Por que vemos tantos ataques nos debates políticos?

Luciano GenroSe você assistiu o debate presidencial ontem na Rede Globo, percebeu uma quase ausência de propostas, contrastando com uma prolífica quantidade de ataques entre os candidatos. Quem queria conhecer os planos de governos para decidir seu voto, teve que se contentar em se divertir (ou se revoltar) com o embates e trocas de acusações.

O objetivo número 1 nesses eventos é estigmatizar o adversário e se colocar como representante do bem. Mas por que isso acontece? Na minha opinião, os participantes escolhem os ataques, porque eles estão focados no campo emocional, o que aumenta as chances de gerar engajamento. Já o embate de propostas está circunscrito ao campo racional, exige que o eleitor pese os prós e os contras de cada proposição para tomar sua decisão.

Tendo em vista o pouco tempo que os candidatos têm para expor ideias (no máximo 1:30 min) e o momento em que é realizado o debate (a três dias da eleição), não é de se admirar que os debatedores se transformem em gladiadores (afinal de contas, só um sairá “vivo” da disputa).

Outra explicação nos é dada pelo economista e ganhador do prêmio Nobel, Friedrich Hayek. Ele aponta que:

Quase por uma lei da natureza humana, parece ser mais fácil aos homens concordarem sobre um programa negativo — o ódio a um inimigo ou a inveja aos que estão em melhor situação — do que sobre qualquer plano positivo. A antítese “nós” e “eles”, a luta comum contra os que se acham fora do grupo, parece um ingrediente essencial a qualquer ideologia capaz de unir solidamente um grupo visando à ação comum. Por essa razão, é sempre utilizada por aqueles que procuram não só o apoio a um programa político, mas também a fidelidade irrestrita de grandes massas. Do seu ponto de vista, isso tem a vantagem de lhes conferir mais liberdade de ação do que qualquer programa positivo.

Ou seja, o foco não é ampliar a quantidade de eleitores que concordam com suas propostas, mas sim elevar o número de pessoas que rejeitam seus adversários. O resultado é uma eleição no qual quem ganha é o menos pior e não o que possui as melhores propostas.

Outro ponto negativo desse tipo de estratégia é o acirramento dos conflitos na sociedade, que alimenta um patrulhamento ideológico e a destruição de pontes que permitem o diálogo.

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A força do PT no Nordeste não é fruto do Bolsa Família

PTMuita gente costuma dizer que o PT ganhou três eleições consecutivas porque criou o Bolsa Família e assim montou um curral eleitoral. Para reforçar essa tese, as pessoas citam o fato de o partido sempre conquistar a maioria dos votos da região Nordeste, a com maior número de inscritos do programa.

Com certeza, a expansão de programas de transferência de renda contribui para a popularidade de um governo, mas de forma alguma explica as vitórias seguidas do PT. Primeiramente, é preciso destacar que o governo de Fernando Henrique Cardoso também tinha diversos programas de transferência de renda, segue abaixo uma pequena lista com alguns deles:

1) Bolsa escola;

2) Bolsa alimentação;

3) Programa de garantia de renda mínima;

4)  Programa auxílio-gás;

5) Programa bolsa renda.

Além desses cinco, houve diversas outras iniciativas voltadas para parcelas mais pobres. Durante esse período, Lula e o PT adotavam o mesmo discurso, atacando esses programas e dizendo que eles eram assistencialista e eleitoreiros, como se pode ver no vídeo abaixo.

Contudo, da mesma forma que os programas de transferência de renda não foram a razão das duas vitórias de FHC, eles também não explicam totalmente as vitórias petistas a meu ver.

Na minha opinião dois fatores foram mais determinantes:

1) Estratégia de comunicação;

2) Ambiente econômico favorável.

Comunicação

Em uma comparação feita entre o último ano de mandato de FHC e de Lula, vê-se que o petista gastou 70,3% a mais que o tucano em propaganda. Alem disso, dados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República mostram que o governo Dilma já  superou o de Lula em gastos com publicidade.

Outro ponto importante é a repartição dos recursos. Enquanto a verba publicitária do governo FHC  era destinada a somente 499 veículos de comunicação, no governo Lula, inteligentemente, essa verba passou a ser repartida por 8.904 veículos, o que contribui para criar um clima favorável entre órgãos de imprensa local e emplacar mais pautas favoráveis ao governo federal.

Acrescenta-se a isso a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e os diversos outros veículos governamentais  de outras instituições do estado.

Por fim, é importante destacar que o PT soube se utilizar de maneira muito habilidosa também dos canais das entidades de sua base política como sindicatos, MST, ONGs entre outros.

Na lógica eleitoral, na maioria das vezes parecer é mais importante do que ser. Em outras palavras, com uma estrutura robusta de comunicação é possível criar uma imagem no imaginário popular, o que traz ganhos eleitorais e ajuda a agir de forma rápida para abafar notícias ruins.

Economia global a favor

O governo Lula teve a sorte de contar com um conjuntura econômica internacional favorável à exportação de commodities, pela abundância de investimentos externos, pela disponibilidade de crédito internacional a custos baixos. Teve também uma equipe econômica qualificada, sob o comando de Henrique Meirelles, que tiveram a perspicácia de manter bases estruturais que permitiram um fortalecimento do Real frente a outras moedas, o que significou um incremento no poder de compra da população e a entrada de produtos importados de melhor qualidade e preço que os produtos nacionais.

Soma-se a isso, uma visão inteligente de não colocar barreiras para a entrada de capital estrangeiro, tanto produtivo como especulativo, o que permitiu um aumento no investimento direto no país. Como em qualquer lugar, as empresas procuram maximizar seus ganhos buscando os melhores preços. Nesse contexto, o Nordeste oferecia mão de obra farta e a preços mais baixos que o Sudeste e o Sul. Ainda, políticos da região e também o poder federal deram incentivos polpudos para que empresas se instalassem no Nordeste, o que contribuiu para um aumento da qualidade de vida dos habitantes.

Tudo isso aliado à política de aumentos paulatinos do salário mínimo, já introduzida pelo governo de Fernando Henrique, ajudou a criar um ambiente de bem estar geral. Naturalmente, as pessoas associaram esses ganhos ao grupo político no poder naquele momento, ou seja, o PT.

O partido soube se aproveitar muito bem desse bom momento mundial para se colocar como responsável pela bonança. Fazendo uso de seu aparato muito bem armado de comunicação, conseguiu auferir ganhos eleitorais e ampliar sua bancada no congresso e seus representantes municipais também.

Conclusão

Claro que um projeto político envolve diversas outras variáveis e com certeza outros fatores também contribuíram com a atual hegemonia do PT. No entanto,  a existência do Bolsa Família não me parece o ingrediente mais relevante. A oposição ao insistir nessa tecla, age de maneira míope e só contribui para que petistas colem neles a imagem de elitista e inimiga dos pobres.

Muitos dos ganhos que o Brasil conseguiu obter com o boom mundial, que durou até 2010, foi fruto de medidas liberalizantes, que permitiram a entrada de produtos estrangeiros de boa qualidade e baixo preço, a apreciação do Real, que significou uma elevação do poder de compra de todos e uma política monetária menos perdulária, que ajudou a manter a inflação relativamente baixa, protegendo a renda da população, especialmente dos mais pobres. Por fim, destaco ainda a criação da Lei Geral da Micro e Pequena Empesa, que ajudou a reduzir a indecente carga tributária sobre o pequenos negócios e facilitou a abertura de empresas.

Criação de dinheiro imaginário leva o Brasil para recessão

bombaO governo brasileiro vendeu seu futuro para ter alguns ganhos eleitorais no presente. O momento de acertar as contas está cada vez mais próximo. Para financiar seus crescentes gastos, o governo criou dinheiro via sistema bancário, chefiado pelo Banco Central (BC).

Dessa forma, o BC ligou sua impressora e inundou a economia de dinheiro (dinheiro eletrônico, diga-se). Esse recurso extra entrou no mercado, fomentou investimentos insustentáveis e fez a inflação aumentar. Com mais dinheiro em caixa, os bancos (os públicos principalemente) baratearam o crédito e estimularam o endividamento das famílias. Agora, no entanto, é hora de pagar a fatura. Dessa forma, o êxtase do final da primeira década dos anos 2000 vai pouco a pouco se transformando em um processo recessivo.

Nada nesse roteiro era imprevisível. A Escola Austríaca de Economia já explicou como essa combinação de governo perdulário, reservas fracionárias e injeção de dinheiro por parte do Banco Central leva a uma recessão. É a denominado Teoria dos Ciclos Econômicos.

Explicando melhor

Reservas fracionárias

Suponhamos que eu deposite R$2.000 em um banco. A instituição então decide guardar 20% (R$400) e emprestar o restante (R$1.600) para outro correntista. Eu continuo tendo R$2.000, mas não em dinheiro vivo e sim em dinheiro eletrônico. Com isso, o banco criou mais dinheiro do nada. Transformou R$2.000 em R$3.600.

Digamos que o outro correntista deposite os R$1.600 em outro banco, que faz o mesmo procedimento do primeiro: guarda 20% (R$320) e empresta a outra parte (R$1.280) para outro tomador de crédito. Resumo da ópera, os R$2.000 iniciais agora já  mais que dobraram (R$4.480), sendo que menos da metade dessa quantia é realmente lastreada em cédulas reais.

Esse mecanismo é chamado de reservas fracionárias. E é exatamente assim que opera nosso sistema bancário atualmente. Em um sistema normal, nenhum banqueiro se arriscaria a ficar criando dinheiro sem lastro, porque se os clientes resolvessem sacar o dinheiro ao mesmo tempo, o banco iria à falência.

Porém, na atual conjuntura, o Banco Central opera como financiador de última instância, garantindo a liquidez do sistema como um todo.

Taxa selic

Voltando ao exemplo anterior, vamos dizer que eu resolva sacar meus R$2.000 e meu banco tenha somente R$1.000 em caixa. Ele terá que pegar um empréstimo com outro banco a uma determinada taxa de juros. Essa taxa de juros interbancária no Brasil é a famosa Selic.

Quanto mais operações entre bancos houver, maior será a Selic. O Banco Central manipula essa taxa injetando ou não dinheiro na economia. Se ele quer baixar a Selic, ele injeta dinheiro nos bancos. Com isso ele diminui as operações no mercado interbancário e a taxa de juros cai. Já se o BC achar melhor a taxa subir, ele para de colocar dinheiro nos bancos ou aumenta o compulsório, que é o dinheiro que os bancos tem de manter em caixa. Com isso, as operações interbancárias aumentam e a taxa sobe.

De onde vem o dinheiro do Banco Central?

Você deve estar lendo esse texto e se perguntando de onde o Banco Central tira esse dinheiro todo?

O mecanismo funciona da seguinte maneira:

1) O governo não consegue se financiar somente com os impostos. Por isso, ele emite títulos da dívida pública e obriga o sistema bancário a criar dinheiro para comprá-los;

2) O Banco Central então quando quer injetar dinheiro no sistema bancário, para reduzir a Selic, imprime dinheiro para comprar os títulos da dívida em pose dos bancos.

Tsunami monetário

Todo esse dinheiro criado do nada entra na economia por meio de segmentos específicos. Por exemplo, no Brasil, o governo Dilma tem incentivado o crédito imobiliário. Dessa forma, todo esse montante de recurso vai financiar o investimento na construção de imóveis, que, em decorrência, incentiva outros setores conexos, como cimento, caminhões, pedreiros, mestres de obras, arquitetos etc.

Em um primeiro momento, o efeito da expansão da oferta monetária gera um aumento no investimento e no consumo, aumenta as contratações e o desemprego despenca. Nesse cenário, várias pessoas embarcam em empreendimentos que antes da expansão monetária tinham pouca demanda. Ou seja, esses investimentos duvidáveis parecem ser plausíveis nesse cenário de crédito barato e expansão do consumo e aumento da renda.

O tombo

Contudo, a expansão monetária tem um efeito colateral sério. Como o dinheiro é uma mercadoria como ciclo-economicoqualquer outra, o aumento desenfreado da oferta derruba seu preço. Em outras palavras, o dinheiro passa a valer menos e o poder de compra das pessoas fica comprometido.

A medida que a inflação sobe, os bancos se veem obrigados a elevar as taxas de juros para não perderem dinheiro. Nesse cenário de preços e juros altos, o que acontece é um aumento do endividamento. Os bancos passam a temer calotes e encarecem seus financiamentos.

Como resultado, aqueles empreendimentos que não seriam sustentáveis sem o crédito artificialmente barato começam a quebrar, o desemprego começa a subir e a renda das pessoas diminui. O consumo e o investimento se retraem e a economia para de crescer.

Diante desse quadro, o Banco Central só tem uma opção, diminuir a oferta monetária, para enxugar o excesso de dinheiro na economia e fazer a Selic subir para arrefecer o consumo e o investimento e fazer a inflação cair.

Brasil e os ciclos econômicos

De 1994 a 2012 a oferta monetária no Brasil cresceu 1.600%. Não é de se admirar que, no início do Real, fosse possível comprar um pão francês por R$0,01 e hoje ele está até 70 vezes mais caro.

Nos últimos quatro anos, de 2008 a 2012, a oferta monetária mais que duplicou. Isso explica o alto crescimento de 2010 (7,5%) e o baixo nível de desemprego (5,8%). Porém, a conta dessa expansão já chegou. Em 2011, o país cresceu 2,7% e em 2012 tivemos o pibinho de 0,9%, quase uma estagnação.

Os investimentos também emperraram e a concessão de crédito arrefeceu. A próxima vítima deve ser o principal trunfo do atual governo: a baixa taxa de desemprego. De acordo com o IBGE, depois de sucessivas quedas, a taxa teve um leve alta em abril, passou de 5,7% para 5,8%, e parou nesse patamar em maio. Outra notícia preocupante é que, segundo dados do Caged, maio teve a menor taxa de criação de vagas em 21 anos.

Diante desses dados, não é difícil deduzir em qual etapa do ciclo econômico a economia brasileira se encontra. E o futuro não parece alvissareiro. Quem vencer a eleição do ano que vem não terá muitos motivos para alegrar-se.

Assista abaixo a palestra do economista Leandro Roque, do Instituto Mises Brasil, para saber mais sobre os ciclos econômicos e a economia brasileira:

Inflação transfere dinheiro dos pobres para o bolso do governo

dilma mantegaPor mais que o governo diga o contrário, a inflação no Brasil está em patamares deveras preocupantes. O índice oficial, medido pelo IPCA, está quase ultrapassando o limite de tolerância, que é de 6,5% ao ano. Contudo, esse índice vem sendo administrado por meio de desonerações seletivas do governo, não fosse isso, ele estaria pelo menos meio ponto percentual acima, perto dos 7%.

Contudo, o IPCA esconde a verdadeira inflação, pois não contabiliza a alta dos preços dos serviços, que já passou de 8% ao ano. Isso inclui mensalidades de escola, serviços médicos, transporte escolar, restaurantes entre outros.

A face mais maléfica, no entanto, está na inflação de alimentos que se aproxima dos 15% ao ano e atinge com mais força exatamente a parcela mais pobre da população. De acordo com o economista chefe do banco Credit Suisse, Nilson Texeira, os gastos com alimentos representam um terço do orçamento das famílias das classes mais pobres, enquanto que nas mais ricas despesas com comida representam 15% do orçamento mensal.

Esse crescimento da inflação é resultado direto das ações do governo Dilma, mais especificamente do ministro Guido Mantega e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. São eles os artífices desse confisco do poder de compra da parcela mais desfavorecida dos brasileiros.

A inflação nada mais é do que o resultado de um excesso de impressão de moeda. Para evitar elevar impostos para custear seus infindáveis gastos, o governo imprime moeda, via Banco Central. O dinheiro é uma mercadoria como todas as outras, se a oferta aumenta, o valor cai. Em outras palavras, o governo retira renda do trabalhador para custear despesas estatais.

Enquanto o poder de compra dos cidadãos desaparece, Dilma, Mantega e Tombini têm a seu dispor mecanismo para expandirem oferta monetária sem nenhum tipo de lastro. Ou seja, criar dinheiro do nada.

Por ter esse poder, é que o governo rechaça qualquer tipo de corte nas despesas, patrocina obras superfaturadas e irriga o bolso dos aliados. Tudo isso é feito à custa dos cidadãos, que veem seu dinheiro, ganho com o suor do trabalho, perder valor mês após mês, em decorrência da inflação criminosa impulsionada por supostos representantes do povo.

Diante desse quadro, as manifestações não podem se contentar com a revogação do ínfimo aumento no transporte público. A luta tem um alvo muito mais expressivo. Quem realmente se preocupa com o bem estar dos mais pobres não pode admitir um governo que usa inflação para patrocinar um esquema perdulário de gastos públicos!

Ilusionismo elétrico

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O ministro Guido Mantega afirmou que o governo vai assegurar a redução de 20% na conta de luz. O ocupante da Fazenda afirmou que  o Tesouro vai bancar uma diferença entre R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões, relativa a quantia da Cemig, Cesp e Copel, que não aceitaram renovara as concessões.

Porém, vamos analisar um pouco. A fonte de renda do governo é taxação, ou seja, parte da renda da população     retirada por meio de impostos. Então, os R$2 a R$3 bilhões que o Tesouro vai usar para cobrir a diferença só podem existir de duas formas: tributação ou inflação.

Trocando em miúdos, para cumprir a promessa que a presidente Dilma fez em rede nacional, o governo vai retirar mais alguns bilhões dos contribuintes. Sendo mais claro, para colher os frutos político-eleitorais da suposta redução de 20% na conta de luz, o governo vai ter de elevar outros impostos, ou seja, vai dar com uma mão e tirar com a outra.

Como bem lembrou o economista Rodrigo Constantino, a carga tributária representa 45% da conta de luz. Porém, para baixar o preço, a equipe econômica não só não zerou os impostos, como também, como vimos, terá que elevar os tributos para cobrir o “investimento” do Tesouro.

Ao contrário do que prega a propaganda que vem sendo veiculada, ninguém é contrário à redução da conta de eletricidade. É preciso deixar claro, no entanto, que o que o governo está fazendo é ilusionismo econômico. Enquanto muitos estiverem comemorando a redução das tarifas de luz, poucos estarão prestando atenção na elevação de outros tributos e o governo vai estar capitalizando o truque a dois anos da eleição.

Interagir é obrigação

Eu comentei semana passada sobre a importância de saber andar pelo mundo virtual. Tentei mostrar a utilidade da internet para o mundo político, com o caso da reestruturação da Constituição da Islândia, que está sendo feita com a participação dos cidadãos pelo Facebook e pelo Twitter.

Estar na web e interagir com as pessoas, na minha visão, não é uma opção dos entes públicos, mas sim uma obrigação. É preciso reconhecer a internet como um espaço para prestação de serviços e aprofundamento da transparência.

Deve-se fazer uso de todas as funcionalidades permitidas para promover interação. Porém, temos visto iniciativas contrárias a essa premissa. Por exemplo, no blog do Planalto, o visitante não pode comentar as notícias. Dessa forma, ele deixa de ser um espaço de reflexão para tornar-se apenas um Diário Oficial mais descolado.

Além disso, é preciso utilizar as ferramentas de modo contínuo. Muitos políticos em época de eleição criam contas nas redes sociais para panfletar online. Porém, quando o certame acaba, o perfil nunca mais é atualizado. Se o candidato está ocupado demais para prestar informações por esse canal, o mais elegante é fechá-lo. A presidente Dilma, por exemplo, postou pela última vez no twitter em dezembro do ano passado.

Em comparação com Obama, ela está sete meses defasada. O presidente dos Estados Unidos, que virou referência em comunicação na internet, postou pela última vez ontem. A presidente está menos ativa até que outros presidentes menos “tecnológicos” como o da Venezuela, Hugo Chavez, que tuitou no último dia 6 e o presidente da Rússia, Andrei Medvedev, que postou há poucas horas.

Talvez seja por esse uso meio equivocado das potencialidades da internet que o ex-presidente Fernando Henrique (a moda do momento) defendeu, em artigo para a revista Interesse Nacional, que a oposição preparasse uma estratégia de comunicação nesse espaço para ganhar novos eleitores. Infelizmente, a observação de FHC ficou ofuscada pelo pedido infeliz (e um tanto preconceituoso) para que o PSDB esquecesse o “povão”.

Para não dizer que não falei das flores

Para não cair em uma crítica pura e simples, é importante ressaltar que há políticos tentando utilizar as mídias sociais para se comunicar e prestar contas com seus eleitores. Ainda está longe de ser um caso de sucesso, mas é um bom indício. Alguns exemplos são Marina Silva, Manuela D`Ávila e Cristovam Buarque. Além de interagir na conta do Twitter, os três tem bons sites e blogs.

Como eu disse em artigo anterior, quem não busca aprimorar a navegação na internet vira alvo de piratas.

Entre náufragos e piratas!

Se você não aprender a navegar, vai virar alvo de piratas

O mundo se digitalizou. Não é questão de negar culturas tradicionais, mas é preciso reconhecer que a internet se expandiu de tal forma, que é quase impossível pensar na evolução da humanidade sem essa ferramenta.

Alguns exemplos de como o mundo virtual vem se tornando cada vez mais real apareceram recentemente. A Islândia está reformulando sua Constituição utilizando o Facebook, o Twitter e o Youtube para permitir que todos os cidadãos possam opinar sobre as propostas. Além disso, todas as reuniões da assembléia constituinte estão sendo transmitidas ao vivo pela internet.

Outro  caso interessante vem da Ásia. O governo da Coréia do Sul decidiu substituir todos os livros didáticos por tablets. Com isso, além de tirar (literalmente) um peso das costas dos estudantes, os coreanos possibilitam que os alunos cresçam imersos nessa nova realidade e, dessa forma, pensem em novos modelos de negócios, baseados na economia criativa, tendo em vista que o país não conta com grandes riquezas naturais.

Para trazer a discussão um pouco mais próxima, posso citar os ataques que os sites do Governo brasileiro sofreram de crackers (hackers do mal) e o roubo dos e-mails da presidente Dilma na última semana. Pense bem, caro leitor, recentemente os órgãos do Poder Judiciário promoveram uma digitalização de quase todos os processos. Além disso, a Receita Federal passou a só aceitar declarações enviados pela internet. Seus dados bancários estão todos em bancos de dados virtuais entre outras coisas. A internet é um baú de tesouros e há muitos piratas a fim de enriquecer nesse mar virtual.

Então, assustado leitor, se você é daqueles que diz que a internet não é para você, que não se produz nada relevante na rede e que as pessoas “perdem” tempo preciso navegando por aqui, tome cuidado, pois você é um náufrago e não sabe!