Financie sua ideia sem precisar de bancos

Um dos principais obstáculos que um potencial empreendedor enfrenta para abrir o negócio é falta de linhas de crédito. Além disso, muitos consideram que é necessário investir muito para abrir uma empresa e acabam abortando a ideia.

Contudo, a pesquisa pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, a GEM 2010, que traça o perfil dos empreendedores no mundo, mostra que mais da metade dos empresários brasileiros precisaram de no máximo R$10 mil para abrir seus negócios. Esse dado mostra que ter sua própria empresa não é tão caro quanto se pensa.

A pesquisa mostra, no entanto, que a dificuldade de conseguir financiamento ainda é um impeditivo.Há poucas linhas de crédito para quem está começando um negócio. Poucos podem contar com os bancos na hora de abrir uma empresa. Dos que precisam pedir ajuda, 70,5% procuram alguém da família. Amigos ou vizinhos são a fonte complementar de recursos para outros 22,3%. O restante é financiado por investidores estranhos que têm uma boa ideia (3,8%), por colegas de trabalho (2,9%) ou por outros (0,6%).

Uma forma de viabilizar a abertura de empresas é o crowdfunding , que nada mais é do que o financiamento colaborativo. Atualmente, já existem na internet diversas plataformas que facilitam esse processo.Uma das mais conhecidas é o site Catarse. Lá, você cadastra seu projeto (eles só aceitam projetos, não é aberto para financiamento de empresas) e diz quanto precisa e em quanto tempo deseja arrecadar aquele dinheiro.

Cadastrado o projeto, é necessário fazer um vídeo e um texto explicativo da ideia para convencer as pessoas a doarem dinheiro para você. As doações podem ser feitas diretamente pelo site.

Para quem tem empresa e precisa de crédito, o Impulso é uma boa opção. Ele é voltado à concessão de microcrédito produtivo para ajudar pequenos negócios.

Além do Catarse e do Impulso, existem diversos outras plataformas de crowdfunding como o Benfeitoria, o Incentivador, o Morove.me, entre muitos outros. Um ponto importante a se destacar é que o crowdfunding é baseado na premissa de muitas pessoas doando pequenas quantias, ou seja, é junção de muitas que se prontificam a doar um pouco, mas que acabam ajudando muito!

Volta ao passado

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Hoje, eu li no Valor Econômico que, em 2010, as vendas de cinco commodities – minério de ferro, petróleo em bruto, soja (grão, farelo e óleo), açúcar (bruto e refinado) e complexo carnes – responderam por 43,4% do valor total exportado pelo Brasil.

Esse tipo de concentração é muito perigoso para o país, pois o preço desses produtos variam muito rapidaemente. Além disso, esses setores empregam pouco e com baixa remuneração. Além disso, nesses setores, o que predomina é a grande empresa. É um quadro que lembra o passado, quando o Brasil era muito dependente da exportação de produtos primários, por exemplo, o café.

Para combater esse cenário, o Sebrae tem que intensificar seu trabalho para que o país possa a exportar produtos de maior valor agregado. Um bom passo seria intensificar o programa de internacionalização de empresas da instituição.

Abaixo o site do programa de internacionalização de empresas

http://www.sebrae.com.br/customizado/internacionalizacao-da-micro-e-pequena-empresa

Concentração

Relatório de Inclusão Financeira do Banco Central ilustra a concentração dos canais de serviços finaceiros no Brasil. Só como exemplo, o Sudeste é sede de 10.946 agências bancárias. Se somarmos as agências de todas as outras regiões, chegamos a 8.884 agências. Ou seja, a região Sudeste é responsável por mais de 55% das agências no país. Só o estado de São Paulo possui mais de 6 mil.

Essa concentração é um dos focos de preocupação da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae, que busca promover e apoiar o desenvolvimento e a descentralização dos canais de acesso a serviços financeiros. Atualmente, a média de canais de acesso a serviços financeiros para cada 10 mil adultos é de 1,36. Contudo, enquanto no sudeste essa média alcança 1,75, no Norte e Nordeste fica bem abaixo da média nacional com 0,75 e 0,72 canais por 10 mil adultos, respectivamente.

Minha passagem pela unidade tem mostrado que a sustentabilidade financeira é a base das empresas. Porém, essa preocupação deve ser de todo o Sebrae, que deve estar integrado nos esforços pela inclusão financeira.

Para ler o Relatório de Inclusão Financeira do Banco Central acesse o link: http://www.bcb.gov.br/Nor/relincfin/relatorio_inclusao_financeira.pdf

Sebrae deve seguir o modelo da Embrapa

Nesta terça, o publicitário Nizan Guanaes destacou em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo o papel da Embrapa como produtora de inovações.

Acredito que o Sebrae tem todo o potencial de tornar-se referência em empreendedorismo e gestão de MPE, como é a Embrapa para a agricultura e a pecurária.

Em uma reunião, um colega comentou que muitos empreendedores buscam o Sebrae somente quando querem abrir o negócio, mas não usufruem dos serviços da entidade depois que a empresa passa a funcionar. Nesse período, os empresários passam a consultar mais o advogado e o contador.

Acredito que essa situação pode ser resultado da excelência de produtos do Sebrae que incentivam o empreendedorismo, como o Desafio Sebrae. O cidadão acaba conhecendo apenas parcialmente a papel da instituição.

Pesquisa do Sebrae mostrou que a principal fonte de informação dos empreendedores são os contadores, o Sebrae aparece somente em terceiro lugar, atrás ainda de amigos e familiares.

Acho que é necessário um esforço cada vez maior para disseminar os demais serviços da entidade e mostrar que o Sebrae pode ser um parceiro constante das MPE. Esse processo já teve início com o desenvolvimento e a divulgação de uma série de produtos voltados para empresas com mais de dois anos no mercado, chamado Sebrae Mais. Contudo, essa iniciativa deve ser ainda mais aprofundada, principalmnte no tocante à gestão financeira das empresas, que hoje é um ponto crítico.

Desenvolver cada vez mais inovações em todos os campos ligados à administração de empreendimentos e, principalemente, fortalecer e divulgar a existência desses produtos com um marketing orientado e uma padronização de lingugaem é o caminho para que o Sebrae torne-se um pólo de inovação, como é atualmente a Embrapa.

Conheça o Sebrae Mais:

Um mundo que se abre

Banco comunitário Palmas empresta a juros

Na semana passada, entre os dias 17 e 19 de novembro, foi realizado o II Fórum Banco Central de Inclusão Social. O Sebrae participou do evento como um dos organizadores e eu tive a chance de acompanhar os debates lá realizados. Porém, esse post não tem o objetivo de reportar o que foi discutido por lá.

Na verdade, eu gostaria de expressar minha alegria de ter participado do evento. Para mim, foi um ganho que transcendeu o campo profissional e ampliou minha visão de mundo. No campo da inclusão financeira, trabalha-se com o que se costuma chamar de “Brasil profundo”, ou seja, com a pobreza extrema.

Vou guardar para sempre a conversa de Sandra Magalhães, representante do banco comunitário Palmas, com o presidente Lula. Em sua fala, Sandra lembrou que o presidente havia visitado o banco Palmas antes mesmo de ser eleito para seu primeiro mandato.

O presidente em seu discurso retomou a lembrança e comentou que o banco havia lhe dado um cartão com crédito de R$15. Sandra logo corrigiu “foi de R$ 20, presidente” e acrescentou: “a gente deu crédito máximo para o senhor”.

Esse diálogo me fez refletir que há diversas  comunidades no país como a do conjunto Palmeira (Fortaleza/CE), sede do banco Palmas, onde R$20 representa uma quantia significativa para as famílias, que ao ter acesso a esse dinheiro, podem, por exemplo, garantir a comida dos filhos por uma semana.

Por isso, muito além dos conhecimentos técnicos, a participação no Fórum representou para mim um ganho de humanidade. O colega André Dantas costuma comentar que os trainees não devem ser treinados para atuar em unidades determinadas, mas para trabalhar em qualquer área do Sebrae. Posso dizer que esse evento me tornou não só um profissional mais capacitado, mas também um ser humano mais consciente, me “capacitou” para a vida.

A cobertura do II Fórum Banco Central de Inclusão Financeira está disponível no blog Pequenos Negócios e Finanças.

Abaixo dois vídeos. O primeiro sobre o Banco Palmas e o segundo, uma reportagem da TV NBR sobre o Fórum.

Finanças em dia melhoram a economia emocional

Estabilidade financeira dá tranquilidade para inovar

Em artigo para a revista, Le Monde Diplomatique Brasil, o sociólogo Jessé de Souza explica a expressão “economia emocional”. De acordo com Souza, o fato pessoas de famílias mais abastadas, que tiveram a oportunidade de ter contato mais bens culturais, tem uma perspectiva diferente da vida, compartilhando valores que lhes permitem conquistar empregos com remuneração suficiente para manter o mesmo padrão de vida.

O sociólogo explica que pessoas de faixas mais pobres tem mais dificuldade em ascender socialmente, pois não tiveram a mesma chance de usufruir de bens culturais. Essa falta faz com que essas pessoas tenham uma percepção diferente da realidade e acabem sem oportunidades.

Minha vivência aqui na Unidade de Serviços Financeiros (UASF) me permitiu perceber o quão importante é esse assunto na vida do empreendedor, tanto que uma das entregas que devo fazer é tornar o site da Unidade mais informativo para o público.

Por meio da experiência que estou tendo, consigo fazer uma analogia entre o pensamento de Souza e o universo das empresas. É possível dizer que o empreendedor que não tem um fluxo de caixa bem feito acaba gastando muito tempo tentando sanar esse problema e perde outras oportunidades de expandir o negócio.

Por isso, o trabalho do Sebrae na parte de acesso a serviços financeiros é tão relevante. O empresário que consegue resolver seus problemas financeiros pode focar outros pontos do negócio, como marketing, atendimento, entre outros.

O Sebrae não empresta dinheiro, mas presta consultoria e ajuda o empreendedor a ordenar o caixa de sua empresa, contribuindo para um aumento da economia emocional. A tranquilidade trazida pela estabilidade financeira permitirá ao empresário arriscar mais, o que abre caminho para inovação e aumenta a competitividade dos produtos.