A verdadeira face do empreendedorismo não se parece com o Vale do Silício

Por Vivian Giang*

Nos últimos anos, as histórias de empresários de tecnologia se tornando milionários parece indicar uma mudança completa de percepção da palavra “empreendedor” na América.

A definição de empreendedorismo hoje evoca imagens de nerds brilhantes que trabalham longe, nas suas startups, em um clima moderno e descolado até que um dia, eles são compraram incríveis $ 19 bilhões. Como não ter essa imagem quando todos nós lemos histórias de fundadores  de startups tecnológicas relativamente desconhecidos que, de repente, não precisam mais trabalhar para o resto de suas vidas?

Mas muito antes de Silicon Valley, Silicon Alley e Silicon Prairie, existia um grupo de pessoas que começou com apenas uma ideia, lutou incessantemente, levaram em frente uma inspirada transformação positiva e foram capazes de mudar o mundo de alguma maneira.

Empreendedores sempre foram absolutamente vital para a economia dos EUA e  seu trabalho e sucesso são essenciais para o sonho americano.

Atualmente, eles são em sua maioria homens brancos altamente educados, mas durante um tempo, a palavra empreendedorismo pertencia a imigrantes, mães solteiras e pais solteiros.

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“É muito fácil no mundo da tecnologia colocar um verniz de glamour sobre empreendedorismo e startups”, disse Cindy Gallop, fundador da IfWeRanTheWorld e MakeLoveNotPorn empresas. “Quando as pessoas dizem empreendedor e startup, eles pensam em Mark Zuckerberg e Facebook”.

“Há muitas pessoas neste país e ao redor do mundo que são empreendedores por necessidade”,  Gallop disse PolicyMic. “O que quero dizer com isto é, são pessoas que foram demitidas, que não conseguem encontrar um emprego, que não têm outra maneira de colocar comida na mesa,  cuidar de seus filhos, pagar o aluguel ou a hipoteca, a menos que eles trabalham por conta própria, porque ninguém vai contratá-los”.

Essas pessoas não são o Mark Zuckerberg 2.0. Eles são a mãe solteira que vende bolinhos de sua cozinha e, eventualmente, a padaria local ou pequeno mercado. Eles são o homem que está desempregado há tanto tempo, que já está agora no buraco negro do mercado de trabalho . Então ele faz trabalhos de marcenaria para fazer face às despesas. Ele eventualmente  transforma isso em um negócio em uma pequena marcenaria e, assim, consegue alimentar sua família.

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Estas pessoas trabalhadoras são exatamente os componentes da coluna vertebral com base na qual foi construído este país, mas o encantamento do Vale do Silício roubou completamente os  holofotes. Estudos mostram que empresas de imigrantes constituem uma enorme percentagem de pequenas empresas em todo o país. Na Califórnia, mais de 30% das pequenas empresas são de propriedade do imigrante e em Nova York, esse percentual é de cerca de um quarto.

Além disso, as pequenas empresas de propriedade de mulheres de minorias estão crescendo em um ritmo mais rápido do que qualquer outro grupo. Mas não estamos pensando sobre essas pessoas, quando pensamos sobre empreendedorismo. Nós temos fomos cegados pelas  luzes brilhantes do Vale do Silício e Silicon Alley, mas está na hora de colocamos o foco de volta nas pessoas que deram origem ao conceito  de empreendedorismo .

“Via de regra, você só deve começar um negócio se tiver paixão acima de tudo”, disse Gallop PolicyMic. “Há uma exceção a isso,  que é, se você é um empresário por necessidade, ou seja,  se você não tem outra escolha”.

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Para tentar mudar a atual definição de empreendedorismo, queremos contar as histórias dos rostos reais de empreendedores. Eles são essenciais para a nossa economia, porque eles são a força motriz por trás do crescente buraco fiscal da América.

Tradução: Pedro Valadares

* texto original disponível AQUI.

O Estado é o melhor amigo das grandes corporações

Batista, CEO of EBX Group, greets Brazil's President Rousseff as Rio de Janeiro's Governor Cabral looks on during a ceremony in celebration of the start of oil production of OGX in Rio de Janeiro

Alguns pensadores, como Rothbard, defenderam que o Estado surgiu como uma forma do grande capital cercear a competição e consegui benefícios e subsídios governamentais para benefício próprio. em outras palavras, a história do Estado poderia ser definida como um imenso conluio entre políticos e grandes corporações.

Essa visão pode ser evidenciada por diversos fatos recentes:

1) A colaboração das grandes empresas de telefonia e da internet, como Google e Facebook,  com a estratégia de espionagem do governo americano;

2) O fato da Caixa e do BNDES empregarem dinheiro público para ajudar Eike Batista a rolar sua dívida;

3) O caso do empresa Alstron que durante anos ofereceu propina em troca de licitações para o metrô;

4) O apoio do governo federal a Daniel Dantas na fusão da Brasil Telecom com a Oi;

Poderia citar aqui outros diversos casos dessa aliança espúria de grandes corporações com o governo. Apesar dessas múltiplas evidências, ainda há muitos liberais que tem uma visão romantizada dessas grandes empresas e acaba as defendendo de maneira quase religiosa.

A verdade é que para essas mega corporações não é interessante ter o mercado livre, porque ela corre o risco de perder espaço para novos entrantes. Consequentemente, ela procura o governo e clama por regulações, alegando que é para defender o consumidor, mas que na verdade só servem para criar barreiras para novos entrantes. O resultado é que os clientes têm seu leque de escolha reduzido e as empresas passam a prestar um serviço medíocre e a cobrar preços exorbitantes.

Um bom exemplo, que chamou muita atenção na semana passada, é o das passagens para a rota Rio-São Paulo, que durante a Copa do Mundo poderão custar mais de R$2.400. Esse aumento estratosférico de preços é resultado das regulações estatais, que impedem a entrada de novos empreendedores nesse setor e ajuda a potencializar o lucro de um oligopólio.

Muita gente culpa o capitalismo por essa situação e acredita que a melhor forma de combater esses abusos é dar ainda mais poder ao Estado, por meio de suas agências reguladoras. Contudo, a experiência já mostrou que o que essas agências fazem de melhor é criar ainda mais benefícios para regulados em detrimento dos usuários dos serviços.

Trata-se de um processo lógico: Por um lado, grandes corporações querem ampliar seus benefícios e garantir seu mercado consumidor. Quanto menos concorrência houver, mais fácil de atingir essa meta. Por outro, o governo possui poderes legais de criar regulações. Resultado, é mais fácil para as corporações investirem em lobbies com o governo, do que melhorar seus serviços para fidelizar seus consumidores. Para muitos políticos, é vantajoso criar regulações supostamente em prol dos consumidores e abocanhar parte dos lucros das empresas, em forma de financiamento de campanha por exemplo.

Conclusão, da próxima vez que você achar que está sendo vítima de abusos por parte de uma grande empresa, não clame por mais regulações estatais sobre ela. Defenda sim menos regulação e mais incentivo para surgimento de novas empresas. Somente a concorrência obriga empresas a respeitarem seus clientes. Quanto maior for o governo, mais atrativo será para grandes empresas investir em lobby para usar esse poder em benefício próprio.

 

Feliz aniversário, Ron Paul!

Ron Paul

Hoje, Ron Paul completa 78 anos. Para quem não o conhece, ele é político e médico estado unidense. Foi candidato à presidência dos Estados Unidos em três ocasiões 1998, 2008 e 2012.  Ele foi eleito para mandatos no Congresso americano em três períodos diferentes: de 1976 a 1977, de 1979 a 1985 e de 1997 a 2013.

Em toda sua carreira política, Ron Paul sempre lutou pelos direitos individuais, visando combater os abusos do estado sobre o indivíduo. Ele é um grande conhecedor da Escola Austríaca de Economia e, por isso, sempre se opôs às políticas inflacionárias e, principalmente à existência de um Banco Central, que é uma máquina de imprimir dinheiro e transferir riqueza dos cidadãos (especialmente os mais pobres) para o bolso de burocratas e políticos. Paul também é a favor do fim do imposto de renda, que pune o indivíduo por ser produtivo, e contra intervenções militares feitas pelo governo americano, que matam pessoas inocentes por conta de interesses políticos.

Entre as grandes realizações de Ron Paul, podemos destacar:

1) ele nunca votou a favor de um aumento de impostos;

2) ele nunca votou a favor de um orçamento público desbalanceado (com despesas maiores que as receitas);

3) ele nunca votou a favor de um aumento no salário dos parlamentares;

4)  ele nunca votou a favor de regulamentação para a internet;

5) ele votou contra a guerra do Iraque (mesmo contrariando o posicionamento do seu partido);

6) ele não participa do programa de pensão do congresso (não tem aposentadoria milionária paga com dinheiro público, como vossas excelências do Brasil);

7) ele devolve parte do orçamento do seu gabinete para o Tesouro americano.

Por fim, vale ressaltar que Ron Paul nunca mudou ou ocultou suas opiniões para ganhar votos. Ele sempre foi coerente com seu discurso e não fez concessões a grupos poderosos, nem aderiu posições populistas, mesmo que isso tenha acarretado três derrotas nas primárias para a a candidatura à presidência dos Estados Unidos. Isso, no entanto, não afetou em nada a admiração que muitos têm por ele. Poucos se lembraram dos outros candidatos republicanos, mas os ensinamentos de Ron Paul ajudaram a formar uma legião de defensores da liberdade e dos direitos individuais, como seu filho Rand Paul. Em suma, não faltam razões para desejar feliz aniversário a esse grande homem!

Obama deportou mais que Bush, espionou jornalistas e perseguiu opositores

obamaBarack Obama desfruta de um prestígio impressionante no Brasil e em algumas partes do mundo. Muitos o consideram um pacifista e defensor do multilateralismo. Mesmo com poucos dias de governo e sem ter realizado nenhuma ação, ele foi laureado com o prêmio Nobel da paz. Essa idealização do carismático presidente americano vem sofrendo um choque de realidade e aos poucos vê-se que, ao contrário do que parece, Obama não representa um novo caminho, mas sim uma nova roupagem para velhos vícios.

Nas últimas semanas, duas revelações abalaram a imagem do comandante em chefe. Descobriu-se que o governo americano grampeou os telefones da agência de notícias Associated Press em busca da fonte que estaria vazando informações consideradas confidenciais. A ação causou revolta em dezenas de organizações, incluindo algumas que ajudaram Obama a se reeleger, como meios de comunicação progressistas e sindicatos.

Além do caso de espionagem de jornalistas, foi revelado que o Internal Revenue Service (IRS), o fisco americano, perseguiu grupos do movimento oposicionista Tea Party, realizando investigações consideradas ilegais. Obama disse desconhecer o problema, porém, em audiência no Congresso, J. Russell George, inspetor-geral do Tesouro americano para a administração de impostos, afirmou que o governo havia sido informado sobre a operação cinco meses antes dela vir à tona.

Para piorar, os escândalos aparecem em um momento em que Obama vinha enfrentando críticas de muitos segmentos por conta do uso de aviões não tripulados, os chamados drones, em operações de contra terrorismo. Aqui no Brasil, muitos segmentos se revoltaram com uma operação policial dentro de uma zona pobre, na qual oficiais atiram em um traficante em uma perseguição em uma área residencial.

Os que se levantaram contra essa operação alegaram, acertadamente, que o fato de o traficante ter sido morto não justifica o risco que os moradores daquela área sofreram. A situação é exatamente igual aos drones, os aviões realimente ajudaram a abater muitos terroristas, mas no processo mataram mais de uma centena civis inocentes, incluindo mulheres e crianças. A semelhança entre as duas situações, no entanto, não é suficiente para que os indignados brasileiros se juntem ao coro pelo controle e pela transparência do política de assassinatos seletivos dos drones de Obama.

Outro equívoco é pensar que Obama é um defensor dos imigrantes. O atual governo deportou mais gente do que a administração de George W. Bush, tido como preconceituoso e autoritário. Mais de 2 milhões de estrangeiros foram obrigados a deixar os Estados Unidos por conta de ações do governo Obama. Nos quatro primeiros anos de mandato, o governo Obama deportou duas vezes mais imigrantes ilegais do que o de Bush (2001-2009) em dois mandatos.

Eu poderia aqui enumerar outras várias razões para não idolatrar Obama, como o fato de ele não ter fechado Guantánamo, a mania de culpar a oposição por todos seus fracassos, o não cumprimento da promessa de diminuir o desemprego para 5% entre outras tantas medidas discutíveis. Em suma, muita gente ainda admira aquela imagem que a equipe do presidente americano construiu na sua primeira eleição em 2008. Entretanto, após assumir o comando do país, Obama se revelou um político muito diferente, mas pouca gente notou isso por aqui…

O governo se endivida e os ricos levam a culpa

granaJá escrevi certa vez que o problema da pobreza não é das grandes fortunas. Porém, recentemente o governo francês implantou um imposto de 75% para os que tem rendimentos acima de um milhão de Euros por ano e a administração Obama tenta aprovar medida no mesmo caminho. Dessa forma, faz-se necessário voltar ao assunto para mostrar como essa ideia é populista, demagógica e, principalmente, inútil.

Muita gente tem raiva de milionários por acreditarem que seu dinheiro foi acumulado de forma ilegal. Se for esse o caso, a solução é reforçar a justiça e não tomar 3/4 dos rendimentos deles.

O que os governantes querem de verdade é pegar uma parcela da população como bode expiatório e tirar o foco do verdadeiro problema: o excesso de gastos públicos e de corrupção. Veja o caso francês, o governo aprovou medidas reduzindo a idade de aposentadoria de 62 para 60 anos, além disso estabeleceu um jornada de trabalho de 35 horas semanais. Isso sem contar auxílio desemprego eterno, o sistema de saúde majoritariamente gratuito e mais uma infinidade de subsídios para diversos outros setores e uma remuneração acima da média nacional para o funcionalismo público.

Não me entendam mal. Eu sou a favor de que todas as pessoas tenham uma vida confortável, porém tudo isso não é gratuito. Pior, a maioria das pessoas que usufruem desses benefícios não ajuda a financiá-los.

Por mais que os políticos tentem aparentar que uma falsa complexidade no que se refere ao orçamento público, a verdade é que ele funciona exatamente como um orçamento familiar comum. Ou seja, se você gasta mais do que ganha, sua dívida irá crescer. Se você é um endividado, os credores irão cobrar juros maiores, por conta do risco de inadimplência.

É preciso aqui acabar com uma farsa. Mesmo se os ricos passarem a pagar esse montante, isso não será suficiente para arcar com a dívida. A imposição desse imposto, como disse, visa somente passar a impressão de que alguma coisa está sendo feita.

Veja o tremendo mau exemplo que o poder público dá para a sociedade. Ele está dizendo, se você tem uma dívida, você não deve consumir menos e poupar para pagar seus credores, você deve sim pedir um aumento ao seu patrão e continuar levando uma vida acima da sua realidade financeira.

A diferença é que o governo não precisa pedir um aumento, ele pode simplesmente estabelecer um, como esse absurdo imposto de 75%! Sejamos razoáveis, por mais que você odeie milionários, não cabe em nenhum  senso de justiça de uma pessoa minimamente honesta retirar 3/4 do rendimento de um pessoa. Significa dizer que a cada R$4 que você ganha, o governo leva R$3.

Para fechar, eu disse no início deste texto que o imposto para grandes fortunas, além de ser populista e demagógico, era inútil. Ele tem uma efetividade bem restrita simplesmente porque frente a possibilidade de ter de entregar 75% do seus ganhos anuais a um governo descontrolado, o cidadão vai obviamente enviar seu dinheiro para um país que tenha uma tributação mais leve. É exatamente o que está acontecendo na França. Os milionários estão migrando para a Bélgica. Dessa forma é em terras belgas que eles irão consumir e é a economia de lá, e não da França, que irá crescer!

O lado ruim disso é que os políticos ao estabelecer esse absurdo causam desunião na própria sociedade, criando uma animosidade contra uma parcela da população que nenhum crime cometeu, além de ganhar dinheiro. Retomando o nosso exemplo do orçamento familiar, seria o mesmo de uma pessoa que se endivida, pedir um aumento para o chefe e, depois da recusa, difamar o patrão e dizer que ele não se importa com o bem estar da família do devedor. Ou seja, o governo cria o problema e empurra a culpa para pessoas que nada tiveram a ver com ele! Com certeza um medida que ajuda a criar uma sociedade mais justa, unida e solidária, só que não!

Para sair da crise, é preciso ouvir os silenciados

Vivemos um momento de quebra de paradigmas. Os grandes centros estão em crise. O Japão, que já vivia uma retração, sofre com desastres naturais. A Europa vê o zona do Euro balançar com um meio calote da Grécia e gigantes, como Espanha e Itália, em situações delicadas. Os Estados Unidos patinam com uma crise parlamentar e um nível de desemprego que insiste em se manter nas alturas.

Enquanto isso, a América Latina, tão criticada em passado recente, taxada de zona instável, vive uma fase de crescimento, estabilidade e vagas de emprego sobrando.

Aqui surge a questão deste post: se os latino americanos sempre tiveram como modelo da prosperidade países que hoje estão debilitados, quem guiará um novo modelo mais sustentável de desenvolvimento? A globalização difundiu o “american way of life” (o modo de vida americano) e ofereceu como alternativa o modelo europeu de bem-estar social. Dessa forma, os países em desenvolvimento sempre se pautaram por esses dois pacotes ideológicos e agora terão que dar vida a uma terceira via.

Na minha opinião, por mais estranho que possa parecer, o subsídio para esse novo modelo está nas regiões mais excluídas. Os grandes conglomerados urbanos já interiorizaram muito os modelos europeus e americano. Já as regiões excluídas, por terem recebido menos impactos da globalização, apresentam maior potencial inexplorado.

Então, no caso brasileiro, o modelo pode estar sendo gestado, por exemplo, dentro das regiões Norte e Nordeste. Os modelos do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste parecem muito influenciados já pelo pensamento vigente, que vem se mostrando infrutífero.

Pode ser que as crises nos grandes centros sejam apenas passageiras e que os velhos paradigmas se renovem. Também não se pode desconsiderar que a China tem mostrado um novo modo de desenvolvimento, que, no entanto, parece não mostrar um potencial distributivo para toda a riqueza que vem gerando.

De todo modo, quando o centro parece perdido, é preciso ouvir a voz da periferia.

Interagir é obrigação

Eu comentei semana passada sobre a importância de saber andar pelo mundo virtual. Tentei mostrar a utilidade da internet para o mundo político, com o caso da reestruturação da Constituição da Islândia, que está sendo feita com a participação dos cidadãos pelo Facebook e pelo Twitter.

Estar na web e interagir com as pessoas, na minha visão, não é uma opção dos entes públicos, mas sim uma obrigação. É preciso reconhecer a internet como um espaço para prestação de serviços e aprofundamento da transparência.

Deve-se fazer uso de todas as funcionalidades permitidas para promover interação. Porém, temos visto iniciativas contrárias a essa premissa. Por exemplo, no blog do Planalto, o visitante não pode comentar as notícias. Dessa forma, ele deixa de ser um espaço de reflexão para tornar-se apenas um Diário Oficial mais descolado.

Além disso, é preciso utilizar as ferramentas de modo contínuo. Muitos políticos em época de eleição criam contas nas redes sociais para panfletar online. Porém, quando o certame acaba, o perfil nunca mais é atualizado. Se o candidato está ocupado demais para prestar informações por esse canal, o mais elegante é fechá-lo. A presidente Dilma, por exemplo, postou pela última vez no twitter em dezembro do ano passado.

Em comparação com Obama, ela está sete meses defasada. O presidente dos Estados Unidos, que virou referência em comunicação na internet, postou pela última vez ontem. A presidente está menos ativa até que outros presidentes menos “tecnológicos” como o da Venezuela, Hugo Chavez, que tuitou no último dia 6 e o presidente da Rússia, Andrei Medvedev, que postou há poucas horas.

Talvez seja por esse uso meio equivocado das potencialidades da internet que o ex-presidente Fernando Henrique (a moda do momento) defendeu, em artigo para a revista Interesse Nacional, que a oposição preparasse uma estratégia de comunicação nesse espaço para ganhar novos eleitores. Infelizmente, a observação de FHC ficou ofuscada pelo pedido infeliz (e um tanto preconceituoso) para que o PSDB esquecesse o “povão”.

Para não dizer que não falei das flores

Para não cair em uma crítica pura e simples, é importante ressaltar que há políticos tentando utilizar as mídias sociais para se comunicar e prestar contas com seus eleitores. Ainda está longe de ser um caso de sucesso, mas é um bom indício. Alguns exemplos são Marina Silva, Manuela D`Ávila e Cristovam Buarque. Além de interagir na conta do Twitter, os três tem bons sites e blogs.

Como eu disse em artigo anterior, quem não busca aprimorar a navegação na internet vira alvo de piratas.

Bossa (re)nova

João Gilberto completou 80 anos. Porém, enquanto o músico envelhece, o estilo musical que inventou só se renova. A bossa nova marcou época e influenciou várias gerações de músicos, desde de Frank Sinatra, como já mostrei aqui, passando por Tim Maia, Roberto Carlos, Chico Buarque e desembocando em cantores mais jovens como Marcelo Camelo, Tulipa Ruiz, entre outros.

Até mesmo a tropicália, movimento que quis quebrar com os paradigmas “certinhos” da bossa nova, deve sua existência ao gênero criado por João Gilberto. Pois, se a bossa nova não existisse, o movimento não teria um estilo para se opor.

João Gilberto rodou o mundo deliciando plateias por todos os cantos do planeta, dos Estados Unidos ao Japão.

Fica aqui, então, a belíssima “Desafinado” na voz de Gilberto. Bom final de semana a todos!

Qual a relação de Saramago com Saquille O`Neal?

Craque da literatura

José Saramago uma vez disse: “todo mundo me diz que eu tenho que fazer exercícios. Que é bom para minha saúde. Porém, nunca se escutou nada que diga que um esportista tem que ler”. A observação do escritor português reflete as consequências de opor esporte e estudo.

No Brasil, muitas vezes ouvimos que um jogador, quando criança, deixava de ir à aula para ir jogar futebol, como se as duas atividades fossem incompatíveis. Porém, essa oposição é falsa. É totalmente possível conciliar um modelo educacional que prepare a estudante tanto para ser atleta, quanto para seguir outra carreira fora do esporte.

Shaq celebra sua pós graduação

Foi o que fizeram dois países com realidades inversas: Cuba e Estados Unidos. Nas duas nações, as escolas incentivam a prática esportiva associada a outras matérias. Isso faz com que, por exemplo, muitos atletas cubanos e americanos estejam preparados para outra profissão ao final de suas carreiras esportivas.

Um grande exemplo é o jogador de basquete Saquille O`Neal, que se aposentou hoje. Shaq é formado e pós-graduado. Além disso, é porta-voz do movimento “Ler é fundamental”.

Minha opinião é que o Governo brasileiro deve enxergar o esporte como uma prática de bem estar e não como um meio de formar atletas profissionais. Dessa forma, estaremos formando advogados, médicos, professores mais saudáveis e também atletas mais preparados.

Assista o vídeo de Shaq anunciando sua aposentadoria:

Bin Laden está morto, o terrorismo não!

O  presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, no início desta segunda-feira, a morte de Osama Bin Laden. Uma imensa multidão foi às ruas comemorar o fim do suposto chefe terrorista.

Porém, em um momento de comoção popular, é bom lembrar que a morte de Bin Laden só serve para saciar a sede de vingança do ataque de 11 de setembro de 2011. É muita ingenuidade pensar que a morte de Bin Laden botará fim às ações terroristas pelo mundo e acabará com as ameaças ao território norte americano. Sem a sombra do triunfalismo, a lógica mostra que o movimento terrorista não tem como chefe apenas o saudita.

Grande feito de Obama era plataforma principal de Bush

É preciso lembrar que os EUA foram vítimas de outros ataques de grupos variados, antes mesmo do nome de Bin Laden ficar famoso na mídia. Por fim, é incrível pensar que o feito que talvez mais dê força ao combalido governo de Obama, tenha sido exatamente um dos grandes pilares do infeliz governo Bush.

Obama colhe louros envelhecidos, que não se conectam com suas plataformas de campanha. Gostaria de fechar este post ressaltando que, apesar das ressalvas que fiz, a morte de Bin Laden entra para história. A partir de agora, temos um novo marco que servirá tanto para capitalizar as proezas do governo Obama, quanto para incentivar a formação de novas frentes extremistas islâmicas, muitas querendo vingar Bin Laden. Veremos o que nos espera!