Para tudo tem uma fórmula

O padrão de produção norte americano de matérias televisas é o dominante atualmente. Muitas universidades, porém, vem pecando ao omitir que outros modelos de telejornais mais populares também comunicam bem. Modelos marginalizados pelas elites muitas vezes são os que conseguem falar com a tão festejada nova classe média. Esse grupo está muito mais para Brasil Urgente, com o âncora conduzindo em um estilo mais pessoal e opinativo, do que para Jornal Nacional, que preza pela impessoalidade e a informação seca.

No vídeo abaixo, o comediante Rafinha Bastos disseca o modelo americano de matérias televisivas

No vídeo abaixo, o apresentador do jornal do filme Tropa de elite 2 que representa o formato mais popular:

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Estereótipos – todo mundo tem os seus

Hoje foi votado e aprovado o tão polêmico Código Florestal. Porém, não vou entrar nos meandros da legislação e discutir se a votação foi prudente ou não. Em grandes acontecimentos, o jornalismo vira a arena de disputa de ideias e fica mais clara uma estratégica argumentativa, que habita os periódicos diariamente: os estereótipos.

Foi só a discussão esquentar e  a imprensa simplificou a discussão, dividindo os discursos em apenas dois grupos, ruralista e ambientalista. Não, ao contrário do que o apressado leitor possa pensar, eu não criticarei a superficialidade das informações.

Quero mostrar que os estereótipos nada mais são do que uma estratégia para a construção retórica, da qual todos, em graus diferentes, fazem uso. Nilson Lage explica a repetição incessante dessa construção. Segundo o teórico, as pessoas utilizam os estereótipos, porque “tais modelos estão prontos; sua aceitação é garantida. Por isso, bastam alguns pontos em comum para que se funde um reconhecimento. É por esse meio que se instaura a generalidade do particular e as notícias tornam-se exemplos de algo sobre o que há consenso ideológico”. Continuar lendo

Desenvolvimento exige superação do “complexo de vira-latas”

“Por ‘complexo de vira-latas’ entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. (Nelson Rodrigues)

Não basta crescer, tem que acreditar

Muito se diz sobre a ascensão do Brasil e seu ganho de visibilidade mundial. Para se tornar um país desenvolvido e deixar de vez o grupo dos em desenvolvimentos, não basta erradicar a pobreza, melhorar a educação e a infraestrutura. Também é preciso que o brasileiro passe a se sentir um habitante de país desenvolvido.

Essa classificação tem um lado econômico, mas há um lado ideológico que a sustenta. Quantas vezes países do grupo dos desenvolvidos bloquearam o Brasil com a desculpa de que somos um país em desenvolvimento? Isso acontece pela força política de nações poderosas, mas também por uma espécie de “submissão” do Brasil.

Um exemplo prático dessa situação aconteceu nesta última semana. Na sexta-feira, os principais portais noticiosos do país deram destaque a uma declaração do diretor americano Wood Allen dizendo que entre seus autores favoritos estava Machado de Assis.

Será que se o cineasta americano tivesse dado a mesma declaração a respeito de Miguel de Cervantes, os jornais espanhóis dariam tanto destaque? Da maneira como o fato foi alardeado, ficou parecendo que Machado de Assis só passou a ser um grande escritor após Allen chancelar tal posição.

A notícia se espalhou rapidamente pelas redes sociais em um misto de comemoração e de surpresa. É claro que Wood Allen é um grande intelectual, um profissional de primeira linha e é significativo que Machado de Assis faça parte de sua formação. Contudo, uma das características de países ditos desenvolvidos é autorreferenciação e a naturalidade com que consideram que sua cultura é de domínio global.

A sociedade brasileira vem ganhando muito em autoestima nos últimos anos, porém esse processo deve ser intensificado para que o crescimento do país tenha uma forte sustentação ideológica também. Ser desenvolvido passa por sentir-se desenvolvido também!

PS.: O termo “complexo de vira-latas” foi cunhado pelo cronista Nelson Rodrigues, em texto com o mesmo título.

Revisores x jornalistas

No mês passado, defendi minha tese de especialização em Revisão de Texto. Minha teoria é que há espaço na cadeia de produção do jornalismo para a inserção de revisores de textos. Porém, no decorrer da minha pesquisa, acabei buscando identificar as estruturas sintáticas padrões do jornalismo para instrumentalizar o profissional de revisão para trabalhar em redações de jornais.

De acordo com o teórico Nilson Lage, existe uma forma de escrita sistematizada no jornalismo. Essa fórmula está amparada em três pilares principais: o uso da voz ativa, da ordem direta e o empregado de sentenças curtas. Para exemplificar minha hipótese comparei exemplares do jornal Folha de S.Paulo em dois períodos distintos.

O primeiro foi durante o governo Vargas, de 1934 a 1945, quando a população brasileira era majoritariamente rural e o jornal impresso era o principal meio de divulgação de notícias. O segundo foi a fase de redemocratização, de 1989 a 2009. Nesse período, a população brasileira passou a ser quase totalmente urbana e a televisão ascendeu a principal meio de comunicação, seguida pelo rádio e pela internet.

Para conferir os resultados dessa pesquisa basta clicar na link abaixo:
Monografia Pedro Valadares

Produto x português

 

 

Revisão é tarefa árdua. Até para os próprios revisores (a grafia correta é "hífen")

Já escrevi anteriormente sobre como os erros de português podem afetar na credibilidade de uma pessoa. Antes gostaria de explicar que, quando falo em erro, refiro-me a uma infração  de uma norma tida como padrão.

Na construção de um curso online, muitas pessoas são envolvidas: gestores, conteúdistas, pedagogos, profissionais de TI, entre outros. Porém, para que o produto se aproxime cada vez mais da excelência total, é importante dar atenção também ao revisor de texto.

Em muitas situações, outras pessoas, que não tem como prioridade revisar os textos dos cursos, acabam recebendo essa incumbência. Dessa forma, a revisão pode acabar não recebendo a atenção necessária.

É extremamente importante disponibilizar bons conteúdos e procurar formas mais amigáveis e atrativas de apresentação. Contudo, a escrita é a “cara” de um produto de conhecimento.

Não se preocupar com a correção textual é o mesmo que produzir um excelente vinho e vendê-lo dentro de uma caixa de sapato. Muitas vezes, ao se deparar com erros de português, o leitor perde a confiança no texto e desiste de ler.

A consultora Maria Valéria, acertadamente, sempre nos alertas para os erros de português em nossos blogs. Dessa forma, gostaria por meio desse post, fazer um pedido para que os textos dos cursos online sejam tratados com mais cuidado.

Blog interessante sobre o papel do revisor: http://cadeorevisor.wordpress.com/

Para se divertir: