As privatizações ajudaram a acabar com a hiperinflação

charge_privatizar_ou_estatizarMais uma eleição presidencial se aproxima e, infelizmente, voltaremos a ver um candidato do PT dizer que o PSDB entregou o “patrimônio do povo brasileiro” ao setor privado no processo de privatização. É desanimador ver esse tipo de discussão, pois no Partido dos Trabalhadores há quadros qualificados que sabem que essa acusação é totalmente demagógica e mentirosa.

Para entender  o porquê é preciso voltar ao contexto da época. Durante um longo período, especialmente no período da ditadura militar (cujo modelo econômico inspira hoje nosso ministro da Fazenda, diga-se) o Estado brasileiro, em todas as suas instâncias gerou déficits públicos crescentes, que posteriormente passaram a ser financiados via desvalorização monetária. Em outras palavras, para poder pagar suas dívidas, os governos brasileiros seguiram dois caminhos: a) endividamento externo e b) impressão de moeda, que gera inflação de preços.

Esse hiper endividamento era resultado também  de um caminhão de empresas e bancos públicos, que oneram pesadamente o orçamento público, o que aumentava o déficit e alimentava o processo inflacionário. Nesse contexto, o Plano Real tinha duas estratégias principais para acabar com a inflação: a) diminuir a dívida pública, por meio, principalmente da venda de ativos para o setor privado (privatizações) e b) criar controles para o endividamento do governo em suas três instâncias, por meio, principalmente, da Lei de Responsabilidade Fiscal. Houve outras medidas muito importantes que não vou tratar aqui como a criação da URV, o câmbio fixo, entre outras.

Em outras palavras, a privatização de empresas públicas foi um passo decisivo para acabar com a estratosférica inflação que corroía o poder de compra do povo brasileiro e atrasa o progresso do país, porque inviabilizava qualquer tipo de planejamento de médio e longo prazo. Não houve nenhum aspecto ideológico envolvido. O PSDB está longe, muito longe de ser um partido liberal (ou, como preferem os petista, neoliberal). É um partido social democrata, de esquerda. As privatizações foram apenas um artifício usado para combater um cenário deplorável, algo contextual.

Então, se o PT deseja criticar as privatizações, deve ser claro e explicar que também preferia o antigo cenário, com inflação de mais de 1000% ao ano (é isso mesmo! Mil porcento. Eu não errei no número de zeros). Contudo, como disse antes, é claro que o PT sabe que repassar ativos para o setor privado é um mecanismo de controle da dívida pública. Tanto sabe que agora executa processos extremamente similares. Só muda o nome e a intensidade da transferência.

Seria muito mais honesto e produtivo que essa balela de entregar  o “patrimônio do povo brasileiro” fosse de vez enterrada para que o debate fosse sobre problemas e ameaças verdadeiras e não sobre espantalhos eleitorais. Uma coisa é dizer que o processo de privatização pode ser melhorado. Outra totalmente diferente é dizer que era viável ele não ter acontecido e omitir que foi um passo decisivo para acabar com a inflação e retirar milhões de brasileiros da pobreza em poucos meses. O progresso do Brasil depende da superação do amadorismo político que vem pautando nossas eleições nos últimos tempos.

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Governo canalha gera inflação e desemprego

inflação canalhaInflação pode sim gerar mais empregos, mas esse é um efeito ilusório e de curto prazo. No longo prazo, o que acontece é uma onda ainda maior de pessoas sem emprego. Antes de explicar como isso acontece, é importante esclarecer que inflação não é um simples aumento de preços. Se acontece uma seca inesperada, pode haver uma alta nos preços dos alimentos. Contudo, esse aumento não é inflação.

Inflação ocorre quando há um aumento na oferta monetária, ou seja, quando o estado decide, por meio do seu Banco Central, imprimir mais dinheiro sem lastro (para ler mais sobre como o governo imprime dinheiro para se sustentar, clique AQUI).  Um dos principais motivos que leva um governo a imprimir mais dinheiro é criar uma falsa sensação de pleno emprego.

À medida que há mais dinheiro à disposição, o crédito é artificialmente barateado. Esse processo ajuda a financiar empreendimentos insustentáveis, que não seriam realizados em condições normais. Esses negócios construídos com base no crédito barato vão certamente gerar mais empregos.

O leitor mais animado pode perguntar qual o problema da inflação. Afinal, se ela ajuda a criar empregos, não deveria ser considerada tão ruim assim. O grande problema é que a inflação distorce o mercado e prejudica os empreendimentos sustentáveis. Por exemplo, um empreendedor percebe que há uma demanda por pães em determinado local. Então, ele decide abrir uma padaria, que logo se torna rentável, por responder a uma demanda real dos consumidores. De repente, o governo decide imprimir dinheiro, barateando o crédito. Dessa forma, um aventureiro aproveita-se do financiamento a baixos preços e abre uma outra padaria no mesmo local.

Com isso, aquele cidadão que primeiramente enxergou a oportunidade de mercado é obrigado a elevar os salários dos seus empregados para não perdê-los para o novo concorrente. No entanto, essa elevação dos salários não reflete em ganho de produtividade. Ou seja, o padeiro passa a ganhar 10% a mais, mas continua a produzir a mesma quantidade de pães.

Dessa forma, o empreendimento passa a dar um retorno menor ou, até mesmo, a operar com prejuízo. Para remediar esse quadro, o dono da primeira padaria é obrigado a repassar o aumento para o consumidor final. Em outras palavras, o pão passa a custar mais caro. A questão é que não existe uma demanda real para as duas padarias. O segundo estabelecimento só é viável por conta da impressão de dinheiro feita pelo governo.

Em um primeiro momento, enquanto houver mão de obra ociosa, o dono da primeira padaria pode evitar elevar os salários de seus funcionários e assim aumentar os preços do seu produto. Contudo, a medida em que outras pessoas se aproveitam do crédito barato para abrir novos empreendimentos, a mão de obra vai ficando escassa e o aumento da oferta monetária começa a impactar os preços e gerar inflação.

Assim que os índices de inflação começam a subir, os bancos passam a encarecer o crédito para não perderem dinheiro. Nesse momento, aqueles empreendimentos que dependiam do financiamento barato começam a quebrar e o desemprego começa a subir. A grande tragédia é que não são só os empreendimentos insustentáveis que quebram. Aqueles que, antes do processo inflacionária, eram viáveis também quebram, pois veem o preço dos  seus insumos se elevar e são obrigados a pagar mais caro pela sua mão de obra. O resultado é uma taxa de desemprego ainda mais elevada do que a do período anterior ao aumento da impressão de dinheiro.

desempregoÉ essa armação desonesta que presenciamos hoje no Brasil. O governo aumentou a quantidade de dinheiro e barateou o crédito de forma artificial. Isso derrubou a taxa de desemprego a níveis historicamente baixos e ajudou os atuais donos do poder a conseguirem se manter no cargo.  Porém, como disse no início desse texto, esse mecanismo funciona somente no curto prazo. Agora é chegada a hora da fatura e o desemprego entrou em uma linha ascendente, como você pode ver na imagem ao lado, e deve continuar a subir por muito tempo.

A maldade de tudo isso é que aquele cidadão que conseguiu emprego em um empreendimento sustentado em crédito barato fez planos de longo prazo e decidiu pegar um financiamento para comprar uma casa nova, por exemplo. Agora, ele ficará desempregado e endividado, simplesmente porque um grupo político quis enganar a população para se manter no poder. O pior de tudo é que ainda se dizem defensores dos mais pobres. Canalhas!

Criação de dinheiro imaginário leva o Brasil para recessão

bombaO governo brasileiro vendeu seu futuro para ter alguns ganhos eleitorais no presente. O momento de acertar as contas está cada vez mais próximo. Para financiar seus crescentes gastos, o governo criou dinheiro via sistema bancário, chefiado pelo Banco Central (BC).

Dessa forma, o BC ligou sua impressora e inundou a economia de dinheiro (dinheiro eletrônico, diga-se). Esse recurso extra entrou no mercado, fomentou investimentos insustentáveis e fez a inflação aumentar. Com mais dinheiro em caixa, os bancos (os públicos principalemente) baratearam o crédito e estimularam o endividamento das famílias. Agora, no entanto, é hora de pagar a fatura. Dessa forma, o êxtase do final da primeira década dos anos 2000 vai pouco a pouco se transformando em um processo recessivo.

Nada nesse roteiro era imprevisível. A Escola Austríaca de Economia já explicou como essa combinação de governo perdulário, reservas fracionárias e injeção de dinheiro por parte do Banco Central leva a uma recessão. É a denominado Teoria dos Ciclos Econômicos.

Explicando melhor

Reservas fracionárias

Suponhamos que eu deposite R$2.000 em um banco. A instituição então decide guardar 20% (R$400) e emprestar o restante (R$1.600) para outro correntista. Eu continuo tendo R$2.000, mas não em dinheiro vivo e sim em dinheiro eletrônico. Com isso, o banco criou mais dinheiro do nada. Transformou R$2.000 em R$3.600.

Digamos que o outro correntista deposite os R$1.600 em outro banco, que faz o mesmo procedimento do primeiro: guarda 20% (R$320) e empresta a outra parte (R$1.280) para outro tomador de crédito. Resumo da ópera, os R$2.000 iniciais agora já  mais que dobraram (R$4.480), sendo que menos da metade dessa quantia é realmente lastreada em cédulas reais.

Esse mecanismo é chamado de reservas fracionárias. E é exatamente assim que opera nosso sistema bancário atualmente. Em um sistema normal, nenhum banqueiro se arriscaria a ficar criando dinheiro sem lastro, porque se os clientes resolvessem sacar o dinheiro ao mesmo tempo, o banco iria à falência.

Porém, na atual conjuntura, o Banco Central opera como financiador de última instância, garantindo a liquidez do sistema como um todo.

Taxa selic

Voltando ao exemplo anterior, vamos dizer que eu resolva sacar meus R$2.000 e meu banco tenha somente R$1.000 em caixa. Ele terá que pegar um empréstimo com outro banco a uma determinada taxa de juros. Essa taxa de juros interbancária no Brasil é a famosa Selic.

Quanto mais operações entre bancos houver, maior será a Selic. O Banco Central manipula essa taxa injetando ou não dinheiro na economia. Se ele quer baixar a Selic, ele injeta dinheiro nos bancos. Com isso ele diminui as operações no mercado interbancário e a taxa de juros cai. Já se o BC achar melhor a taxa subir, ele para de colocar dinheiro nos bancos ou aumenta o compulsório, que é o dinheiro que os bancos tem de manter em caixa. Com isso, as operações interbancárias aumentam e a taxa sobe.

De onde vem o dinheiro do Banco Central?

Você deve estar lendo esse texto e se perguntando de onde o Banco Central tira esse dinheiro todo?

O mecanismo funciona da seguinte maneira:

1) O governo não consegue se financiar somente com os impostos. Por isso, ele emite títulos da dívida pública e obriga o sistema bancário a criar dinheiro para comprá-los;

2) O Banco Central então quando quer injetar dinheiro no sistema bancário, para reduzir a Selic, imprime dinheiro para comprar os títulos da dívida em pose dos bancos.

Tsunami monetário

Todo esse dinheiro criado do nada entra na economia por meio de segmentos específicos. Por exemplo, no Brasil, o governo Dilma tem incentivado o crédito imobiliário. Dessa forma, todo esse montante de recurso vai financiar o investimento na construção de imóveis, que, em decorrência, incentiva outros setores conexos, como cimento, caminhões, pedreiros, mestres de obras, arquitetos etc.

Em um primeiro momento, o efeito da expansão da oferta monetária gera um aumento no investimento e no consumo, aumenta as contratações e o desemprego despenca. Nesse cenário, várias pessoas embarcam em empreendimentos que antes da expansão monetária tinham pouca demanda. Ou seja, esses investimentos duvidáveis parecem ser plausíveis nesse cenário de crédito barato e expansão do consumo e aumento da renda.

O tombo

Contudo, a expansão monetária tem um efeito colateral sério. Como o dinheiro é uma mercadoria como ciclo-economicoqualquer outra, o aumento desenfreado da oferta derruba seu preço. Em outras palavras, o dinheiro passa a valer menos e o poder de compra das pessoas fica comprometido.

A medida que a inflação sobe, os bancos se veem obrigados a elevar as taxas de juros para não perderem dinheiro. Nesse cenário de preços e juros altos, o que acontece é um aumento do endividamento. Os bancos passam a temer calotes e encarecem seus financiamentos.

Como resultado, aqueles empreendimentos que não seriam sustentáveis sem o crédito artificialmente barato começam a quebrar, o desemprego começa a subir e a renda das pessoas diminui. O consumo e o investimento se retraem e a economia para de crescer.

Diante desse quadro, o Banco Central só tem uma opção, diminuir a oferta monetária, para enxugar o excesso de dinheiro na economia e fazer a Selic subir para arrefecer o consumo e o investimento e fazer a inflação cair.

Brasil e os ciclos econômicos

De 1994 a 2012 a oferta monetária no Brasil cresceu 1.600%. Não é de se admirar que, no início do Real, fosse possível comprar um pão francês por R$0,01 e hoje ele está até 70 vezes mais caro.

Nos últimos quatro anos, de 2008 a 2012, a oferta monetária mais que duplicou. Isso explica o alto crescimento de 2010 (7,5%) e o baixo nível de desemprego (5,8%). Porém, a conta dessa expansão já chegou. Em 2011, o país cresceu 2,7% e em 2012 tivemos o pibinho de 0,9%, quase uma estagnação.

Os investimentos também emperraram e a concessão de crédito arrefeceu. A próxima vítima deve ser o principal trunfo do atual governo: a baixa taxa de desemprego. De acordo com o IBGE, depois de sucessivas quedas, a taxa teve um leve alta em abril, passou de 5,7% para 5,8%, e parou nesse patamar em maio. Outra notícia preocupante é que, segundo dados do Caged, maio teve a menor taxa de criação de vagas em 21 anos.

Diante desses dados, não é difícil deduzir em qual etapa do ciclo econômico a economia brasileira se encontra. E o futuro não parece alvissareiro. Quem vencer a eleição do ano que vem não terá muitos motivos para alegrar-se.

Assista abaixo a palestra do economista Leandro Roque, do Instituto Mises Brasil, para saber mais sobre os ciclos econômicos e a economia brasileira:

Inflação transfere dinheiro dos pobres para o bolso do governo

dilma mantegaPor mais que o governo diga o contrário, a inflação no Brasil está em patamares deveras preocupantes. O índice oficial, medido pelo IPCA, está quase ultrapassando o limite de tolerância, que é de 6,5% ao ano. Contudo, esse índice vem sendo administrado por meio de desonerações seletivas do governo, não fosse isso, ele estaria pelo menos meio ponto percentual acima, perto dos 7%.

Contudo, o IPCA esconde a verdadeira inflação, pois não contabiliza a alta dos preços dos serviços, que já passou de 8% ao ano. Isso inclui mensalidades de escola, serviços médicos, transporte escolar, restaurantes entre outros.

A face mais maléfica, no entanto, está na inflação de alimentos que se aproxima dos 15% ao ano e atinge com mais força exatamente a parcela mais pobre da população. De acordo com o economista chefe do banco Credit Suisse, Nilson Texeira, os gastos com alimentos representam um terço do orçamento das famílias das classes mais pobres, enquanto que nas mais ricas despesas com comida representam 15% do orçamento mensal.

Esse crescimento da inflação é resultado direto das ações do governo Dilma, mais especificamente do ministro Guido Mantega e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. São eles os artífices desse confisco do poder de compra da parcela mais desfavorecida dos brasileiros.

A inflação nada mais é do que o resultado de um excesso de impressão de moeda. Para evitar elevar impostos para custear seus infindáveis gastos, o governo imprime moeda, via Banco Central. O dinheiro é uma mercadoria como todas as outras, se a oferta aumenta, o valor cai. Em outras palavras, o governo retira renda do trabalhador para custear despesas estatais.

Enquanto o poder de compra dos cidadãos desaparece, Dilma, Mantega e Tombini têm a seu dispor mecanismo para expandirem oferta monetária sem nenhum tipo de lastro. Ou seja, criar dinheiro do nada.

Por ter esse poder, é que o governo rechaça qualquer tipo de corte nas despesas, patrocina obras superfaturadas e irriga o bolso dos aliados. Tudo isso é feito à custa dos cidadãos, que veem seu dinheiro, ganho com o suor do trabalho, perder valor mês após mês, em decorrência da inflação criminosa impulsionada por supostos representantes do povo.

Diante desse quadro, as manifestações não podem se contentar com a revogação do ínfimo aumento no transporte público. A luta tem um alvo muito mais expressivo. Quem realmente se preocupa com o bem estar dos mais pobres não pode admitir um governo que usa inflação para patrocinar um esquema perdulário de gastos públicos!

Economia brasileira nos tempos do overnight

ministro-guido-mantega-20120522-03-size-598O governo brasileiro está numa sinuca de bico. Depois de fazer festa em cima da baixa de juros e prometer um crescimento exuberante, agora tem que encarar falta de investimento e inflação ascendente. Porém, nada disso seria surpresa se a equipe econômica conhecesse melhor a escola austríaca de economia.

Vamos por partes. Ninguém em sã consciência é contra juros baratos. A questão é a taxa de juros reflete a disponibilidade de poupança, ou seja, é uma espécie de preço do dinheiro. Como qualquer preço, ele deveria refletir a questão de oferta e demanda, mas isso não aconteceu porque o governo manipulou o índice, gerando informações erradas para os empreendedores.

Quando os juros são baixados de forma artificial, como fez o Comitê de Política Monetária (Copom), a oferta por crédito aumenta rapidamente, porém, como não há recursos suficientes, o Banco Central é obrigado a imprimir dinheiro para manter a oferta alta e a taxa de juro baixa.

No entanto, o aumento artificial do crédito gera uma elevação generalizada nos preços, ou seja, inflação. Todos aqueles que viveram nos anos 80 e início dos anos 90 sabem que inflação desestimula poupança e gera uma corrida para o curto prazo. Quem não se lembra do famigerado overnight?

Se todos estão pensando no curto prazo, o que acontece? Seca de investimentos! Os bons empreendedores entendem que não é possível crescer baseado somente em expansão de crédito e consumo. Dessa forma, os empresários adiam investimentos, temendo perderem dinheiro mais a frente.

Explicando melhor: 1) o governo baixa a taxa de juros de maneira artificial; 2) o aumento na demanda por crédito obriga o Banco Central a imprimir mais dinheiro para manter; 3) iludidos pelos juros baixos, várias pessoas embarcam em projetos insustentáveis; 4) o excesso de oferta de crédito pressiona os preços e gera inflação; 5) para conter a elevação de preços o governo tem que elevar juros novamente; 6) com  o encarecimento do crédito, há uma queda no consumo; 7) os projetos insustentáveis começam a quebrar; 8) os investidores ficam receosos e param de investir; e 9) a país entra em período recessivo ou de estagnação. É o que a teoria austríaca chama de teoria dos ciclos econômicos.

Nada do que eu disse é novidade, qualquer um com um pouco de apresso pela lógica entende que não é possível gastar antes de poupar e que não há crescimento sustentado por endividamento. Uma hora as contas tem de ser pagas. E a hora do Brasil chegou.

Brasil sem maquiagem

botox278velhanoespelhoO Brasil tem vivido um momento de otimismo elevado nos últimos anos. Um crescimento médio de 4,5% no período de 2003 a 2010 ajudou a criar uma sensação de que o país entrou d evez na era da bonança e que o crescimento seguria forte infinitamente. Contudo, os fatos começaram a desmentir as versões.

O Governo, no entanto, no afã de consevar a popularidade tem divulgados dados um tanto questionáveis. Um deles, como aponta o eocnomista Adolfo Sachsida do Ipea, é a inflação. De acordo com projeções do Banco Central, ela fechará 2012 em 5,45%, ou seja, um ponto percentual acima da meta, que é 4,5%.

Porém, esse número não reflete a realidade. Como mostrou Sachsida, a metodologia de cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza o índice de inflação, foi alterado em 2012. Na metodologia antiga, a alta de preços estaria 0,3% maior. Ou seja, 5,75%. Não para por aí! A equipe econômica, na tentativa de esconder a inflação, tem se utilizado de artifícios tributários, como desonerações seletivas para setores que pressionam o preços. De acordo com o pesquisador do Ipea, mostra que se as isenções não tivessem sido empregadas, a inflação estaria outros 0,3% maior. Em suma, a inflação real deste ano é 6%, não os 5,45% divulgados pelo Banco Central.

Pleno emprego?

O país cresceu pouco mais de 2,5% ano passado, neste ano corre o risco de crescer menos de 1%. No entanto, as estatísticas de desemprego continuam caindo e batendo recordes históricos de baixa. Como é possível? O Economista Leandro Roque analisou a metodologia do IBGE para tentar encontrar a resposta.

O primeiro questionamento a surgir foi: como pode o levantamento do IBGE apontar um desmeprego de 5,3% e o da DIEESE apontar 10,5%? O que afinal o primeiro entende como emprego?

“Desde que comecei a prestar mais atenção no assunto — e, principalmente, desde que me inteirei melhor da metodologia —, perdi completamente o interesse pelo indicador.  Ele não indica nada.  A metodologia do IBGE é totalmente ridícula.  Um malabarista de semáforo é considerado empregado.  Um sujeito que vende bala no semáforo também está empregadíssimo.  Um sujeito que lavou o carro do vizinho na semana passada em troca de um favor é considerado empregado (ele entra na rubrica de ‘trabalhador não remunerado’).  Se um sujeito estava procurando emprego há 6 meses, não encontrou nada e desistiu temporariamente da procura, ele não está empregado mas também não é considerado desempregado.  Ele é um “desalentado”.  Como não entra na conta dos desempregados, ele não eleva o índice de desemprego”, explica Roque.

O IBGE divide a população economicamente ativa nas seguinte scategorias: Pessoas Desalentadas, Pessoas desocupadas, Pessoas Subocupadas por Insuficiência de Horas Trabalhadas, Pessoas Ocupadas com Rendimento/Hora menor que o Salário Mínimo/Hora, Pessoas Marginalmente Ligadas à PEA (População Economicamente Ativa).

Dessas, somente a taxa de “pessoas desocupadas” é considerada como desempregada. As desalentadas não contam e as outras são consideras empregadas. Roque fez um novo reagrupamento dessas categorias, consoiderando desempregodos os grupos:

1) pessoas desocupadas;

2) trabalhadores não remunerados;

3) pessoas com rendimento/hora menor que o salário mínimo/hora (aquele sujeito que faz vários bicos, mas cujo rendimento mensal é menor que o salário mínimo);

4) pessoas marginalmente ligadas à PEA (pessoas que não estavam trabalhando na semana da pesquisa mas que trabalharam em algum momento dos 358 dias anteriores à pesquisa e que estavam dispostas a trabalhar); e

5) pessoas desalentadas.

Resultado: taxa de desmeprego no mês de outubro foi de 21,4%. O que significa dizer que um em cada cinco brasileiros ou não tem emprego, ou tme uma ocupação precária que rende menos que um salário mínimo por mês.

Resumo da ópera: é inegável que o país está melhor do que a tempos atrás, até mesmo porque a demanda de gigantes como China e Índia por commodities ajuda a manter o Brasil no azul. Contudo, uma nação que convive com crescimento menor que 3%, inflação na casa de 6% e um quinto da força de trabalho desempregada ou em trabalho precário não pode sair pelo mundo querendo impor seu modelo econômico.

O Banco Central combate ou estimula a inflação?

Ao contrário do que diz o senso comum, a inflação não é um aumento de preços. A elevação dos valores é apenas uma consequência. A inflação é na verdade um aumento da base monetária sem lastro em riqueza. Ou seja, quando se expande o montante de dinheiro na economia, sem que isso tenha como base um aumento na produtividade.

Mas por que os preços sobem? Antes de tentar responder a essa pergunta, gostaria de deixar claro que não sou economista, sou um jornalista que se interessa pelo assunto. Voltando ao questionamento, os produtos ficam mais caros, porque o excesso de moeda corrói o poder de compra. É a lei da oferta e da procura. Se um bem passa a existir em abundância, o seu valor decai.

Logo, quanto mais moeda sem lastro em bens reais, menos poder de compra terá seu dinheiro. Dessa forma, como o dinheiro passa a valer menos, um comerciante precisará de mais capital para se sustentar, logo ele terá que aumentar os preços dos seus produtos. Perceba que a elevação não acontece do nada. Ela é desencadeada por um processo anterior, que é o aumento artificial da oferta monetária, também conhecido como inflação.

Mas quem aumenta a oferta de dinheiro? Na maioria dos países, inclusive no Brasil, o responsável pela impressão das notas é o Banco Central. Por isso, economistas da ala mais liberal afirmam que é o Estado que gera inflação, pois ele é o ente responsável pela oferta monetária. Logo, se há uma expansão que não está baseada na produtividade, a lógica aponta o BC como culpado.

Por que o Banco Central gera inflação? A mesma parcela de economistas liberais afirma que a inflação nada mais é do que uma forma de tributo. Ou seja, uma maneira do Estado financiar seus gastos. Aumentar impostos é uma medida antipopular, pois é muito evidente, não há como esconder.

Já a inflação possui efeito mais diluído e disfarçado. Dessa forma, o Banco Central imprime dinheiro para financiar o governo. O problema é que, a longo prazo, esse procedimento pode sair do controle e o paíspode cair em um período de hiperinflação, como aconteceu no Brasil nos anos 80 e 90.

Por conta da inflação, alguns políticos, como Ron Paul, defendem o fim dos Banco Centrais e do monopólio estatal sobre a impressão da moeda. O argumento é que se houver concorrência de moedas, os responsáveis pela impressão terão mais cuidado em não desvalorizar seu produto e vão evitar imprimir cédulas sem lastro.

Outra ala menos radical defende o retorno ao padrão-ouro, ou seja, o Banco Central só poderia imprimir dinheiro, se possuísse o mesmo montante em ouro lastreando a expansão.

Por fim, reforço que não sou um especialista, só acho essa visão bem lógica e quis compartilhar com os visitantes do blog. Se você discorda do exposto, vamos debater aqui na área de cometários.

Neste vídeo, Tio Patinhas explica como a expansão monetária sem base em riqueza real corrói o valor da moeda:

Inflação à espreita

Em artigo publicado no Folha de S.Paulo, o doutor em economia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Adolfo Sachida, alertou para o perigo da volta da inflação no Brasil. O ponto principal apontado por ele é o aparente descaso do Ministério da Fazenda e do Banco Central com o cumprimento das metas de inflação.

Segundo Sachida, o governo tem se conformado com o fato da meta estar na margem de tolerância. Atualmente, a meta é 4,5%, mas existe um intervalo de dois pontos percentuais, que é tido como aceitável em anos em que ocorrem grandes choques econômicos. Em 2011, o índice fechou no teto da margem de tolerância (6,5%) e para este ano a previsão é que fique ainda acima dos 5%.

O perigo deste tipo de abordagem é que, ao não priorizar o atingimento da meta, o governo acaba “oficializando”  um novo patamar de inflação aceitável, dessa forma o país volta a ter que conviver com índices incômodos de aumento de preços.

Outro fator que causa preocupação, a meu ver, é o fato de o governo estar substituindo o regime de câmbio flutuante pelo de bandas cambiais. Ou seja, adota-se um intervalo de variação da moeda, considerado “benéfico” para as exportações brasileiras. Hoje, pode-se dizer que o Banco Central trabalha para manter a cotação Real/Dólar entre R$2 e R$2,10.

O problema é que os Estados Unidos, por estarem passando por uma crise, estão adotando uma medida para desvalorizar a própria moeda. O Brasil, ao fazer o mesmo, impede que os produtos importados sejam vendidos a preços mais baixos no país, o que é também um instrumento de controle da inflação.

Resumindo, o país passou por um período obscuro de sua história na época da hiperinflação. Por meio do plano real, do regime de metas de inflação e da instituição do câmbio flutuante, essa situação foi superada. Contudo, a atual política econômica vem flexibilizando esses pilares ao tolerar a inflação acima da meta e ao impedir que o Real se valorize, por meio da adoção de um regime de bandas cambiais. É ainda preocupante que a inflação esteja alta em um momento em o crescimento está em ritmo lento. A lógica indicaria o contrário.

Claro que estamos ainda distantes da alta de preços vista nos anos 80 e início dos 90, mas é necessário que o  governo não deixe que o poder de compra dos cidadãos se deteriore, caso contrário, corre-se o risco de perder muitas das conquistas obtidas nos últimos anos de bom crescimento.

Extorquindo Brasília

Jack Johnson

O cantor norte americano Jack Johnson fará uma turnê pelo Brasil. Entre as cidades contempladas estão Recife e Brasília. Enquanto em Recife, o ingresso mais caro, com direito à área vip, custa R$250, na capital federal ele atinge a incrível marca de R$700 para camarotes e R$500 para pista premium.

Lá na capital pernambucana, o ingresso mais barato custa R$100. Na cidade candanga, a faixa mínima é R$130. Quem conhece o estacionamento do Mané Garrincha, local do show de Johnson em Brasília, sabe que se pagar o preço mínimo irá apenas ouvir o cantor tamanha será a distância do palco. Situação semelhante a quem mora nas cercanias do estádio e fará a mesma coisa de forma gratuita (embora obrigatória, diga-se).

Abordo esse assunto para tratar de um problema grave para os moradores da capital do país. Por aqui, foi iniciado um processo inflacionário que torna o custo de vida exorbitante. Cidades vizinhas como Goiânia e Campo Grande oferecem a mesma qualidade de vida por 65% do preço brasiliense.

O fato é que essa onda inflacionária criou uma espécie de salvo-conduto para que tudo seja super-valorizado, criando situações como a dos ingressos para o show do Jack Johnson. A solução, para mim, parece ser um boicote aos grandes eventos que abusam na hora de estabelecer o preço. Só assim os organizadores vão por o pé no chão.