil, o governo Dilma tem incentivado o crédito imobiliário. Dessa forma, todo esse montante de recurso vai financiar o investimento na construção de imóveis, que, em decorrência, incentiva outros setores conexos, como cimento, caminhões, pedreiros, mestres de obras, arquitetos etc.

Em um primeiro momento, o efeito da expansão da oferta monetária gera um aumento no investimento e no consumo, aumenta as contratações e o desemprego despenca. Nesse cenário, várias pessoas embarcam em empreendimentos que antes da expansão monetária tinham pouca demanda. Ou seja, esses investimentos duvidáveis parecem ser plausíveis nesse cenário de crédito barato e expansão do consumo e aumento da renda.

O tombo

Contudo, a expansão monetária tem um efeito colateral sério. Como o dinheiro é uma mercadoria como ciclo-economicoqualquer outra, o aumento desenfreado da oferta derruba seu preço. Em outras palavras, o dinheiro passa a valer menos e o poder de compra das pessoas fica comprometido.

A medida que a inflação sobe, os bancos se veem obrigados a elevar as taxas de juros para não perderem dinheiro. Nesse cenário de preços e juros altos, o que acontece é um aumento do endividamento. Os bancos passam a temer calotes e encarecem seus financiamentos.

Como resultado, aqueles empreendimentos que não seriam sustentáveis sem o crédito artificialmente barato começam a quebrar, o desemprego começa a subir e a renda das pessoas diminui. O consumo e o investimento se retraem e a economia para de crescer.

Diante desse quadro, o Banco Central só tem uma opção, diminuir a oferta monetária, para enxugar o excesso de dinheiro na economia e fazer a Selic subir para arrefecer o consumo e o investimento e fazer a inflação cair.

Brasil e os ciclos econômicos

De 1994 a 2012 a oferta monetária no Brasil cresceu 1.600%. Não é de se admirar que, no início do Real, fosse possível comprar um pão francês por R$0,01 e hoje ele está até 70 vezes mais caro.

Nos últimos quatro anos, de 2008 a 2012, a oferta monetária mais que duplicou. Isso explica o alto crescimento de 2010 (7,5%) e o baixo nível de desemprego (5,8%). Porém, a conta dessa expansão já chegou. Em 2011, o país cresceu 2,7% e em 2012 tivemos o pibinho de 0,9%, quase uma estagnação.

Os investimentos também emperraram e a concessão de crédito arrefeceu. A próxima vítima deve ser o principal trunfo do atual governo: a baixa taxa de desemprego. De acordo com o IBGE, depois de sucessivas quedas, a taxa teve um leve alta em abril, passou de 5,7% para 5,8%, e parou nesse patamar em maio. Outra notícia preocupante é que, segundo dados do Caged, maio teve a menor taxa de criação de vagas em 21 anos.

Diante desses dados, não é difícil deduzir em qual etapa do ciclo econômico a economia brasileira se encontra. E o futuro não parece alvissareiro. Quem vencer a eleição do ano que vem não terá muitos motivos para alegrar-se.

Assista abaixo a palestra do economista Leandro Roque, do Instituto Mises Brasil, para saber mais sobre os ciclos econômicos e a economia brasileira:

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Sobre ciclos e crises

Teremos uma crise pesada no Brasil nos próximos anos. Pelo menos é o que apontam o economista Leandro Roque e o estrategista Paulo Vicente. O primeiro baseia sua previsão na teoria dos ciclos econômicos e o segundo, nos ciclos de Kondratiev.

A teoria dos ciclos diz que uma expansão artificial de crédito gera um desequilíbrio na economia e leva empreendedores a tomarem decisões equivocadas e adquirirem dívidas esperando um retorno maior a frente, que não virá. Como há uma expansão da base monetária (quantidade de dinheiro em circulação) sem lastro, os preços sobem demais, a moeda perde valor e os emprestadores não podem mais financiar os tomadores de crédito, assim, os empreendedores percebem que o retorno que esperavam não acontecerá e a economia entra em um período recessivo.

De acordo com Roque, o Brasil já está entrando no período de recessão. O problema, segundo ele, é que a expansão do crédito faz subir também o preço dos insumos e da mão de obra. “Quanto mais os preços dos fatores de produção sobem, mais desesperadas por novos empréstimos ficam aquelas empresas que deram início a projetos de longo prazo levadas pela crença de que o crédito seria farto e barato durante muito tempo, e que os lucros seriam fáceis.  O aumento dos preços — e, por conseguinte, dos juros — altera seus planos”.

Roque baseia sua análise nos dados sobre a expansão dos meios de pagamento fiduciários, que são aqueles que não possuem nenhum lastro. Esse meio aparece por conta do regime de reservas fracionárias, que nada mais é do que dinheiro criado por meio de alavancagem. Explicando por alto: os bancos partem do princípio de que nem todos os correntistas vão querer sacar todo seu recurso ao mesmo tempo. Assim, o banco mantém apenas uma parte do dinheiro em caixa e empresta o restante. Ou seja, guarda somente uma fração do depósito.

Em outras palavras, grosso modo, se você depositou R$100 e o banco tem em caixa somente R$10 (usando a diferença para fazer um novo financiamento), mas na sua conta continua constando os mesmos R$100, significa que há R$90 de dinheiro sem lastro, criado do nada. Agora imagine esse mesmo procedimento sendo feito com milhões de correntistas. Daí que surge o aumento da base monetária sem lastro que, segundo Roque, vai gerar a expansão artificial de crédito que depois levará a economia brasileira à recessão.

Já Paulo Vicente também prevê uma crise para o Brasil, porém com base em outra teoria, a dos ciclos de Kondratiev. O estrategista complementa sua análise por meio da teoria dos ciclos hegemônicos, que diz que toda potência após certo tempo entra em declínio para que outra possa ascender. Já a teoria dos ciclos de Kondratiev, também conhecida como ciclo da tecnologia, afirma que a humanidade passa por uma crise sempre que a matriz tecnológica é alterada.

Segundo Vicente, o período de hegemonia norte americana já está no estágio de declínio, assim como o ciclo tecnológico que teve início com a expansão da telecomunicação e da informática. A primeira teria fim aproximadamente em 2065 e a segunda em 2030.

“Supondo que a lógica dos ciclos se mantenha, a década de 2010 será de competitividade internacional crescente, e a década de 2020 verá crises generalizadas com guerras nas várias regiões do mundo, mas não parece ainda que haverá uma guerra de transição hegemônica. Não é objetivo deste texto especular sobre o futuro, mas sempre houve crises políticas e econômicas nos finais de ciclo no Brasil, isto sugere uma crise nacional na década de 2020”.

Podemos acrescentar às previsões dos dois pesquisadores a do economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, que afirma que a crise europeia irá durar até 2018. Além disso, outro grande comprador brasileiro, a China, passará nos próximos anos por um período de transição, que indica um modelo de indústria mais voltado para provimento do mercado interno, o que implicaria crescimento menor e menos importações brasileiras por lá.

Enfim, estamos passando por um momento bom, o país tem um desemprego baixo, razoável estabilidade econômica e política e boa visibilidade internacional. É preciso interromper um pouco a estratégia de estímulo ao consumo por meio da expansão do crédito e promover reformas que aumentem a produtividade, barateiem os custos de produção e ampliem a poupança interna. Caso contrário, teremos que fazer isso em condições precárias.

Crédito sem poupança é caminho para crise

A crise americana de 2008, que hoje faz o país patinar economicamente com uma taxa de desemprego próxima aos 10%, não foi uma surpresa. Tudo estava totalmente claro. O leitor pode me dizer: “agora é fácil falar, difícil era prever a crise na época em que tudo estava dando certo”. Pois bem, muita gente previu e o fez com uma precisão absurda.

Um dos que anteviram o colapso foi Peter Schiff. Na época da bonança, todos estavam comprando casas com crédito facilitado, liberado por bancos com incetivos governamentais (qualquer semelhança com o atual cenário no Brasil não é mera coincidência). As pessoas davam como garantia do empréstimo o próprio imóvel, que ainda iriam comprar.

Abaixo a incrível profecia de Peter Schiff:

Como os preços das casas estavam super valorizados, a garantia do empréstimo (o imóvel) não era suficiente para cobrir um possível calote. Todo esse esquema era falsamente sustentado por uma estratégia que envolvia seguradoras, agências de classificação de risco e até membros das faculdades de economia, que davam sustentação teórica a essa operação insustentável.Essa dinâmica foi descrita no documentário “Inside Job” (Trabalho Interno).

Todos nós já sabemos o que aconteceu. Esse não é o ponto deste texto. A questão aqui é mostrar que muitos analistas sérios alertaram para os riscos desse processo e foram ridicularizados por conta do bom momento econômico que o país vivia.

Atualmente, temos no Brasil a questão do crédito para compra de automóveis. Muitas pessoas dão o próprio veículo como garantia. Contudo, o carro vai se desvalorizando com o tempo e no fim o consumidor que não consegue manter os pagamentos em dia acaba sem o carro e com uma dívida adicional.

Claro que a situação aqui não é tão grave como foi a americana. No entanto, percebe-se que o governo brasileiro parece entender que o crescimento advém simplesmente do consumo. Assim, basta baratear o crédito e aumentar a oferta de dinheiro para acelerar a economia.

O consumo deve prioritariamente partir da poupança, ou seja, você junta um montante e depois compra o que deseja. Só devemos recorrer ao crédito em casos pontuais. Crédito não é renda, é dívida! Não adianta dizer que agora todos podem ter carro, se daqui há um ano a pessoa perderá o veículo e ainda estará endividada!

Os americanos sabem que essa estratégia gera no máximo um curto período de euforia, que será seguido de um longo processo de depressão e desemprego. Ser inteligente é aprender com o erro dos outros, não com os nossos!

Uma visão libertária da crise financeira de 2008

A animação The American Dream, escrita e dirigida por Ted Lumpikin e Harold Uhl, traz uma versão da crise financeira que afetou os Estados Unidos em 2008. Há muitos trechos enviesados, porém no geral traz uma explicação coerente do funcionamento do sistema bancário ianque. Além disso, é muito bem produzida e é um desenho político, gênero muito em falta ultimamente.

A versão original já foi assistida mais de um milhão de vezes. Tal popularidade levou a equipe do filme a criar um site theamericandreamfilm.com. Lá, é possível ver que os produtores tem uma ligação com o pré-candidato republicano Ron Paul, conhecido por seus posicionamentos libertários. Ele defende , por exemplo, o fechamento do Banco Central, o fim das ajudas externas e das intervenções americanas.

Atualmente, Paul ocupa o terceiro lugar nas primárias republicanas. Analistas dizem que seu objetivo é criar base para a criação de um novo partido, chamado Libertarian, que seria dirigido por seu filho, o parlamentar Rand Paul.

A animação tem 30 minutos. Se não concordar com o que está sendo dito, pelo menos vai se divertir durante meia hora. Bom filme!

Sobre públicas e privadas

Perfis diferentes exigem formas distintas de seleção

O funcionalismo público brasileiro possui muitas limitações ainda. Ele é muito burocratizado e inibe as inovações. Essa introdução cheia de lugares comuns é para alertar sobre a necessidade de uma mudança de paradigma.

Atualmente, o poder público tem captado as melhores cabeças, porque paga bons salários a profissionais em início de carreira. Contudo, esse mesmo jovem que a princípio optou por um concurso público, no futuro, buscará novos desafios.

A (quase instantânea) estabilidade proporcionada por uma vaga na administração pública pode, a longo prazo, causar dois efeitos. O primeiro é que aquele excelente estudante vai perder o encanto com o serviço que realiza e vai optar por se tornar um empregado comum e desfrutar do bom salário nas horas de folga.

O segundo é o profissional, depois de adquirir experiência, deixar o serviço público para ganhar melhor na iniciativa privada. É certo que para um ingressante no mercado de trabalho o poder público paga os melhores salários. Porém, quando falamos de cargos mais altos, a iniciativa privada passa a competir e com mais vantagens a oferecer.

É claro que existem muitas pessoas que ingressam em carreiras públicas por vocação e que constroem carreiras bem sucedidas e produtivas, mas não se pode negar o imenso contingente de jovens atrás apenas de um primeiro emprego com salário decente.

Essa situação me leva a duas conclusões. O poder público deve se desburocratizar, procurar formas mais maleáveis de seleção e planos de carreira mais arrojados. Já a iniciativa privada deve começar a se preocupar em investir verdadeiramente em jovens talentos, pagando bons salários e tornando processos de ingresso nas empresas mais claros.

Uma nova grande crise financeira se aproxima e somente com uma iniciativa privada mais aberta ao risco e um funcionalismo público mais flexível é que será possível manter o Brasil um país competitivo.