Maria Montessori – uma educadora libertária

mariamontessoriEscolas deveriam ser centros de produção e compartilhamento de conhecimento, tendo como objetivo contribuir para que os estudantes pudessem adquirir novas habilidades e desenvolver seu senso crítico e sua autonomia. Contudo, a medida que os governantes percebem que pessoas mais educadas se tornavam menos conformistas e mais questionadoras, eles desvirtuaram o objetivo inicial das escolas e as transformaram quase em centros de doutrinamento.

Em algumas épocas e locais esse processo foi mais ou menos intenso. Por exemplo, Hitler soube utilizar muito bem o sistema de ensino para difundir sua doutrina antissemita e estatista. O mesmo ocorreu na Rússia de Lenin e Stálin, na Itália de Mussolini e em Cuba, dos irmãos Castro.

Para potencializar a difusão de sua ideologia, os governantes burocratizaram as escolas, dividindo turmas por faixa etária, compartimentalizando o ensino em matérias  (matemática, filosofia, história etc) e criando estruturas físicas pré concebidas, que colocam o professor como uma autoridade monopolizadora do saber. Dessa forma, fica mais fácil de controlar os estudantes e estabelecer o ritmo e conteúdo a ser ensinado, contribuindo para o processo de massificação e esmagamento das individualidades. Essa estratégia se assemelha mais ao condicionamento do que à construção da autonomia do indivíduo, como você pode ver no vídeo abaixo:

Educação libertária para indivíduos autônomos

Nesse contexto, é que se insere a educadora italiana Maria Montessori. Ela criou um método de aprendizagem que era focado na experiência prática do estudante e que estimulava a criatividade, a responsabilidade, a interação social entre diferentes faixa etárias, o conhecimento descentralizado, o direito de escolha e o respeito à individualidade.

O método Montessori é baseado no livre engajamento. Ele utiliza espaços neutros, o que possibilita que o estudante se aproprie do ambiente da sala de aula. Além disso, não estabelece uma grade de conteúdos. A ideia é que cada um aprenda de acordo com seu ritmo e com seu interesse. Logo, isso fortalece no estudante seu poder de escolha e sua autonomia. Além disso, ele desenvolve mais responsabilidade sobre seu processo de aprendizagem.

Os professores ainda estão presentes e tem um papel fundamental de compartilhar seu conhecimento, orientar e explicar as regras, mas nunca de maneira impositiva. Em consequência, o estudante aprende desde cedo a lidar com sua liberdade e se torna mais confiante para correr riscos calculados.

Como resultado, esse estudante está mais preparado para a vida como ela é, ou seja, para lidar com circunstâncias desconhecidas. No modelo burocrático, disseminado pelo estado, o estudante é confinado a um ambiente totalmente controlado, o que enfraquece sua autoconfiança e inibe a tomada de atitude autônomas.

Nesse cenário, não é surpresa alguma que Maria Montessori tenha sido perseguida pelo regime de Mussolini. Afinal, seu método libertário de educação era totalmente contrário aos objetivos de doutrinação, ideologização e massificação do conhecimento pretendido pelo regime fascista.

Também não é de se admirar que o método Montessori tenha se disseminado com sucesso no setor privado de educação e tenha enfrentado resistências no ensino público. Nenhum governo se sente confortável em abrir mão sobre o controle do conhecimento nas escolas e fomentar a autonomia e o poder empreendedor dos indivíduos. Um dado interessante é que o único sistema público de ensino no qual o método Montessori teve relativo sucesso foi o da Holanda. Coincidência ou não, um dos países onde mais se respeita as liberdades individuais.

Conclusão

Apesar de haver alguns políticos realmente com boas intenções e preocupados com o desenvolvimento autônomo de nossos estudantes, é preciso ter clareza de que o governo não entrou no ramo da educação com esse pensamento. O atual modelo burocrático e doutrinário que temos tem um objetivo evidente, que controlar o fluxo do conhecimento nas escolas, uniformizar o ensino e disseminar ideologias do grupo político no poder, seja ele de que viés for.

Por isso, é preciso cada vez mais disseminar modelos alternativos e libertários como o de Maria Montessori e ajudar a informar a sociedade de que educação não é o que é oferecido hoje. É um caminho longo e árduo, mas o resultado final será uma sociedade mais livre, plural e empreendedora!

Conheça melhor a história e o método de Maria Montessori:

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Relato de uma vítima do monopólio dos Correios

correios monopólioUma das faces ocultas do monopólio dos Correios é criminalizar a livre iniciativa. Abaixo reproduzo o relato do empresário Ricardo Madeira, dono de uma empresa privada de entrega de encomendas. Note como o estado se utiliza de seu aparato judiciário para reprimir a concorrência. Perceba ainda que o Ricardo não está obrigando ninguém a utilizar seus serviços, é uma relação totalmente voluntária. Mas é claro que é tudo pelo bem da população!

Boa Tarde. Sou Diretor de uma empresa privada no RS, que desde 1994 atua na entrega de revistas, impressos, folders, catálogos e DOC BANCÁRIO. Já atingi a marca de 50 milhões de entrega no RS, PR, SP e alguns outros estados, mediante uma rede privada de empresas especializadas neste tipo de entrega. Pois bem, desde 2005 respondo na justiça por crime de violação do monopólio e FUI IMPEDIDO de entregar carta, por ser monopólio, agora em 2013. O que é uma carta? Material com conteúdo especifico do destinatário, logo, se tem o nome dentro é carta, então Passaporte é CARTA! Agora, se a pessoa quiser o passaporte entregue no mesmo dia, pois vai viajar ao exterior, não pode usar uma empresa privada e o Correio entrega em dois ou três dias.

Cheguei a manter mais de 100 funcionários, hoje possuo cerca de 20, por causa dessa decisão. O preço do Correio de R$ 1,20 carta simples até 20gr, saia por menos de R$ 0,60 na minha empresa e EU GANHAVA DINHEIRO. Meu índice de problemas é cerca de 0,0016% e os correios trabalham com índices médio de até 3%, ou seja muito acima das médias das privadas que limitam em 1%. Só para situar, TODAS as grandes empresas editoras de revista (GLOBO, MANCHETE na época, ABRIL, TRES) utilizam sistemas privados, por causa do custo e do GRANDE NUMERO DE RECLAMAÇÕES.

Imagine revista semanal, chegar na sexta? Ela tem que ser entregue no Domingo ou mais tardar na segunda cedinho. Carteiro não trabalha domingo… e também não entrega Jornal na madrugada. Com a migração das ACF para o sistema de AGF, haverá um aumento do numero de reclamações, pois varias agencias tiveram licitação deserta. O transporte de caminhões entre unidades ECT é todo privado. As coletas de materiais nas agências, é privado e público.

Na greve contratam pessoas, de um dia para outro, sem treinamento. Estacionam em qualquer lugar e não podem ser multados. Se o carteiro estiver uniformizado, não paga passagem de ônibus. Não entregam em todo o país, pois consta no site que apenas 86% é atendido do Brasil. Utilizam as famosas CPC que é uma caixa postal comunitária que um vizinho se encarrega de administrar. Se a carta postal custa R$ 0,01, quem vocês acham que paga a diferença? Agora só pode ser usada por quem tem Bolsa família (será que não é fins eleitoreiros??). Se as empresas privadas tiverem as mesmas benesses, com certeza haveriam muitos candidatos.

O Correio, por ser um serviço público, não pode se espelhar em LUCRO, mas sim em perfeito atendimento ao cidadão. Se sobrar dinheiro, ótimo. Se faltar, sem problema, faz parte do serviço público (veja educação, saúde e segurança…) É o maior empregador do Brasil, com 116 mil funcionários e apenas 60 mil carteiros. É muito cacique pra pouco índio. Quem quiser acompanhar, veja a ADPF 46 que votou pela continuidade do monopólio. Me coloco a disposição para apresentação dos documentos a que me refiro.

Para tu teres uma ideia da situação de pressão que o Correio exerce, precisei retirar todos os uniformes dos meus empregados e suspender o site, pois a multa por cada DOC encontrado em meu poder é de, pasmem, R$ 5000,00, fora a denúncia de crime contra a União, além de ter passado por Ministério Público e polícia federal… Parece até que nós empresários corretos e honestos, somos BANDIDOS.

Revisitando o injustificável monopólio dos Correios

Correios-sao-isentos-de-impostos-em-todos-os-servicos-televendas-cobrancaHá algum tempo escrevi um texto apontando a incongruência do monopólio da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Muita gente concordou com a minha visão, contudo surgiram várias pessoas discordando e dizendo que o monopólio postal é algo correto. Dessa forma, decidi escrever este texto para a bordar os principais pontos levantados a favor da ECT.

1 – As empresas privadas só querem os mercados mais lucrativos, onde é mais fácil entregar cartas.

Bem, primeiramente é difícil saber se essa afirmativa é real, afinal, como os Correios têm o monopólio, não é possível dizer se em uma situação de livre mercado as empresas privadas iriam ou não optar por entregar cartas em localidades mais isoladas.

Mesmo que fosse verdadeira esta afirmativa, só porque habitantes de locais isolados não tem acesso a mais empresas, então os cidadãos que vivem nos grandes centros também devem ser punidos e ter seu direito de escolha restringido?

2 – O monopólio só existe para cartas e não para encomendas.

Essa alegação beira ao surrealismo. Quer dizer que se o monopólio for somente sobre cartas deixa de ser injusto? Essa situação só reforça a posição contrária ao monopólio. Se é possível existir concorrência para entrega de encomendas, porque a concorrência na entrega de cartas seria ruim?

3 – Os funcionários dos Correios são treinados e instruídos conforme a legislação postal mundial,qual instituição privada irá gastar com tais treinamentos uma vez que visam apenas ao lucro.

Aqui é importante lembrar que o conceito de universidade corporativa surgiu dentro das empresas privadas americanas na década de 1980.  O fato da empresa privada buscar o lucro é exatamente o que reforça seu investimento em treinamento e capacitação. O McDonalds por exemplo investe uma média de R$20 milhões em treinamento por ano.

Além disso, as empresas públicas vivem sob influência política e seus principais dirigentes são nomeados primeiramente por critérios eleitorais, sendo que muitas vezes o critério técnico é totalmente ignorado.

4 – É melhor um monopólio público que um monopólio privado.

Aqui fica expresso um conceito metafísico. O monopólio de uma empresa privada é danoso, mas se o monopólio for de uma empresa pública é bom? A teoria da escolha pública já demonstrou que agentes públicos são indivíduos normais como todos os outros e, dessa forma, agem guiados por seus interesses, visando melhorar suas vidas.  O agravante do monopólio público é que o governo tem o poder de usar seu aparato de repressão e sua estrutura judiciária para coibir a concorrência.

5 – A ECT é uma empresa lucrativa e não utiliza dinheiro público.

Essa afirmação só demonstra porque o governo mantêm o monopólio, porque é extremamente lucrativo para ele. Vamos usar um exemplo hipotético. Vamos dizer que eu operasse em um mercado essencial, como o de alimentação. O governo, visando garantir o acesso à alimentação, decide criar uma empresa pública que terá o monopólio da distribuição de comida. Inicialmente, é necessário fazer um investimento com dinheiro público. Contudo, após algum tempo, como as pessoas precisam comer, a empresa passa a ser autossustentável e a gerar lucros.

O que os defensores do monopólio público não levam em conta é que milhões de empreendedores foram impedidos de abrir seus restaurantes e com isso perderam uma oportunidade de gerar renda para sustentar sua família.

Por fim, o exemplo da alimentação deixa bem claro que o mercado supre as necessidades dos mais pobres. Hoje, ninguém acha que, porque o governo não tem o monopólio do setor alimentício, um cidadão de uma cidade mais isolada vai ter que pagar uma fortuna para comer.

Não existe nenhum argumento que justifique o monopólio de qualquer serviço pelo estado. Logo, volto a afirmar que o monopólio dos Correis é totalmente indefensável!

Leia também: “Relato de uma vítima do monopólio dos Correios”.

Feliz aniversário, Ron Paul!

Ron Paul

Hoje, Ron Paul completa 78 anos. Para quem não o conhece, ele é político e médico estado unidense. Foi candidato à presidência dos Estados Unidos em três ocasiões 1998, 2008 e 2012.  Ele foi eleito para mandatos no Congresso americano em três períodos diferentes: de 1976 a 1977, de 1979 a 1985 e de 1997 a 2013.

Em toda sua carreira política, Ron Paul sempre lutou pelos direitos individuais, visando combater os abusos do estado sobre o indivíduo. Ele é um grande conhecedor da Escola Austríaca de Economia e, por isso, sempre se opôs às políticas inflacionárias e, principalmente à existência de um Banco Central, que é uma máquina de imprimir dinheiro e transferir riqueza dos cidadãos (especialmente os mais pobres) para o bolso de burocratas e políticos. Paul também é a favor do fim do imposto de renda, que pune o indivíduo por ser produtivo, e contra intervenções militares feitas pelo governo americano, que matam pessoas inocentes por conta de interesses políticos.

Entre as grandes realizações de Ron Paul, podemos destacar:

1) ele nunca votou a favor de um aumento de impostos;

2) ele nunca votou a favor de um orçamento público desbalanceado (com despesas maiores que as receitas);

3) ele nunca votou a favor de um aumento no salário dos parlamentares;

4)  ele nunca votou a favor de regulamentação para a internet;

5) ele votou contra a guerra do Iraque (mesmo contrariando o posicionamento do seu partido);

6) ele não participa do programa de pensão do congresso (não tem aposentadoria milionária paga com dinheiro público, como vossas excelências do Brasil);

7) ele devolve parte do orçamento do seu gabinete para o Tesouro americano.

Por fim, vale ressaltar que Ron Paul nunca mudou ou ocultou suas opiniões para ganhar votos. Ele sempre foi coerente com seu discurso e não fez concessões a grupos poderosos, nem aderiu posições populistas, mesmo que isso tenha acarretado três derrotas nas primárias para a a candidatura à presidência dos Estados Unidos. Isso, no entanto, não afetou em nada a admiração que muitos têm por ele. Poucos se lembraram dos outros candidatos republicanos, mas os ensinamentos de Ron Paul ajudaram a formar uma legião de defensores da liberdade e dos direitos individuais, como seu filho Rand Paul. Em suma, não faltam razões para desejar feliz aniversário a esse grande homem!

Somente a iniciativa privada pode universalizar o acesso à educação

educaçãoEntra ano, sai ano, e sempre nos deparamos com reportagens mostrando pais que dormem em filas para conseguir uma vaga para seus filhos nas escolas públicas. Em alguns casos, as pessoas têm que acampar em frente às escolas por até três dias, em condições precárias, como aconteceu no Mato Grosso no início deste ano. O jornal Diário de Cuiabá mostra o absurdo da situação: “As barracas de camping, cadeiras e colchões são colocados na calçada. Não há permissão para entrar na escola, nem para beber água. Para usar o banheiro, os pais precisam pagar R$ 1 numa lanchonete na rua ao lado”. Essa situação se repete em outras cidades, como Porto Alegre, Manaus, Uberlândia Maceió e tantas outras. Encontrar vagas é exceção, não regra.

Esse  tipo de problema ocorre porque o governo não possui eficiência, agilidade e gestão adequadas para suprir a demanda crescente por educação. Outro motivo é que os pais querem boas escolas para seus filhos, então se submetem a dormir em frente ao colégio para garantir uma boa educação para seus entes.

Uma solução para esse problema pode ser observado no Chile. Lá o governo, sob orientação do economista Milton Friedman, adotou desde 1981 o sistema de vouchers educacionais, o que permitiu que as famílias pudessem acessar a rede privada de ensino, aumentando o número de vagas disponíveis e de bons colégios. Além disso, o sistema promove a competição entre as escolas, o que contribui para a melhoria do ensino. Como resultado, o Chile tem hoje o melhor sistema de ensino do continente segundo aponta o ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).

Muitos críticos dizem que o sistema de vouchers não daria certo no Brasil, por conta de suas dimensões continentais. Contudo, pode-se dizer que o país já adota uma estratégia similar. Por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni), o estado concede bolsas de estudo integrais e parciais (50%) em instituições privadas de ensino superior. Dessa forma, o número de alunos matriculados no ensino superior aumentou 110% em 10 anos, segundo o Censo da Educação Superior. Além disso, um aluno matriculado na rede privada custa custa até seis vezes menos para os cofres públicos do um na rede pública. Ou seja, além de ser mais eficiente na criação de vagas, o sistema de vouchers é mais econômico.

Conclusão, o modelo de vouchers já apresenta resultados robustos no Chile em todos os níveis escolares. No Brasil, há o caso do Prouni, que ampliou dramaticamente o acesso ao ensino superior. Então, por que não ampliar o modelo também para o ensino fundamental e médio? E mais, por que não diminuir o número de escolas públicas, abrindo espaço para empreendedores na ramo da educação e valorizando a eficiência e a competição do setor privado? Ser o contra o sistema de vouchers é brigar com a realidade!