Obama deportou mais que Bush, espionou jornalistas e perseguiu opositores

obamaBarack Obama desfruta de um prestígio impressionante no Brasil e em algumas partes do mundo. Muitos o consideram um pacifista e defensor do multilateralismo. Mesmo com poucos dias de governo e sem ter realizado nenhuma ação, ele foi laureado com o prêmio Nobel da paz. Essa idealização do carismático presidente americano vem sofrendo um choque de realidade e aos poucos vê-se que, ao contrário do que parece, Obama não representa um novo caminho, mas sim uma nova roupagem para velhos vícios.

Nas últimas semanas, duas revelações abalaram a imagem do comandante em chefe. Descobriu-se que o governo americano grampeou os telefones da agência de notícias Associated Press em busca da fonte que estaria vazando informações consideradas confidenciais. A ação causou revolta em dezenas de organizações, incluindo algumas que ajudaram Obama a se reeleger, como meios de comunicação progressistas e sindicatos.

Além do caso de espionagem de jornalistas, foi revelado que o Internal Revenue Service (IRS), o fisco americano, perseguiu grupos do movimento oposicionista Tea Party, realizando investigações consideradas ilegais. Obama disse desconhecer o problema, porém, em audiência no Congresso, J. Russell George, inspetor-geral do Tesouro americano para a administração de impostos, afirmou que o governo havia sido informado sobre a operação cinco meses antes dela vir à tona.

Para piorar, os escândalos aparecem em um momento em que Obama vinha enfrentando críticas de muitos segmentos por conta do uso de aviões não tripulados, os chamados drones, em operações de contra terrorismo. Aqui no Brasil, muitos segmentos se revoltaram com uma operação policial dentro de uma zona pobre, na qual oficiais atiram em um traficante em uma perseguição em uma área residencial.

Os que se levantaram contra essa operação alegaram, acertadamente, que o fato de o traficante ter sido morto não justifica o risco que os moradores daquela área sofreram. A situação é exatamente igual aos drones, os aviões realimente ajudaram a abater muitos terroristas, mas no processo mataram mais de uma centena civis inocentes, incluindo mulheres e crianças. A semelhança entre as duas situações, no entanto, não é suficiente para que os indignados brasileiros se juntem ao coro pelo controle e pela transparência do política de assassinatos seletivos dos drones de Obama.

Outro equívoco é pensar que Obama é um defensor dos imigrantes. O atual governo deportou mais gente do que a administração de George W. Bush, tido como preconceituoso e autoritário. Mais de 2 milhões de estrangeiros foram obrigados a deixar os Estados Unidos por conta de ações do governo Obama. Nos quatro primeiros anos de mandato, o governo Obama deportou duas vezes mais imigrantes ilegais do que o de Bush (2001-2009) em dois mandatos.

Eu poderia aqui enumerar outras várias razões para não idolatrar Obama, como o fato de ele não ter fechado Guantánamo, a mania de culpar a oposição por todos seus fracassos, o não cumprimento da promessa de diminuir o desemprego para 5% entre outras tantas medidas discutíveis. Em suma, muita gente ainda admira aquela imagem que a equipe do presidente americano construiu na sua primeira eleição em 2008. Entretanto, após assumir o comando do país, Obama se revelou um político muito diferente, mas pouca gente notou isso por aqui…

Eleições americanas – cobertura jornalística ou torcida organizada?

Barack Obama é definitivamente um político carismático. Sua imagem não conquista somente americanos. Por exemplo, em uma pesquisa no Google pela expressão “Obama eleições 2012”, chega-se a mais de 5 milhões de resultados. Já a mesma consulta feita com o nome do adversário do presidente americano no pleito deste ano, Mitt Romney, apresenta pouco mais de um milhão de menções.

O fato de o carisma de Obama atrair internautas não é problema algum, só demonstra a popularidade e o trabalho da equipe de marketing e relações públicas do presidente. O trabalho do democrata na internet é inclusive referência para estrategistas eleitorais. Contudo, essa situação não deveria se repetir dentro de uma empresa jornalística,  que visa, teoricamente, a imparcialidade.

Uma pesquisa no site Folha.com no mês de agosto apresenta 280 resultados para Obama e 175 para Romney.  Ou seja, 37,5% a mais para o presidente norte americano. Alguns podem argumentar que, por conta do cargo, é natural aparecerem mais menções ao ocupante da Casa Branca, que não são necessariamente ligados à eleição.

Contudo, na semana de 25 a 31 de julho, quando ocorreu a convenção do partido republicano, que homologou a candidatura de Romney, Obama continuou sendo mais mencionado que seu opositor (99 x 85). Importante ressaltar dois pontos. Primeiro, a Folha tinha dois correspondentes cobrindo o evento republicano. Segundo, nesse período não houve nenhum acontecimento que envolvesse o posicionamento de Obama como presidente, logo, a lógica seria que houvesse mais citações do republicano.

Colunista em campanha

Alguém pode contestar, dizendo que a maioria das matérias que falam sobre Romney tratam também de Obama, pois ambos estão envolvidos na mesma disputa eleitoral. No entanto, não é somente no número de resultados de busca que a Folha tem demonstrado um viés pró Obama.

Por exemplo, o economista Paul Krugman, que é assumidamente democrata, tem uma coluna semanal no jornal e  não hesita em criticar o candidato republicano em todas as oportunidades. Para ser mais exato, nos últimos dez textos, nove criticavam o adversário de Obama.

Outro colunista do jornal, Clóvis Rossi, em agosto falou três vezes sobre a eleição americana. Em todas criticou Romney, inclusive com um texto com título pra lá de alarmista  (“Porque tenho medo de Romney”).

É importante deixar claro que não estou aqui defendendo nenhum candidato. Entendo que a última gestão republicana de George W. Bush cometeu equívocos absurdos e criou uma antipatia para o partido como um todo. Também admito, como disse no início deste texto, que Barack Obama é um político de muito carisma e que isso naturalmente atrai a simpatia das pessoas. Entretanto, em uma cobertura jornalística, deve-se buscar balancear os pontos de vista para evitar que afinidades ideológicas levem informações distorcidas aos leitores.

Texto publicado no Observatório da Imprensa

Personalidade da marca X marca da personalidade

Dois fatos marcaram esta semana: o afastamento do apresentador Rafinha Bastos da bancada do CQC e a morte do empresário Steve Jobs. Correndo o imenso risco de comparar uma decisão administrativa a um falecimento, enxergo um ponto em comum entre os dois acontecimentos: o conflito de um grande personagem com a empresa (ou programa) do qual é parte.

Tanto Rafinha Bastos (em menor escala), quanto Steve Jobs (indiscutivelmente) criaram personas que se confundem e, em certos momentos, até concorrem com a marca que defendem. Durante o CQC da última segunda, o tópico mais comentado no Twitter era o afastamento do co-apresentador do programa e não as matérias exibidas pelo semanal.

Já no caso de Jobs, muitas vezes a ansiedade pelos aparatos da Apple era quase que diretamente proporcional à expectativa em relação a apresentação que Steve faria. Essa situação não é nova e pode ser identificada em vários outros casos: Mark Zuckerberg X Facebook; Lula X PT; Romário X seleção de 94; Obama x Partido Democratas, entre outros.

A grande questão é identificar até que ponto o carisma do personagem agrega valor à marca (partido, programa, seleção etc). Em alguns casos, acontece o contrário e a marca acaba ficando menor que seu representante.

Interagir é obrigação

Eu comentei semana passada sobre a importância de saber andar pelo mundo virtual. Tentei mostrar a utilidade da internet para o mundo político, com o caso da reestruturação da Constituição da Islândia, que está sendo feita com a participação dos cidadãos pelo Facebook e pelo Twitter.

Estar na web e interagir com as pessoas, na minha visão, não é uma opção dos entes públicos, mas sim uma obrigação. É preciso reconhecer a internet como um espaço para prestação de serviços e aprofundamento da transparência.

Deve-se fazer uso de todas as funcionalidades permitidas para promover interação. Porém, temos visto iniciativas contrárias a essa premissa. Por exemplo, no blog do Planalto, o visitante não pode comentar as notícias. Dessa forma, ele deixa de ser um espaço de reflexão para tornar-se apenas um Diário Oficial mais descolado.

Além disso, é preciso utilizar as ferramentas de modo contínuo. Muitos políticos em época de eleição criam contas nas redes sociais para panfletar online. Porém, quando o certame acaba, o perfil nunca mais é atualizado. Se o candidato está ocupado demais para prestar informações por esse canal, o mais elegante é fechá-lo. A presidente Dilma, por exemplo, postou pela última vez no twitter em dezembro do ano passado.

Em comparação com Obama, ela está sete meses defasada. O presidente dos Estados Unidos, que virou referência em comunicação na internet, postou pela última vez ontem. A presidente está menos ativa até que outros presidentes menos “tecnológicos” como o da Venezuela, Hugo Chavez, que tuitou no último dia 6 e o presidente da Rússia, Andrei Medvedev, que postou há poucas horas.

Talvez seja por esse uso meio equivocado das potencialidades da internet que o ex-presidente Fernando Henrique (a moda do momento) defendeu, em artigo para a revista Interesse Nacional, que a oposição preparasse uma estratégia de comunicação nesse espaço para ganhar novos eleitores. Infelizmente, a observação de FHC ficou ofuscada pelo pedido infeliz (e um tanto preconceituoso) para que o PSDB esquecesse o “povão”.

Para não dizer que não falei das flores

Para não cair em uma crítica pura e simples, é importante ressaltar que há políticos tentando utilizar as mídias sociais para se comunicar e prestar contas com seus eleitores. Ainda está longe de ser um caso de sucesso, mas é um bom indício. Alguns exemplos são Marina Silva, Manuela D`Ávila e Cristovam Buarque. Além de interagir na conta do Twitter, os três tem bons sites e blogs.

Como eu disse em artigo anterior, quem não busca aprimorar a navegação na internet vira alvo de piratas.

Sorria, você está sendo compartilhado!

A internet é um ambiente que permite que com inovação, ousadia  e qualificação se concorra com o poder monetário das grandes empresas. Velhos modelos tem pouca efetividade na web e quem domina os novos modelos são pessoas que pensam de forma diferente da lógica convencional.

Um bom exemplo de como modelos antigos parecem pesados no ambiente online, são os perfis criados nas redes sociais na época da eleição. Muitos políticos, para aparentar modernidade, se afundaram e viraram motivo de chacota por tentarem reproduzir na rede o modelo de panfletagem que utilizam nas ruas.

Muito se fala do sucesso de Obama nas redes sociais. Porém, poucos vão a fundo para entender qual a postura que a equipe do candidato democrata adotou para cativar as pessoas. Para mim, a estratégia deu certo por um motivo específico: a equipe se preocupou em oferecer plataformas e deixar que os próprios internautas criassem o conteúdo.

Uma das grandes sacadas na minha opinião, e que ilustra bem como aproveitar o poder de compartilhamento para agregar valor, foi o site “Design for Obama”. Nele, as pessoas podiam criar e postar cartazes sobre Obama, o que ajudou a aproximar e a humanizar mais a imagem do atual presidente americano. Você pode conferir alguns dos resultados dessa experiência clicando aqui.

É fácil apontar os erros, mas é bem mais difícil adotar a postura de abertura e compartilhamento. Vivemos por muitos anos em um modelo que pregava a propriedade da informação como um valor basilar. É a velha história de “informação é poder”. Esse paradigma explica porque o Congresso reluta tanto em abolir o sigilo eterno para documentos governamentais. Porém, essa é uma batalha perdida, e o Wikileaks, site especializado em compartilhar documentos secretos, está aí para mostrar isso.

Bin Laden está morto, o terrorismo não!

O  presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou, no início desta segunda-feira, a morte de Osama Bin Laden. Uma imensa multidão foi às ruas comemorar o fim do suposto chefe terrorista.

Porém, em um momento de comoção popular, é bom lembrar que a morte de Bin Laden só serve para saciar a sede de vingança do ataque de 11 de setembro de 2011. É muita ingenuidade pensar que a morte de Bin Laden botará fim às ações terroristas pelo mundo e acabará com as ameaças ao território norte americano. Sem a sombra do triunfalismo, a lógica mostra que o movimento terrorista não tem como chefe apenas o saudita.

Grande feito de Obama era plataforma principal de Bush

É preciso lembrar que os EUA foram vítimas de outros ataques de grupos variados, antes mesmo do nome de Bin Laden ficar famoso na mídia. Por fim, é incrível pensar que o feito que talvez mais dê força ao combalido governo de Obama, tenha sido exatamente um dos grandes pilares do infeliz governo Bush.

Obama colhe louros envelhecidos, que não se conectam com suas plataformas de campanha. Gostaria de fechar este post ressaltando que, apesar das ressalvas que fiz, a morte de Bin Laden entra para história. A partir de agora, temos um novo marco que servirá tanto para capitalizar as proezas do governo Obama, quanto para incentivar a formação de novas frentes extremistas islâmicas, muitas querendo vingar Bin Laden. Veremos o que nos espera!

Cultura FaceWorld

Foto Pablo Martinez Monsivais/AP

O título deste post é uma alusão ao ensaio do pesquisador Benjamin Barber “Cultura McWorld”. O estudioso afirma que a verdadeira globalização vem sendo feita não pelos países, mas pelas grandes multinacionais, que são capazes de atravessar as fronteiras e integrar-se às mais diversas culturas.

Barber afirma que “a nova cultura globalizante expulsa do jogo não apenas aqueles que a criticam de um ponto de vista reacionário, mas igualmente os seus concorrentes democráticos, que sonham com uma sociedade civil internacional constituída de cidadãos livres oriundos das mais variadas culturas”.

No texto, o pesquisador utiliza o McDonalds como exemplo de grande corporação que se infiltrou em várias culturas, inclusive aquelas que se destacam pela culinária local como França e Itália.

Destaco esse ensaio para abordar o evento da última quarta-feira, quando o presidente dos Estados Unidos Barack Obama realizou uma palestra pelo Facebook, divulgada mundialmente. A rede de Mark Zuckerberg já possui mais de 600 milhões de usuários e é umas das empresas mais populares do planeta.

Segundo Barber, “McWorld é uma América que se projeta em um futuro moldado por forças econômicas, tecnológicas e ecológicas que exigem integração e uniformização”. Nessa visão, podemos analisar o evento como um esforço de Obama de tentar aliar a imagem do Governo dos Estados Unidos a do Facebook. Dessa forma, ele procura atrair a simpatia das pessoas que são usuárias da rede e admiram o perfil inovador e empreendedor de Zuckerberg.

Em um momento em que o país está com a imagem um pouco arranhada pelo uso da hard power na intervenção da Líbia, Obama utiliza o Facebook para expandir a influência americana por meio do soft power. Como afirma Barber, “as relações de força tornam-se forças de sedução: a ideologia transforma-se em uma espécie de ‘videologia’ às base de sons expressos em bits e de videoclipes”.

É importante ressaltar que esse post não tem o objetivo de criticar a ação, que se configura em uma ótima sacada, mas sim de tentar explicitar os motivos mais institucionais que a motivaram. Além disso, o evento também mostra a importância dos empreendedores para a imagem de cada país. Não sei se Zuckerberg teve algum auxílio do Governo para montar sua empresa, porém, quando Obma faz uma palestra para uma platéia mundial por meio do Facebook, não dá para não enxergar os Estados Unidos como um país empreendedor. É a cultura FaceWorld!

Abaixo uma parte da palestra de Obama:

O marketing inovador de Obama

Uma notícia chamou a atenção esta semana. Na próxima quarta-feira (20), às 20h45 (horário de Brasília), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, responderá a perguntas sobre inovação enviadas por usuários do Facebook em todo o mundo.

Com certeza, o carismático (e midiático) presidente norte americano receberá milhões de questionamentos de todas as partes do planeta, querendo ouvir suas ideias inovadoras. Porém, há algo suspeito. Quais conhecimentos extraordinários possui Obama para se colocar como um papa da inovação? O evento é ainda mais questionável, se pensarmos que o mandatário acabou de sofrer uma derrota no Congresso, depois de negociar por semanas uma tregua com parlamentares republicanos. Além disso, sua imagem de pacifista ficou prejudicada pela intervenção polêmica na Líbia.

Outro ponto a se observar é que Obama lançou-se recentemente candidato a reeleição. Não duvido que ele tenha pessoas muito capacitadas em sua equipe, que sejam até mesmo referência em inovação. É até uma sacada legal aproveitar o carisma do presidente para promover o tema. Entretanto, o evento parece, neste momento, estar muito mais para o lado do marketing do que para o da ciência e da tecnologia. O que não deixa de ser uma grande inovação!