A Redenção de Cachito Ramirez

Em 2011, o Corinthians foi eliminado na pré-Libertadores pelo pequeno Tolima do Colômbia. Um jogador ficou especialmente marcado, Luiz Ramirez. O peruano entrou no segundo tempo do jogo de volta e acabou expulso em um momento em que o time buscava uma reação.

A partir de então ele caiu em desgraça no Parque São Jorge e foi emprestado (e logo depois devolvido) para a Ponte Preta. Quando parecia que sua história estava fadada ao fracasso, Tite lhe deu uma oportunidade no fim de um jogo decisivo contra o Ceará e ele fez o gol da vitória, que manteve o Timão na liderança e permitiu um passo importante rumo ao título brasileiro.

Em 2011, o Corinthians foi eliminado na pré-Libertadores pelo pequeno Tolima do Colômbia. Um jogador ficou especialmente marcado, Luiz Ramirez. O peruano entrou no segundo tempo do jogo de volta e acabou expulso em um momento em que o time buscava uma reação. A partir de então ele caiu em desgraça no Parque São Jorge […]

via A Redenção de Cachito Ramirez — All Sports FC

Romário – o ingrato

RomárioSe para se tornar um jogador profissional de futebol fosse necessário tirar um registro junto ao Ministério do Trabalho, Romário conseguiria ir tão longe quanto foi? Levando em conta o histórico das ações estatais, o baixinho, nascido na favela do Jacaré, teria tido muita dificuldade para passar pelos crivos da burocracia ministerial.

O que permitiu o sucesso do atacante foi exatamente o fato de o mercado do futebol ser relativamente desregulamentado e ter pouca ou nenhuma barreira de entrada. Dessa forma, qualquer garoto talentoso, independentemente da condição socioeconômica, pode conseguir uma oportunidade.

Apesar de ter sido beneficiado pela falta de regulamentação e de intervenção estatal no mercado, Romário parece não ser grato. O agora deputado federal criou um projeto de lei que visa regulamentar profissões que têm relação com o movimento Hip Hop, como as de DJ, MC (mestre de cerimônias), rapper, grafiteiro e de atividades ligada ao beat box e à dança de rua.

O projeto submete o exercício das profissões à realização de cursos técnicos de capacitação profissional, em instituições reconhecidas pelo governo, ou então à comprovação do exercício das atividades de forma interrupta no ano anterior à publicação da lei, caso seja aprovada. De acordo com o parlamentar, o objetivo do projeto é proteger e reconhecer “o valor dos nossos jovens que vivem e respiram o Hip Hop, em todas as suas formas de expressão e ações sociais”.

Contudo, o que Romário está fazendo é defender interesses corporativistas de pessoas que querem criar uma reserva de mercado. Como explica Ron Paul, “em um estado corporativista, os membros do governo frequentemente agem em conluio com suas empresas favoritas — aquelas que têm boas conexões com o poder —, de modo a criar políticas que deem a essas empresas uma posição monopolista — tudo em detrimento da concorrência e dos consumidores”.

O movimento Hip Hop, assim como o futebol, é um mercado que cresceu focado no talento e no esforço individual. Essa liberdade trouxe inventividade e inovação ao segmento, o que permitiu que ele se expandisse e gerasse oportunidade para um número cada vez maior de pessoas. O projeto do baixinho, ao contrário do que ele prega, não irá valorizar a cultura. O mais provável é que a destrua. Como explica Brandon Maxwell, “o hip hop não se tornou uma potência comercial e cultural da noite para o dia. O livre-mercado agiu como um catalisador. O processo de mercado – competição, refinamento e crescimento – moldou o gênero e a cultura ao longo do tempo. Ele complementou o processo de gravação, mixagem e remasterização e auxiliou o hip hop a descobrir novos ouvintes. E, como ocorre no mercado, ajudou novos ouvintes a descobrir o estilo”.

Entregar na mão do estado o direito de decidir quem está e quem não está apto a trabalhar no mercado do Hip Hop é ceifar exatamente o elemento que mais vez esse ramo prosperar: a liberdade. Imagine um jovem talentoso morador de uma comunidade pobre que não tem tempo nem dinheiro para fazer os cursos necessários ou para tirar a carteira no ministério do trabalho? Ele estaria impedido de exercer seu dom ou então teria que fazê-lo correndo o risco de ser autuado por um burocrata.

Além disso, os consumidores também serão prejudicados caso haja regulamentação. Primeiro, porque haverá menos competição e assim os preços irão subir. Segundo, a qualidade do serviço também será prejudicada. Ou seja, Romário marcou um tremendo gol contra.

Texto publicado no Portal Liberatarianismo

Estado financia o amadorismo no futebol brasileiro

bom senso fcCom as recentes manifestações do movimento de jogadores profissionais de futebol Bom Senso FC, tem-se falado muito na profissionalização do futebol brasileiro. Uma das reivindicações dos atletas é o chamado fair play financeiro, que nada mais é do que pagar o que se deve por contrato. Por incrível que pareça, os jogadores têm que fazer um protesto para poder receber integralmente seu salário.

Uma situação como essa nunca seria aceitável em uma empresa, mas os clubes do país que mais ganhou Copas do Mundo têm que conviver com esse inacreditável amadorismo. A pergunta que fica diante dessa conjuntura é: por que isso acontece? A resposta mais clara e imediata é que o governo brasileiro alimenta esse modelo falido e sustenta pessoas sem capacidade administrativa, incentivando a irresponsabilidade.

A situação é a seguinte, vamos dizer que eu fosse regente de uma orquestra. Do dia para noite, para agradar os meus espectadores, eu resolvo contratar o tenor Plácido Domingos. Para fazer isso, eu ofereço a ele um salário astronômico, muito acima da capacidade de pagamento da minha entidade. Logicamente, eu não consigo pagar o famoso cantor e ele entra na justiça contra a orquestra e ganha uma indenização milionária. Dessa forma, a instituição passa a ter uma enorme dívida e eu, o administrador, fico em apuros.

Contudo, para minha sorte, um grupo de lobistas e deputados, decide criar uma loteria, a orquestra mania, para ajudar a saldar minha dívida. Como agora conto com essa nova fonte de renda, em vez de adotar um modelo mais responsável, decido investir em novas contratações bombásticas para agradar os fãs da orquestra e aumentar minha popularidade, o que contribuirá para me manter por mais tempo na chefia.

Mas, como não existe almoço grátis, logo meu dinheiro volta a escassear. Para resolver essa pendenga, eu recorro aos meus amigos no governo, que conseguem aprovar um refinanciamento da minha dívida, o chamado refis musical. Novamente estou salvo e com fôlego para novas medidas populistas e perdulárias, a custa do dinheiro dos pagadores de impostos. Entretanto, como meu modelo de administração não é sustentável, não consigo poupar o suficiente para pagar o que devo ao governo e, por conta dos juros, minha dívida vai crescendo infindavelmente.

Logo estou novamente em uma situação periclitante. Porém, quem tem amigos nunca está sozinho.E lá vem meus amigos do governo para aprovarem um projeto que perdoará para sempre minha dívida. Tudo em prol do papel histórico e social  da música e das orquestras no Brasil. Assim, nunca é necessário eu adotar um modelo equilibrado e profissional de gerenciamento. Posso continuar sempre gastando mais do que ganho, pois sempre haverá a mão visível do Estado para me socorrer. Outros administradores de orquestra, vendo meus privilégios, também passam a trabalhar da mesma maneira. Resultado, os pagadores de impostos (os mais pobres principalmente) financiam minha irresponsabilidade e permitem que tenha ganhos políticos e financeiros com isso.

A história da orquestra é exatamente o que acontece com nosso futebol atualmente. Cartolas têm uma linha de financiamento custeada pelos pagadores de impostos para sustentar o coronelismo e o amadorismo dentro dos clubes brasileiros. O governo, amparado pela bancada da bola, sempre estende a mão para esses grupo de corruptos inaptos, por meio de ações como a Timemania, o Refis e a tentativa de perdão da dívida. O discurso é que estão tentando preservar o futebol brasileiro, que tem um papel fundamental na sociedade. Contudo, o que acontece é exatamente o contrário. Quanto mais forte for essa aliança entre Estado e cartolas, mais os clubes brasileiros ficarão atolados no atraso e verão times de países com muito menos tradição, como o México, prosperarem e roubarem nossos bons futebolistas. Está mais que na hora do futebol brasileiro sofrer um choque de livre mercado e passar a ser mais eficiente e profissional.

Talentoso displicente x Ordinário dedicado

“Eu não tenho ídolos, tenho admiração por trabalho, dedicação e competência”, Ayn Rand.

No seu livro “Transformando suor em ouro“, Bernado Rezende, o Bernardinho, afirma que uma pessoa consciente de sua limitação, dedicada e disciplinada pode alcançar postos melhores do que uma talentosa, mas displicente.

Bernadinho usa a própria trajetória como exemplo, ele também lembra o caso de Cafu, que foi reprovado em oito peneiras, mas persistiu e acabou campeão de duas Copas do Mundo, uma delas como capitão. Enquanto isso há pessoas extremamente talentosas que desperdiçam oportunidades por falta de comprometimento.

Para mim, o personagem que melhor exemplifica a importância do trabalho duro e da dedicação, e que é pouco lembrado, é o Belletti, lateral reserva de Cafu na Copa de 2002. Ele não é um cara talentoso, mas soube entender o contexto e aproveitar uma baita oportunidade.

Originalmente, Belletti jogava de meio campo, porém percebendo que a seleção tinha uma carência na lateral direita, ele decidiu mudar de posição. Isso, no entanto, não bastava. Ele precisava se superar. Foi o que fez. Supriu a falta de técnica com um excelente preparo físico e muito treino.

Logo começou a se destacar, conseguiu uma convocação e uma transferência para o futebol europeu pra jogar no Celta de Vigo. Belletti também foi beneficiado, porque suas primeiras convocações aconteceram em um momento delicado da seleção, quando muitos jogadores decidiram não mais servir o time nacional. O lateral entendeu que se aceitasse representar o seleção em uma situação desfavorável, abriria espaço para ser chamado mais a frente.

Dessa forma, Belletti acabou convocado para a Copa do Mundo de 2002, sagrando-se campeão. Sua história de sucesso, no entanto, não se encerrou ali. Algumas pessoas podem argumentar que o jogador participou de apenas poucos minutos durante apenas um jogo do campeonato mundial.

Essa argumentação perde a validade no dia 17 de maio de 2006 em Paris, na final do maior campeonato de clubes do planeta, a Liga dos Campeões da UEFA, quando Belletti marcou, aos 36 minutos do 2º tempo, o gol do título do Barcelona sobre Arsenal da Inglaterra. Aquele era momento de coroação de um jogador nada brilhante, mas muito aplicado e comprometido.

Conto a história da carreira de Belletti para mostrar que não é preciso ser um virtuose para alcançar sucesso na carreira. Se você acha que não tem dom algum, não desanime, com esforço, dedicação e consciência das próprias limitações, você pode, por meio de trabalho duro, ter um caminho de muitas realizações. Então, mãos a obra que as oportunidades estão logo ali e só aproveita quem está preparado!

Inspire-se:

Bebidas alcoólicas não são a causa da violência nos estádios

O veto à venda de bebidas alcoólicas nos estádios é uma cortina de fumaça. O poder público fez uso dessa medida como um paliativo ineficiente para a questão da segurança pública e da impunidade.

Enquanto os delinquentes que participam de brigas não forem exemplarmente punidos, nada mudará. O que se vê são governantes e clubes tomando medidas ilusórias, para fingir que estão fazendo algo. Primeiro veio a proibição da venda de bebidas alcoólicas, agora vem a história de banir as organizadas. Já tem quase uma década que a venda bebida foi proibida e a violência não diminuiu.

Além disso, a proibição é uma medida paternalista, que trata os torcedores como seres inconsequentes, que precisam ser tutelados para não cometerem erros. Assim, os justos pagam pelos pecadores e os bandidos continuam livres.

É inexplicável esse tipo de posicionamento. Já ficou claro que punições fortes, diminuem demais o número de infrações. Um exemplo é a perda de mando de campo e a proibição da presença de torcida nos jogos, quando torcedores jogarem objetos em campo.

Depois que essa medida, que atinge a parte mais sensível dos clubes (o bolso), foi adotada quase não vemos mais por aqui pessoas jogando coisas no gramado.

Nos Estados Unidos, em todas as modalidades, bebidas são vendidas nos estádios, nos campeonatos europeus de futebol, também. Então, por que aqui os torcedores devem ser tutelados no seu consumo? Por que torcedores que assistem aos jogos em bares podem beber e os que assistem nos estádios, não? Qual a explicação?

Está mais do que na hora de punirmos realmente os bandidos que participam de brigas e passar a tratar os torcedores como cliente. Em 2003, quando da aprovação do Estatuto do Torcedor, o ex-presidente Lula disse que nunca mais o torcedor seria tratado como gado no Brasil.

Ele também alertou que “no Brasil, tem lei que pega e lei que não pega. Para a nova lei pegar, é preciso que as pessoas responsáveis desse País comecem a falar dela, comecem a alertar, para que o povo [torcedor] seja respeitado na sua cidadania”. Então, esse post é minha contribuição para que depois de 9 anos o estatuto passe a ser realmente respeitado e cumprido. Chega de paliativos!

86% dos jogadores de futebol ganham de 1 a 3 salários mínimos

A informação que está no título foi divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e demonstra como é mais difícil do que parece fazer fortuna jogando o esporte bretão. Para quem quer entender melhor os percalços dessa carreira, o livro do zagueiro do Corinthians, Paulo André, é leitura indispensável.

O fato do atleta ter escrito um livro, com estilo muito agradável, evidenciando sua intimidade com o mundo literário, para mim é o ponto alto. Em um mundo marcado por jogadores-celebridades, ler as palavras de alguém que exalta a dedicação à profissão e aos estudos é uma esperança.

Na obra, Paulo André conta as experiências de sua jornada desde os tempos de amador até a conquista do título brasileiro no ano passado. Ele explica como um jogador em iniciante pode cair nas mãos de um empresário mal intencionado e, de uma hora para outra, se ver forçado a se transferir para um clube para qual não deseja, por conta de uma maracutaia.

O zagueiro corintiano narra como foi enganado por um desses charlatães e se viu quase obrigado a ir jogar em um clube sob a pena de ter de pagar um multa milionária, com qual não poderia arcar de forma alguma.

O livro mostra ainda a diferença de tratamento dos atletas na Europa e no Brasil. Enquanto aqui, mesmo em clubes médios, os atletas são paparicados, com direito a chuteira sempre limpa, roupeiro à disposição, estrutura para se condicionar fisicamente entre outras mordomias, no velho continente a história é outra. Exige-se do atleta profissionalismo e seriedade, tendo ele mesmo que cuidar de seu material de treinamento, do seu preparo físico e da sua alimentação.

Outro ponto de destaque, esse a favor do futebol brasileiro, é a diferença das técnicas de preparação física, fisioterapia e medicina esportiva. Nesses quesitos, o país é uma referência. Paulo André conta que, quando foi jogar na França, ele e mais dois atletas contrataram um fisioterapeuta brasileiro e montaram uma academia na garagem da casa de um deles. Em pouco tempo, vários jogadores estavam viajando quilômetros para poder se tratar no centro “clandestino”.

Por fim, na última parte, o autor faz uma série de reflexões críticas sobre o meio futebolístico, principalmente no tocante à preparação dos jovens das categorias de base. Na visão de Paulo André, com a qual concordo plenamente, atletas mais novos deveriam receber uma capacitação mais ampla, que permita àqueles que não vingarem nos gramados seguirem outras carreiras que possibilitem bons salários.

O zagueiro relata a história de vários ex-companheiros de categorias de base que foram dispensados e acabaram sendo obrigados a seguir profissões que não possibilitam boa remuneração ou mesmo atletas que não conseguiram encontrar outro rumo e hoje vivem na miséria.

É inadmissível que um jovem seja obrigado a deixar sua casa aos 14 anos com a pressão de conseguir êxito para tirar a família da miséria. Esses meninos não tem preparo psicológico para tal. Muitos deles largam os estudos para se dedicarem totalmente ao futebol. O problema é que a maioria não alcança o estrelato e acaba chegando aos 19, 20 anos sem ter cursado nem o ensino fundamental. Uma tragédia que se esconde atrás do glamour dos grandes craques. Leitura mais do que indicada!

PS.: Paulo André tem também um blog, que merece muito ser visitado.

Abaixo um trecho da entrevista que Paulo André concedeu a Juca Kfouri 

Futebol e política – entre Michel Teló e Sócrates

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Depois que Cristiano Ronaldo, um dos jogadores mais conhecidos do mundo, dançou o rit “Ai se eu te pego”, o cantor Michel Teló alcançou o topo da lista de mais tocadas na Espanha. O mesmo aconteceu depois na Itália depois que Robinho e Alexandre Pato comemoraram seus gols no Milan com a coreografia.

Esse fenômeno demonstra o poder que os atletas tem de divulgar ideias e culturas. Sócrates, na época da Democracia Corintiana, já tinha consciência dessa visibilidade. Em seu livro, ele afirma que “o jogador de futebol nada mais é do que um representante de seu povo (…). eu sempre vi o futebol como algo muito mais grandioso do que é divulgado pela imprensa esportiva”. Porém, ele lamentava já naquela época a falta de visão de muitos boleiros. “O jogador de futebol não tem consciência de seu poder”. Ele atribuía essa falha à precária formação escolar de grande parte dos atletas. “Se você não tem informação, você não sabe o que existe além de você”.

Ele alertava para a influência que um jogador poderia exercer. “O atleta de futebol dos dias atuais é alguém com poder econômico e político nas mãos que todo mundo sonha em ter. Mas ele não sabe usar, pois não tem informação”.  Para Sócrates, o futebol poderia servir como um sistema de mobilização da sociedade. “A gente pode transformar a sociedade por meio do futebol. É o único meio, penso, que pode acelerar o processo de transformação da nossa sociedade porque é nossa maior identidade cultural”.

Juntando as pontas, imagine se o Governo e as entidades da sociedade civil trabalhassem mais próximos aos jogadores, alimentando-os com informações e contribuindo para mobilizar a sociedade em prol das grandes causas de interesse público? Esse processo tem um precedente muito relevante. A participação de alguns jogadores corintianos nas manifestações do movimento das Diretas Já e nas greves dos sindicalistas do ABC paulista. Naquela época, movimentos sociais, percebendo o engajamento dos atletas, buscaram se aproximar deles para darem mais visibilidade para suas causas.

Meu ponto é que, caso as pessoas continuem ignorar o poder mobilizador do futebol, vendo-o apenas como ópio do povo, continuaremos vendo a propagação de outros “ai se te pego”, o que não é ruim (pelo menos para o Michel Teló), mas é um baita desperdício de potencial.

O valor de um Pelé genuíno

Não seria mais legal ver Pelé comemorar o título vestido assim?

Escrevi na semana passada criticando o fato de Pelé ter usado um terno vermelho durante a comemoração do título santista na Libertadores da América, por conta de uma exigência do seu patrocinador, o Banco Santander.

Alguns leitores discordaram da minha opinião (o que é totalmente legítimo). Porém, gostaria que ficasse claro que em nenhum momento eu disse que Pelé não tem direito de ganhar dinheiro com sua imagem. Também não questionei as conquistas do Rei como jogador de futebol.

A grande questão é que Pelé é um dos atletas mais procurados por empresas para patrocínios. Então, acho que ele poderia negociar melhor os termos de seu contrato para torná-lo mais flexível.

Sinceramente, qual torcedor santista não preferiria ver Pelé entrar em campo com a camisa do time em vez de entrar com um terno vermelho? Já pensou ele comemorando o título com uma réplica do uniforme utilizado no campeonato de 1962? Depois, o Santander poderia utilizar essa imagem para mostrar que ele valoriza a essência do futebol. Na minha opinião, daria um retorno maior e os torcedores que acompanharam o título santista em 1962 ficariam felizes com o momento nostálgico.

O fato do Pelé ter entrado com o terno vermelho não é ilegal, só ofuscou um momento que poderia ser mais bem aproveitado. O Rei é uma figura de retorno imenso na mídia e, por isso mesmo, não precisa se submeter dessa forma ao patrocinador.

Para fechar essa discussão, gostaria de ressaltar que o fato de Pelé ter feito história no futebol não o torna uma pessoa inquestionável. Ele é um ser humano. Por isso, é falho, como todos nós.

Ronaldo e Palocci – a hora certa de parar

Este 7 de julho de 2011 será uma data lembrada por muito tempo. Não é sempre que no mesmo dia um ministro da Casa Civil pede demissão e o maior artilheiro da história das Copas do Mundo se despede da seleção.

Sem fazer juízos políticos, os dois personagens principais se assemelham por uma questão: parecem ter escolhido mal a hora de parar. No Brasil, atletas e políticos são figuras que atraem muita atenção. Quando estamos falando de um ex-ministro da fazenda e ex-ocupante da Casa Civil, essa exposição é ainda maior. Imagine então quando falamos de um jogador eleito três vezes o melhor do mundo no país do futebol?

Tanto Palocci como Ronaldo parecem ter passado do ponto certo de se aposentar. Ambos acabaram de certa forma prejudicando um pouco suas equipes. O Fenômeno contribuiu para a derrota corintiana na Libertadores e Palocci deu subsídios para que fisiologistas constrangessem o Governo.

Porém, é inegável que tanto o Corinthians, quanto o PT se beneficiaram da popularidade e do carisma dos dois recém aposentados. Outro ponto em comum e que, aparentemente, os dois se dedicarão a carreiras empresariais.

A comparação, no entanto, para por aqui. Pois, enquanto Ronaldo se despediu com festa no Pacaembu, Palocci saiu à francesa. Em um caso tivemos uma despedida, em outro um pedido de  demissão.No entanto, ambos já marcaram a história do país, cada a sua maneira.

Patrocinadores x televisão

Na final do campeonato brasileiro de basquete (NBB), após o jogo o jogador Márcio Cipriano dava entrevista com uma camisa com logos dos patrocinadores estrategicamente distribuídos para poder aparecer na televisão. Porém, o câmera deu um close para mostrar somente o rosto do atleta.

Essa luta, dos canais Globosat principalmente, contra mostrar marcas já levou muitas empresas a deixarem o esporte. É possível elencar várias como Leite Moça, Banespa entre tantas. Essa diretriz de impedir a citação do nome das marcas fica clara, quando Galvão Bueno chama a equipe de fórmula 1, Red Bull, de “RBR” ou quando chama o time Pão de Açucar de “PAEC”.

É uma prerrogativa da emissora adotar esse tipo de política para valorizar suas patrocinadoras oficiais.

Allianz Arena, nome da empresa em destaque

Contudo, muitas vezes essa atitude pode complicar muito a vida de atletas que estão começando e que dependem de pequenos patrocínios. Nesse ponto, pode-se identificar uma situação paradoxal.

Ao mesmo tempo que os canais dependem de atletas de destaque para ganharem audiência, esportistas dependem de patrocinadores para financiarem suas atividades. Se as emissoras espantam os patrocinadores, de alguma forma enfraquecem o esporte, que é uma mercadoria da própria emissora.

Pode-se enxergar essa situação também como uma maneira das emissoras de ganhar mais influência sobre os esportes, como é o caso do futebol.

Nos jogos da seleção, ninguém tem medo de dizer o nome da Emirates

Outro ponto importante é que muitos clubes pretendem financiar seus estádios por meio dos naming rights. Essa estratégia já é usada na europa. O estádio da final da Copa de 2006 era o Allinaz Arena e o local preferido pela seleção brasileira para sediar seus amistosos é o Emirates Stadium. O intrigante é que nos canais Globosat esses nomes nunca foram vetados ou escondidos. No entanto, no caso brasileiro, o Atlético Paranaense nunca conseguiu ter seu estádio chamado de Arena Kyocera, um dos motivos que levou a empresa a não renovar o contrato.

Eu não tenho uma solução para esse problema, minha intenção aqui é expor para não fingir que ele não existe.

Boa semana a todos!