O Estado é o melhor amigo das grandes corporações

Batista, CEO of EBX Group, greets Brazil's President Rousseff as Rio de Janeiro's Governor Cabral looks on during a ceremony in celebration of the start of oil production of OGX in Rio de Janeiro

Alguns pensadores, como Rothbard, defenderam que o Estado surgiu como uma forma do grande capital cercear a competição e consegui benefícios e subsídios governamentais para benefício próprio. em outras palavras, a história do Estado poderia ser definida como um imenso conluio entre políticos e grandes corporações.

Essa visão pode ser evidenciada por diversos fatos recentes:

1) A colaboração das grandes empresas de telefonia e da internet, como Google e Facebook,  com a estratégia de espionagem do governo americano;

2) O fato da Caixa e do BNDES empregarem dinheiro público para ajudar Eike Batista a rolar sua dívida;

3) O caso do empresa Alstron que durante anos ofereceu propina em troca de licitações para o metrô;

4) O apoio do governo federal a Daniel Dantas na fusão da Brasil Telecom com a Oi;

Poderia citar aqui outros diversos casos dessa aliança espúria de grandes corporações com o governo. Apesar dessas múltiplas evidências, ainda há muitos liberais que tem uma visão romantizada dessas grandes empresas e acaba as defendendo de maneira quase religiosa.

A verdade é que para essas mega corporações não é interessante ter o mercado livre, porque ela corre o risco de perder espaço para novos entrantes. Consequentemente, ela procura o governo e clama por regulações, alegando que é para defender o consumidor, mas que na verdade só servem para criar barreiras para novos entrantes. O resultado é que os clientes têm seu leque de escolha reduzido e as empresas passam a prestar um serviço medíocre e a cobrar preços exorbitantes.

Um bom exemplo, que chamou muita atenção na semana passada, é o das passagens para a rota Rio-São Paulo, que durante a Copa do Mundo poderão custar mais de R$2.400. Esse aumento estratosférico de preços é resultado das regulações estatais, que impedem a entrada de novos empreendedores nesse setor e ajuda a potencializar o lucro de um oligopólio.

Muita gente culpa o capitalismo por essa situação e acredita que a melhor forma de combater esses abusos é dar ainda mais poder ao Estado, por meio de suas agências reguladoras. Contudo, a experiência já mostrou que o que essas agências fazem de melhor é criar ainda mais benefícios para regulados em detrimento dos usuários dos serviços.

Trata-se de um processo lógico: Por um lado, grandes corporações querem ampliar seus benefícios e garantir seu mercado consumidor. Quanto menos concorrência houver, mais fácil de atingir essa meta. Por outro, o governo possui poderes legais de criar regulações. Resultado, é mais fácil para as corporações investirem em lobbies com o governo, do que melhorar seus serviços para fidelizar seus consumidores. Para muitos políticos, é vantajoso criar regulações supostamente em prol dos consumidores e abocanhar parte dos lucros das empresas, em forma de financiamento de campanha por exemplo.

Conclusão, da próxima vez que você achar que está sendo vítima de abusos por parte de uma grande empresa, não clame por mais regulações estatais sobre ela. Defenda sim menos regulação e mais incentivo para surgimento de novas empresas. Somente a concorrência obriga empresas a respeitarem seus clientes. Quanto maior for o governo, mais atrativo será para grandes empresas investir em lobby para usar esse poder em benefício próprio.

 

Geolocalização – enchendo o território de informação

Uma das grandes febres nas mídias sociais  e na navegação via celular é geolocalização. Muitas empresas utilizam, por exemplo, o Foursquare para atrair clientes e divulgar a marca pelas redes via recomendações dos consumidores.

Contudo, essa tecnologia não ficou restrita somente ao uso comercial, algumas prefeituras e administrações estaduais têm utilizado a ferramenta para abrir espaço para que os cidadãos possam acrescentar informações sobre a cidade ou sobre o estado. A lógica é simples: quase todo mundo tem acesso a internet e às mídias sociais, a navegação por meio de celulares está crescendo continuamente, logo as administrações ao dar voz para o cidadão, agrega dados sobre a situação da região e pode utilizá-los para formular políticas públicas.

O melhor exemplo dessa estratégia é a prefeitura de Porto Alegre. A administração criou, em parceria coma universidade Unisinos, uma plataforma colaborativa chamada PortoAlegre.cc. O cidadão pode por meio do perfil no Twitter, no Facebook ou no Google criar uma causa.

Segundo o site, uma causa “é algo que pode ser feito para melhorar um lugar em Porto Alegre. Quer uma cidade mais segura? Mais tranquila? Quem sabe, mais sustentável? Você pode ter uma ideia de como colocar isso em prática. E já imaginou que pode haver outras pessoas interessadas em ajudar em levar isso adiante? Mas as causas não se resumem a demandas e anseios. Uma causa pode ser criada para celebrar um lugar. Cadastre no site aquela galeria de arte bacana do seu bairro, o point do skate e do chimarrão”.

É uma das formas mais interessantes de promoção de uma participação, fazendo com que os cidadãos se apropriem dos problemas da cidade, troquem informações e divulguem os principais pontos do município. Além disso, por meio dos conteúdos postados, a prefeitura pode oferecer dicas customizada, baseada na localização de cada morador. Outros municípios também estão adotando iniciativas parecidas como Vila Velha no Espírito Santo, que também elaborou uma ação no Foursquare para divulgação de conteúdos.

Assista abaixo um vídeo sobre as utilidades do Foursquare:

Leia mais artigos sobre tecnologia AQUI.

Não mate o mensageiro

Uma Lei Antipirataria, que está para ser votada pelo congresso americano, prevê a punição das plataformas que veicularem produtos piratas. Intitulada Stop Online Piracy Act – SOPA – (“Pare Com A Pirataria Online”), a norma colocou em lados opostos grandes detentores de direitos autorais, como Warner, Paramount, Universal e Disney, e as companhias mais relevantes da web, como Google, Amazon, Facebook, Yahoo e Twitter.

Na minha visão, as empresas produtoras de conteúdo estão agindo de forma cínica e, escondendo-se por traz da bandeira dos direitos autorais, tentam impor barreiras aos produtores independentes de informação, que são os que mais se beneficiam com as plataformas de compartilhamento de conteúdo. Empresas maiores e com orçamentos mais vultuosos podem investir em propaganda paga, já blogueiros, como este que vos fala, não tem essa possibilidade.

Outro ponto a ser debatido é o modelo de comercialização de conteúdos. A internet permitiu que as pessoas consumam cultura de forma online e a preços muito mais acessíveis. O Netflix, por exemplo, criou um novo modelo online de aluguel de filmes. Grandes operadoras de TV a Cabo copiaram o modelo, o chamado on demand. Ou seja, novos modelos de comercializar estão surgindo das redes e estão tornando as plataformas sociais mais lucrativas e aposentando formas mais tradicionais de venda (a indústria fonográfica que o diga!).

Isso não é culpa da pirataria, é culpa da inovação. Como pregava o pesquisador canadense Marshall McLuhan, “as conseqüências sociais e pessoais de qualquer meio constituem o resultado do novo estalão introduzido em nossas vidas”. O estudioso explicou de uma forma visionária o que está acontecendo neste momento com a indústria de produção de conteúdo. “Os meios tecnológicos são recursos materiais ou matérias-primas, a mesmo título que o carvão, o algodão e o petróleo. Todos concordam em que uma sociedade cuja economia depende de um ou dois produtos básicos (…) apresentará como resultado determinados e evidentes padrões sociais de organização”. Ou seja, novas tecnologias implicam novas formas de encarar a sociedade e o mercado. Esse processo deve ser incentivado e não censurado por leis feitas para um mundo que já deixou de existir!

Para ler o SOPA na íntegra (em inglês), clique aqui.

Os perigos da “googlerização” da informação

Acredito que a maioria das pessoas que começam um blog o fazem para poder emitir opinião e ter voz própria sobre os fatos. Contudo, para buscar mais visibilidade, muitos (eu incluso) vão atrás de formas de melhorar o rankeamento nas buscas do Google. O WordPress possui inclusive uma ferramenta que identifica os termos que facilitam que motor de busca encontre seu texto.

Dessa forma, ficamos sugestionados a escrever mais sobre assuntos que são mais procurados e, sem perceber, abrimos mãos daquela ideia de voz própria que tínhamos quando começamos a escrever. O Google vai estabelencendo assim uma espécie de linha editorial da busca.

Não gosto de alimentar teorias conspiratórias. Sei que as busca sãofeitas por meio de algorítimos matemáticos, que refletem na maioria das vezes o interesse comum das pessoas, mas também não quero ser ingênuo de acreditar que a empresa, com seus compromissos econômicos, não influa de alguma forma nos resultados.

Alguns pesquisadores e blogueiros já falam do fenômeno da “googlerização” da informação. Ter um mecanismo que organiza e busca as informações de bancos de milhões de banco de dados é, com certeza, excelente. Contudo, não se pode esquecer que empresas tem interesses mercadológicos, como ficou evidente quando o Google passou a omitir informações do Facebook, um dos seus concorrentes diretos. Além disso, como já comentei em outro post, o Google tem uma divisão para patrocinar candidatos que representem seus interesses, o que aumenta as suspeitas sobre a imparcialidade dos resultados de busca da ferramenta.

Até onde vai a cultura FaceWorld?

O Facebook anunciou esta semana a criação de uma divisão para arrecadar recursos para financiamento de políticos que representem seus interesses. O Google já havia tomado a mesma decisão há pouco tempo. Na minha visão, essa medida explicita ainda mais a expansão do que eu chamo de cultura FaceWorld.

Esse fenômeno, em uma perspectiva mais ampla, diz respeito à associação entre grandes empresas de tecnologia de gestão de conteúdo e políticos. A prática de grandes empresas financiarem candidatos não é necessariamente nova, porém, quando se trata de empresas que lidam com informações e possuem quase a totalidade do mercado de compartilhamento e gestão de dados, essa estratégia toma rumos perigosos.

Por mais “sociais” que sejam, as empresas de tecnologia são privadas e tem interesses mercadológicos. Essa situação permite aventar a possibilidade de manipulação dos resultados de busca de informações na internet, ou das funpages e perfis do Facebook. Por trás da propagação da cultura do compartilhamento, podem se esconder estratégias obscuras, que colocam interesses empresariais acima do bem comum.

Empresas sem fronteiras

O mundo possui hoje aproximadamente 7 bilhões de habitantes. Mais de 2 bilhões possuem acesso à internet. Se considerarmos que um quarto desses navegantes escrevem um texto por ano, temos 500 milhões de ideias e interpretações.

Como você pode notar, raro leitor, produção de conteúdo não parece ser a maior preocupação das empresas de informação. O grande desafio para as empresas é atrair para seu campo de atuação o maior número de internautas, ou seja, é criar plataformas para agrupar informações e aproveitar a multiplicidade de olhares.

É nisso que se baseia o crowdsourcing. De acordo com o criador do termo, Jeff Howe, a estratégia é “pegar um trabalho tradicionalmente designado a um empregado e externá-lo para um grupo indefinido, e geralmente grande, de pessoas através de uma chamada aberta, geralmente pela internet”.

Essa é uma tática que ganhou popularidade com as facilidades de compartilhamento que a web proporciona, principalmente por meio das mídias sociais, mas não é algo totalmente novo. Se pensarmos, por exemplo, em uma revista de artigos acadêmicos, que abre editais para que vários pesquisadores inscrevam suas pesquisas, estamos tratando de um caso clássico de crowdsourcing.

É a velha máxima de que duas (no caso milhões) cabeças pensam melhor do que uma. A Apple, que se tornou a empresa mais valiosa do mundo, abre sua plataforma para que desenvolvedores de todo planeta criem aplicativos para seus iphones e ipads. Dessa forma, a companhia consegue manter um alto nível de criatividade, sem ter de gastar um tostão com contratação de pessoal.

A Apple cria um foco para a produção de conteúdo e faz milhares de pessoas trabalharem (e ganharem) para ela. Assim, tem-se um jogo de ganhos múltiplos. O consumidor ganha um produto inovador, desenvolvedores do mundo todo ganham chance de lucrar com a venda de seus aplicativos na loja virtual da Apple e a empresa ganha com a venda de aparelhos e com uma porcentagem sobre a venda de aplicativos.

Outras empresas de destaque também vem investindo nesse modelo como o Facebook, o Google e o própria WordPress, que hospeda estas palavras que você lê por aqui.

Esse processo de inovação aberta tende a aprofundar-se cada vez mais, tornando o mundo cada vez mais meritocrático.