Ser grosseiro é diferente de ser autêntico

Trump

Um fenômeno assustador vem acontecendo nas primárias republicanas nos Estados Unidos. O bufão Donald Trump vem vencendo em vários estados acumulando delegados. Isso tem gerado um intenso movimento do próprio GOP para evitar que o milionário seja o candidato.

O grande trunfo de Trump é seu jeito desbocado. Muitos eleitores têm associado esse comportamento a uma suposta autenticidade e sinceridade. Para essa parcela do eleitorado as falas preconceituosas dele significam que ele fala o que pensa e não tem rabo preso.

O pior é que Trump tem sabido aproveitar os ataques para se colocar como um mártir, um cavaleiro solitário lutando pelo futuro dos americanos. A verdade porém é que ele aponta não para o futuro, mas para o passado. Sua campanha é calçada no xenofobismo, no machismo e no preconceito. Tudo isso de forma desavergonhada e extremada. Ele busca se conectar com os sentimentos mais retrógrados dos cidadãos americanos.

Contudo, a democracia é, por excelência, o regime da negociação e da construção de consenso. O extremismo só serve para gerar paralisia e, no extremo, ruptura e autoritarismo.

No fim das contas, na maioria das vezes, os eleitores acabam por optar por candidatos mais pragmáticos e moderados, o que contribui para a consolidação e aprimoramento do sistema democrático.

E boas notícias vem surgindo nos últimos dias. A vitória de Trump na Super Tuesday não foi tão avassaladora como as pesquisas apontavam. Além disso, houve um crescimento dos candidatos mais sensatos.

Para concluir,  reforço a mensagem do título. Grosseira não é autenticidade e muito menos sinceridade. Como vocês podem ver no vídeo manifesto de John Oliver, Trump tem mentido descaradamente para os votantes.

O que é um estadista?

ron paulEm seu mais recente livro “Caráter e Liderança”, o cientista político e presidente do Centro de Liderança Pública, Luiz Felipe d`Ávila, destaca as características que deve possuir um estadista. Uma das principais é ter persistência e competência para educar a opinião pública acerca de ideias e princípios os quais valora. Outra importante qualidade é saber abrir mão dos ganhos presentes em prol de uma grande e benéfica mudança futura.

Para exemplificar, d`Ávila lembra de uma frase do ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean Claude Juncker, sobre a crise européia: “todos sabemos como superar a crise européia; apenas não sabemos como fazer isso e ganhar a próxima eleição”. Essa declaração ilustra um dos maiores problemas da política. A maioria dos que se envolvem no processo político-eleitoral tem como principal preocupação manter-se no poder e não promover grandes mudanças.

Nesse contexto, uma frase que me chama atenção é uma declaração de Marina Silva em entrevista para a Folha de S.Paulo na época das últimas eleições em 2010. A ex-ministra do Meio Ambiente defendia que “se ganhar, quero ganhar ganhando, e se perder, quero perder ganhando”. Questionada sobre o que significava “perder ganhando”, ela respondeu: “É quando você sai do processo maior do que você entrou. E nem precisa ser maior eleitoralmente, em quantidade de votos. Significa que você não vendeu seus princípios. Manteve uma atitude digna, justa, inclusive na relação com os concorrentes”. E completou: “a derrota ou a vitória se mede na História”.

Infelizmente,  Marina contradisse tudo o que defendeu em 2010 ao abrir mão de seus valores em troca de uma sigla para disputar a eleição de 2014. Porém, meu ponto aqui não é evidenciar os casos que deram errado. Quero aqui mostrar um caso prático de um estadista, que abriu mão de vitórias eleitorais para dar visibilidade às suas ideias e educar a opinião pública. Esse personagem é Ron Paul.

Ele concorreu à presidência dos Estados Unidos por três vezes. A primeira em 1988 pelo partido Libertário. Depois, visando dar mais visibilidade aos seus princípios, mudou-se para o partido Republicano e voltou a concorrer em 2008 e 2012 pelo cargo mais alto do poder excecutivo norte americano.

Enquanto todos os outros candidatos abriam mão de seus valores com o objetivo de conquistar votos, Paul se mantinha firme em suas ideias, sendo muitas vezes tratado como louco ou radical pela imprensa e pelo próprio partido. Além disso, mesmo derrotado nas primárias republicanas, Ron se negou a apoiar o candidato de seu partido, mantendo-se fiel ao que defendia.

Como resultado, Ron Paul conseguiu algo muito maior do que uma vitória eleitoral. Ele cativou uma imensa base de apoiadores, que tiveram os primeiros contatos com as teorias libertárias através dele. Além disso, ele conseguiu popularizar bandeiras que ele defendia, como a liberação do comércio de drogas e a batalha contra as intervenções militares dos EUA. Por fim, ele abriu mais espaço para a ala libertária dentro do partido Republicano, criando um esboço para uma novo via na política americana.  Como dizia o slogan de sua campanha, ele promoveu uma verdadeira revolução.

Por fim, a influência de Ron Paul extrapolou as fronteiras de seu país e ajudou a difundir as ideias da liberdade por vários outros países, inclusive o Brasil. Assim, ele conseguiu educar a opinião pública e abrir espaço na agenda política para as bandeiras da liberdade. Ou seja, ele , como defendia Marina Silva, “perdeu ganhando”. Ele poderia ter aberto mão de seus valores para conseguir vencer as primárias e ser o candidato republicano, mas ele preferiu ser coerente e conseguiu uma vitória muito maior e mais duradoura. Paul criou um movimento que permitirá que no futuro próximo candidatos que defendem a liberdade individual possam participar das eleições de forma competitiva, sem ter que renunciar seus princípios. Está aí um estadista de marca maior! Que suas sementes floresçam e seus exemplos ecoem cada vez mais!

Governo canalha gera inflação e desemprego

inflação canalhaInflação pode sim gerar mais empregos, mas esse é um efeito ilusório e de curto prazo. No longo prazo, o que acontece é uma onda ainda maior de pessoas sem emprego. Antes de explicar como isso acontece, é importante esclarecer que inflação não é um simples aumento de preços. Se acontece uma seca inesperada, pode haver uma alta nos preços dos alimentos. Contudo, esse aumento não é inflação.

Inflação ocorre quando há um aumento na oferta monetária, ou seja, quando o estado decide, por meio do seu Banco Central, imprimir mais dinheiro sem lastro (para ler mais sobre como o governo imprime dinheiro para se sustentar, clique AQUI).  Um dos principais motivos que leva um governo a imprimir mais dinheiro é criar uma falsa sensação de pleno emprego.

À medida que há mais dinheiro à disposição, o crédito é artificialmente barateado. Esse processo ajuda a financiar empreendimentos insustentáveis, que não seriam realizados em condições normais. Esses negócios construídos com base no crédito barato vão certamente gerar mais empregos.

O leitor mais animado pode perguntar qual o problema da inflação. Afinal, se ela ajuda a criar empregos, não deveria ser considerada tão ruim assim. O grande problema é que a inflação distorce o mercado e prejudica os empreendimentos sustentáveis. Por exemplo, um empreendedor percebe que há uma demanda por pães em determinado local. Então, ele decide abrir uma padaria, que logo se torna rentável, por responder a uma demanda real dos consumidores. De repente, o governo decide imprimir dinheiro, barateando o crédito. Dessa forma, um aventureiro aproveita-se do financiamento a baixos preços e abre uma outra padaria no mesmo local.

Com isso, aquele cidadão que primeiramente enxergou a oportunidade de mercado é obrigado a elevar os salários dos seus empregados para não perdê-los para o novo concorrente. No entanto, essa elevação dos salários não reflete em ganho de produtividade. Ou seja, o padeiro passa a ganhar 10% a mais, mas continua a produzir a mesma quantidade de pães.

Dessa forma, o empreendimento passa a dar um retorno menor ou, até mesmo, a operar com prejuízo. Para remediar esse quadro, o dono da primeira padaria é obrigado a repassar o aumento para o consumidor final. Em outras palavras, o pão passa a custar mais caro. A questão é que não existe uma demanda real para as duas padarias. O segundo estabelecimento só é viável por conta da impressão de dinheiro feita pelo governo.

Em um primeiro momento, enquanto houver mão de obra ociosa, o dono da primeira padaria pode evitar elevar os salários de seus funcionários e assim aumentar os preços do seu produto. Contudo, a medida em que outras pessoas se aproveitam do crédito barato para abrir novos empreendimentos, a mão de obra vai ficando escassa e o aumento da oferta monetária começa a impactar os preços e gerar inflação.

Assim que os índices de inflação começam a subir, os bancos passam a encarecer o crédito para não perderem dinheiro. Nesse momento, aqueles empreendimentos que dependiam do financiamento barato começam a quebrar e o desemprego começa a subir. A grande tragédia é que não são só os empreendimentos insustentáveis que quebram. Aqueles que, antes do processo inflacionária, eram viáveis também quebram, pois veem o preço dos  seus insumos se elevar e são obrigados a pagar mais caro pela sua mão de obra. O resultado é uma taxa de desemprego ainda mais elevada do que a do período anterior ao aumento da impressão de dinheiro.

desempregoÉ essa armação desonesta que presenciamos hoje no Brasil. O governo aumentou a quantidade de dinheiro e barateou o crédito de forma artificial. Isso derrubou a taxa de desemprego a níveis historicamente baixos e ajudou os atuais donos do poder a conseguirem se manter no cargo.  Porém, como disse no início desse texto, esse mecanismo funciona somente no curto prazo. Agora é chegada a hora da fatura e o desemprego entrou em uma linha ascendente, como você pode ver na imagem ao lado, e deve continuar a subir por muito tempo.

A maldade de tudo isso é que aquele cidadão que conseguiu emprego em um empreendimento sustentado em crédito barato fez planos de longo prazo e decidiu pegar um financiamento para comprar uma casa nova, por exemplo. Agora, ele ficará desempregado e endividado, simplesmente porque um grupo político quis enganar a população para se manter no poder. O pior de tudo é que ainda se dizem defensores dos mais pobres. Canalhas!

Conservadores também são estatistas

impostoUma alegação comum no campo político é que conservadores e libertários deveriam deixar suas diferenças de lado e se juntar para combater a expansão dos grupos de esquerda. Esse argumento está baseado na premissa de que conservadores e libertários tem mais ideias coincidentes que discordantes.

Contudo, uma análise mais próxima pode indicar o contrário. Talvez o crescimento de grupos coletivistas esteja baseado exatamente em uma aliança entre estes e alguns grupos conservadores, que querem impedir cortes ou extinção de gastos governamentais.

Tomando como exemplo o partido republicano nos Estados Unidos, observa-se que o segmento dominante do GOP defende a manutenção dos gastos em defesa e na repressão à venda de drogas.

Ou seja, o grupo majoritário do partido republicano tem muito mais a ganhar se aliando aos democratas para derrubar cortes no orçamento estatal, do que defendendo políticas que estimulem a livre iniciativa, não onerem o setor privado e se oponham a ataques “preventivos”.

Outro grupo que tem muito a ganhar com alianças com estatistas são os herdeiros do coronelismo e as grandes empresas. Esses dois grupos se beneficiam da proximidade com o estado para conseguir obras e programas que vão lhes garantir lucro, poder e vão sufocar a concorrência. Nada melhor para um grande empresário, como Eike Batista, do que um governo que cria regras que limitam a competição e ainda empresta, a juros abaixo das taxas de mercado, dinheiro dos pagadores de impostos.

O pior de tudo é que esses grupos se utilizam de bandeiras libertárias para ludibriar o eleitorado. Tanto conservadores, quanto coronéis e grandes empresários amigos do rei, se dizem defensores dos direitos individuais. Isso acaba confundindo muita gente, que acaba achando que capitalismo é igual a corporativismo. Grupos coletivistas se aproveitam dessa confusão e ganham popularidade em cima dessa falácia.

Em suma, diante do monopólio que certos grupos estatistas estão tendo, principalmente na América Latina, alguns libertários se sentem tentados a aderir a esse discurso de que conservadorismo e libertarianismo devem se unir contra os estatistas de esquerda. Contudo, na minha visão, isso é um tremendo erro, pois os conservadores, por não abrirem mão de certos gastos governamentais, estão obrigatoriamente ligados ao campo estatista e, sempre que sentirem que esses recursos podem sofrer cortes, vão se aliar sem pestanejar aos grupos dos gastadores de impostos.

Títulos vazios – a força da realidade sobre os significados

Neste vídeo, o etimologista Mark Forsyth demonstra por meio de um exemplo como os políticos tentam utilizar as palavras para “domar” o curso da história e como o resultado dessa tentativa é exatamente o contrário do desejado.

Os poucos mais de 6 minutos de palestra evidenciam os interesses ocultos dos discursos políticos e mostram como a escolha de nome dos cargos pode virar tema de debate por meses nos parlamentos.

O eleitor que se dane!

Saiu hoje uma notícia que mostra o tamanho do desprezo que alguns partidos tem pelo eleitor. O PTB negocia a filiação de José Roberto Arruda, aquele mesmo que renunciou ao mandato de senador e perdeu o cargo de governador por conta de um esquema de corrupção. É importante frisar ainda que Arruda é réu em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), como chefe do mensalão do DEM no Distrito Federal.

O PTB já mostrou que não se preocupa nem um pouco o histórico dos seu quadro. Tanto que possui grandes “cases” de adoção de políticos corruptos, entre eles está, veja só, o ex-presidente Fernando Collor. Não dá para exigir muito de um partido, que tem como presidente Roberto Jefferson.

A ideia de Arruda é concorrer por uma vaga a deputado federal. Há dois meios de impedir esse projeto desavergonhado. O primeiro é uma condenação no STF, que o tornaria inelegível. O segundo, e mais importante, é por meio do voto. Quando o ex-governador renunciou ao cargo de senador por violar o painel de votação do Senado, ele retornou depois como parlamentar mais votado no DF. Então, é fundamental que não se cometa o mesmo erro, pois Arruda já mostrou que o que ele quer com a política é engordar o bolso, não melhorar o vida do cidadão.

Caso você tenha se esquecido das peripécias do chefe do mensalão do DEM, seguem abaixo dois vídeos para refrescar a memória:  

Nunca deseje uma ditadura!

Ditadura é isso aí!

Em resposta ao meu último post, surgiram vários comentários de pessoas que desejam a volta de um governo militar. Confesso que me surpreendi com a quantidade de pessoas que consideram a ditadura uma forma de gorvenaça mais limpa e livre de corrupção.

Há grupos de judeus que sentem medo de que a geração que não viveu os horrores do holocausto não entenda a dimensão da tragédia que ocorreu nos campos de concentração. Ao ler alguns comentários aqui, também senti receio de que algumas pessoas não entendam bem o que ocorreu durante a ditadura militar.

Afortunadamente, não vivi aquela época. Porém, tenho a consciência de que nenhum governo que tenha feito uso de praticas como tortura, censura, toque de recolher entre outras, possa ser bom para qualquer sociedade.

Sempre pior do que se imagina!

Também é preciso esclarecer que ditaduras não acontecem somente sob governos militares. Cuba até hoje aprisiona pessoas contrárias ao regime e exige autorização para que seus habitante (ou prisioneiros?) possam sair da ilha. Ou seja, para visitar outro país, não basta a um cubano conseguir um visto da nação que pretende visitar, é necessário que o “governo” dê autorização, como se fosse dono da pessoa.

Para mim, parece incompreensível que muitas pessoas louvem o governo chinês por seus feitos, deixando de lado o fato de que os chineses, em sua imensa maioria, não tem seus direitos individauis respeitados. É realmente impressionante como as pessoas se iludem achando que a China é uma alternativa melhor à influência americana. Leia AQUI uma excelente análise sobre como será o mundo, se a China tornar-se a principal potência do planeta.

Muito pior que a pior democracia!

Por mais que algumas pessoas possam considerar os norte americanos “imperialistas”, é necessário pensar que pelo menos eles são um Estado de Direito, com imprensa livre, com liberdade de associação entre outros luxos democráticos que a China e outras ditaduras preferem evitar.

Ditaduras não são menos corruptas. Elas apenas são menos transparentes. Não é à toa que o primeiro ato de qualquer governo ditatorial é eliminar as vozes dissonantes. A pior democracia do mundo será sempre MUITO melhor que a melhor ditadura.

Então, gostaria de pedir a todos que não se deixem levar por uma idealização de ditadores incorruptíveis. As ditaduras são tudo de ruim que já escreveram e muito mais. Só conhecemos a ponta do iceberg, os porões continuam fechados.

Futebol e política – entre Michel Teló e Sócrates

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Depois que Cristiano Ronaldo, um dos jogadores mais conhecidos do mundo, dançou o rit “Ai se eu te pego”, o cantor Michel Teló alcançou o topo da lista de mais tocadas na Espanha. O mesmo aconteceu depois na Itália depois que Robinho e Alexandre Pato comemoraram seus gols no Milan com a coreografia.

Esse fenômeno demonstra o poder que os atletas tem de divulgar ideias e culturas. Sócrates, na época da Democracia Corintiana, já tinha consciência dessa visibilidade. Em seu livro, ele afirma que “o jogador de futebol nada mais é do que um representante de seu povo (…). eu sempre vi o futebol como algo muito mais grandioso do que é divulgado pela imprensa esportiva”. Porém, ele lamentava já naquela época a falta de visão de muitos boleiros. “O jogador de futebol não tem consciência de seu poder”. Ele atribuía essa falha à precária formação escolar de grande parte dos atletas. “Se você não tem informação, você não sabe o que existe além de você”.

Ele alertava para a influência que um jogador poderia exercer. “O atleta de futebol dos dias atuais é alguém com poder econômico e político nas mãos que todo mundo sonha em ter. Mas ele não sabe usar, pois não tem informação”.  Para Sócrates, o futebol poderia servir como um sistema de mobilização da sociedade. “A gente pode transformar a sociedade por meio do futebol. É o único meio, penso, que pode acelerar o processo de transformação da nossa sociedade porque é nossa maior identidade cultural”.

Juntando as pontas, imagine se o Governo e as entidades da sociedade civil trabalhassem mais próximos aos jogadores, alimentando-os com informações e contribuindo para mobilizar a sociedade em prol das grandes causas de interesse público? Esse processo tem um precedente muito relevante. A participação de alguns jogadores corintianos nas manifestações do movimento das Diretas Já e nas greves dos sindicalistas do ABC paulista. Naquela época, movimentos sociais, percebendo o engajamento dos atletas, buscaram se aproximar deles para darem mais visibilidade para suas causas.

Meu ponto é que, caso as pessoas continuem ignorar o poder mobilizador do futebol, vendo-o apenas como ópio do povo, continuaremos vendo a propagação de outros “ai se te pego”, o que não é ruim (pelo menos para o Michel Teló), mas é um baita desperdício de potencial.

Os perigos da “googlerização” da informação

Acredito que a maioria das pessoas que começam um blog o fazem para poder emitir opinião e ter voz própria sobre os fatos. Contudo, para buscar mais visibilidade, muitos (eu incluso) vão atrás de formas de melhorar o rankeamento nas buscas do Google. O WordPress possui inclusive uma ferramenta que identifica os termos que facilitam que motor de busca encontre seu texto.

Dessa forma, ficamos sugestionados a escrever mais sobre assuntos que são mais procurados e, sem perceber, abrimos mãos daquela ideia de voz própria que tínhamos quando começamos a escrever. O Google vai estabelencendo assim uma espécie de linha editorial da busca.

Não gosto de alimentar teorias conspiratórias. Sei que as busca sãofeitas por meio de algorítimos matemáticos, que refletem na maioria das vezes o interesse comum das pessoas, mas também não quero ser ingênuo de acreditar que a empresa, com seus compromissos econômicos, não influa de alguma forma nos resultados.

Alguns pesquisadores e blogueiros já falam do fenômeno da “googlerização” da informação. Ter um mecanismo que organiza e busca as informações de bancos de milhões de banco de dados é, com certeza, excelente. Contudo, não se pode esquecer que empresas tem interesses mercadológicos, como ficou evidente quando o Google passou a omitir informações do Facebook, um dos seus concorrentes diretos. Além disso, como já comentei em outro post, o Google tem uma divisão para patrocinar candidatos que representem seus interesses, o que aumenta as suspeitas sobre a imparcialidade dos resultados de busca da ferramenta.