O Youtube pode virar um oligopólio?

youtube

O Youtube é uma das redes que mais crescem no mundo. Isso tem atraído cada vez mais investidores. O investimento vem dobrando de m ano para o outro. O gasto médio subiu 60% e o investimento em programada 40%, segundo pesquisa realizada com as 100 maiores marcas globais pela consultoria Pixability.

A plataforma de vídeos é uma das poucas mídias sociais que divide lucro com seus usuários criadores de conteúdo. Isso atrai uma imensidão de gente que deseja fazer dinheiro e ganhar visibilidade. Contudo, com o crescimento exponencial de creators, as publicidade fica pulverizada e o RPM (receita por mil views) diminui.

A solução, além de buscar fontes alternativas ao adsense, tem sido se filiar a umanetwork, que são empresas que reúnem um conjunto de canais e oferece uma série de serviços de suporte, como consultoria na produção do conteúdo, negociação de direitos autorais e intermediação na venda de publicidade.

Nesse ponto é que está baseado o questionamento do título desse texto. Se está cada vez mais difícil se destacar sozinho no Youtube e as networks tem se apresentado como principais intermediárias na curadoria e promoção de canais, então a plataforma corre o risco de perder a seu charme de empoderar creators e se transformar em um oligopólio dominado por grandes networks? Existe um risco de concentração do pólo emissor? Isso pode levar ao controle dos conteúdos e à perda da criatividade?

Apesar de haver alguma possibilidade de isso acontecer, o grande impedimento desse movimento centrípeto é exatamente a inventividade e o empreendedorismo. Sempre haverá um gama imensa de pessoas talentosas empreendendo sozinhas ou em pequenas parcerias e oferecendo um conteúdo de qualidade. Como bem destacou o canal Youpix, vivemos atualmente o Creators Shift, ou seja, a era dos criadores independentes de conteúdo.

Economia brasileira nos tempos do overnight

ministro-guido-mantega-20120522-03-size-598O governo brasileiro está numa sinuca de bico. Depois de fazer festa em cima da baixa de juros e prometer um crescimento exuberante, agora tem que encarar falta de investimento e inflação ascendente. Porém, nada disso seria surpresa se a equipe econômica conhecesse melhor a escola austríaca de economia.

Vamos por partes. Ninguém em sã consciência é contra juros baratos. A questão é a taxa de juros reflete a disponibilidade de poupança, ou seja, é uma espécie de preço do dinheiro. Como qualquer preço, ele deveria refletir a questão de oferta e demanda, mas isso não aconteceu porque o governo manipulou o índice, gerando informações erradas para os empreendedores.

Quando os juros são baixados de forma artificial, como fez o Comitê de Política Monetária (Copom), a oferta por crédito aumenta rapidamente, porém, como não há recursos suficientes, o Banco Central é obrigado a imprimir dinheiro para manter a oferta alta e a taxa de juro baixa.

No entanto, o aumento artificial do crédito gera uma elevação generalizada nos preços, ou seja, inflação. Todos aqueles que viveram nos anos 80 e início dos anos 90 sabem que inflação desestimula poupança e gera uma corrida para o curto prazo. Quem não se lembra do famigerado overnight?

Se todos estão pensando no curto prazo, o que acontece? Seca de investimentos! Os bons empreendedores entendem que não é possível crescer baseado somente em expansão de crédito e consumo. Dessa forma, os empresários adiam investimentos, temendo perderem dinheiro mais a frente.

Explicando melhor: 1) o governo baixa a taxa de juros de maneira artificial; 2) o aumento na demanda por crédito obriga o Banco Central a imprimir mais dinheiro para manter; 3) iludidos pelos juros baixos, várias pessoas embarcam em projetos insustentáveis; 4) o excesso de oferta de crédito pressiona os preços e gera inflação; 5) para conter a elevação de preços o governo tem que elevar juros novamente; 6) com  o encarecimento do crédito, há uma queda no consumo; 7) os projetos insustentáveis começam a quebrar; 8) os investidores ficam receosos e param de investir; e 9) a país entra em período recessivo ou de estagnação. É o que a teoria austríaca chama de teoria dos ciclos econômicos.

Nada do que eu disse é novidade, qualquer um com um pouco de apresso pela lógica entende que não é possível gastar antes de poupar e que não há crescimento sustentado por endividamento. Uma hora as contas tem de ser pagas. E a hora do Brasil chegou.