Reservas internacionais – uma fixação

O governo brasileiro possui atualmente mais de 350 bilhões de dólares em reservas internacionais. Esse montante tende a crescer ainda mais, pois o Banco Central vem comprando dólar no mercado para evitar uma apreciação do Real. Como o Federal Reserve (Banco Central americano) está injetando dólares na economia por meio do chamado quantitative easing, que nada mais é do que a compra de títulos por meio da impressão de dinheiro, as reservas brasileiras logo, logo passarão de 400 bilhões de dólares.

O problema é que essas reservas tem um custo, qual seja, a diferença entre os juros que o governo paga sobre os recursos que tomou emprestados para comprar as reservas (juros sobre a dívida interna) e os juros que rendem as reservas internacionais. Atualmente, a maior parte das reservas brasileiras está aplicada em títulos da dívida americana, que rendem perto de zero por ano. Já a taxa Selic está em 7,25%. Ou seja, o governo paga aproximadamente 6,5% sobre o montante de dólares para financiar suas reservas.

De acordo com um levantamento feito pelo Bradesco, em 2011, esse gasto totalizou R$46 bilhões, que terão de ser pagos pelos contribuintes. A equipe econômica alega que as reservas protegem o Brasil em momentos de crise. Contudo, muitos analista dizem que para enfrentar o momento mais crítico em 2008, o governo necessitou de aproximadamente R$30 bi das reservas. Logo, percebe-se certo desperdício de recurso para arcar tal montante de dólares.

Há economistas que defendem que o Banco Central continue comprando dólares para evitar um apreciação do Real e proteger as exportações. Além disso, o governo alega ainda que a desvalorização do Real é legítima defesa contra a desvalorização do dólar.

Esse posicionamento me parece equivocado, primeiro pelo fato do governo proteger um setor (exportadores) em detrimento de outro (importadores). Essa medida além de prejudicar o consumidor, que se vê obrigado a adquirir produtos de menor qualidade por preços superiores, pressiona a inflação, ao impedir que produtos estrangeiros mais baratos entrem no país.

Outro prejuízo é que, analisando de forma mais aprofundada, percebe-se que a “legítima defesa” brasileira traz duplo prejuízo para o país, pois além de aumentar o gasto para financiamento das crescentes reservas internacionais, ainda injeta mais dinheiro no Banco Central americano, que por sua vez usará esse recurso para injetar mais dólares na economia, fomentando um ciclo que destrói paulatinamente o poder de compra dos cidadãos brasileiros.

Na minha opinião, uma medida mais efetiva para proteger a economia é firmar acordos bilaterais que permitam a comercialização sem usar o dólar. Já houve um quase acordo com a China, por exemplo, para que as trocas comerciais entre os países fossem feitas em Reais e Yuan. Dentro do próprio Mercosul isso já chegou a ocorrer. Assim, estaríamos tratando a doença e não os sintomas.

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Inflação à espreita

Em artigo publicado no Folha de S.Paulo, o doutor em economia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Adolfo Sachida, alertou para o perigo da volta da inflação no Brasil. O ponto principal apontado por ele é o aparente descaso do Ministério da Fazenda e do Banco Central com o cumprimento das metas de inflação.

Segundo Sachida, o governo tem se conformado com o fato da meta estar na margem de tolerância. Atualmente, a meta é 4,5%, mas existe um intervalo de dois pontos percentuais, que é tido como aceitável em anos em que ocorrem grandes choques econômicos. Em 2011, o índice fechou no teto da margem de tolerância (6,5%) e para este ano a previsão é que fique ainda acima dos 5%.

O perigo deste tipo de abordagem é que, ao não priorizar o atingimento da meta, o governo acaba “oficializando”  um novo patamar de inflação aceitável, dessa forma o país volta a ter que conviver com índices incômodos de aumento de preços.

Outro fator que causa preocupação, a meu ver, é o fato de o governo estar substituindo o regime de câmbio flutuante pelo de bandas cambiais. Ou seja, adota-se um intervalo de variação da moeda, considerado “benéfico” para as exportações brasileiras. Hoje, pode-se dizer que o Banco Central trabalha para manter a cotação Real/Dólar entre R$2 e R$2,10.

O problema é que os Estados Unidos, por estarem passando por uma crise, estão adotando uma medida para desvalorizar a própria moeda. O Brasil, ao fazer o mesmo, impede que os produtos importados sejam vendidos a preços mais baixos no país, o que é também um instrumento de controle da inflação.

Resumindo, o país passou por um período obscuro de sua história na época da hiperinflação. Por meio do plano real, do regime de metas de inflação e da instituição do câmbio flutuante, essa situação foi superada. Contudo, a atual política econômica vem flexibilizando esses pilares ao tolerar a inflação acima da meta e ao impedir que o Real se valorize, por meio da adoção de um regime de bandas cambiais. É ainda preocupante que a inflação esteja alta em um momento em o crescimento está em ritmo lento. A lógica indicaria o contrário.

Claro que estamos ainda distantes da alta de preços vista nos anos 80 e início dos 90, mas é necessário que o  governo não deixe que o poder de compra dos cidadãos se deteriore, caso contrário, corre-se o risco de perder muitas das conquistas obtidas nos últimos anos de bom crescimento.

Macapá é uma cidade para se conhecer a pé

Fortaleza de São José

Apesar do clima bastante impeditivo (35ºC + umidade acima dos 50%), não há como apreciar Macapá se não for caminhando. Pela belíssima orla, é possível admirar a grandeza do rio Amazonas e passar por monumentos históricos como a Fortaleza de São José, que demorou 18 anos para ser construída, e o famoso Marco Zero, que marca a linha imaginária que divide o mundo em dois hemisférios.

É andando a pé também que é possível ver as carências da cidade, como a falta de calçadas, o saneamento básico deficiente e o trânsito um tanto desordenado.

O Amapá é um estado com muitos recursos naturais e também um grande exportador de

Exportar recursos naturais pode ser uma doença para a economia local

recursos brutos. Esses dois fatores conjugados elevam o perigo do estado sofrer da chamada doença holandesa, quando o excesso de exportação de recursos naturais leva a desindustrialização do território.

É nesse sentido que eu considero que o Sebrae deve trabalhar o desenvolvimento territorial por aqui. É preciso fazer com que os recursos brutos sejam manufaturados dentro do estado, para que os produtos exportados possam ter mais valor agregado. Para que isso aconteça, é preciso renunciar ao trabalho aparentemente mais simples de extrativismo e  dos royalties das grandes empresas estrangeiras e incentivar o desenvolvimento da indústria local.

Interior me espera

Esta semana, visitarei os municípios de Pedra Branca do Amaparí e Serra do Navio. Estou ansioso para conhecer o trabalho desenvolvido pelo Sebrae-AP por lá, e ver como o Sebrae Nacional pode contribuir para a evolução do projeto!

Até a próxima, raro leitor!

Para refletir

Pesquisa do  economista e professor do Ibmec-RJ Sérgio Ferreira Guimarães estima que a “indústria” do tráfico de drogas emprega até 16 milhões de pessoas no Rio de Janeiro. São mais “empregados” do que a Petrobrás tem no estado.

O Plano Plurianual do Sistema Sebrae 2011 -2013 aponta que em 2010 as importações cresceram 45,1% e as exportações apenas 28,9%. Por esses números, é possível indicar que há mais produtos internacionais sendo consumidos no país. Se pesquisas recentes do PNAD indicam aumento do poder de compra do brasileiro, vê-se que esse potencial não tem sido plenamente aproveitado para expandir o mercado interno.

Fazendo um link entre o primeiro e o segundo parágrafo, é possível dizer que, se há mais mercadorias sendo produzidas fora do país, há menos trabalhadores brasileiros envolvidos na cadeia produtiva. Consequentemente, há menos postos de trabalho abertos no país. Pessoas desempregadas podem ficar mais sucetíveis à criminalidade.

Logo, o trabalho do Sebrae, ao disseminar o empreendedorismo, pode ser uma porta de entrada para que as pessoas, hoje “empregadas” pelo tráfico, entrem no mundo da legalidade. Vale lembrar que as micro e pequenas empresas são as maiores geradoras de postos de trabalho no Brasil. Fica a reflexão…